NÃO PERCA:

NÃO PERCA:

30/11/2004

Vêm aí as Torres do Restelo?!!

O presidente da Câmara de Lisboa disse ontem que quer "tratar o Belenenses em pé de igualdade com outros clubes que já mereceram o apoio da autarquia". Isto poderá vir a traduzir-se na aprovação do projecto imobiliário do clube do Restelo, que está actualmente "em apreciação pelos serviços" camarários.Com tanta invasão de betão e grua por essa Lisboa, já nem sei se o projecto em causa é, ou não é, o mesmo que foi adiantado e chumbado ao tempo de Abecassis, e que foi apelidado ao tempo de "Torres do Restelo". Só sei que já mete impressão a reverência aos clubes de futebol. Foi o Sporting, foi o Benfica, agora é o Belenenses, amanhã será o Atlético, mais tarde o Oriental, etc. Só sei que são sempre os mesmos. Só sei que é mais um atentado ao "sky line" daquela zona de Lisboa, ao azul de Lisboa. Só sei que está mal. E lembro-me que Santana Lopes, quando tomou posse como Presidente da CML, comprometeu-se a inverter a relação de forças construções novas vs. construções reabilitadas. Afinal, foram só palavras. O mesmo para o PDM: são letra morta.
PF

28/11/2004

Flores!?!

Será só a minha rua, ou será que Lisboa cheira a tudo menos a flores???
PP

EuroMilhões (de contos) ACT

"Não sei ao certo quanto ganha o arquitecto Frank Gehry, mas ganha muito dinheiro. Não há ninguém a ganhar tanto. O projecto custará 25/30 milhões de contos"
Pedro Pinto, vice-presidente da CML referindo-se ao autor do plano de renovação do Parque Mayer, citado pela Visão 25/11/04.

O projecto do Parque Mayer, ou seja, os desenhos deste arquitecto para a construção do novo Parque Mayer, custarão mais que a construção do novo estádio da Luz, mais do que a construção de 8 túneis do Marquês, e acrescentarão em 25% o valor do passivo da CML.

Para que se entenda melhor o que está em causa, aqui deixo algumas notas relativamente ao trabalho deste aquitecto em Bilbao.

Bilbao é uma cidade periférica, vulgarmente associada a um banco, capital de uma região de Espanha, vulgarmente associada a uma corrente política independentista.

Lisboa é uma capital europeia com 900 anos de história.

O Guggenheim em Bilbao tem em 35.000m2 uma colecção de quadros espantosa, de interesse universal.

O Parque Mayer tem um programa cultural ultrapassado, com base num tipo de teatro fácil, brejeiro e de fraca qualidade, e está projectado para uma área de 19.000m2, que incluirá, restaurantes e escritórios.

A construção do Museu em Bilbao custou cerca de 150 milhões de dólares, o arquitecto foi escolhido por concurso, com entrega do projecto em 3 semanas (arquitectos concorrentes: Frank O. Gehry, Arata Isozaki e Coop Himmelblau). Cada arquitecto recebeu 10.000 de dólares.

O projecto do Parque Mayer foi adjudicado por convite, feito via deslocação aos EUA com a data de entrega do projecto não especificada. A CML, com a visita de Gehry, gastou 1 milhão de euros, com honras de Estado e sangria, e propõe-se gastar até mais 150 milhões de euros.

Quando perguntarem ao Vice-Presidente quanto custará a construção do projecto, que dirá ele?
…250 milhões contos, 300 milhões …

A minha pergunta para o Sr. Vice Presidente é a seguinte:
- Já que não sabe quanto é que Gehry vai ganhar com Lisboa, diga-nos quanto é que Lisboa vai ganhar com Gehry?

PP

26/11/2004

Gêlo em Lx, palavras para quê?

Os lisboetas assistiram Quinta-feira à inaguração da "Lisbon on Ice", pode ler-se na edição do "Expresso". Écrans gigantes, super-colunas debitando 15.000 watts de música escolhida por DJ, bancada para 300 pessoas, parqueamento, pipocas e bifanas. Bom, palavras para quê? É o ensaio para a nova feira popular. Ah!, esquecia-me de dizer que a pista é no tal pátio das missas, junto ao Tejo e defronte ao Palácio de Belém.
PF

24/11/2004

Feira Popular em bolandas

Eu sempre pensei que o que motivava o braço-de-ferro que a CML disputava, desde há anos, com os feirantes da Feira Popular, para que aceitassem o fecho do espaço de Entrecampos, fossem razões de ordem estética, higiénica e logística (por esta ordem) e que portanto se quereria deslocalizar a Feira, modernizando-a e esterilizando-a, também, substituindo-a por um espaço "liberto". Mas desde que o Parque Mayer foi chamado à "mesa das negociações" que ando de pé atrás. Dito e feito. O que parece estar em causa nesta novela mexicana é tão somente a libertação dos terrenos de Entrecampos, não para prolongar o espaço verde do jardim do Campo Grande, mas antes para construção desenfreada, como moeda de troca pela retirada estratégica dos interesses dos proprietários do Parque Mayer. Ninguém quer saber dos maus cheiros da defunta Feira Popular; nem dos divertimentos achincalhados, nem do ambiente terceiro-mundista que todo aquele quarteirão apresenta, nem sequer das dificuldades dos feirantes e da Colónia Balnear "O Século". Porque só assim se compreende que ninguém saiba, pense ou fale sobre "qual", "onde" e "como" será a nova Feira Popular. Não vai para a Belavista, nem para a zona da Expo, nem para Monsanto, porque, suponho, ninguém a lá quer. A bem dizer, toda a gente diz que amava "aquela" Feira de Entrecampos, mas ninguém quer receber a "nova", seja ela qual for. Diz-se agora (aqui, ali e acolá) que irá para o Jardim do Tabaco. Eu digo: patetice pegada. Será mais uma vez, tentar "meter o rossio na betesga", e será visualmente poluidor, seja de que perspectiva for. Um grito: DEIXEM A ZONA RIBEIRINHA EM PAZ!
PF

22/11/2004

Passo a passo, o Convento dos Inglesinhos parece poder safar-se

Após a sua proliferação no plano da construção nova, o conceito de condomínio fechado ou, mais genericamente, da habitação dita de luxo, está a voltar-se para edificado patrimonialmente relevante, inserido em malhas historicamente consolidadas, mas degradado por circunstâncias várias do seu percurso e que, uma vez intervencionado, entra no mercado a preços inacessíveis à generalidade dos cidadãos... Começa assim um magnífico artigo-dossier que o "Diário de Notícias" publicou ontem, dia 21. Com depoimentos vários. Vale a pena ler. É o Convento dos Inglesinhos de volta à discussão pública. Segundo fonte do movimento de moradores pelo Convento, há perspectivas animadoras quanto à paragem das obras pró-condomínio. Ainda bem.
PF

Fez-se luz em Lisboa

Gostava de saber por que razão as luzes que Lisboa dá à luz, por ocasião do Natal, são sempre tão saloias. Porque não optam pelo simples? Pela decoração sóbria? Nada melhor e mais bonito do que ver uma Lisboa inteira de luz branca. Fixa, de preferência. E as montras do nosso comércio, igualmente iluminadas. Mas não, faz dó ir de rua em rua por essa Lisboa e deparar com alegorias de anjinhos, vaquinhas e burrinhos em presépio tão imaginativos quanto a imaginação permite; mais embrulhos de prendas que os lisboetas imaginam dar mas que, em época de crise, se ficam pelo imaginário; ou aqueles conjuntos mais ou menos geométricos que ornamentam algumas das placas centrais de algumas das nossas melhores praças. Este ano, pasme-se, ainda há essa árvore dos 2 milhões de luzinhas BCP, televisionada em directo, acompanhada de fireworks, e garbosa-terceiro-mundisticamente apelidada de "a maior da Europa". E aquelas cores, Deus meu! Já tivemos amarelas, encarnadas, verdes. Este ano a paleta dos "iluministas" da nossa Lisboa, resolveram dar-nos o azul. Para o ano, será o lilás?
PF

18/11/2004

Portagens em Lisboa

Não deve ser um fim, mas sim um dos meios para reformar todo o plano de mobilidade. Não deve ser uma receita adicional da CML, mas sim uma forma de calibrar o sistema e de obter receita para financiar a implementação do mesmo plano.

Não deve ser trazida à discussão pública por si. Deve ser uma medida apoiada em estudos e deve ser apresentada com um novo modelo de transportes públicos integrado com transportes individuais, com estacionamento periférico, etc.

Faz todo o sentido falar em portagens para entrar na cidade. Quem traz o carro para a cidade causa uma externalidade negativa e deve pagar por isso (diferente do muito em voga princípio do utilizador-pagador).

Não faz o mínimo de sentido falar em portagens, quando se constroem túneis, silos e parques estacionamento subterrâneo e se fala em construir mais uma travessia rodoviária.
PP

Rendas e afins

Vamos aguardar para ver. Alterações feitas em cima da aprovação da lei não dignificam governantes, senhorios, nem arrendatários. Mesmo assim tenho esperança que pior do que aquilo que está é impossível. Talvez seja um tiro certeiro de PSL: afinal de contas algum haveria de falhar o pé.
PP

António Costa indisponível para candidatura a Lisboa

De aplaudir que como candidato melhor colocado dentro do partido (que é o provável vencedor das próximas eleições para Lisboa) ache que é mais relevante cumprir o mandato que lhe foi conferido pelos portugueses nas eleições europeias. É uma atitude que lembra a memória de António Sousa Franco.
PP

Política iluminada

Passavam poucos minutos das 18h quando o presidente da CML ligou um interruptor de caixa de electricidade e colocou ontem toda a Baixa a luzir.

Os problemas do comércio tradicional não passam apenas pelas grandes superfícies, passam pela forma pacóvia como estes (sobre)vivem e aquilo que reivindicam.

O que falta à baixa é um plano de mobilidade e recuperação do património. Querem ajuda?
PP

15/11/2004

Carmona Rodrigues na RR

Fui telespectador atento da longa entrevista que Carmona Rodrigues deu à Rádio Renascença, transmitida ontem à noite, na RTP2. No cômputo geral, fiquei com boa impressão dele. Além de ser homem afável, pareceu-me genuinamente interessado em deixar às gerações futuras uma Lisboa melhor e, melhor, ser alguém competente. Tem ainda a virtude de não sabe esgrimir argumentos de retórica política (aliás, foi nítido, por ex., o embaraço em responder sobre algumas das muitas "batatas quentes" do ex-Presidente). Contudo, pareceu-me perdido quanto a algumas questões (e foram poucas) levantadas pelos jornalistas. Sobre o referendo às torres de Alcântara (que afinal também parece abarcar as torres de Santos, de Foster), os seus resultados serão "estudados"... pelo que se pergunta sobre se o referendo servirá para alguma coisa (não vincula? e os cidadãos, só servem para opinar sobre umas coisas e sobre outras não?); sobre a participação interventiva dos cidadãos ora defendia uma maior intervenção cívica, ora criticava Sá Fernandes, por ex., dizendo que ele chega sempre "tarde"; sobre o trânsito no centro de Lisboa disse nada (por ex, que o B.A. está fechado ao trânsito, etc., bom, eu vejo-o sempre cheio de carros, porco do chão às fachadas e completamente anárquico); sobre os ministérios sairem do T.Paço (já vamos em 3 anos de mandato e nem uma portinha foi libertada!) disse e contradisse; sobre as trocas de terrenos à volta do Parque Mayer-Entrecampos-Alta de Lisboa foram só evasivas. Falou pouco sobre a Lisboa que temos e a que queremos. Espremida a entrevista, o que ficou foi pouco, muito pouco. Talvez porque se sente como devedor de favores ao ex-Presidente. Talvez porque saiba que, a continuar independente (o que só o enobrece, claro), dificilmente será futuro candidato a nº 1. Voltaremos a falar daqui a uns 6 meses.
PF

12/11/2004

Cores devolvidas ao Chiado

Ora aqui está uma notícia que me faz confusão! Lisboa era a "Cidade Branca". Agora pretende ser uma cidade da Toscânia, ou da Riviera da Ligúria. Concordo que em certos sítios (Sétima Colina, por ex.) seja preciso dar calor, dar chama, mas, chamem-me o que quiserem, sou contra as cores garridas elevadas à enésima potência. Por exemplo, na Mouraria ou em Alfama faz-me espécie. E no Chiado a coisa também parece algo deslocada, acho mesmo que o "bairro" está a ficar demasiado "United Colors". Mas enfim, gostos são gostos e quem me diz que não sou eu que ando de "gosto ao peito".
PF

Palácio da Rosa, a classificar pelo IPPAR

E são notícias como esta que nos fazem lutar por causas como a da casa de Almeida Garrett, cuja petição ainda decorre e que daremos conta do seu estado muito em breve. O Palácio da Rosa acaba de ser classificado pelo IPPAR. Contudo, e aqui é que reside o busílis das classificações, isto que agora se anuncia nunca é um fim em si mesmo, pois uma classificação é tão somente um passo no sentido da recuperação, no sentido da preservação do espaço e da memória. Infelizmente, o IPPAR não tem meios que lhe permitam comprar os edifícios, recuperá-los e explorá-los. Nem tem competências para tal. A sua acção é de protecção mas até um certo grau. E é nessa fronteira que os privados entram. Sem termos investidores privados avessos à especulação e ao lucro fácil; sem termos clientes avessos ao mau gosto e à perda de memória colectiva; nada feito.
PF

CML arranja órgão dos Paulistas

São notícias como esta e essa que nos fazem ter esperanças de que nem tudo está perdido e que os nossos governantes, às vezes, sempre zelam pelo nosso património. Com efeito, a Igreja de Santa Catarina tem um dos interiores mais bonitos de Lisboa, nomeadamente a nível de talha dourada e de pinturas. E um órgão, magnífico. Que me lembre, ao longo dos últimos 15 anos vi e ouvi vários órgãos ser restaurados, designadamente o da Igreja da Madalena, dois do Convento de Mafra, o da Basílica dos Mártires, o de São Vicente de Fora (o meu preferido), e o da Igreja Matriz de Óbidos. Faltam muitos mais, a começar pelo fabuloso órgão barroco da Sé, que já viu o primo afastado que está à sua frente ser recuperado e tocado com mestria, mas que sendo muito mais bonito e valioso do que aqueloutro, continua a aguardar por uma intervenção que o prestigie. Falando de órgãos, ainda, vi outro dia uma coisa incrível, na Igreja da Senhora do Pópulo, nas Caldas da Raínha: numa folhinha A4, à entrada da igreja, pedia-se aos visitantes que dessem uma esmolinha para o restauro do órgão, que está esventrado, com os tubos partidos, etc. Uma vergonha. Aliás, aquela zona histórica, começando pelo jardim e acabando nas termas é toda uma vergonha e um caso típico quanto ao abandono do nosso património, ao desleixo e à falta de entendimento entre organismos públicos e privados, ao longo de décadas e décadas. Voltando ao princípio, é pena que o restauro vá demorar 20 meses... Mas o curioso disto tudo é que imediatamente ao lado da dita igreja, acaba de dar à luz um silo magnífico, estilo c.c., completamente "enquadrado" naquela zona. Como uma mão se dá, com a outra se tira.
PF

09/11/2004

Aqueduto das Águas Livres, longe da vista, longe do coração

A CRIL (Circular Regional Interior de Lisboa) não pára de 'encalhar' em protestos que têm impedido a construção do troço Buraca/Pontinha. Depois de os moradores de Benfica recusarem a passagem daquela via junto das suas casas, a Associação Ofícios do Património e da Reabilitação Urbana ameaça «mover uma acção judicial contra o Estado, se insistir na demolição de parte do Aqueduto das Águas Livres para concluir a CRIL».
Sendo à partida compreensível a posição do IPPAR, ao não poder, estatutariamente, ir contra o Estado, i.e. contra a sua própria tutela, não deixa de ser sintomático do estado a que este país chegou: o mesmo Estado, pretende candidatar o Aqueduto das Águas Livres a património mundial, e depois deixa destruir um troço de 180 mt do aqueduto para que uma estrada por lá passe. Supõe-se que o aqueduto valha só por aquilo que se vê e não pelo que se advinha. Uma estrada que pode passar por túnel, segundo dizem alguns entendidos. Assaz curiosa, também, é a dita "colisão de interesses públicos, entre o Ministério das Obras Públicas e o Ministério da Cultura. Tem graça, eu pensava que o "interesse público" era um e só um, e não dois ou vários. Nesta novela do troço final da CRIL (sobre se passa por baixo ou se por cima - destruindo ou não os tais 180 mt de troço enterrado) aplica-se a velha máxima popular: longe da vista, longe do coração.
PF

04/11/2004

Herman compra Tivoli

Aplaudo moderadamente esta notícia do Correio da Manhã, do DN e do Expresso. A razão é simples: acho que programar o Tivoli não é a mesma coisa que rodar uma série de "sketches" para a TV, ou gerir directos na SIC. E continuo sem entender porque razão uma sala como o Tivoli só pode subsistir com programações de índole generalista e popular. Não que tenha nada contra isso, mas o Tivoli não é o Villaret. Por outro lado, dá-me graça que seja precisamente numa altura em que o Tivoli perde as suas características de teatro (por via das obras do Forum Tivoli, que lhe amputaram parte da caixa de palco) que passa a ser referenciado como teatro de eleição. Por outro, nos últimos dez anos, o Tivoli apenas esporadicamente teve espectáculos que o fizessem resplandecer, e esses foram as produções de Tito Celestino da Costa, e as exibições de gala da Cinemateca, durante Lisboa' 94. Aplaudo, porque antes ia frequentemente ao Tivoli e agora me recuso a ir vê-lo no estado em que está, e fico contente por haver alguém interessado na recuperação da sua imagem. Moderadamente, porque não tenho tanta a certeza que a programação a anunciar (sorry amigo Markl!) seja merecedora de uma sala como o Tivoli.
PF

02/11/2004

Parque na R.Lins do Rêgo volta a atacar

Conforme esta notícia nos dá conta, o famigerado parque de estacionamento na Rua José Lins do Rêgo volta à ribalta lisboeta. Por isso, aqui fica o comunicado que a Comissão de Moradores da Zona Oriental do Campo Grande nos fez chegar em devido tempo. Aproveitamos o ensejo para endereçar a nossa solidariedade a todos os moradores daquela zona, fazendo votos para que a novela acabe em bem, apesar das cenas dos próximos capítulos poderem parecer o contrário. Aguardemos.
PF

"Comunicado à População

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Continua a novela: Vale Tudo !

.

Não deixa de ser estranho que o actual presidente da CML tenha escolhido o dia a seguir a um fim de semana prolongado para relançar a novela do parque de estacionamento da Rua José Lins do Rêgo. O anúncio da sessão quase passou despercebido aos moradores interessados no caso. A verdade é que a Assembleia
Municipal de Lisboa do 2 de Novembro, volta a discutir uma proposta da CML que
o anterior presidente tinha retirado, por considerar o assunto encerrado, porque susceptível de uma melhor resolução. Há 7 anos que os moradores assistem estupefactos a presidentes, assessores, deputados municipais e dirigentes camarários que num dia dizem uma coisa e no dia seguinte o seu contrário.

Episódios Anteriores

Ainda está na memória de todos quando às 20h10, do dia 4 de Maio de 2004, em plena Assembleia Municipal de Lisboa, o então presidente da CML - Pedro Santana Lopes -, num gesto teatral, pediu a palavra e afirmou que acabara de abandonar o projecto de construir dois famigerados parques de estacionamento subterrâneos, um na Rua José Lins do Rêgo e o outro na Av. da Igreja.
Virando-se para os deputados da Oposição, sobre o primeiro dos projectos, afirmou que não se iria fazer "valer da deliberação tomada no tempo do anterior Executivo para pôr em prática aquela com que então concordaram mas agora já eram contra." (pág.68, da Acta Nº.56 da AML).

O acto, rodeado de um enorme aparato mediático, acabou por ser aplaudido não apenas pelos deputados municipais, mas também pelo numeroso grupo de moradores que se deslocaram à Assembleia Municipal. Todos suspiram de alívio com o fim do inconcebível parque de estacionamento no jardim da Rua José Lins do Rêgo:

- A maioria dos deputados municipais pensou que finalmente a CML iria seguir as
recomendações que a Assembleia Municipal aprovara no dia 13 de Abril de 2004, quando apreciou e votou favoravelmente um parecer da Comissão Permanente de Urbanismo, Rede Viária e Circulação (CPURVC), no qual se preconizava a elaboração de um Plano de reordenamento do bairro de Alvalade, nomeadamente das áreas ocupadas por lixeiras, barracas e outras construções abarracadas.

- Os moradores pensaram que a CML iria estudar as alternativas para a construção do parque, que passam pela requalificação dos terrenos baldios existentes no local, dando-lhe uma finalidade mais útil à comunidade.

- Os munícipes em geral suspiram de alívio com o fim de mais um nebuloso negócio camarário, no qual a CML dava terrenos públicos junto à Gare do Oriente a um empreiteiro (Dolbac, Construções, Lda, sediada na Cova da Piedade ), como contrapartida pela construção de um piso no parque de estacionamento na Rua José Lins do Rêgo. Tudo a pretexto de ajudar a obra do pároco de Santa Maria dos Olivais e de Santa Beatriz de Chelas, devidamente apoiado nestas operações pelo ex-presidente da Auto Parque Lins do Rêgo (especializado em terraplanagens) e membro das comissões de obras nas referidas paróquias.

- O deputado do PSD, João Pessoa e Costa (ligado à construção civil e obras públicas) ,foi outro dos que suspirou de alívio. O fim do negócio poupava-o de novas cenas como aquelas que fez quando sustentou na Assembleia Municipal que, à volta da Rua José Lins do Rêgo, não existem áreas ocupadas por lixeiras e construções abarracadas, sendo um jardim público o único espaço disponível para a construção do parque de estacionamento.

Últimos Episódios

O espectáculo ainda não terminara. Pedro Santana Lopes, entretanto saía da CML (Julho de 2004), sendo substituído pelo actual presidente. A novela do parque da Rua José Lins do Rêgo, retomava agora antigos episódios deixados em suspenso quando este autarca abandonou a edilidade em Abril de 2003. Os moradores sentiram-se desde logo apreensivos quanto ao seu desenvolvimento.

Tinham razões de sobra para recearem o pior. Quando Carmona Rodrigues estava na CML já os moradores colocavam enormes e legitimas reservas sobre a sua total isenção num processo que envolvia o seu colega de Faculdade na UNL e presidente da Assembleia Geral do Auto Parque Lins do Rêgo, entidade promotora do parque de estacionamento. Para além do mais, nunca este autarca se dignou receber os moradores ou responder aos seus pedidos de informação. Em Novembro de 2003 constataram junto dos serviços camarários que, durante o período em que tivera a seu cargo o processo do parque, desapareceram os documentos sobre a oposição dos moradores à sua construção. Verificaram também que no processo passou a constar um pseudo-acordo com os moradores para a construção de um segundo piso que seria suportado pelo município. Acontece que estes nunca foram ouvidos nem achados sobre o assunto. Facto que a CML até ao presente nunca esclareceu, apesar dos insistentes pedidos dos moradores.

A verdade é que dos Olivais e de Chelas, nos últimos meses, não tardaram a surgir notícias. As obras do pároco íam ter um novo impulso, equacionando-se inclusivé a criação de um fundação para gerir o previsível aumento de património. A empresa Dolbac, Construções, Lda que tem realizado as obras do pároco e que projecta construir igualmente o parque, limitou-se a manter os estaleiros na Rua Afonso Lopes Vieira desde Novembro de 2003, ciente talvez de que cenários mais auspiciosos acabariam por aparecer.

Outros pequenos sinais mostravam que algo estava a mudar nas orientações do município. O deputado do PSD que havia defendido o Parque na Assembleia Municipal fora entretanto nomeado para a presidência da empresa municipal Ambelis/LIFT. O vereador independente Fontão de Carvalho (genro do construtor Alves Ribeiro) foi nomeado para o pelouro das finanças. O caso nada tinha de especial não fosse o facto do mesmo, em 2000, ter assinado com Machado Rodrigues a cedência de grande parte da Rua José Lins do Rêgo para a Associação Lins do Rego (Proposta 82/2000), sem ter consultado os moradores
como a lei o exigia.

Estamos perante uma teia intrincada de coincidências, factos relevantes e
outros insignificantes, mas que ajudam no seu conjunto a perceber as razões
mais profundas porque uma proposta abandonada em Maio volta em Novembro à
Assembleia Municipal para ser aprovada.

Chegados a este ponto da novela, são inúteis os argumentos que podem ser apresentados para mostrar, uma vez mais, a falta de sentido socialmente
relevante para este negócio camarário . Os argumentos são conhecidos, mas
ninguém na actual CML parece neles estar interessado. Entramos no grau zero da
gestão autárquica: vale tudo ! Os munícipes dificilmente se conseguem
reconhecer nesta autarquia. Lisboa, triste fado.

Lisboa, 30 de Outubro de 2004

Comissão de Moradores da Zona Oriental do Campo Grande

Toda a informação em: http:// jornalpraceta.no.sapo.pt
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