23/07/2014

MODAS, A QUANTO OBRIGAS!

Raro é o dia em que não sou obrigado a perguntar-me quando, exatamente, o nosso povo deu este salto civilizacional que nos leva a matar uma sede de estar na crista da onda da modernidade contra qualquer argumento, ainda que essa modernidade se reduza, na grande parte das vezes, a modismos que como tais, vão tão depressa como vieram.
A nossa cidade, que é capital de um dos poucos Estado/Nação do mundo, realidade histórica com mais de 800 anos, está coberta de obras, acabadas, em curso ou planeadas, em que se retira o original e coloca-se o faz-de-conta.
Quem já não tem, nas suas casas, uma cozinha moderna, com móveis que são de madeira prensada ou uma parede de gesso cartonado - vulgo pladur - ou até mesmo de janelas de PVC ou alumínio (dou os parabéns a quem tiver janelas iguais aos dos vizinhos porque a regra não é essa)?
Pois é, este é o estado da nossa sociedade, que prefere o que parece... mas não é.

Estes móveis de cozinha foram arrancados de um apartamento Art-Déco, sito na Rua Carlos Mardel e deixados, cheios de arestas e pregos, em plena via.
O que estava de errado com eles? Tinham a cor errada...
Não, talvez o que estava errado era serem de madeira maciça.

38 comentários:

Filipe Melo Sousa disse...

O autor do post é livre de remodelar a sua casa como bem entender, usando materiais e acabamentos antiquados se achar que isso é desejável e estético.

Filipe disse...

Mas agora uma pessoa não pode decorar o interior da sua cas ao seu próprio gosto?

A. M.C. disse...

Ao comentador assíduo do blog:
em relação ao tema substancial do meu artigo oferece-lhe escrever algo? De preferência evitando as banalidades e leviandades do costume?

A. M.C. disse...

Caro Filipe das 10:49,
o tema substantivo do meu artigo prende-se com o fenómeno que leva alguém a preterir materiais de qualidade por outros de faz-de-conta: faz de conta que é madeira, faz de conta que é parede ou tecto, faz de conta que é bom.
Se gosto tiver alguma coisa a ver com o tema de fundo que lhe expliquei acima será então a falta de gosto.

Filipe Melo Sousa disse...

Caro autor do post:
o meu comentário é curto e claro. O direito dos outros em decorar a sua casa como lhes apetece não o lesa em nada. Os seus juízos de valor morais sobre o gosto dos outros são tão questionáveis como o gosto dos outros na sua escolha de materiais. Mas com uma diferença: é que os seus juízos de valor não são inocentes. Eu bem sei que aquilo que você preconiza é a imposição dos seus gostos pessoais aos outros por via da lei, da força e da coacção. Tirania portanto. Nada mais lógico portanto que lembrar que sempre lhe assiste o direito, que você quer retirar aos outros, de decorar a sua casa como lhe apetecer. Mas como sou liberal, acho que não se deve retirar esse direito a si. Não teço juízos de valor morais. Como também não teço qualquer juízo por ter de expor detalhadamente o que não entendeu com uma frase curta.

A. M.C. disse...

Caro comentador assíduo do post:
não sei se terei sido demasiado curto na minha resposta mas continuo sem saber o que pensa sobre a substância do meu artigo que, caso não tenha percebido, prende-se com esse fenómeno extraordinário de pessoas preterirem materiais de qualidade e genuinos por outros que são sucedâneos, imitações, refugo...mas modernos.
Quanto aos gostos pessoais não faço qualquer espécie de apreciação sobre eles no artigo, mas caso queira saber o que penso terei todo o gosto em dar-lhe a minha apreciação sobre o assunto, e fá-lo-ia com toda a liberalidade que tanto preza, garanto-lhe.

CrocDundee disse...

Sem falar no facto de ficar tudo no meio do passeio.
Mas o tipo da camisola verde, acha que está tudo bem e nem se incomoda com o lixo nos jardins lisboetas.

Anónimo disse...

será que o autor pode mostrar uma foto da sua cozinha?

Filipe Melo Sousa disse...

Caro autor do post,
A sua tentativa de me condicionar o âmbito e a natureza da minha resposta é um quanto pueril. Como disse não teço juízo de valor sobre os materiais que cada um escolhe para decorar o interior da sua casa. Ainda mais pueril e fantasiosa é a sua tentativa de adivinhar qual o material que substitui o que foi deitado fora. O novo interior é algo que você desconhece por absoluto. Depois vem a desonestidade intelectual: ao fazer juízos de valor estéticos diz que não os faz. E o que mais deseja é utilizar a força da lei para impor os seus aos outros. E de seguida quer condicionar as respostas nesta caixa de comentários assentando-as nos seus pressupostos morais. Mas não. Não podemos permitir que os nossos carrascos nos imponham a sua agenda moral.

A. M.C. disse...

Caro comentador assíduo do blog:
corrija-me se estiver errado mas não é o comentador que vem a este espaço diariamente, várias vezes na realidade, para deixar comentários como aquele em que taxa de despesismo de dinheiros públicos a campanha de uma igreja para angariar meios para a proteção e restauro de património que afinal é de todos? Penso que a questão da puerilidade está arrumada.
Não é o comentador que, mesmo não oferecendo qualquer contributo para as discussões aqui trazidas, mas optando sempre por uma atitude psedo-anárquica de choque contra o sistema - risivelmente acaba por estar em linha com o sistema de coisas que se verificam atualmente e penso que deve ser o único que ainda não percebeu esse facto - e não resiste em tecer juízos de valor estético (pensa que me esqueci o que já despejou neste espaço sobre os azulejos?), ainda que ninguém esteja verdadeiramente interessado nas suas mensagens que destilam, se não outras patologias, pelo menos uma frustração pessoal e necessidade de protagonismo, que encontra lamentavelmente aqui? Mas aparentemente só não faz juízos de valor estético com aqueles que correspondem ao seu padrão de bom e bonito... sabemos bem o que isso significa no seu caso.
Caro comentador, não condicionei a sua opinião por que ela está já bastante condicionada pela patente má-fé que demonstra em qualquer assunto. Quanto a ser carrasco, agradeço a excesso de relevância que me dá mas estranho a escolha de palavras tão revolucionárias e dos idos tempos do MFA e do 25 de Abril que tanto critica.
Será que agora fui demasiado longo para si?

Filipe Melo Sousa disse...

Caro autor do post,
Não deveria ser difícil para si perceber qual a lógica da minha intervenção. Entendo que cada um deve ter a liberdade de não ser coagido por "iluminados" a seguir os seus padrões estéticos. Ninguém deve ser obrigado a usar madeira maciça, acabamentos antiquados ou azulejos pirosos. O monopólio do uso da força por parte do estado não deve ser o passatempo pueril de alguns saudosistas que não souberam ultrapassar as mudanças e o progresso. Mesmo que a coação seja encapotada com taxas, regulamentos, "inventivos", "regulamentos", "classificações" e afins. Outros há que aqui redigem e comentam que acham essa tirania estética útil. Eu não sou uma dessas pessoas. Este blog advoga ser um espaço de discussão aberto e plural. O sr autor do post não devia pasmar-se em ter contraditório na caixa de comentários. Já não falo da técnica de retórica estalinista de categorizar a discordância de "patologia". Também é livre de fechar a caixa de comentários ou de apagar alguns. Estaremos então a falar de outro tipo de blog.

jac disse...

Infelizmente o meu 1º post não apareceu!?
Avançando, será que hoje em dia não existe materiais de qualidade?
Acho eu que existe actualmente cozinhas modernas ou não, feitas em madeira madeira, e quem lhe diz que a cozinha que está a ser remodelada não é feita com materiais de qualidade?

A. M.C. disse...

Caro comentador assíduo do blog:
continuo a não saber o que pensa da substância do tema do meu artigo, ou seja, substituir por materiais inferiores outros que têm qualidade intrínseca, ainda que a forma não agrade. Não referi nada sobre a forma, ainda que tenha uma opinião muito clara e que poderei oferecer aos leitores com muito prazer.
Porque exatamente não se regula, não se coage existe este blog; já que teve a bondade de nos lembrar o escopo deste espaço deveria ter em mente exatamente este ponto. Quer isto significar que desconheço as razões do seu protesto constante quando intervem: suponho, então, que seja para a manutenção do status quo.
Com toda a frontalidade lhe pergunto onde houve um contraditório ao que aqui eu trouxe à colação. Não li nada sobre a qualidade dos materiais modernos ser mais vantajosa que a dos antigos, que ser-se derivado é, comprovadamente, mais vantajoso. Isto seria um contraditório ao meu artigo. Não o fez, não se iluda.
Eu sou livre de muita coisa, de apagar ou fechar a caixa de comentários...não fiz. Isto diz-lhe alguma coisa?

A. M.C. disse...

Caro JAC,
ninguém me disse que a cozinha que está a ser substituida não será com materiais de qualidade. Alguém lhe disse a si que seria substituida por materiais de qualidade?

Filipe Melo Sousa disse...

Caro autor do post,
Face às mesmas perguntas só posso dar as mesmas respostas, e volto a referir a minha última resposta portanto. Eu bem sei que este blog não exerce lei, mas como disse antes preconiza o uso da força para impor padrões estéticos discutíveis. E volto a repetir-me: as suas opiniões não são por isso inocentes.

Anónimo disse...

Esse tal que sempre aqui aparece é um fenómeno da contradição. Diz que não volta a pagar impostos ao Estado Português que o defraudou, mas paga a um Estado e a uma sociedade que é tudo o que ele critica, ou seja, impõe regulamentos de proteção do património, sobre o lixo, estacionamento...está certo! Suponho que deve haver alguma lógica.

A. M.C. disse...

Caro comentador assíduo do blog:

face à mesma pergunta responde com a mesma não resposta.
O uso da força para impôr padrões estéticos claramente não existe na capital. Esse é o problema. Preconizamos que se faça como em Estados como aquele em que diz viver, se proteja aquilo o que é e será património, pertença a quem pertencer.
Padrões estéticos são sempre discutíveis e você é um bom exemplo disso.
Calculo que esteja a querer defender que os seus comentários são totalmente desinteressados e não ideológicos... não serei o público ideal para o fazer.
Caro comentador, teve de minha parte o protagonismo suficiente para reafirmar o que já sabemos de si. Poderá optar por continuar a escrever sobre este tópico mas fá-lo-à sozinho. Divirta-se!

jac disse...

Caro A.M.C.
Caso não se recorde foi você quem abriu este pressuposto ao dizer "o tema substantivo do meu artigo prende-se com o fenómeno que leva alguém a preterir materiais de qualidade por outros de faz-de-conta: faz de conta que é madeira, faz de conta que é parede ou tecto, faz de conta que é bom.", ou seja quem considerou logo á partida que os materiais não seriam nobres foi você.

JJ disse...

Lamento, mas faço minhas as palavras do Filipe (apesar de achar que a tentação do extremismo irracional também o toca por vezes). Não contentes com destilar ódio acerca de realidades alheias (que não compreendem e não querem sequer compreender) relativas a espaços públicos e ainda precariamente agarradas ao conceito de cidade e "res publica", eis que o âmbito tão nobre deste blog se expande para o domínio da opinião pessoal sobre aquilo que as pessoas fazem dentro de suas casas, provavelmente na tentativa de obter créditos ("likes") junto do coro dos do costume que alimentam esta fantochada. Mas sinceramente, deste blog extaordinário,que ainda diz promover o debate no seu vácuo texto de apresentação, nada já me espanta. E ainda gostam de se apelidar de "fórum"!!

Anónimo disse...

Ah sim, o pladur deve ser nobríssimo..

Anónimo disse...

E o contraplacado também...

Anónimo disse...

E o flutuante? Ui..

Em edificado histórico então...

Rui disse...

"(pensa que me esqueci o que já despejou neste espaço sobre os azulejos?)"

É, acho que ninguém se esqueceu!

Depois quem impõe os padrões estéticos são os outros..

Ainda por cima a manutenção de uma fachada revestida a azulejos é muito menos dispendiosa que uma com reboco, que tem de ser pintada regularmente.
Mas ai o despesismo já não conta, não é sr fms...

A dualidade no seu melhor!


A. M.C. disse...

Caro jac,
estes pressupostos, por mais especulativos que sejam por não conhecer o que vai ser colocado em substituição destes móveis, são constatações daquilo que tem sido a prática. E é sobre essa prática que constitui um fenómeno bastante representativo do estado cultural do nosso povo que se debruça o meu artigo. Se os móveis são bonitos ou feios ou se os de contraplacado são bonitos ou feios são factores de discussão que posso incluir noutro artigo, mas foi irrelevante neste.

Anónimo disse...

Felizmente o homem mello de sousa está bem longe. Bradem aos céus!

Imaginem se estivesse num cargo relevante..
Quais invasões napoleónica, quais nacionalizações republicanas(que o ilustre tanto gosta de citar)

As "invasões" Filipinas punham estas duas no bolso, pois não pautavam pelo roubo mas sim pela destruição!

A. M.C. disse...

Caro JJ,
tenho de confessar que a sua mensagem incorre no mesmo vício daquelas do comentador que veio aqui concordar, ou seja, nada escreve sobre a substância do artigo. O que pensa sobre a substituição de materiais genuínos por outros sucedâneos e que fazem de conta que são os genuínos?
É sobre isto que a sua opinião teria sido bem vinda.
Quanto às apreciações que faz do espaço e dos seus intervenientes e o uso de palavras como ódio que destilamos são, tem de concordar comigo, demasiado telenovelescas, deslocadas. Eu bem sei que vivemos em tempos hiperbólicos onde as palavras já não têm o seu significado real mas outros, sempre mais sensacionalistas; mas esse tipo de afirmações não faz da sua intervenção algo a levar-se a sério. Assim, se nos quiser presentear com a sua opinião sobre porquê se deitam fora materiais de qualidade e se substituem por outros de inferior e de longevidade menor, ou até se quiser sustentar que os novos materiais são de facto melhores, não hesite em escrever.

Filipe Melo Sousa disse...

Caros bloggers, estou em modo ferias com o tel na praia por isso talvez nao consiga manter o nivel de qualidade habitual dos meus comentarios. So para relembrar que a opinião do autor nao é inocente como ele pretende. O tema da discussão nao é uma simples questão de gosto. O tema aqui é uma tentativa de opinion-making para impor por força da lei materiais antiquados so porque o autor do post acha bem.

Anónimo disse...

"Assim, se nos quiser presentear com a sua opinião sobre porquê se deitam fora materiais de qualidade e se substituem por outros de inferior e de longevidade menor, ou até se quiser sustentar que os novos materiais são de facto melhores, não hesite em escrever."

Resposta simples, curta e directa: escolhem-se esses supostos materiais de "qualidade inferior" e "longevidade menor" porque são mais acessíveis, porque já ninguém quer ter uma cozinha ou uma casa igual ao que era há 50 anos e porque são muito mais leves e práticos.

Pode argumentar o que quiser sobre quão doentes ou lunáticas estão estas pessoas de hoje em dia que já não estão dispostas a gastar balúrdios em mobiliário pesado e maciço, mas é assim que os tempos e as pessoas são hoje em dia, por mais que lhe desagrade.

Na mesma linha de exemplo estão as lojas dos chineses, que também vendem materiais de péssima qualidade, quase descartáveis mas incrivelmente baratos, o que não impede muito boa gente de lá ir comprar artigos com a plena noção de que não vão durar. Está tudo no preço, é aí que começa e acaba o raciocínio de consumo da maioria das pessoas. É assim que os nossos tempos de crise são, e pode condená-los à vontade que enquanto houver produção em massa e globalização, é assim que eles vão ser.

Anónimo disse...

Agora tenho mesmo de intervir quando pensei não o fazer porque fui concordando com o que se foi escrevendo mas desde este último post do coiso e tal não pude resistir, até para deixar o meu assombro de como é possível o ser humano ser patético. Então achou que seria bom avisar-nos que estava de férias, caso a falta de vómito escrito nos fizesse pensar que caiu na razão e foi-se embora lamber as feridas? Mas que ridículo, que sinal de desespero! Coitado... e depois de fazer figura triste bate na mesma tecla do gosto, quando o outro que escreveu isto nem sequer referiu-se ao gosto.
Depois de ter vencido o analfabetismo deveria fazer alguma coisa contra a aliteracia, não acha?

Filipe Melo Sousa disse...

Caros últimos comentadores anónimos,
De facto nao é fácil ser cavaleiro solitário da razão por estas paragens. Em modo normal costumo dar vazão as trovoadas de vitupérios por parte de quem nao aprecia algum contraditório. Estarei menos tempo por aqui. Mas estarei atento. Continuarei em modo ferias ate dia 25. Durante esse tempo a minha atenção estará mais dispersa e nem sempre ligarei o tel embora a minha lifeproof cover o permita mesmo na praia. Eu sei que me entendem. Farei o meu melhor para manter a qualidade dos meus reparos.
Saudações desde Mallorca

jac disse...

Caro A.M.C.
A ideologia dos materiais genuínos tem muito que se lhe diga.
Nem tudo o que tem mais de uma centena de anos é bom, bonito e digno de ser conservado. Ah e tal mas era mesmo madeira, sim e?
Infelizmente nunca nenhum dos apologistas e defensores dos prédios históricos e dos materiais genuínos disse em que tipo de habitação vivia, porque se calhar não é assim tão histórica e genuína como aquilo que defendem.
O conforto e comodidade fala mais alto não é?
É como aquele ditado "Faz o que eu digo, não faças o que eu faço".

Anónimo disse...

FMS disse:

" O tema aqui é uma tentativa de opinion-making para impor por força da lei materiais antiquados so porque o autor do post acha bem."

A mesma "opinion-making" que é estimulada e apreciada lá fora e o mesmo tipo de "materiais antiquados" que pautam os interiores dos edificados antigos dos grandes centros históricos europeus? Incluindo o da capital do país onde vive, que só por acaso está classificado pela Unesco?

Que imponham à vontade!
Do edificado, e dos interiores, saídos do Cacém, e do Parque das Nações já estou eu farto!
Ou melhor, estava!! Uma vez que, à
relativamente pouco tempo mudei-me para a Baixa.

Já agora: Alguém ainda se lembra das belíssimas series do ilustre António Roas de Sérgio Carvalho, intituladas de: Inteligência Empresarial e Sensibilidade Patrimonial"?

Ora bem, revejam-nas e acedam à caixa de comentários.
Adivinhem quem é a personagem que parece querer não só impor certos gostos pessoais como, comentário após comentário, insiste em tecer juízos de valores, criticando o gosto dos particulares sobre as referidas intervenções!

A. M.C. disse...

Caro jac,

onde vivem os autores do blog ou deste artigo tem pouco ou nenhuma importância para a questão que lancei e que se prende com a substituição de materiais genuinos por sucedâneos que parecem os genuinos.
Caso esses tenham em suas casas esses materiais então reforça a discussão e tem de nos levar a concluir da total pertinênca do tema.
Eu penso que o ónus da prova sobre a qualidade está do lado dos materiais novos e não os que já existem devem provar que são melhores. Está algo baralhado sobre o assunto, tem de concordar.
Outro argumento que tem de sustentar mais logicamente é o pressuposto da confortabilidade dos edifícios novos em relação aos mais antigos. Se para si conforto é despojamento, caixa lisa de gesso cartonado e caixilharias de alumínio então suponho que os novos edifícios estão à medida do seu gosto.
Mas já se perguntou porque é que em cidades líder europeias, os bairros preservados, históricos, criteriosamente protegidos são os mais caros. Será que é porque os nossos irmãos europeus não gostam de conforto. Serão masoquistas?

jac disse...

Caro A.M.C.
Se serão masoquistas não sei, mas porque será que os apartamentos em alfama, madragoa e bairro alto se vendem por um preço acima do normal para a área que têm?
Deve ser por terem áreas enormes e serem muito confortáveis, parece-me que quem está baralhado sobre a diferença entre conforto e localização é você.
Caso não saiba mas conforto prende-se com situações tais como não ouvir os passos e as conversas do vizinho de cima, dar um salto e a casa não estremecer toda, etc, coisas que provavelmente não lhe serão familiares e isso... isso só com aquelas modernices ás quais você se opõe.

Anónimo disse...

Falou-se muito dos materiais. Não vou discutir a questão, se bem que digo que em minha casa tenho os mobiliários de cozinha originais, de há 40 anos, com madeira a sério e durável. E gosto deles.
O que acho incrível é como é que alguém se arroga no direito de espetar com tudo isto no meu do passeio, em plana via pública, onde passam crianças e idosos, sujeitos a aleijarem-se numa daquelas madeiras e nos pregos que delas saem.
Parece que nesta cidade vale tudo.

A. M.C. disse...

Caro jac,
releia, por favor, a sua mensagem porque penso que a enviou antes de perceber a tremenda incongruência. Não estava a defender que as pessoas substituem o antigo pelo moderno porque é mais confortável e que isso valoriza as casas? Então agora constata que aquelas que ainda estão preservadas em bairros históricos são as mais caras?! Não quererá explicar-se melhor, desta vez com sentido?

jac disse...

Caro A.M.C.
Se calhar não me expliquei bem, mas em nenhuma parte eu mencionei que as casas em bairros históricos estavam preservadas com a sua traça original. Apenas constatei que eram mais caras pela sua localização, e que não deixa de ser uma "moda" para quem tem mais uns trocos para gastar. Aliás tenho visto muitas criticas neste forum pela "destruição" de muitos prédios e andares neste tipo de zonas, se tal acontece é porque quem quer habitações nestas zonas, não as quer pela sua antiguidade e traça mas sim pelo carisma da localização das mesmas.

Miguel de Sepúlveda Velloso disse...

Só agora dei por esta tremenda polémica, 37 comentários é um recorde absoluto.

Penso que o que está em jogo tem no fundo visões de cidade diametralmenet opostas. Será essa a raíz da maior oarte dos comentários. A visão de A.M.C., suspeito, será muito próxima da minha.

Para não me alongar, cingir-me-ei ao post em si e a poucas considerações que o mesmo suscitou. O que se pretende não é criticar opções de gosto individuais, mas sim, alertar para o facto de, muitas vezes, os materiais existentes serem melhores, mais resistentes, desenhados e concebidos para a casa em causa e que, por estas razões, a escolha de os susbtituir por outros dever ser feita criteriosamente. A ninguém passaria pela cabeça arrancar mobiliário Corbusier ou Niemeyer só porque a moda agora é outra e o gosto tb.

Em relação a todos os restantes comentários, julgo que falham o alvo. Aqui não se destila ódio, não se quer impôr por impôr, não se quer que a cidade seja um largo reservatório de "formol". Coube-nos em herança uma ciadde riquíssima no seu património e história. É com cuidado e sensibilidade que Lisboa deve ser gerida. O que, na esmagadora maioria dos casos, não tem acontecido, sejam palácios, jardins históricos, bairros populares, avenidas e, até mesmo, interiores onde, obviamente, se incuirão as. . .cozinhas.