AVISO

AVISO

31/05/2005

O cartaz independente de JSF

Nisto dos cartazes faltava ver o que o candidato José Sá Fernandes tinha a dizer sobre a matéria. Fiquei hoje a sabê-lo: um "outdoor" gigantone, lado a lado com o de Carrilho, mas de tom verde ervilha, em que se afirma "Lisboa É Gente", sobre uma miríade de nomes. O pormenor fica para os mais atentos: o logo do BE (que é quem os paga, suponho), ao canto superior esquerdo do cartaz, escrito a branco. Ainda pensei que em matéria de cartazes houvesse diferença, mas não há.

PF
P.S. Ainda a propósito da candidatura de JSF foi com grande mágoa que o ouvi e vi responder com total alergia a uma pergunta da RR sobre como reagiria se o CDS viesse a apoiá-lo, tal qual o BE.

30/05/2005

Por um melhor acesso ao Castelo!

Há 4 anos não se falava de outra coisa que não fosse o Elevador do Castelo. E hoje?

Hoje, as pessoas continuam a calcorrear muitos degraus para acederem ao castelo desde a Baixa, e ninguém parece interessar-se por mudar a situação, muito menos revitalizar aquela zona tão bonita de Lisboa, que engloba a Freguesia de São Cristóvão e São Lourenço, e que importa descobrir e valorizar.

Por isso, propomos um conjunto de medidas, e queremos que os candidatos a Lisboa se vinculem com todos nós, no dia a seguir à próxima noite eleitoral de Outubro,

* solucionando o problema do acesso ao castelo (mas também ao Teatro Taborda e ao Teatro Romano, por ex.), mas sem se destruir a silhueta de Lisboa e sem haver custos elevados para o erário público, isto é; abrindo concurso e executando empreitada com vista à instalação de sistema de lanços de escadas-rolantes, desde a Rua dos Fanqueiros, Rua da Madalena, escadinhas do Chão do Loureiro e Rosa;

* solucionando o caos do estacionamento, mas sem se substituir um mamarracho (o mercado do Chão do Loureiro) por outro mamarracho (auto-silo), isto é; demolindo o mercado, construindo estacionamento subterrâneo, e fazendo um jardim à superfície; bem como restringindo a circulação automóvel;

* revitalizando o mais importante edifício da zona, o Palácio da Rosa e Igreja de São Lourenço, mas sem ser transformando-o em "hotel de charme", antes fazendo com que ele albergue a Colecção Berardo, que será o foco de revitalização de toda a zona.

27/05/2005

O IST e os estudos de mobilidade para Lisboa

Ainda a propósito da ideia de, aproveitando as obras do Metro, esventrar a Praça Duque de Saldanha, para ali fazer nascer mais um viaduto que permita (virtualmente) aos automóveis circularem "sem parar" desde Monsanto à Segunda Circular, convém pensar um pouco na origem desta verdadeira miríade de projectos: Centro de Sistemas Urbanos e Regionais (CESUR), do Instituto Superior Técnico.

Ainda mais interessante se torna a reflexão quando se vê que os protagonistas são sempre os mesmos, ora à esquerda, ora mais à direita, consoante a cor da vereação do momento.

Eu, por mim, não hesitava nem um minuto nesta coisa dos estudos e projectos: concurso internacional, sempre.

PF

Vêm aí mais túneis?!

A propósito da aceitação do Prof. Carmona Rodrigues da proposta de novo túnel, desta feita no Saldanha, há coisas que ninguém me faz compreender:

1. Porquê continuar a querer fazer de Lisboa uma auto-estrada?
2. Porquê continuar a aumentar a oferta de estacionamento em vez de incentivar a procura a baixar?

Será que os túneis e os parques de estacionamento trazem alguma melhoria de qualidade de vida, que não seja para quem os constrói (e abstenho-me de pensar em quem os licencia)?

É que se assim não é, então não compreendo como é possivel não construir inter-faces à entrada de Lisboa; como é possível não restringir o trânsito automóvel na Baixa e numa série de zonas da cidade; como é possível não apostar em linhas de eléctrico ligeiro de superfície; etc, etc.. e se continua a apostar em esventrar o chão, incentivar os abusos de condução, a poluição e, pior, em ameaçar as colinas de Lisboa.
PF

5 Génios, uma mão cheia de nada?

Desde 1999 que nos tem sido dado a saber pela CML que a nossa capital estaria na iminência de ver nascer 5 novos projectos, de 5 génios da arquitectura mundial: Norman Foster, Renzo Piano, Frank Gehry, Jean Nouvel e Ricardo Bofill.

Passado todos estes anos, e sem que nada de concreto exista no horizonte a não ser muita propaganda e muita polémica, achamos que é tempo de os lisboetas ficarem a saber o que de facto aqueles 5 nomes já fizeram de concreto, quem lhes paga, e quando vão estar feitos os seus projectos, se é que algum deles vai sair do atelier. Tentámos ver o que há de facto, e fomos à Net.

Do que ficámos a saber seleccionámos 2 projectos, o de Foster e o de Piano, por os acharmos verdadeiras mais-valias para Lisboa, e colocámo-los no nosso "site", respectivamente aqui e aqui. Porquê?

1. Porque o que existe de Gehry é quase nada a não ser maquette, e mesmo assim, só de a ver, imagina-se o que sufocaria no Parque Mayer e na Avenida...
2. Porque o que existe de Nouvel é confuso e confunde-se com o chamado "Alcântara XXI".
3. Porque o que existe de Bofill é mau: uma torre de 105 mt. de altura, designada por "Edifício Compave", em frente à Maternidade Alfredo da Costa, com 6 pisos subterrâneos para estacionamento automóvel, e uma área de 132 mt2, e desvirtuará para sempre o pouco que ainda resta do antigo "boulevard" da Av.Fontes Pereira de Melo.

PF

25/05/2005

Mais cartazes poluidores

Já aqui criticámos os cartazes da candidatura do Prof.Carrilho, não tanto pelas "gaffes" fotográficas mas pela oportunidade: estamos a 6 meses das eleições, e a poluição visual já começou. Cabe agora criticarmos os cartazes do Prof.Carmona que, não contentes em poluir ainda mais as nossas ruas e praças (veja-se Entre-Campos!), têm uma fotografia politicamente correcta em demasia: um professor no meio do povo, a que só falta um representante eslavo. Quando é que as empresas de "marketing" e publicidade se deixam de parvoíces e se limitam a poluir Lisboa única e exclusivamente durante a campanha eleitoral?

PF

23/05/2005

Acta Assembleia Municipal 13-4-2005

Ainda sobre este tema da Casa de Garrett, deixamos aqui a acta da sessão ordinária da Assembleia Municipal de Lisboa, de 13 de Abril de 2005, porque, como verão os interessados, trata-se de uma pérola do parlamentarismo lisboeta, que Bordalo, Fialho, Eça e ... Garrett não desdenhariam comentar da maneira que todos sabemos. São 76 páginas mas que vale a pena ler, sem pressas.

Entre muitas coisas genéricas e eslarecedoras sobre a maneira como Lisboa é governada, ficámos a saber pelas Senhoras Vereadoras Napoleão e Pinto Barbosa, que "há "n" casas como aquela em Lisboa". Que a casa de Fernando Pessoa pode ser também de Garrett!!!. Que "se os cidadãos se cotizassem, então sim haveria condições para se estudarem outras alternativas". Só lamentar a demolição, parece curto à Drª Pinto Barbosa.

E que "a memória de Garrett está sim ligada ao Teatro Nacional". Apetece-me dizer que, se é com as peças que a Sala Garrett leva a cena, então, sim, é melhor ir comer um "quadradinho de moca" à Pastelaria Garrett.

Paulo Ferrero

Feira do Livro - Casa Garrett: resposta da APEL

Ao nosso apêlo à realização de um debate sobre a Casa de Garrett, no pavilhão de seminários da 75ª Feira do Livro, recebemos uma resposta da APEL, que aqui transcrevemos, bem como o nosso pronto comentário:

"From: "APEL"
To:
Subject: Feira do Livro de Lisboa
Date: Mon, 23 May 2005 08:50:52 +0100

Exmo. Senhor,

Recebemos o seu fax sobre a questão da Casa Gerrett e a possibilidade de fazermos algo por esta causa na Feira do Livro de Lisboa, que agradecemos.

Face ao momento em que a questão nos foi colocada, lamentamos dar conta da impossibilidade da realização das iniciativas propostas.

Relativamente à utilização dos stands das editoras que publicam Almeida Garrett, deverão as mesmas ser contactadas directamente.

Com os melhores cumprimentos

Isabel Carvalho
APEL - Associação Portuguesa de Editores e Livreiros
Av. Estados Unidos da América, 97 - 6º Esqº
1700-167 Lisboa
T.:(00 351) 21 843 51 80
F.:(00 351) 21 848 93 77
e.mail: apel@apel.pt
www.apel.pt
"

Resposta enviada:

"Exma.Senhora


Muito me decepciona a resposta de V.Exa. dado que já perdi conta aos e-mails que vos enviei, desde há 2 semanas. Inclusivamente, telefonei para a APEL perguntando se os e-mails tinham chegado e se havia algo de errado no v/endereço.

De qq forma, julgo que celebrando-se, como se celebram, os 150 anos da morte de Garrett, a Feira do Livro devia ter tido a clarividência de, ela própria, organizar um debate sobre a questão da "Casa de Garrett", dada a sua extrema actualidade e importância, sem esperar por pedidos dos cidadãos.

Sem outro assunto, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos.
PF
"

20/05/2005

Odéon: obrigado, Prof.Carrilho!

Considerando que o Odéon é o único exemplo lisboeta de salas de espectáculo dos anos 20; considerando que neste momento está em classificação pelo IPPAR; considerando o seu interior e exterior (tecto em pau do Brasil, frontão de palco Arte-Déco, pilastras, elementos decorativos, lustre de néons, galerias exteriores, etc.); considerando que o Odéon se está a arruinar a cada dia que passa, dados os vidros partidos da clarabóia e o facto de estar fechado há quase 10 anos; considerando que o Odéon se encontra à venda; é de aplaudir de pé a coragem do candidato Manuel Maria Carrilho em falar abertamente da necessidade em recuperar o Odéon para o convívio dos lisboetas e de todos quantos querem uma oferta cultural diversificada e verdadeiramente europeia e civilizada.

Eu, particularmente, que luto há quase 5 anos pela recuperação do Odéon, aplaudo de pé, e proponho o seguinte:

1. A CML deve exercer o seu direito de preferência e comprar o Odéon.
2. A CML deve recuperar o Odéon respeitando integralmente o seu interior e o seu exterior, isto é, deve repor os vidros coloridos das galerias exteriores, deve reabrir o segundo balcão, deve repor os telões exteriores, deve reactivar o tecto de abrir, etc.;
3. A CML deve transformar o Odéon na "Casa do Cinema Independente", e complementar essa aposta com teatro "chave-na-mão" (que não exija um palco e uma caixa de palco maiores do que os que o Odéon tem actualmente), e deve apostar em nichos modernos como o "merchandise" e o aproveitamento da cervejaria anexa e as caves como cyber-café, etc.
4. A futura gestão do Odéon deve ser privada, por alguém que já tenha dado provas suficientes na exibição de cinema independente, e na organização de festivais.
5. A futura gestão dever ser objecto de avaliação periódica, e deve ser objecto de contrato a parametrização de objectivos claros, quanto a tipo de programação e avaliação de públicos.

Obrigado, Prof.Carrilho.

PF

19/05/2005

Palácio da Ajuda: haja Plano de Pormenor!

Acerca do anúncio feito por Carmona Rodrigues ontem sobre o plano de pormenor para a área envolvente ao Palácio da Ajuda, esperamos, sinceramente, que o "plano" inclua o seguinte:

1. Recuperação da zona ardida do Palácio da Ajuda;
2. Finalização do lado Norte do palácio;
3. Recuperação do "Jardim das Damas";
4. Recuperação da torre sineira "Galo da Ajuda";
5. Libertação e reutilização do chamado "Paço Velho", hoje com ocupação militar;
6. Libertação e reutilização da chamada "Sala de Física", hoje com habitação;
7. Libertação e desvio do trânsito no Largo da Ajuda;
8. Recuperação e valorização de facto dos jardins à volta do palácio:
9. Programa contínuo de exposições e iniciativas culturais mobilizadoras;
10. Criação de circuitos pedonais e turísticos que possibilitem, além de um melhor usufruto da Tapada da Ajuda, que comporta estruturas ímpares como o Jardim Botânico, o Observatório Astronómico, o Pavilhão de Exposições, o Instituto de Agronomia e o próprio Parque de Monsanto; possibilitem também uma efecitva interligação Belém-Ajuda.

PF

Museu dos Coches: muita parra e pouca uva

A propósito do centenário do Museu Nacional dos Coches - que se mantém recordista absoluto em número de visitantes/ano, aliás - foi muito noticiado um projecto de mudança do mesmo para as antigas Oficinas Gerais de Material de Engenharia, que distam 50 mt. do actual museu, e que terão, um dia, as condições ideais para o museu e respectiva escola de arte equestre. Inclusivamente, foi assinado um protocolo com a presença do então Primeiro-Ministro, Dr.Santana Lopes, e do então Presidente da CML, Prof.Carmona Rodrigues.

Esse protocolo foi assinado pelos responsáveis do Serviço Nacional Coudélico (Ministério da Agricultura, Pescas e Florestas), do Instituto Português do Património Arquitectónico (Ministério da Cultura) e da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (Ministério das Cidades, Administração Local, Habitação e Desenvolvimento Regional) - estabelece a intervenção de cada uma das entidades nas diversas fases de desenvolvimento do projecto: abertura de concursos, financiamento, fiscalização e execução da obra.

Mas, a meu ver, esqueceram-se de mencionar as evidências seguintes:

1. O mesmo protocolo, ou algo muito semelhante, tinha já sido assinado (e devidamente publicitado) ao tempo do então Ministro da Cultura, e actual candidato à CML, Prof.Carrilho. Pelo número exagerado de entidades envolvidas, como isto de protocolos costuma ser letra morta a seguir aos mesmos serem assinado; pelo andar da carruagem vislumbro mais uns 10 anos até que o Museu dos Coches se mude de armas e bagagens para um espaço mais preparado, libertando assim o espaço que agora ocupa para o projecto tão aguardado do Real Picadeiro.

2. As visitas ao Museu dos Coches resultam essencialmente de três vectores: situação privilegiada do actual museu, beleza interior do espaço, e sumptuosidade dos 3 coches de D.João V, verdadeiras jóias nacionais. Mas, passados que estão 7 anos sobre a Expo'98 e sobre o restauro do "Coche dos Oceanos", a promessa então feita, de recuperar os outros dois coches d' O Magnânimo, está por cumprir, encontrando-se os mesmos profundamente abandonados ao gosto das traças de serviço e da patine dos anos.

PF

17/05/2005

CML vs. CMC, descubra as diferenças

Entre a actual CML e a actual CMC há mais, muito mais que 32 Km de Marginal, medidos de Belém ao Estoril: há uma filosofia de vida e uma concepção de serviço público que explicam muita coisa. Descubra as diferenças.
PF

Apêlo: casa de Garrett na Feira do Livro!

Aos amigos da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, da Sociedade Portuguesa de Autores, da Associação Portuguesa de Escritores, das Publicações Europa-América, das Edições Sá da Costa e do Centro Nacional de Cultura, apelamos a que, aproveitando o decorrer da Feira do Livro, nos apoiem nesta causa conceptualizando e executando as ideias seguintes:

1. Dêem destaque a esta causa nos «stands» das editoras de Garrett, afixando cartazes alertando para o perigo de demolição da casa e para a necessidade de a preservar como casa-museu-tertúlia.

2. Promovam o "Dia de Garrett", com livros de Garrett a preço ainda mais especial.

3. Organizem uma sessão sobre Garrett e a casa, no «stand» do topo da feira, com a presença de especialistas na vida, obra e espólio do escritor, bem como com representantes dos organismos de quem depende o futuro da casa, e com o próprio proprietário da casa.

Pensamos que seria uma óptima ajuda em prol desta causa.

Ficamos na expectativa e apresentamos os melhores cumprimentos

PF

16/05/2005

CNC, parabéns a você

Mais vale tarde que nunca. Por isso, embora atrasados, aqui ficam os meus parabéns ao Centro Nacional de Cultura, pelos seus 60 anos de idade. Que sejam apenas os primeiros de muitos 60 anos!

PF

13/05/2005

Teatro Tália: respostas do PM e do MCTES

Há cerca de 20 dias pedimos a quem tutela o Teatro Tália, que fizesse exactamente aquilo que se comprometeu fazer há mais de 20 anos, i.e., recuperá-lo. Publicamos aqui as respostas que nos foram transmitidas pelo Gabinete do Exmo. Senhor Primeiro Ministro, e do Senhor Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (*), a quem agradecemos, desde já, a simpatia e a receptividade demonstrada, e de quem esperamos que recuperem o Teatro Tália, que é uma vergonha para todos nós ter-se mantido como está ao longo de décadas!!
PF

(*) No caso de não ser possível aceder a estes dois «links», por favor tente, indirectamente, aqui

Casa de Garrett: outro falso argumento

Há quem pense que uma das razões porque quem de direito tem reticências a preservar a casa onde Garrett viveu e morreu, e ali fazer nascer uma casa-museu (como o escritor deixou bem explícito em vários documentos) é o mau "case study" da casa-museu Fernando Pessoa.

Sejamos claros:

1. Se a casa dedicada a Pessoa não tem qualquer valor arquitectónico, nem sequer é das mais representativas na história atribulada de Pessoa, a culpa não é de Garrett.
2. Se a casa de Pessoa dista poucas centenas de metros da casa que pretendemos salvar, a culpa não é de Garrett.
3. Se a casa dedicada a Pessoa tem 3-4 visitantes por dia (quando tem), a culpa não é de Garrett.
4. Se a casa de Pessoa representou e representa um investimento elevadíssimo, em termos materiais e humanos, face aos resultados práticos que daí advêm de se dar a conhecer ao mundo Pessoa, a culpa não é de Garrett.
6. Se a casa de Pessoa apresenta dificiências graves em termos de municiamento de livros em línguas estrangeiras, em falta de propaganda nos meios e circuitos adequados, em manter a chama acesa, a culpa não é de Garrett.
7. Para mais, o universo de Pessoa não é o mesmo de Garret, nunca foi nem será.
Por isso, uma casa nada tem que ver com a outra.
PF

Por um Príncipe Real ainda mais bonito

Enquanto cidadãos interessados numa Lisboa com melhor qualidade de vida estamos preocupados com o estado actual da Praça do Príncipe Real, ou seja, com o estado de abandono da maior parte dos palacetes que a compõem; com a ameaça de esventramento do imenso e valioso logradouro do Palacete Ribeiro da Cunha no caso do "plano de pormenor" da CML para aquele palacete ir adiante (conforme está exposto na Exposição "Sentir Lisboa", no edifício da CML no Campo Grande); e com o trânsito caótico que ali existe, especialmente aos dias úteis, na Rua da Escola Politécnica e perpendiculares.

Por isso, apresentamos propostas para aquele que é um dos locais mais bonitos, mas também mais subaproveitados de Lisboa, propostas agora disponíveis no no nosso "site", em Por um Príncipe Real ainda mais bonito.

Já sabe, queremos a sua opinião e os seus contributos!
PF

12/05/2005

Símbolos ao abandono (2)

O Arco da Rua Augusta é o símbolo do Paço, sede de poder; antes mesmo de ser corolário de uma praça de simbologia maçónica. Mas também é uma peça de beleza única na cidade de Lisboa, que está degradada, abandonada, preta de suja, com a pedra lascada, poluída, e com as suas câmaras interiores votadas a armazém de materiais de construção.

O Arco como está é uma vergonha para Lisboa e para todos nós. A sua recuperação é continuamente adiada, apesar de continuamente anunciada; e a falta de entendimento entre as várias entidades que tutelam o Arco da Rua Augusta, é a principal razão para esse facto.

Mas a sua recuperação é urgente, porque reivindicação de quem acha que o poder deve ser dignificado e o Estado deve dar o exemplo!
PF

Símbolos ao abandono (1)

O Aqueduto das Águas Livres é um símbolo de Lisboa e de Portugal, e é neste momento proto-candidato a Património da UNESCO. O Aqueduto vale como um todo, e não pode ser seccionado em bocados. O Aqueduto já foi vandalizado no passado, mas não o pode ser de novo, como se projecta na finalização da CRIL, porque se dantes era tudo a preto e branco, agora o mundo é a cores.

Por isso, o troço da CRIL tem que ser alterado, devendo ser utilizada a opção de viaduto, cujos custos, aliás, não se provou serem maiores do que demolindo os cerca 185 metros do Aqueduto Principal e os 55 metros do Aqueduto das Francesas.

Mas, infelizmente, nenhum dos candidatos à CML, nenhum ministro ou secretário de estado se manifestou até hoje pela preservação dessa extensão ameaçada. Porquê?
PF

09/05/2005

Alerta Azul ...

Parece haver da parte do Metropolitano de Lisboa a intenção de abrir um poço de ventilação na frente do Bairro Azul. Esta localização é contrária à vontade, tantas vezes formalmente expressa, dos moradores.

Este local é um local habitual de convívio, e árvores de grande porte não podem ser sacrificadas.

Estes plátanos encontram-se em bom estado fitossanitário e funcionam para o Bairro Azul como ''barreira de protecção'' da intensa poluição atmosférica e sonora que actualmente existe no cruzamento da Rua Marquês de Fronteira com a Av. António Augusto de Aguiar.

É OBRIGAÇÃO dos técnicos do Metropolitano de Lisboa, em conjunto com os técnicos da CML, estudarem uma localização mais adequada para o referido poço de ventilação, de forma a preservar as poucas árvores existentes em Lisboa, fundamentais para minimizar os impactos da poluição nas pessoas que aqui habitam ou trabalham.

Apelamos a todos que subscrevam via internet esta declaração, a fim da mesma ser posteriormente entregue às entidades responsáveis pelo planeamento desta obra: http://www.bairroazul.net/bassinado/bassinado.asp
PP

06/05/2005

Parque Mayer: Gehry ou Jardim?

Jardim, sem hesitar!

O Prof.Carrilho lançou anteontem a ideia, que não é nova (até nós já aqui pusemos essa hipótese), e o Prof.Carmona diz hoje que isso seria uma enorme "trapalhada pois a CML deixaria de encaixar 97 milhões de euros se desistisse de Gehry".

Bom, eu digo que maior trapalhada do que aquela que o executivo de Santana Lopes fez em relação ao Parque Mayer é impossível, posto que a trapalhada que este executivo fez só teve 2 resultados práticos até hoje:

* O Casino Estoril viu aprovada pelo Governo uma lei à exacta medida dos seus propósitos, obtendo uma licença para construir um casino, que afinal não é nem no Parque Mayer, nem no Cais do Sodré, nem junto a Santa Apolónia, mas em plena zona residencial da antiga Expo;

* A Bragaparques, proprietária do Parque Mayer (juntamente com o Grupo Amorim), conseguiu ver o preço dos terrenos do P.Mayer sobrevalorizados de tal maneira que lhe garantirem direito de construção e exploração aos terrenos da Feira Popular, em Entre-Campos.

Enquanto isso acontecia, Frank Gehry veio duas vezes a Lisboa, disse umas larachas, comeu umas sardinhas assadas, foi escoltado por batedores da Polícia Municipal, encaixou (para utilizar a expressão do Prf.Carmona) uns milhares de contos, e anunciou que o seu projecto, a ir para a frente, só mesmo daqui a 10 anos.

Portanto, a CML ainda não "encaixou" nada com Gehry, muito menos Lisboa.

Se a isto juntarmos o facto do teatro de revista ser um género que muito dificilmente consegue encher as cadeiras de 1 teatro (muito menos de 3 ou 4), se pensarmos que os teatros que lá estão (à excepção do Capitólio, Imóvel de Interesse Público e reconhecido internacionalmente) são barracões que por acaso têm espectáculos, e se reconhecermos que os lisboetas não usufruem da Avenida nem do Jardim Botânico como podiam e deviam, então concluiremos que a solução menos onerosa, mais potenciadora de bem estar e que mais mais-valias traz em termos de qualidade de vida para os lisboetas é, sem sombra de dúvida, a criação de um JARDIM no Parque Mayer.

Aliás, um jardim que se deve designar por "Jardim do Parque Mayer", e que deve estar em perfeita sintonia com o Jardim Botânico e com os jardins das traseiras dos palacetes do Príncipe Real, a começar pelo do Palacete Ribeiro da Cunha.

E que deve ter num Capitólio restaurado e dignificado, uma sala de cinema e de teatro de revista, em articulação com as outras salas emblemáticas de Lisboa, a começar com o Cinema São Jorge, esquecido e sub-aproveitado há demasiado tempo.

PF

Mais uma voz pela Casa de Garrett

Desta vez, a voz a juntar-se ao coro de protestos é a da Associação Portuguesa de Escritores. Sejam bem-vindos a esta luta!

PF

04/05/2005

Arquivo da CML é "arquivo morto"?

Ontem tive um experiência extraordinária: fui consultar um processo camarário ao seu arquivo, sito na Rua B, Bairro da Liberdade, por detrás da Estação de Caminhos-de-Ferro de Campolide, ou seja, por detrás do sol posto.

Digo experiência única porque só mesmo em Portugal se pode ter um arquivo nas condições em que a CML o tem:

No R/C de um edifício de habitação social, de aparência decrépita, isolado do mundo, sem qualquer serviço de transporte público sem ser a carreira Nº 2 da Carris (cujo traçado é bastante peculiar...), e com umas instalações perfeitamente terceiro-mundistas, desde o mobiliário às paredes. Para cúmulo, o horário de atendimento e consulta é das coisas mais caricatas que há, sendo que da parte da tarde funciona das 13H30 às 16H.

Portanto, parece que a CML, ao colocar o Arquivo no Bairro da Liberdade só quis duas coisas: dificultar a consulta de todo e qualquer processo por parte do público, e amorfanhar a vida dos funcionários que lá trabalham.
PF

Trânsito condicionado em mais zonas de Lisboa, S.F.F.

Esta é uma boa notícia, que tardava anunciar, pois só com fiscalização, multas e mais multas se faz cumprir a lei. Infelizmente, por aqui é assim. O condicionamento do trânsito e estacionamento no Bairro Alto, Bica, Santa Catarina e Alfama foi uma das poucas boas medidas da CML, que aplaudi durante estes 4 anos. Trata-se de um passo que devia ter sido dado há muito mais tempo, mas que deve ser corigido e adaptado conforme os resultados vão aparecendo, como agora foi feito.

Mas o estacionamento e o trânsito também devem ser condicionados em outras zonas de Lisboa, como a Penha de França, a Avenida da Igreja (e perpendiculares), o Castelo, o Bairro Azul e Campo de Ourique, por exemplo.

PF

03/05/2005

Respostas à confissão da Vereadora Napoleão

A Srª Vereadora da Reabilitação Urbana, Eduarda Napoleão, decidiu escrever um acto de contrição na edição do "Público" de Sábado, transcrito agora no "site" da CML, aqui, mas que, apesar do arrependimento subjacente, contém justificativas do mais lamentável possível. Por isso, acho que devo esclarecer a Srª Vereadora nalguns pontos que acho fundamentais, que passo a enumerar:

Diz a Srª Vereadora que "...as competências que me estão atribuídas exigem que, em cada decisão, das várias vertentes que o interesse público contempla, eleja o interesse urbanístico. Por muito que gostasse que este interesse primordial que devo privilegiar coincidisse com todos os outros interesses igualmente importantes, como o interesse económico, social, ambiental, histórico e até aqueles que me são tão caros, em virtude da minha própria formação académica, como são os interesses culturais e artísticos, tal nem sempre é possível.".

Lembro à Srª Vereadora que, desde que a sua vereação tomou posse, a CML autorizou a demolição do Cinema Alvalade, do Convento de Arroios, do Convento dos Inglesinhos, de uma moradia Arte-Nova na Av.Duque d'Ávila/Av.Marquês de Tomar e, agora, da casa de Garrett. Todas estas demolições e/ou transformações destruidoras do património de Lisboa, serviram/servem/servirão para construções novas, feitas por privados.

Não vejo como o interesse público tenha sido salvaguardado, muitos menos a reabilitação urbana, mas sim a demolição urbana e o interesse privado.

Mais à frente, afirma que "As decisões urbanísticas são estritamente vinculadas, porque interferem de forma directa com direitos subjectivos, de que resulta não ser juridicamente admissível indeferir um projecto de licenciamento se os fundamentos para tal não estiverem claramente identificados na lei."

Bom, então fico sem saber qual o critério que essa digníssima vereação seguiu no caso do Cinema Paris, já que ele nem sequer está referenciado na DGEMN, ao contrário de todos os casos acima citados.

"A Casa onde Morreu Almeida Garrett, foi objecto, no âmbito da apreciação do pedido de licenciamento que deu entrada na CML em 2001, de uma vistoria efectuada pelo Núcleo de Estudos Patrimoniais (NEP) a meu pedido, que veio a constatar, que o imóvel se encontra bastante degradado, com ocupações precárias no logradouro e vegetação selvagem. Constataram também as técnicas que se deslocaram ao local que o edifício tem um insignificante valor arquitectónico, tanto individualmente como em termos de conjunto, está devoluto, encontrando-se apenas ocupado ilicitamente por toxicodependentes no último piso. Estes foram os pressupostos de facto em que assentou a minha decisão."

Este é o parágrafo mais demagógico de todos, já que não é verdade que a casa esteja a cair, nem é verdade que o seu interesse seja insignificante. Caso assim fosse, não haveria um privado, que por acaso é ministro, a interessar-se pela casa de Garrett, nem haveria milhares de interessados em preservar a casa desde há 150 anos a esta parte.

Mais à frente diz que "não consta do Inventário Municipal do Património, nem por si mesma, nem enquanto integrante de um conjunto edificado com interesse histórico, arquitectónico e ou ambiental, nem se encontra sequer em zona de protecção."

Isto é um argumento totalmente capcioso, pois a CML devia ter classificado este imóvel há décadas e décadas, por respeito pela memória e vontade colectivas, por respeito por Garrett e em prol das gerações futuras que pensarão ser Garrett nome de rua, ou de pastelaria do Estoril (por sinal, óptima).

Segundo a Srª Vereaddora "o projecto é considerado pelos técnicos uma vantagem urbanística evidente em termos arquitectónicos e paisagísticos, de onde se destaca a ligação equilibrada com a envolvente."

Pois eu não percebo como um projecto que prevê a demolição total da casa de Garrett, com vista à construção de um prédio de 3 andares, com estacionamento subterrâneo (previsivelmente no logradouro "selvagem") tem mais vantagens urbanísticas do que uma casa romântica do séc.XIX, de 2 pisos, harmoniosa e encantadora, bem construída e plena de história.

Seguem-se os argumentos mais rocambolescos de todos. Diz a Srª Vereadora que "o escritor, embora se tenha chegado a mudar para esta Casa viveu lá apenas alguns meses. Não terá escrito nesta Casa qualquer obra, ao contrário do que ocorreu nas muitas outras casas onde viveu, inclusive no Porto, onde já existe uma Casa Almeida Garrett."

Bom, a casa-museu de John Keats, em Roma, foi habitada pelo poeta romântico apenas durante 3 meses. Por sua vez, a casa-museu de Edith Piaf, em Paris, nunca foi habitada pela célebre cantor. Por outro lado, se o Porto já tem a sua casa de Garrett e Lisboa não precisa de ter uma igual, então não percebo como aqui ao lado, em Espanha, Cervantes, Lope de Vega ou Calderón de la Barca (só para mencionar personalidades da mesma área de Garrett) têm casas-museu em praticamente cada província espanhola.

Finalmente, diz a Srª Vereadora Napoleão que "Como exemplar característico do prédio romântico lisboeta, este edifício é um entre muitos outros, infelizmente não tantos como alguns de nós gostaríamos".

Bom, eu prevejo que se a Vereação da Reabilitação Urbana continuar por muito mais tempo a reabilitar desta forma, então, a muito breve trecho NÃO HAVERÁ mais nenhum edifício romântico em Lisboa.

Paulo Ferrero

02/05/2005

O que vale é que nem tudo é mau:

Hotel Bairro Alto recebe clientes a 18 de Maio (descritivo: Hotel Bairro Alto). E Ippar chumbou projecto do Belenenses
PF

Casa Garrett/Nota Imprensa (2.5.05)

Enquanto promotores da petição sobre a casa de Garrett, e dando seguimento às acções de sensibilização que temos vindo a desencadear com o objectivo de salvarmos aquele edifício e ali vermos instalada uma casa-museu dedica ao autor de «Frei Luís de Sousa», somos a informar o seguinte:

1. Consideramos injustificável o comportamento da CML, uma vez que esta devia ter classificado o edifício há décadas e devia ter exercido o seu direito de preferência quando o mesmo foi colocado à venda. E queremos que nos esclareçam se o que tem sido feito e dito em nome da CML é da responsaibilidade apenas das Vereações da Cultura e da Reabilitação Urbana, ou se é partihado pelo Dr.Santana Lopes, enquanto Presidente, e pelo Prof. Carmona Rodrigues, enquanto potencial futuro Presidente. Aliás, esperamos que todos os candidatos digam o que acham deste caso, e como pretendem solucioná-lo.

2. Consideramos desresponsabilizador o comportamento do IPPAR, já que existe muito património classificado de interesse público que terá, porventura, menor valor patrimonial e menor carga simbólica do que a casa onde Garrett viveu e morreu. Compreendemos que o IPPAR tenha limitações de orçamento e de meios coercivos para fazer cumprir a lei, mas não podemos aceitar que se instale o espírito «laissez-faire, laissez-passer».

3. Não compreendemos o despacho da Senhora Ministra da Cultura ao sugerir aos cidadãos que adoptem medidas. Que se saiba, o que é suposto acontecer é serem aqueles que os cidadãos elegem a governá-los, isto é, a encontrarem soluções para os problemas, e não o contrário. Muito menos serem os cidadãos a estabelecer contacto com o proprietário. Não estamos em regime anárquico, nem de auto-gestão, e Portugal não é a República de Weimar.

4. Por acharmos que Garrett merece que Lisboa lhe dê muito mais do que uma simples placa de rua, ou o nome de uma sala de teatro, recorremos ao Senhor Presidente da República, enquanto magistrado de influência, enquanto homem da Cultura e enquanto ex-autarca lisboeta, para que se faça ouvir; na certeza de que uma palavra sua neste caso, fará toda a diferença.

6. Uma vez que também muitos estrangeiros se têm manifestado a favor da preservação da casa de Garrett, apelámos aos institutos Britânico, Italiano de Cultura, Goethe, Cervantes e Franco-Português, bem como às fundações Calouste Gulbenkian, Oriente, Luso-Brasileira e Luso-Americana para que se solidarizem connosco, seja como mecenas seja como divulgadores desta causa.

5. Finalmente, sugerimos aos 2.300 cidadãos que assinaram a petição (e a todos aqueles que se têm feito ouvir em prol desta causa) a criação da "Associação de Amigos da Casa Almeida Garrett", para o que queremos contribuir com quotas, ideias e trabalho. Achamos que o Centro Nacional de Cultura poderá ser o organizador no terreno dessa mesma associação, pelo que já lhe sugerimos esta ideia.

Obrigado aos Media!, pelo constante apoio e divulgação desta causa junto da opinião pública. Bem-hajam!

Bernardo Ferrreira de Carvalho, Paulo Ferrero e Pedro Policarpo

Construção Civil 3- Lisboa 0

Este foi o resultado do fim-de-semana, futebolisticamente falando.

Golos:
Ippar na própria baliza, no que diz respeito à casa de Garrett, ao passar a bola para a CML.
Tribunal Administrativo, ao recusar a providência cautelar, no caso do Convento dos Inglesinhos.
Ministério do Ambiente, no caso do túnel da Pç.Marquês de Pombal, ao emitir um estudo de impacte ambiental concordando com a inclinação do mesmo, etc., etc..

PF