APAREÇA! É GRÁTIS!

APAREÇA! É GRÁTIS!

30/11/2005

Tesouros escondidos, descubra você mesmo #2: Leitaria A Camponeza

Vem do tempo em que as leitarias de Lisboa, além de locais de venda de leite e lacticínios eram também local de convívio, almoçaradas e tertúlias várias. A maior parte delas desapareceu de circulação para darem lugar a sucursais bancárias e outras coisas do "pugresso". Mas a Leitaria A Camponeza, nº 155-157 da Rua dos Sapateiros (rua rica em história e património, de que só resta a fachada do Animatógrafo e algumas histórias da carochinha, lá do alto da sala de convívio do Grémio Lisbonense )mantém-se orgulhosamente só, de pé e sem dever nada a ninguém. E ainda bem que assim é. Data de 1908 e, além do mais, é um dos exemplos de Arte Nova (essa arte maior!) que em Lisboa se contam pelos dedos de uma mão (*); verdadeiramente bem estimada pela D. Adelina Diogo (julgo que ainda é ela)e resplandecendo de orgulho na sua arquitectura do Arq. Domingos Pinto, dos azulejos azúis e brancos de José António Jorge Pinto, pintados à mão com cenas do campo, e das suas vergas e traves-mestras. Os estrangeiros descrevem-na assim: "This is an old-fashioned leiteria (specializing in milk products and pastries), whose blue-tiled walls display bucolic scenes. The coffee, cakes, and sandwiches are all good. Closed Sun.". Eu recomendo o galão e as torradas.

(*) Alguém já reparou no atentado ao património que alguém está a fazer, porque alguém permitiu, à designada Vila Sousa (menção honrosa do Prémio Valmor de 1912!), no nº 22 da Alameda das Linhas de Torres? Então, aproveitem e protestem a quem de direito!!

1º de Dezembro, aquilo que todos pensam e ninguém diz

A propósito deste excelente post (mais um) do "De Lisboa", aqui deixo os meus comentárioscá do burgo, com votos de excelente feriado:

"Seria engraçado, caro "De Lisboa", fazer-se um estudo de mercado com os seguintes pontos:

- Qual foi o resultado efectivo (sem demagogias) para Portugal sobre os 60 anos de domínio filipino?
- O que seria Portugal hoje caso tivesse continuado a ser domínio de Castela?
- Quantos dos conjurados o foram realmente por motivos de nobreza pátria?
- Porque razão os habitantes de Olivença não querem ouvir falar das tentativas dos "Amigos de Olivença" em "reaver" aquela vila para Portugal?
- Qual será a percentagem dos que falam orgulhosamente da Restauração da Independência em público, e pensam com os seus botões que foi o pior que podia ter acontecido a Portugal?
- Porque razão o comum dos cidadãos pensa que o 1º Dezembro é um nome de uma rua e não a data da Restauração da Independência?

Enfim, coisas que me afligem sempre que ouço falar no dia 1 de Dezembro
."

PF

29/11/2005

Tesouros escondidos, descubra você mesmo #1: Largo de Santa Cruz do Castelo

É um dos largos mais bonitos de Lisboa, mesmo conforme está. Tem uma planta praticamente quadrada, centrada por fartos e velhos plátanos (que um dia alguém ainda há-de diagnosticar como "fotossanitariamente doentes" e, por isso, os há-de candidatar a abate...), acabrunhados por podas mal executadas e por carros estacionados sem rei nem roque, e bordejados por um edificado de fogos abandonados, uns, outros habitados pelo gato e pela velhota esquecida. E múltiplos projectos de reabilitação e alterações a fervilhar algures... A igreja que lhe dá nome já foi mais concorrida do que agora, que anda em obra há séculos (talvez compita com as de Santa Engrácia, não sei...). Dantes havia o restaurante do Michel, que deu certo protagonismo burguês ao largo, mas também já fechou há muito tempo, e o seu antigo espaço lá continua abandonado tal qual o resto. Mas aquele largo tem um não sei quê que não deixa ninguém indiferente. Cachet, diriam os franceses. Já sei o que é, aquele largo parece França mas não é.

PF

Campanha Vamos Proteger o Património de Lisboa!

No seguimento das questiúnculas e lutas fraticidas que se desenrolam pela sucessão do poder no Urbanismo da CML, a propósito do Convento de Arroios, assumimos a nossa posição:

O que está em causa é, tão somente, a DELAPIDAÇÃO DE PATRIMÓNIO DE LISBOA (fotos em anexo) , pois quem nos governa (e era proprietário do imóvel) poderia tê-lo usado para centro cultural, ou para escola de artes e ofícios, em regime de semi-internato (à imagem do que se faz lá fora...) , etc., em vez de o vender a privados. Além de que o conjunto deveria ter sido classificado há muito e protegido no que toca à igreja, ao claustro e aos elementos históricos objecto de estudo pela (DGEMN).

Mas é preciso não esquecer que Lisboa perde todos os dias um pouco mais do pouco que ainda lhe resta da sua traça, das bonitas fachadas e dos bonitos interiores que já teve. Nas avenidas, no comércio tradicional (veja-se, por exemplo, o que aconteceu à Manteigaria Londrina (Portas Sto.Antão), à Pastelaria Marques (R.Garrett), à Cervejaria Derbi (Portas Sto.Antão), à Perfumaria Pompadour (R.Garrett), nos prédios de habitação, nos edifícios históricos.

E perde esse património em resultado de várias coisas, desde uma lei de arrendamento comercial mal feita e mal aplicada (que importa rever com urgência!), à ideia errada de obrigar os proprietários de imóveis classificados a arcarem com a totalidade dos encargos de preservação e recuperação (porque não a adopção de incentivos fiscais camarários a quem vê o seu edifício classificado?), passando pela indiferença dos lisboetas.

A fim de deixarmos às futuras gerações mais do que o nosso testemunho ou o dos nossos pais; achamos que há que preservar, por um lado, os edifícios notáveis de Lisboa e, por outro, a memória da cidade. Temos que preservar certas zonas de Lisboa, zonas consolidadas (por ex. Avenidas Novas, Campo de Ourique, Arroios, zona da Avenida da Liberdade, etc.), onde é preciso impedir que sejam feitas novas construções que não respeitem as cérceas e os alinhamentos pré-existentes. Há que garantir mesmo reabilitação e apenas reabilitação do que existe, e não construções novas.

Mas também é preciso proteger o que resta do que era bom no nosso comércio, os nossos cafés, confeitarias, casas de café e chá, chapelarias e sapatarias, perfumarias, alfaiatarias, barbearias, tabacarias, etc., etc. (ver listagem indicativa, em
http://cidadanialx.tripod.com/listacomercio.pdf), mas sem se cair na tentação do "parque temático", defendendo algo que já não faz sentido.

Por julgarmos que a melhor forma de proteger esse património passa, numa primeira fase, pela sua classificação pelo IPPAR , achamos que está na hora de cada alfacinha utilizar os instrumentos que aquele Instituto lhe disponibiliza para o efeito na Net:

- No portal http://www.ippar.pt/ferramentas/faqs/faqs.html#perg2, podemos inscrever os casos que achamos que justificam ser classificados pelo IPPAR, e assim defendidos do especulador imobiliário de ocasião, ou de quem acha que "o que é velho não presta";

- No formulário "Como alertar o IPPAR de eventuais ameaças ao património?", em http://www.ippar.pt/ferramentas/formularios/proteja.html; podemos denunciar ao IPPAR os casos de património já classificado (ex. Prémios Valmor, etc.) , que sejam objecto de vandalismo ou mutilação.

Por outro lado, todos nós, cidadãos por uma Lisboa melhor, devemos reivindicar junto da CML que defina de uma vez por todas quais as artérias de Lisboa onde não pode ser deitada abaixo nem mais uma fachada! É tempo de ser protegida não só a moradia X da Avenida da República, o prédio Y, da Avenida da Liberdade, ou o edifício Z da Av.Duque de Loulé, mas todos os outros que os enquadram, a fim de se evitarem coisas extaordinárias como a que se verifica na R.Alexandre Herculano, onde os prédios de Ventura Terra ficaram esmagados por prédios modernos muito mais altos.

É este sinal de alerta que pretendemos com esta campanha.

Paulo Ferrero, Pedro Policarpo e Bernardo Ferreira de Carvalho

28/11/2005

Homenagem a Vasco Franco: porquê?

Trata-se de uma pessoa simpática, sem dúvida alguma, e pode ter tido um papel determinante no guerra às barracas, que só por manifesto desleixo e indiferença se arrastou até ao final do século passado!!!

Mas o seu entendimento das sociedades de reabilitação urbana, e o seu acordo tácito (ou inactividade) ao negócio do Parque Mayer não fecham a sua vereação com chave de ouro, não senhor

"O ex-vereador pretende agora escrever um ensaio histórico sobre a Maçonaria, uma obra de ficção associada à crise académica de finais dos anos 60 e dedicar-se à fotografia, uma paixão desde a juventude". E que irá fazer profissionalmente?

PF

A "Lisboa de Almeida Garrett", segundo a CML

Pode ler-se na pág. 97 da Agenda da CML do corrente mês, dedicada à secção "Ar Livre":

"Nos 150 anos da morte do escritor, propõe-se um percurso pela sua última morada e pelos sítios que ao seu redor, seguramente, foram visitados e vividos pelos pioneiros dos românticos portugueses.
Marcações para Novembro:
Seg. a Sex: 10h-17h
"

Como a "última morada" é o que se sabe, ficamos a perceber porque se trata de um passeio ao ar livre.

PF

25/11/2005

E foi a gota de água

Aturei, ainda pequenito, o malfadado viaduto que acabou com as árvores na placa central e nas placas da avenida. Aturei as marquises dos vizinhos e os seus estores patéticos. Aturei a manutenção das antenas no telhado, apesar de todos os moradores terem TV-Cabo. Aturei as canalizações e tubagens da escada, colocadas fora das paredes por o senhorio não querer alargar os cordões à bolsa. Aturei a publicidade no chão e o arranque dos auto-colantes "Publicidade Aqui, Não, Obrigado". Aturei a substituição da placa de campaínhas, e dos magníficos interruptores da escada. Aturei as obras de fachada. Aturei a desmontagem das lagartas em ferro do elevador, e a colocação de porta opaca, que sufoca qualquer um. Aturei o mau estado do corrimão de madeira e a falta de polimento da bonita porta de entrada. Anunciam-me que vão dar cabo das minhas caixas de correio, único vestígio de qualidade que ainda resta no meu prédio, feitas em ferro e bordejadas a risca encarnada. Foi a gota de água. Ando em busca de casa nova.

PF

23/11/2005

Aeroporto fora do centro de Lx, já!

Subscrevo ipsis verbis a posta brilhante do Substrato, sob o título "Idiotas", com a ressalva de que não sou "Otário".

Subscrevo tudo menos a descrença no TGV. Vamos a factos:

- Portugal, país diminuto em termos geográficos, tem, incompreensivelmente, uns comboios péssimos (linhas estupidamente desactivadas, horários por cumprir, composições pequenas, etc.), que teimam em ser piores do que muitos comboios de mercadorias por essa Europa fora, com quem nos orgulhamos de comparar. A linha da Cascais e o Lx-Porto é o melhorzinho que temos e estamos falados;

- A linha do TGV jé devia ter sido implementada em Portugal há pelo menos 15 anos, quando Madrid já ia a Córdova de TGV;

- A linha de TGV que vier a ser feita não o será porque seja preciso servir apeadeiros do "pouca-terra", em Leiria, Coimbra ou Aveiro, não, sê-lo-á porque é preciso unir por comboio de alta-velocidade, competindo com as linhas aérias, Portugal a Espanha (leia-se Europa); desde Lisboa a Madrid, e do Porto a Vigo (de preferência sem qualquer paragem entre os destinos). Tudo o mais são jogos de bastidores que podem jogar tudo a perder, mais uma vez, para vergonha nacional.

Por isso é tempo de nos deixarmos de discussões infantis sobre os efeitos supostamente negativos no turismo de Lisboa, se o aeroporto desaparecer de Lisboa, ou darmos atenção às manifestações parolas de "eu também quero uma estação de TGV na minha aldeia".

PF

21/11/2005

A cidade das ideias mortas

É domingo de manhã, domingo de eleições, e, com a Solveig Nordlund, acabo por ir parar aos Coruchéus, aquele simpático jardinzinho mesmo por trás do Vává, entre a Estados Unidos e a Avenida da Igreja, jardim, palácio, ateliers de artista, um café no meio da praça.

A relva está a monte, os espelhos de água sujos, lixo um pouco por todo o lado, cócó de cão, embalagens perdidas, um rapaz aquece a heroína sentado nos degraus do palacete onde pomposa lápide indica “Divisão do Património Municipal”.

Há mais de uma década que não passava pelos Coruchéus, ouvira os rumores de como aquilo se transformara em local de transacção de droga, queixas de moradores, a galeria foi murchando e eu deixei de passar por lá. E, no entanto, ainda antes da Revolução de 1974, o Município ( liderado por França Borges) lançara ali uma ideia ( francesa, à la Malraux) que era bonita e era interessante: um canto da cidade reservado para ateliers de artista, uma cantina comum. E lá estão, formando um L, os belos prédios desenhados por Fernando Peres para 50 ateliers, práticos, bauhausianos, riscados no bairro de casas económicas de salazarenta modéstia e os lagos, e o jardim e um solitária estátua que parece abandonada ali no meio, esquecida. A cantina transformou-se em Galeria e Dulce d´Agro aí inaugurou a Quadrum, que nos anos 70, tantas vezes me fez ir aos Coruchéus, galeria activa, interveniente, provocatória, modelar na sua especificidade, com os melhores dos nossos artistas, o Angelo de Sousa ( foi ali que o descobri, ou não?), o Alberto Carneiro, o Palolo com expoislção admirável, papéis enormes,pendões e uma instalação crucial na sua obra, também foi ali que vi a sempre inquietante, tão feroz Ana Vieira, não foi? Vejam o catálogo de artistas, entre 1973 e 94, 20 anos.

Depois a galeria foi definhando, ao que percebo, na net, (www.galeriaquadrum.com) é agora Cerveira Pinto e a Aula do Risco quem se ocupa daquele espaço. Mas, no domingo 9 de Outubro, o pendão camarário que o vento agitava anunciava uma exposição ( “O Grande Estuário”) que teria fechado em Março passado – e que, ao que suponho, ainda lá está dentro, tanto quanto pude ver.

Um escultor saiu, entretanto, do seu atelier atulhado ( gosto de espreitar o que as portas revelam das vidas) e veio dar migalhas de pão às aves – nenhuma desceu para receber a dádiva. Talvez depois. Quem usa os Coruchéus?

Quem está naqueles ateliers práticos, modestos, rápidos, modernos? Como se tem acesso àqueles espaços camarários? São 50 ateliers. Quem frequenta o café instalado no centro do jardim, local de convívio, espaçoso, luminoso? Quem pinta ao ar livre no pátio onde a relva, desalinhada, cresce e que deveria estar ajardinado, mesmo por trás? Quem deixa esta água podre nos lagos?

Não há crianças que venham brincar neste jardim tão calmo? Nem estátuas para instalarem? Nem festas anuais para visitarmos os ateliers de porta aberta? Nem bailes de belas-artes em Junho, noite fora? Nem conversas?

Os edifícios mostram o desgaste dos anos, a pobreza, a tinta caiu, um ou outro ainda tenta arrebicar-se com umas plantas, a impressão é de desolação, ferrugem, de arrabalde, de abandono, de mistério, desleixo público, porcaria.

E no centro, pimpão, retocado de branco, o palacete ( do século XIX mas fingindo classicismo renascentista numa loggia engraçadinha) onde funciona a Divisão do Património Cultural da Câmara Municipal de Lisboa, ironia, maldade, que ideia, com o património ali mesmo, esquecido.

Porque é que Lisboa esquece?

Porque é que este gesto que foi interessante, este projecto de instalar um quarteirão de artistas não avançou, se perdeu, se esqueceu, se deteriorou, se abandonou? Porque é que Lisboa vai deitando para trás tudo aquilo de que em dia bom alguém ( até o França Borges da ditadura!) se foi lembrando?

Estes Coruchéus são uma ideia boa e simples – podiam viver de vida sua, iluminando o bairro, dando luz à cidade. Mas, como sempre, “estão para ali”, ideia abandonada que irá morrer de morte natural perante a indignação de uns quantos – ou continuar a sua modorra sem responder aos desafios que são os seus, entre privilégios adquiridos e desleixo.

Estamos perto do Campo Grande, chove ligeiramente e vamos ver o museu Bordalo que a CML restaurou e reabriu em vésperas de eleições com exposição temporária e tudo.

Sim senhores, bom trabalho.

É bonita a recuperação do edifício, interessante a exposição organizada por João Pinharanda ( que bom voltar a ver estes papéis recentes do Eduardo Batarda, eu gosto cada vez mais do seu lugar singular neste país insensato), o museu tem preocupações didácticas evidentes, vocaciona-se para visitas escolares, cheio de multimédia, computadores, videos – não seria a minha escolha um tão obvio esvaziamento do artístico em troca do informativo, mas está bem e está bem feito.

Por uma bela porta-janela entrevê-se o Jardim do Campo Grande, tão bonito.

Nem se diria que também ele é jardim-lixeira, esgoto da cidade, parece campo, e lembramo-nos das hortas do século XIX.

E saímos intranquilos do Museu Bordalo Pinheiro, com esta pergunta: quanto tempo ficará assim?

Voltam-me à memória os primeiros anos dos Coruchéus, lembro-me de ter pensado bem da ideia, da modernização, da vida insuflada a bairro de residências. Lembro-me de conversas no jardim com a Dulce d´Agro, com artistas, o Joâo Vieira, o Alberto Carneiro, o Alvaro Lapa, era bom ir fumar um cigarro no jardim com o Rui Mário Gonçalves.

Mas Lisboa abandonou, esqueceu, passou a outra. Será sempre, sempre assim? Terá de ser assim?

E caminharemos sempre por esta cidade como se fosse por cemitério de ideias que a vida foi matando, esquecendo?


Jorge Silva Melo

A estátua de D.José I, segundo Raúl Proença

A propósito de um post aqui colocado sobre as visitas/viagens que a CML está a organizar, com boa adesão, em torno da estátua de D.José I (a que não tenho conseguido ir mas hei-de ir...)coloco aqui a descrição (resumida)de que dela faz o inimitável guia de Raúl Proença:

"A estátua de D.José I, no Terreiro do Paço - conhecido pelos ingleses como Black Horse Square -, é do cinzel do grande escultor Machado de Castro, e foi fundida no Arsenal do Exército, a um só jacto, em 15 de Outubro de 1774, sob a direcção do Tenente-General Bartolomeu da Costa (que viria a ter problemas em assistir à inauguração), tendo sido, inclusive, a primeira estátua a ser fundida em bronze em Portugal.

Só a operação de montagem da estátua demorou cerca de 15 dias, contando com 3 dias e meio só para o seu transporte desde o Arsenal para o Terreiro do Paço (a 22 de Maio de 1775, em carro puxado por mais de 1.000 pessoas, entre as quais muitas das colunáveis de então), tendo sido colocada no pedestal no dia 2 de Junto de 1775, e inaugurada oficialmente no dia 6 de Junho de 1775.

A estátua de D.José I pesa 29.731 Kg resultantes de 38.564 Kg de bronze fundido (derretido em 28h), que demoraram 8 minutos a preencher o respectivo molde. A estátua mede 6,93 metros de altura.

O monumento mede 14 metros de altura no seu todo. O pedestal é feito em pedra de lioz, de Pero Pinheiro, e é composto de dois grupos alegóricos, o Triunfo e a Fama. A frente do pedestal tem as armas de D.José I, e sob estas um medalhão com efíge do Marquês de Pombal, em bronze, com uma inscrição em latim (Cenáculo), tendo o mesmo sido retirado em 1777 por ordem de Dona Maria, depois da «queda» do Marquês; e reposto no seu lugar em 1823. A Norte tem uma alegoria em baixo-relevo sobre a "Generosidade Régia", que fez reerguer Lisboa das cinzas e das ruínas
."

Aguarda-se que, depois deste pacote de viagens, alguém decida restaurar aquela que é a melhor estátua de Lisboa, e uma das mais belas estátuas equestres da Europa. E que o cavalo de D. José volte a ser da cor de ébano.

PF

Petição pela Reabilitação da Rua Ramalho Ortigão

Ana de Sousa

20/11/2005

Alguém sabe a explicação...

... para o cheiro nojento que hoje invadiu a Cidade?

PP

17/11/2005

Nas nossas ruas, ao anoitecer,

Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer


Enquanto a CML (bem) patrocina, até final de Novembro, uma magnífica iniciativa do Gabinete de Estudos Olisiponenses sobre os 150 anos do nascimento do grande poeta que foi Cesário Verde (1855-1886); a mesma CML (mal) continua sem saber, mais uma vez, o que fazer com a bela casa onde o poeta morreu.

PF

Carmona embarga obra na estação do Rossio

Pergunta-se se o tal "monumento", a que se refere a nota, é todo o edifício ou se é só a fachada da estação e o cais (cobertura e painéis de Lima de Freitas)? Não estamos a falar da imundície que é (e sempre foi) aquele c.c. nem dos escritórios que infestam a estação, pois não?

Comenta-se a razão porque toda a gente fala da Colecção Berardo, mas ninguém mexe um dedo que seja para que ela fique realmente em Lisboa.

PF

16/11/2005

Agenda cultural: CML vs. CMC

A diferença da Cultura em Lisboa e em Cascais está aqui

15/11/2005

Metro vai arrancar para a Portela

Parece que agora é que é: vamos ter Metro no Aeroporto da Portela, e os moradores dos Olivais foram respeitados. Só não se percebem duas coisas:

- Qual a razão do Metro não fazer a ligação à Portela, via estação do Campo Grande, cuja extensão da via seria muito mais pequena, e sem custos de oportunidade de maior;

- Se só depois de 40 anos de Metro e de mais uns quantos de Aeroporto na Portela, é que se planeia o Metro até lá; como se explica que se queira investir de facto num novo aeroporto, a dezenas de Km de Lisboa, que seja seguro e evite a poluição que este faz em Lisboa?

PF

Ar de Lisboa é dos mais poluídos da Europa

A notícia que hoje consta de quase toda a imprensa, nem sequer é notícia, pois só alguém com "grau zero" de compreensão poderia pensar o contrário. No entanto, isso não impede que:
- Os chamados transportes públicos, leia-se autocarros e táxis, continuem a poluir a atmosfera a um ritmo alucinante (dão-se alvíssaras a quem descobrir como se processam as IPO daqueles veículos!);
- As árvores de copa frondosa, em Lisboa, sejam substituídas por exemplares raquíticos, e se continue a ter "n" ruas e avenidas sem uma única árvore;
- O aeroporto de Lisboa continua a estar onde está, e a ser usado como argumento para esgrima de político, de 4 em 4 anos;
- As medidas de fundo (parques na periferia, interfaces verdadeiros, linhas de metro de superfície, mais eléctricos, mais zonas com trânsito fortemente condicionado), no que toca aos transportes dentro e na periferia de Lisboa, continuem adiadas (pelas sucessivas CML e pelo Governo) para as calendas gregas, substituidas por medidas de diversão (ex. parques dissuasores nos estádios de Alvalade, Luz e Expo).

PF

14/11/2005

Ainda sobre a hipótese "Junta do Oriente"

Recebemos de Marco Lopes, o e-mail que passamos a divulgar, por julgarmos importante para a discussão:

"Caros Senhores,

Escrevo em nome da Associação de Moradores e Comerciantes do Parque das Nações, que representa a comunidade deste bairro de Lisboa.

Damo-vos os parabéns pelo blog, pelo site e pelas iniciativas. Pensamos que é importante defender os interesses da nossa cidade (e é isso que nós também tentamos fazer).

Gostávamos de lhe agradecer o interesse demonstrado pela questão da Freguesia do Oriente. No entanto, em nome dos interesses da cidade, pensamos que o post http://cidadanialx.blogspot.com/2005/11/uma-nova-junta-de-freguesia-na-expo.html erra o alvo quando não concorda com a criação desta freguesia e consequente alteração dos limites da cidade.

Convidamo-vos a ler o texto da petição para que possa considerar os argumentos: http://www.amcpn.com/amcpn/freg.ori_2a.peticao.asp

Convidamo-lo ainda a ler o blog http://freguesiadooriente.blogspot.com e o site da associação www.amcpn.com, para que se possa informar sobre a questão e sobre outras actividades deste bairro de Lisboa.

Gostávamos de afirmar que, tal como o seu blog, nos preocupamos pela cidade de Lisboa (que achamos ser, legitimamente, a nossa cidade, visto ter sido a organizadora da Exposição e ser com ela que nos identificamos). Como poderá comprovar pelos problemas a resolver nesta área de Lisboa indicados na petição, a criação da nova freguesia deve ser apoiada por todos os lisboetas que pretendem uma cidade activa, onde os seus habitantes se possam empenhar na defesa dos seus interesses e não se vejam enredados numa malha burocrática anacrónica — como se vêem os habitantes do Parque das Nações, que não conseguem agir em comum em relação às instituições autárquicas, por estarem divididos em três freguesias e dois concelhos. A Freguesia do Oriente irá trazer dinamismo à cidade, permitirá criar uma comunidade forte e será, esperamos, o ponto de partida para adequar o mapa autárquico de Lisboa à realidade.

Achamos que os limites dos concelhos e das freguesias não são sagrados e que devemos pugnar por uma gestão racional e realista do nosso espaço. Pensamos ainda que manter a actual divisão e permitir que, quando a Parque Expo abandonar este espaço, um bairro criado de raiz seja dividido arbitrariamente é atentar contra os interesses da nossa cidade.

Como nota final, gostaríamos de afirmar que a Parque Expo vai transferir a gestão da parcela do Parque das Nações que está dentro de Lisboa para a Câmara, ficando a parte de Loures "pendurada", pois essa Câmara não tem condições financeiras para a gerir. O facto é que o Parque das Nações é um espaço com infra-estruturas comuns, cuja gestão unificada é aconselhável tecnicamente e cuja divisão implicará vários custos adicionais.

Somos lisboetas com orgulho e é por isso que lutamos pela nova freguesia. Não se trata de complicar a realidade, mas antes de simplificá-la e melhorar a vida de muitos lisboetas que aqui vivem, trabalham, estudam e passeiam. Por isso, convidamo-vos a analisar a questão e pedimos o vosso apoio para esta "pequena" causa, que é do interesse de todos (afinal, a gestão racional do Parque das Nações não só permitirá garantir a preservação deste espaço importante da cidade, como ficará mais barata para os contribuintes). Convidamo-vos a juntarmos esforços em defesa da cidade de Lisboa.

A nossa associação está a organizar várias actividades, que terão interesse para todos os lisboetas. Se assim o desejarem, teremos todo o gosto em enviar informações sobre as actividades e acções desenvolvidas por esta associação de moradores. Lisboa só terá a ganhar em ter esta comunidade (sem divisões artificiais) empenhada no bem-estar da cidade. Lisboa será uma cidade melhor com um Parque das Nações unido e activo, como pretendemos que seja.

Cumprimentos sinceros,

Marco A. F. Neves
"

Ao qual seguiu a seguinte resposta:

"Caro Marco Neves

Obrigado pelo seu e-mail e pelos parabéns que nos endereça.

Se nos permite, iremos colocar o seu e-mail no blogue, a fim dos interessados terem acesso directo ao texto da v/petição, e ao v/blogue, se assim o desejarem.

Já li os vossos argumentos expressos na petição, com os quais concordo enquanto reivindicação, a quem de direito, por uma melhor qualidade de vida na zona da Expo ; mas discordo que isso se revolva pela criação de uma junta de freguesia.

A razão é simples: aposto consigo como a maior parte dos problemas que apontam são comuns aos das 53 freguesias já existentes.

Depois, a criação de uma 54ª junta significará só isso: mais uma junta.

Não irá trazer nenhum dinamismo à cidade, nem irá resolver nenhum dos problemas estruturais das juntas, porque eles não têm solução, salvo se acabarem com todas as juntas e começarem tudo de novo (limites, competências, estrutura, pessoas, etc.)... o que manifestamente é impossível nos tempos mais próximos (leia-se década), por motivos óbvios. Ninguém irá mexer seja no que for.

Além do mais, não acredito nas Juntas, nem enquanto estruturas intermédias CML-cidadãos. Tenho exemplos mais que suficientes que me permitem afirmar isso, na minha própria Junta, nos mais variados campos, e desde que ela existe, ou seja, há 30 anos. Porque razão a "Junta do Oriente" irá ser diferente?

Já pensou que se as pessoas fossem competentes, esses problemas nunca existiriam numa zona, a Expo, que foi criada há nem 10 anos?

Já viu que todo o modelo por detrás da Expo é um perfeito disparate? Parque Expo, urbanização, arruamentos, Gare do Oriente (que monumental desperdício?!), modelo organizacional, modelo de gestão, etc., etc.?

E agora? dir-me-á. Uma boa pergunta, sem dúvida.

Não tenho uma resposta para ela, a não ser cortar a direito: revolucionar o modelo administrativo e territorial do município de Lisboa.

Acrescentar-se uma 54ª freguesia a um mapa de freguesias completamete inviável e sem sentido,não me parece ser a solução, por muito que me sinta solidário com a falta de escolas, com a má rede de transportes, com a insegurança, com a especulação imobiliária, com o isolamento, etc. da zona da Expo.

Isso é o que eu acho, mas é apenas a minha opinião, caro Marco Neves.

E continue a enviar-nos notícias sobre a vossa (bonita) zona, que quem de direito, infelizmente, não soube aproveitar enquanto oportunidade de fazer um novo urbanismo em Lisboa, por força da Expo'98.

Melhores cumprimentos

PF
"

11/11/2005

Uma nova Junta de Freguesia na Expo??!!

Cerca de mil moradores na zona da antiga Expo já assinaram a petição pró-criação de "Freguesia do Oriente", conforme se lê no Olissipo. Numa altura em que se constata o número excessivo, a inoperância e redundância dessas coisas a que se achou por bem designar como "juntas de freguesia"; aumentar-se de 53 para 54 o número de freguesias em Lisboa é, no mínimo, um contra-senso. Por muito que os moradores achem o contrário, e por muito atractivo que isso seja. Mas essa é a minha opinião, claro.

PF

10/11/2005

Exposição "As Primeiras-Damas da República Portuguesa"

O Palácio Pombal (antigas instalações do IADE), na Rua do Alecrim, ao Chiado, albergará a partir de Sábado e até ao adia 23 de Dezembro, julgo, a exposição mencionada em epígrafe, pelo que é oportuno ir lá, quanto mais não seja para se visitar o interior de um palácio quase secreto.

Aos interessados, aqui fica o resumo da visita, via Sapo:

As Primeiras-Damas da Repúbica Portuguesa», exposição patente ao Público na Sede Cultural do IADE (Rua do Alecrim 70, Lisboa), a partir de 12 de Outubro, ela procura descortinar o véu de uma história que permanece inédita entre nós: quem foram, qual o percurso seguido e que papel desempenharam as mulheres que muitas vezes permaneceram na sombra dos Presidentes da República Portuguesa, desde 1910 até à actualidade.

Essa descoberta será feita através de uma viagem no tempo, em que o visitante passará por três períodos distintos: a I República (1910-1926), a Ditadura Militar e o Estado Novo (1926-1974) e a Democracia (1974-2005). Nesse percurso, será reconstituída a biografia de cada uma das senhoras, através de documentação, fotografias e objectos pessoais que foram sendo recolhidos, para o efeito, junto de familiares – testemunhos de uma vida que até aqui permaneceu, na maioria dos casos, no anonimato. No seu conjunto, retratam o perfil de cada uma delas, com particular destaque para o período durante o qual desempenharam a função de primeira-dama. Nesse sentido, uma parte da mostra será dedicada à exposição de vestidos e jóias utilizados, nomeadamente, em ocasiões oficiais, à semelhança de presentes recebidos na qualidade de primeira-dama e que estarão igualmente expostos. A finalizar o percurso, o visitante poderá ainda espreitar o Gabinete do Cônjuge do Presidente da República, numa pequena viagem até ao quotidiano do Palácio de Belém
"

PF

Urge recuperar a Igreja de Campolide

Já todos sabemos o estado de abandono em que se encontram inúmeros edifícios de Lisboa e do país, classificados ou não, premiados ou não. Só um cego não pode ver. Igrejas, conventos, mosteiros, palácios, estátuas, palacetes, moradias, pontes, salas de espectáculo, moradias, enfim, um pouco e tudo. O país é pobre. O ritmo a que se fazem os restauros é lento. Mas há um caso em plena Lisboa que mete dó: Igreja de Santo António de Campolide Toda a gente sabe e ninguém intervém. É o jogo do empurra. Honra seja feita ao pároco local, incansável nos seus apelos. E ao CNC por fazer eco deles. Mas falta o resto.

PF

09/11/2005

Prédio avança 5 metros em relação aos vizinhos!!

De João Belard Correia (obrigado!), recebemos esta notícia publicada no PÚBLICO (7/11/05), com o título "Prédio avança 5 metros em relação aos vizinhos. Câmara de Lisboa entregou passeio e espaço público a um construtor civil", assinada pelo jornalista José António Cerejo:

"Donos da obra dizem que foi a câmara quem decidiu que o prédio tinha de avançar em relação ao alinhamento da rua para respeitar o regulamento em vigor

A Câmara de Lisboa autorizou a construção de um edifício de seis pisos acima do solo, na Rua D. Filipa de Vilhena, ao Campo Pequeno, que roubou mais de 150 metros quadrados ao passeio público e a uma zona de estacionamento da EMEL. Visto da Rua do Arco do Cego, do lado da sede da Caixa Geral de Depósitos, ou da entrada da D. Filipa de Vilhena, o prédio em construção quebra abruptamente o alinhamento dos prédios contíguos, avançando em relação a estes, de ambos os lados, cerca de cinco metros.

Licenciado em Outubro do ano passado por despacho da anterior vereadora do Urbanismo, Eduarda Napoleão, o edifício, com uma fachada de cerca de trinta metros, encontra-se em fase adiantada de construção e pertence à empresa Jaime Dominguez Gonzalez & Filhos, da família dos proprietários do restaurante Gambrinus. No local existia uma velha moradia parcialmente arruinada, com quintal à volta, que ocupava um lote delimitado pelos passeios das ruas D. Filipa de Vilhena e Elias Garcia.

A obra em curso extravasou, porém, os limites do lote dos proprietários e avançou ostensivamente sobre o espaço público. O passeio de perto de dois metros de lado da D. Filipa de Vilhena, que seguia em linha recta, viu-se subitamente interrompido pela nova construção, a qual ocupou ainda um espaço contíguo com o dobro da largura passeio, onde a Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa explorava quase duas dezenas de lugares pagos.

"Além de ficarmos sem estes lugares todos de estacionamento, a rua ficou completamente desfigurada e o passeio que era direito vai ficar um labirinto", afirma um morador de um dos prédios vizinhos.

Surpreendida pela situação ficou também a EMEL, a quem o PÚBLICO perguntou que tipo de contrapartidas tinha recebido do promotor imobiliário para ceder aquela área. "A EMEL não foi consultada sobre a ocupação desse espaço", limitou-se a responder, por escrito, o presidente da empresa municipal, Carlos Eduardo Oliveira e Silva.

'Prédio projectado não cabia no lote dos proprietários'
Mais poupados em explicações foram os serviços de Urbanismo do município.

Questionado sobre o assunto na véspera do termo do mandato de Eduarda Napoleão, o gabinete da vereadora não chegou a dar qualquer resposta. O mesmo aconteceu com o director municipal de Gestão Urbanística, José Teles - que foi contactado na segunda-feira passada e não adiantou qualquer explicação -, e com o gabinete do presidente da câmara, Carmona Rodrigues, a quem foram pedidas informações em meados da semana, sem resposta até à data.

Pronta a explicar-se mostrou-se a empresa proprietária do edifício em construção. "A câmara entendeu por bem, e acho muito bem, impor aquela solução para que fosse exequível a construção", disse Jesus Dominguez, administrador da sociedade. O empresário adiantou que a moradia, "em ruínas", e o logradouro estavam transformados num "local de deposição de entulhos e de lixo da vizinhança" e num abrigo de toxicodependentes.

"O que é que é melhor? É que lá fique um edifício condigno, como estamos a fazer ou aquilo que lá estava?", interroga. Jesus Dominguez explicou depois que "sem avançar [para o passeio e para o estacionamento] não era possível construir o que está a ser construído mercê das construções existentes a tardoz e dos regulamentos". Quer isto dizer que a construção de um edifício de seis pisos, com a profundidade que este tem, não seria regulamentar, dentro do terreno da empresa, por a sua altura ultrapassar a linha de 45 graus definida a partir da base das construções existentes nas traseiras. A solução proposta pela câmara para viabilizar o projecto, segundo esta versão, foi portanto a de fazer avançar a construção para os terrenos públicos.

Questionado sobre se não teria sido possível respeitar o regulamento, sem ultrapassar as estremas do lote, com a construção de um prédio mais baixo, Jesus Dominguez respondeu: "Nessas condições nenhum promotor estaria interessado em construir." Quanto ao preço pago à câmara pela faixa de terreno municipal, o empresário não dispunha dessa informação quando foi contactado
".

Visitas guiadas (e surrealistas) à estátua de Dom José I

A notícia está no site da CML: "A Câmara Municipal de Lisboa, através do Departamento de Património Cultural, tem o prazer de convidar V. Exa. para as visitas guiadas intituladas “A Viagem de D. José I”. O percurso tem início no Museu Militar, passa pela Sala dos Gessos, e termina junto à estátua equestre de D. José I, na Praça da Figueira, realizando-se nos dias 13, 20 e 27 de Novembro, das 10h às 13h. Estas visitas vêm na sequência das anteriormente realizadas com a colaboração do Museu Militar. A frequência da visita é gratuita e está sujeita a marcação prévia até à Sexta-feira anterior a cada data, com Maria José Figueiredo, através do telef.: 21 792 46 51."

Bom, não sei se já é a primeira iniciativa do novo Vereador da Cultura, Amaral Lopes, mas parece-me um pouco surrealista estar a promover-se uma visita guiada à estátua do Rei D.José. Quando li a notícia até pensei que talvez alguém tivesse encontrado alguns túneis mirabolantes nas profundezas dos eternos buracos do Terreiro do Paço, que nos permitissem ver a estátua por debaixo do pedestal. Ou então, pensei eu, que os elementos decorativos de Machado de Castro tivessem inchado tanto, tanto, que aos humanos fosse agora possível entrar pelo cavalo adentro.

Mas não, lida melhor a notícia, o que se passa é que a dita "viagem" é mesmo uma viagem em termos de espaço e tempo: começa no belo Museu Militar, passa pela Sala dos Gessos e termina junto à estátua. Tem piada, já visitei algumas vezes o Museu Militar (antes das inundações), quis visitar e não pude a Sala dos Gessos, e costumo admirar quase diariamente a obra-prima da nossa estatuária; mas nunca tinha pensado em termos de "Viagem de D.José I".

É uma iniciativa engraçada, esta, mas seria melhor que na tal viagem se visse recuperada a zona envolvente ao Museu Militar, bem como o Chafariz de Dentro, o Chafariz d'El-Rei, o Palácio Cabral, o Campo das Cebolas, a Casa dos Bicos, a Igreja de Conceição Velha, o Arco da Rua Augusta, o Terreiro do Paço e, finalmente, a própria estátua em si (tem tanta patine que nem se vislumbra a cor de ébano do cavalo!), e dignidade da placa central em que se insere.

PF
P.S.- Vou tentar ir à "viagem", claro.

Os novos vereadores da CML, em carne e osso!

Isto não há nada como a Net. Aqui estão os novos Vereadores da CML, ou seja, a quem vamos elogiar ou criticar, apresentar ideias ou reclamar acções, durante os próximos quatro anos. Finalmente, e em carne e osso.

PF

P.S.-Seguirá dentro de momentos a nossa previsão, caso a caso.

Petição pelo fecho ao trânsito das Rua dos Condes

Alguns comerciantes e artistas da Rua das Portas de Santo Antão entregaram uma petição à CML, pedindo o fecho da Rua dos Condes ao trânsito, como noticia a imprensa.

Comentário do assessor do Sr.Presidente da CML: "O presidente da Câmara de Lisboa considera salutar a participação dos cidadãos na melhoria da qualidade de vida dos munícipes e acredita que esta pode ser uma boa ideia".

Nosso comentário: a ideia de fechar a Rua dos Condes é mais velha do que alguns dos assessores da CML, e até nós, imaginem, a defendemos desde há um ano a esta parte. É uma medida que deve ser implementada e já, claro, mas inserida numa solução integrada, que passe pelo fecho ao trânsito e "pedonalização" do eixo Rua Augusta-Portas Santo Antão-Largo da Anunciada-Rua das Pretas-Colina do Torel; que passe pela reabilitação urgente não só das salas de espectáculo ainda ao abandono, Odéon e Olímpia, mas dos edifícios do Atheneu Comercial de Lisboa, do palácio dos herdeiros do Duque de Saldanha, Casa do Alentejo, Igreja de São Luís dos Franceses, comércio tradicional e, finalmente, do próprio Palácio da Independência, que é uma jóia completamente maltratada.

E, tem piada, não é que também nós, pobres cidadãos, já o havíamos proposto?!

PF

08/11/2005

Ainda sobre o Porto de Lisboa ...

... e os novos planos para a frente ribeirinha, deixamos aqui o texto que enviámos à APL no dia 2 de Novembro, por fax:

"No seguimento da conferência de imprensa do Sr. Presidente da APL, Dr.Manuel Frasquilho, e enquanto cidadãos empenhados por uma Lisboa melhor, vimos solicitar a V.Exas. que possibilitem a consulta livre, a todos os interessados, da solução encontrada para o Porto de Lisboa.

Mais solicitamos esclarecimento relativamente ao seguinte:

1. O que pretende fazer a APL com as gares marítimas da Rocha Conde de Óbidos e de Alcântara, uma vez que pretende construir um novo terminal de passageiros junto à Bica do Sapato?

2. Como é possível conciliar-se o aumento brutal do terminal de contentores (mesmo que em altura) com os planos de urbanização do POZOR e com o acesso ao rio, que se pretende cada vez mais abrangente?

Com os nossos melhores cumprimentos
"

PF

A propósito deste artigo sobre o São Jorge

Artigo interessante, este, de Manuel Falcão, no Jornal de Negócios. Concordo com tudo, ou quase tudo. Só há um busílis: eu acho que o São Jorge é indispensável a Lisboa, assim como são o Odéon e o Capitólio.

A mim não me interessa se João Soares comprou o São Jorge fora de tempo, contra vontade, empurrado pelas circunstâncias, ou de conluio com algum lobby, que ignoro. Se o comprou com os votos contra, de uns, e a abstenção de outros. A mim, o que me interessa é que o São Jorge é de Lisboa e dos lisboetas. Foi evitado que ficássemos sem ele, como ficámos sem o Eden, o Monumental, o Alvalade ou o Royal, em que os promotores imobiliários levaram a melhor sobre os cidadãos desatentos, ou sem os meios para fazerem ouvir a sua voz.

E o São Jorge é indispensável a Lisboa como sala única, de gestão privada sim, mas vocacionada especificamente para cinema, de preferência português, e em regime de exclusividade. Difícil, hein?

Claro que para isso acontecer é preciso muita competência, imaginação, esforço e dedicação por parte da CML, do futuro gestor e do MC, o que manifestamente não tem havido em quase nenhum dos espaços culturais propriedade da CML e do Estado. A única casa com programação e índicadores de assistência minimamente capazes tem sido o São Luiz, razão: Jorge Salavisa é um excelente programador.

A CML tem que saber delinear um contrato de exploração claro, com uma gestão por objectivos, em que se garanta a apresentação de indicadores de acompanhamento e relatórios de execução. Mas o MC também tem que intervir a montante, regulamentando um mercado de distribuição completamente contra-producente, que asfixia e distorce, que produz coisas aberrantes ao nível da exibição. Sem isso, por mais obras no quadro eléctrico que se façam e ar-condicionado que se coloque, o São Jorge será sempre uma pálida imagem do que foi.

PF

Confirma-se retrocesso no acesso à frente ribeirinha

Mais más notícias desde a APL:

Como temos vindo a alertar nos últimos dias(o nosso amigo Pedro Ornelas, especialmente), não se augura nada de bom para o futuro da zona ribeirinha que ainda falta libertar visual e fisicamente, já que a evolução positiva que se tinha vindo a evidenciar ao longo da última década, no sentido de haver cada vez mais frente livre para a fruição dos cidadãos; essa evolução parece sofrer agora um retrocesso, uma vez que os planos da APL para o terminal de contentores e para as gares marítimas vão no sentido de mais obstáculos e entraves à libertação da frente ainda ocupada.

Hoje, porém, o problema agrava-se: a APL assinou um protocolo com a empresa JCDecaux (mobiliário urbano e publicidade exterior, ), no sentido de "instalar na zona 42 equipamentos que vão corresponder a um total de 115 faces publicitárias de vários formatos, onde se incluem "mupies", mastros-bandeiras e painéis luminosos.Com a assinatura deste protocolo, "abrem-se novas perspectivas de colaboração na dinamização desta área privilegiada pela frente ribeirinha e por onde, anualmente, passam milhares de pessoas vindas dos mais diversos pontos do mundo", refere a empresa em comunicado."

PF

04/11/2005

Património classificado a ser maltratado? denuncie você mesmo, já!

A propósito do comentário de Odete Pinto ao «post» anterior, cumpre aqui fazer publicidade a uma prerrogativa que o IPPAR dá, e bem, a todos quantos de entre nós querem denunciar situações atentatórias ao património arquitectónico classificado; colocando ao nosso dispôr o formulário "Como alertar o IPPAR de eventuais ameaças ao património?".

Trata-se de uma ferramenta fácil de utilizar, e que todos nós devemos utilizar como forma de denunciarmos casos que julgamos pertinentes. E devemos fazê-lo JÁ!

Brevemente, iremos lançar uma campanha de protecção do património. Esteja atento.

PF

03/11/2005

Cinema Império, IIP para quê?

Anteontem, aproveitando a presença em Lisboa de um amigo luso-americano defensor incansável dos velhos cinemas americanos, pude entrar num dos meus cinemas preferidos de infância, onde vi filmes como "O Padrinho", "Justiceiro Solitário" ou "Doutor Jivago", por exemplo, e onde não entrava há 15 anos, altura em que fechou portas como sala de cinema para se tornar na sede lisboeta da IURD: o Cinema Império.

O Cinema Império, na Alameda D.Afonso Henriques, é Imóvel de Interesse Público desde 1996, e, portanto, está classificado e protegido por lei das tropelias várias que eventuais donos sem escrúpulos queiram fazer, etc., etc. mas no caso do Império isso significa ser o exemplo acabado de como em Portugal há uma maneira muito peculiar de se entender o que significa ser "classificado e protegido".

O que eu vi ontem no Império, por entre gritos de "aleluia!", de pastores e plateia histéricos, e a dízima obrigatória de final de sessão, foi um Império completamente desvirtuado, por fora e por dentro daquela magnífica sala de gaveto, de planta assaz enviesada, fruto do traço modernista de Cassiano Branco, de finais dos anos 50. Senão veja-se:

Cá por fora há muito que desapareceram as esferas armilares em ferro forjado, que eram um elemento riquíssimo e que coroavam as linhas verticais da fachada. Onde páram? Ninguém sabe. Também cá por fora, lá em cima, o Império viu ser-lhe acrescentado um andar, sob a forma de marquise de aluminio, em toda a extensão do seu telhado. Também cá por fora os néons das colunas da fachada há muito que emanam uma luz azul celestial. Ainda cá por fora, o letreiro dizendo "Império" também desapareceu da fachada principal, restando apenas o da lateral. E lá dentro a coisa piora ainda mais:

O revestimento a madeira escura, que forrava parte das paredes da plateia e dos dois balcões (da mesma maneira que no São Jorge), desapareceu para dar lugar a um revestimento a imitar pedra mármore! As traves em madeira das paredes, palco, portas e de todo o interior, foram substituídas por colunas de capitéis coríntios (estará a IURD convencida que o cinema se chama Império por analogia com a Avenida de Roma e o Império Romano?) do mesmo material do revestimento das paredes. O resto das paredes e do palco está pintado de branco e de azul celestial, tal qual a mini-cortina de palco que emoldura o altar. Às portas em madeira, das saídas da plateia e dos balcões, foram acrescentadas cruzes em relevo. Nos tectos (principal, e por debaixo do 1º balcão)foram colocados lustres de saco, de cristal de pechisbeque. As escadarias e aqueles corredores imaginativos que serviam de apoio aos dois balcões foram quase todos adulterados desde o piso ao corrimão.

E a mais não pude ir, e por isso não falo, imaginando, porém, o que me reservaria a sala Estúdio (que parece ser agora o escritório do pastor), ou aquelas magníficas salas de estar (ou de fumo) com vista para a Alameda, onde costumava ir aquando dos intervalos das sessões.

Por isso pergunto ao Império, de que lhe serve ser Imóvel de Interesse Público?

PF

02/11/2005

O Terramoto e a CML

Face à total nulidade com que a CML resolveu comemorar o 250 º aniversário do Terramoto de Lisboa, cumpre aqui fazer justiça aos espaços e rubricas que os jornais Público e Expresso dedicaram à efeméride e não só, sendo que no caso do último é de realçar o seu excelente trabalho "on line", como se comprova facilmente indo até aqui.

A inoperância e a incompetência da CML só se explicam da seguinte maneira: a CML sabe que não sabe como enfrentar um novo terramoto, mas também sabe que só um novo terramoto poderá reabilitar a Lisboa que a CML teima em não saber reabilitar.

PF

Carmona em entrevista ao DN

Carmona Rodrigues dá hoje uma entrevista ao Diário de Notícias, dividida claramente em duas partes: a primeira, de política partidária, e a segunda, esta, de índole mais interessante porque diz respeito aos 4 anos que aí vêm em termos de Lisboa. Ora, no que toca a esta segunda parte, e independentemente de não termos ficado a saber o que CR faria se as Torres de Siza tivessem avançado, ficamos a saber, ou não, coisas "interessantes" como estas:

1. À pergunta "Onde é que vai criar os três parques de estacionamento dissuasores?", CR responde "Estádio da Luz, Estádio de Alvalade e Gare do Oriente". Donde se conclui que CR não sabe o que são parques dissuasores, pois os parques que aí vierem a ser feitos serão tudo menos dissuasores. Parques dissuasores seriam os que fossem construídos na periferia de Lisboa, como por exemplo no Vale do Jamor (servindo as populações dos concelhos de Cascais, Oeiras), Alfornelos (Amadora, Sintra), Olival de Basto (Loures, Odivelas) ou Póvoa de Santa Iria (Loures, Vila Franca). E seriam dissuasores se entre eles e as populações houvesse linhas de metro ligeiro de superfície, pontuais, cómodas e seguras, que levassem os seus passageiros até aos interfaces com as linhas do Metro e da Carris. Construir-se mais parques nos locais que CR refere, além de ser mais uma medida de remedeio de curto-prazo, é uma asmneira.

2. À pergunta "Sempre vai adquirir o Pavilhão de Portugal?", CR responde "Se olharmos para o Parque das Nações falta uma âncora cultural. O que poderá ser? Uma grande colecção de obras de arte, o museu da cidade. E isto tem a ver com a colecção Berardo. Não há falta de matéria-prima. Estive lá com a administração da Parque Expo e com o comendador Joe Berardo. Há da parte do Governo e da nossa uma grande vontade de arranjar um local para colecção Berardo", ou seja, nada. Berardo ficou na mesma. A Parque Expo também. E o Pavilhão e a Pála lá continuam com fendas e a degradar-se a olhos vistos.

3. À pergunta "Tem ideia de onde será a Feira Popular?", CR responde "Quem primeiro avançou com a ideia de localizar a feira junto ao rio foi Ruben de Carvalho. Nem fui eu. Os terrenos junto ao rio são da tutela da APL e temos de ouvir a sua opinião", ou seja, nada. Os lisboetas e os feirantes ficaram na mesma. Mas a Bragaparques não.

4. À pergunta "Em relação ao Parque Mayer, afinal quantos teatros vão ser feitos?", CR responde "Uma sala de espectáculos grande para 1100 lugares, um teatro com 800 lugares, outro mais pequeno, um teatro-escola. Uma das salas será para teatro de revista", ou seja, é a total irresponsabilidade. Porquê? Porque ali mesmo ao lado a CML possui uma sala de mais de 1.000 lugares, o São Jorge, e não sabe o que lhe há-de fazer. Alguns metros abaixo o magnífico Odéon continua ao abandono; e mais acima a CML comprou (e bem) o Paris e também não sabe o que lhe há-de fazer. Mas pior do que isso é sabermos que no próprio Parque Mayer existe um Capitólio, único exemplar modernista ainda de pé, já propriedade da CML e que esta o quer demolir. Já para não falarmos do antigo Cinema Roma, local de encontro dos deputados municipais assíduos, uma vez por semana. E estamos falados.

5. À pergunta "Com o actual estado de contenção, faz sentido encomendar o projecto a Frank Gehry?", CR responde "O contrato ainda não está assinado. Tudo isto não vai custar um cêntimo ao orçamento da Câmara porque vai ser feito com o dinheiro das contrapartidas do Casino, que vai estar pronto em Março de 2006. Cinquenta por cento das receitas brutas anuais vão para a câmara de Lisboa, são 45 milhões de euros anuais. Desses 45 milhões, 15 milhões durante seis anos pagam o Parque Mayer", ou seja, que ainda não há contrato com Gehry, o que é uma óptima notícia... Quanto à engenharia financeira com o futuro casino, abstenho-me de comentar tão grande é a ilusão.

6. À pergunta "Como estão as finanças da cidade? Vai ter que vender mais património?", CR responde "As finanças estão controladas. É evidente que vamos continuar a alienar fogos. A tendência é essa". Ou seja, aí vão os palácios Pancas Palha, Marim Olhão, Alfinetes, Bica e Rosa, talvez mesmo o da actual Hermeroteca. Mais à frente, "Quanto pode ganhar com essa venda?", "Não sei, mas é muito" (!!).

PF