Conferência-26 de Abril-9:30-Anfiteatro Ventura Terra (MAC)-Entrada Livre

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31/12/2008

«Natal é quando os patrocínios quiserem»


Para nunca esquecer o que foi feito no Natal de 2008. A prenda de Natal envenenada da TMN & CML. Bom ano de 2009!

Um excelente 2009 para todos...!

O melhor bolo-rei da Escandinávia !

2009


O tempo, como o Mundo, tem dois hemisférios: um superior e visível, que é o passado, outro inferior e invisível, que é o futuro. No meio de um e outro hemisfério ficam os horizontes do tempo, que são estes instantes do presente que imos vivendo, onde o passado se termina e o futuro começa.
António Vieira, S.J. (1608-1697)


Ninguém pára o Futuro. Que 2009 comece. E avance. E acabe. O melhor possível.

30/12/2008



Feliz 2009 a todos! Que durante o próximo ano possamos continuar a amar a nossa Lisboa e a defendê-la dos ataques vis que nunca cessaram. Afinal, as belas damas sempre foram vitimas de cruéis vilões.

Novo Museu dos Coches, os pontos nos is:


Evidências:

1. O novo Museu dos Coches é uma obra do regime e, portanto, tremendamente difícil de parar, até porque a opinião pública portuguesa ainda vive sob aquela concepção, lamentável, de que 'se é do governo, não há nada a fazer'.
2. O novo Museu dos Coches, a seguir em frente, será um vitória assinalável de Santana Lopes e do lobby do cavalo lusitano; o que, não explicando o élan que o novo governo PS lhe deu, até ajuda a compreender a inexplicável manutenção do ministro néscio que há muito devia ter ido de 'patins'. Seja como for, a versão oficial do tempo de PSL enquanto Sec. Estado da Cultura não previa um novo edifício mas antes a adaptação das instalações da OGME a museu.
3. Enquanto houver Cavaco Silva em Belém não haverá cavalos no actual Museu dos Coches, até porque o PR está devidamente 'blindado' nos pareceres técnicos de finais de 90. Ou seja, não haverá picadeiro no actual museu.
4. A construção de um silo automóvel de 5 andares junto ao rio e à estação fluvial de Belém, com a justificação de que os 'milhões' de potenciais visitantes do futuro museu não de deslocarão de comboio, eléctrico ou autocarro, é um atentado à Frente Ribeirinha, à modernidade apregoada e, mais grave, à inteligência do comum dos mortais.
5. Há 10 anos, a CML emitiu uma recomendação para que as instalações das OGME fossem poupadas, pelo seu valor enquanto arquitectura industrial (será pobre, mas é a nossa...). Semelhante recomendação foi feita pelo Ministério da Defesa, quando 'passou' aquele equipamento à Sec. Estado da Cultura.

Três questões daí decorrentes:

1. Qual o futuro do edifício do actual museu? Será entregue à bicharada, que é como quem diz, às de operações de charme & catering dos aprendizes de iluministas dos tempos que correm?
2. Porque razão o Estado coloca à venda o Quartel do Conde de Lippe, na Calçada da Ajuda, e 'esquece-se' de lá colocar o picadeiro real?
3. Porque razão o Estado de hoje se está 'nas tintas' para o que o Estado de há 10 anos recomendava sobre a necessidade de preservar os pavilhões das OGME, ainda por cima estando lá instalados os serviços de Arqueologia ... que, inclusive, não sabem para onde irão?

Teresa Caeiro para Lisboa, defende Pires de Lima

In Diário de Notícias (30/12/2008)
ANA SÁ LOPES
RODRIGO CABRITA - ARQUIVO DN

«CDS. Coligação com o PSD ainda não está decidida
Santana Lopes já é oficialmente o candidato do PSD, falta saber se também será o candidato do CDS. Os dois partidos ainda não tomaram qualquer decisão sobre a possibilidade de apresentarem listas conjuntas à Câmara de Lisboa.

A coligação PS/CDS é para o presidente do Conselho Nacional do partido, António Pires de Lima, "um assunto discutível". Ou seja, "se o CDS conseguisse ter um candidato forte", apresentar-se às eleições para a Câmara de Lisboa em listas próprias seria preferível. Para o presidente do Conselho Nacional, a deputada Teresa Caeiro poderia protagonizar uma "candidatura forte" à Câmara de Lisboa. Contactada pelo DN, Teresa Caeiro não quis fazer qualquer declaração. [...]»

Terreiro do Paço libertou-se das bolas de Natal da TMN

In Público (30/12/2008)
Ana Henriques

«Festa de final de ano justifica fim antecipado de polémica intervenção publicitária, justificada pela falta de verbas da autarquia para pagar iluminações das ruas

Foram-se embora logo a seguir ao Natal para não mais voltarem. Alvo de contestação praticamente unânime, as bolas gigantes da TMN que ocupavam o Terreiro do Paço há um mês foram dali retiradas para que a tradicional festa de final de ano se possa realizar, e não voltarão a ser montadas depois disso, embora as restantes iluminações da quadra se mantenham até aos Reis, no dia 6 de Janeiro.
A entrega da praça mais nobre da cidade à operadora de telecomunicações, em troca do patrocínio das iluminações de Natal, gerou uma onda de indignação que se estendeu à blogosfera, onde as críticas foram mais que muitas. E na Câmara de Lisboa, que autorizou a mega-instalação publicitária, houve quem lembrasse que as promessas eleitorais de António Costa condenavam esta espécie de privatizações temporárias do espaço público.
Perante as reclamações dos munícipes e a pressão da autarquia, a empresa de publicidade encarregue das decorações de Natal nas ruas da cidade, a Multimedia Outdoors Portugal, ainda reduziu o número de bolas, de 30 para 22, o que não foi suficiente para reduzir o desagrado. A Assembleia Municipal exigiu explicações da autarquia sobre os compromissos e as contrapartidas que permitiram a ocupação, "com tanto mau gosto e tão a despropósito", deste e de outras praças lisboetas com publicidade, em troca do financiamento das iluminações. Além da TMN, foram os Correios, a Zon e a Santa Casa da Misericórdia a pagar as luzes das ruas. A autarquia não gastou um tostão.
A Assembleia aprovou ainda uma recomendação exigindo a "imediata cessação" da campanha da TMN - o que não chegou a acontecer -, considerada pela maioria dos deputados municipais como um "atentado ao espaço público".
É bem diferente da instalação montada no Terreiro do Paço a imagem da intervenção em causa apresentada pela Multimedia Outdoors Portugal no seu site: não é visível qualquer publicidade. Manuel Simões de Almeida, responsável da Multimedia Outdoors Portugal, diz que não é o desagrado generalizado que faz com que a publicidade da TMN não volte a ser montada na praça após a festa do final de ano, até ao dia de Reis. "Já estava previsto que assim fosse", assegura, negando também que tenha havido unanimidade na apreciação do efeito das megabolas: "Houve quem gostasse e quem não gostasse." Os que gostaram têm bom remédio: subir ao Marquês de Pombal, onde estruturas iguaizinhas às do Terreiro do Paço se vão manter até ao dia 6. »

E JÁ NÃO ERA SEM TEMPO. E podiam ter feito o mesmo às «decorações de Natal» do Rossio, Praça da Figueira, Marquês e alto do Parque Eduardo VII, que são todas altamente deprimentes. Espero que quem de direito tenha aprendido com a experiência e que para o ano de 2009 a coisa não se repita ... por sinal, em 2009, o Carnaval irá ser uma constante;-)

29/12/2008

Santana quer rede de túneis em Lisboa

Segundo noticia o SOL, uma das prioridades de Santana Lopes é prosseguir com o desnivelamento dos eixos principais da cidade, como sucedeu com o Marquês de Pombal. Ainda assim, a sua proposta assenta em túneis de menores dimensões e sem a complexidade da obra que ficou a marcar a sua anterior passagem pela presidência da autarquia lisboeta.

Santana Lopes não esquecerá também a recuperação do Parque Mayer e da zona ribeirinha e ainda a conclusão do túnel do Marquês (ligação à António Augusto Aguiar).
In IOLDiario
Se Santana ganhar vamos ver Lisboa transformada num Queijo Emmental

Em breve, à venda e para troca no Pav. Carlos Lopes:


Nem PUALZE lhe valeu ...


Avenida da Liberdade, Nº 247

Depois de ter tido 2 projectos de construção nova (e subjacente demolição) reprovados (2003 e 2004) eis que à terceira foi de vez, e lá se vai ele, o último prédio resistente do 1º quarteirão do lado direito da Avenida da Liberdade, logo após o Marquês. Emparedado por gigantes da era do 'pugresso', tinha tido uma nesga de esperança quando lhe deram uma demão de cinzento, auspiciando uma recuperação que nunca chegou a vir. Fora tudo para fazer de conta. Em pleno Natal, sob a forma de proposta nº 356/2008, a prenda foi antes esta:

O processo nº 2376/EDI/2006 foi aprovado em reunião de CML do passado dia 22 de Dezembro, com 10 votos a favor de PS, PSD e PCP e 6 votos contra dos vereadores de LCC, CPL e JSF.

Ah, já me esquecia: a proposta contempla a construção de um edifício com quinze pisos (cinco deles em cave) e destina-se a serviços. Foi você que pediu mais pópós no eixo principal de Lisboa? E habitação, cadê ela?

28/12/2008

.....e isto é também na mesma praça.....

.....e veja mais aqui:
http://lisboasos.blogspot.com/2008/12/patrimnio-mundial-da-desumanidade.html

«NATAL É QUANDO OS PATROCÍNIOS QUISEREM»


Alguém consegue ver onde está a estátua equestre do rei D. José I? Graças à TMN & CML, a estátua passou a ser um objecto tímido e a mais na praça. Negou-se ao monumento a sua posição indiscutível na praça. Desde Novembro que está, literalmente, apagado da sua função de marco central do conjunto monumental da Praça do Comércio. Durante dois meses são as 24 mega bolas publicitárias da TMM que estão no centro daquele placo urbano. «O Natal é quando os patrocínios quiserem». E os monumentos? Os monumentos são monumentos 24 horas por dia e 365 dias por ano. Os cidadãos não podem aceitar interrupções na vida dos monumentos apenas porque a publicidade assim o deseja.

27/12/2008

Obras de Requalificação de Restaurante no Jardim da Estrela

A Câmara Municipal de Lisboa vai realizar obras de requalificação no restaurante do Jardim Guerra Junqueiro (Jardim da Estrela).


A Câmara Municipal de Lisboa vai realizar obras de requalificação no restaurante do Jardim Guerra Junqueiro / Jardim da Estrela. A intervenção estará concluída em Junho de 2009.
O restaurante será alvo de um Concurso Público para atribuição do direito de exploração, sendo o lançamento deste procedimento anunciado no sítio da Internet da CML, no boletim Municipal e na imprensa diária.
Fonte: DAEV

Campo Grande


Em pleno centro da cidade temos uma situação que não tem como ser nomeada, uma travessia que com recurso a semáforos e uma passadeira podia ser feita em 19 metros leva 174 metros ou seja o peão leva 9(nove!) vezes mais a fazer uma travessia para não perturbar a prima-dona que é a fluidez do tráfego automóvel!

Caso EPUL/Benfica na PGR

Pinto Monteiro, procurador-geral da República, já terá nas mãos o relatório interno feito pela Empresa Pública de Urbanização de Lisboa sobre as facturas relativas à conclusão dos acessos ao novo estádio do Sport Lisboa e Benfica.

De acordo com o jornal "Correio da Manhã", o inquérito aponta para "indícios da eventual prática de ilícitos criminais" referentes ao pagamento, da EPUL ao Benfica, de mais de oito milhões de euros, quando o contrato de execução da obra, indicava cerca de 6,8 milhões.

Os factos remontam à época em que se preparava a construção de estádios destinados a servir o Euro 2004. A Câmara de Lisboa (liderada por Santana Lopes e com Carmona Rodrigues na vice-presidência) e a Assembleia Municipal decidiram que não iria haver qualquer comparticipação financeira por parte da autarquia ou da EPUL no projecto Benfica .

Ficou assente, contudo, que a "construção dos ramais de ligação às infra-estruturas de subsolo para o novo estádio, bem como a fiscalização e consultadoria da obra", seriam assegurados pela Câmara, através da EPUL, mas cujo custo nunca representaria mais de um milhão de euros. A autarquia acabou, no entanto, por dar instruções à EPUL para pagar ao Benfica mais de 6,8 milhões de euros, verba que acabou por crescer para mais de oito milhões.

Há cerca de dois anos, José Sá Fernandes denunciou publicamente o caso, comunicando-o ainda à Inspecção-Geral das Finanças, Tribunal de Contas, InspecçãoGeral da Administração do Território e Procuradoria-Geral da República

Na altura, Sá Fernandes argumentou que os justificativos para as despesas "nada têm a ver com a construção de ramais" e que boa parte das facturas apresentadas pelo Benfica tem datas anteriores à assinatura do contrato de execução e "diz respeito a empresas que não têm por objecto, nem de perto nem de longe, a execução de obras ou a sua fiscalização ou consultadoria.

In JN.pt

24/12/2008

«NATAL É QUANDO OS PATROCÍNIOS QUISEREM»

«Natal é quando os patrocínios quiserem» - Não, não é uma declaração de um membro do executivo da Câmara Municipal de Lisboa, mas sim o título de um artigo na revista Time Out Lisboa (10-16 de Dezembro de 2008). Feliz Natal Praça do Comércio! Feliz Natal estátua equestre de D. José I! Feliz Natal Baixa Pombalina! Feliz Natal Comissão Nacional da UNESCO, Feliz Natal IGESPAR! Feliz Natal Dr António Costa! E até ao Carnaval!

Paulo Mendes da Rocha disposto a "avaliar a situação" do silo do Museu dos Coches -PUBLICO - 24.12.2008, Alexandra Prado Coelho e Vera Monteiro

Arquitecto brasileiro responsável pelo projecto do museu quer estudar com a câmara uma solução para resolver o estacionamento em toda a área de Belém

O arquitecto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, autor do projecto para o novo Museu dos Coches, em Lisboa, considera que a proposta que fez, que inclui um silo automóvel na frente ribeirinha, é "o projecto ideal". No entanto, depois de, na segunda-feira, a Câmara Municipal de Lisboa ter rejeitado o silo, Mendes da Rocha diz-se disposto a "avaliar a situação para ver se vale a pena [alterar]".
O ministro da Economia, Manuel Pinho, dissera na véspera que já falara com o arquitecto e que este não teria qualquer problema em reformular o projecto. Ao telefone com o PÚBLICO a partir de São Paulo, Mendes da Rocha clarifica a sua posição: "Eu não disse que estava disposto a alterar, disse que estava disponível para ver se é possível uma variante" para o problema do estacionamento na zona. Assim, admite "examinar as consequências, e depois dar uma resposta".
"Só faz sentido repensar o estacionamento se houver um estudo integrado com a câmara para toda a área de Belém", sublinha o parceiro português de Mendes da Rocha neste projecto, o arquitecto Ricardo Bak Gordon.
O silo proposto, de 23 metros de altura e capacidade para cerca de 400 carros, ligado ao museu por uma passagem aérea sobre a linha do comboio, era, nas palavras de Mendes da Rocha, "uma solução mais abrangente do que simplesmente um estacionamento do museu". Ou seja, foi pensado não apenas como um apoio aos Coches, mas como parte da solução para o estacionamento em Belém.
Questionado sobre se a questão do silo vai atrasar mais o início das obras, Bak Gordon diz esperar que isso não aconteça, porque a construção do silo "é uma operação paralela". Mas, avisa, "é uma decisão que tem que ser tomada atempadamente", pelo que "é urgente sentarmo-nos com a câmara e começarmos a estudar em conjunto".

Arqueologia à espera
As obras do novo Museu dos Coches deveriam ter começado em Setembro. Foram adiadas para Outubro, Novembro e depois para Dezembro, e ainda não têm início previsto. O problema principal, neste momento, relaciona-se com o ex-Instituto Português de Arqueologia, actual Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar), que está nas antigas Oficinas Gerais de Material do Exército, local do novo museu. O Igespar soube que vai ter de sair no início do próximo ano. Mas o Ministério da Cultura (MC), que o tutela, ainda não sabe para onde.
"Desde o princípio do ano que sabíamos que tínhamos de sair daqui e perguntámos quando", diz Ana Cristina Araújo, arqueóloga do Igespar. O "Ministério da Cultura sempre disse não estar preocupado e que quem ia resolver o problema seria o Ministério da Economia [ME]", uma vez que o projecto havia sido apresentado por este.
Mas nem o ME sabe quando vão começar as obras nem o MC sabe para onde irá o espólio, apesar de a Cordoaria ser uma hipótese. Contactado pelo PÚBLICO, o Ministério da Cultura garante apenas que "vai ser tudo feito com tempo".
"Fala-se" na Cordoaria Nacional, diz Ana Cristina. Mas o que neste momento preocupa os arqueólogos é o tempo que irão ter para mudar tudo. E "tudo" não é coisa pouca. Só a biblioteca, "a maior biblioteca arqueológica a nível nacional", tem 50 mil volumes.
23

metros é a altura prevista do silo automóvel junto ao Tejo, uma das três estruturas do projecto do arquitecto brasileiro
Parte do Pavilhão Carlos Lopes pode ser demolido para albergar Museu do Desporto- PUBLICO 24.12.2008, Ana Henriques

Equipamento cultural a inaugurar em 2011 será concebido para atrair patrocinadores e marcas. Governo apresentou ideias do projecto, mas não divulgou investimento previsto

O Governo anunciou ontem a remodelação do Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, para ali instalar o Museu Nacional do Desporto. Segundo o programa preliminar do projecto, os gabinetes de arquitectura que se habilitarem a planear a transformação "são livres de propor a demolição parcial" do edifício inaugurado em 1923, "mantendo os elementos mais estruturantes da memória" do pavilhão, bem como de proporem a instalação do museu "em construção nova, fora do perímetro e área do edifício existente", embora no Parque Eduardo VII.
Elaborado no Instituto do Desporto, o programa refere que o Pavilhão Carlos Lopes "está inserido numa zona abrangida pelas servidões administrativas do património classificado sujeito a parecer do instituto do património". Por isso, "qualquer intervenção obriga a manter inalteradas as fachadas e a cobertura no que se refere à composição geométrica e forma da estrutura". Ainda assim, o documento assegura que "será possível demolir parcialmente o edifício e utilizar na cobertura e nas fachadas novos materiais, com características mais resistentes". Quanto às peças ornamentais que caracterizam o edifício inspirado no barroco joanino do Convento de Mafra - marcenarias, cantarias, painéis de azulejo e estatuária -, "podem ser posteriormente recuperadas".
O imóvel foi concebido pelos arquitectos Guilherme e Carlos Rebelo de Andrade e Alfredo Assunção Santos para representar Portugal na Exposição Internacional do Rio de Janeiro de 1922, finda a qual foi desmontado e transferido para Lisboa. Três décadas mais tarde, chegou a ser equacionada a sua demolição. Depois de ter servido de palco a eventos desportivos e a concertos, foi encerrado há cerca de cinco anos, por falta de condições. O interior encontra-se em estado de decadência, tendo parte dos seus emblemáticos azulejos, feitos na Fábrica de Louças de Sacavém, sido roubada.
Talvez em 2011
A data de abertura e os custos para adaptar o edifício à nova função ficaram fora da cerimónia em que o projecto foi apresentado. Só depois de questionado, o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, deu algumas pistas sobre daqui a quanto tempo abrirá o museu: se os prazos não derraparem, lá para 2011. Quanto aos custos, o Governo invoca a inexistência, por enquanto, de um projecto de arquitectura para não revelar os valores estimados. Certo é que se trata de uma parceria entre a Câmara de Lisboa, proprietária do pavilhão, e o Governo, cabendo à autarquia investir parte das verbas do Casino de Lisboa que lhe cabem por lei, num montante inferior a cinco milhões de euros.
O projecto prevê um espaço interactivo onde os visitantes poderão "conhecer as capacidades fisiológicas e biomecânicas do seu corpo: equilíbrio, flexibilidade, perícia, velocidade, resistência...". E entreter-se com actividades como fazer lançamentos ou rematar à baliza. "Serão convidados jogadores ou equipas para interagirem com os visitantes", refere uma nota de imprensa, que promete ainda conselhos sobre estilos de vida saudável. Haverá um espaço para o coleccionismo, destinado a expor filatelia, numismática, emblemas, cadernetas de cromos, cartazes e outra memorabilia. O ministro não tem dúvidas: esta é uma "fórmula de sucesso garantida" do ponto de vista da "atracção de turistas nacionais e estrangeiros". Segundo o comunicado, "o museu está concebido para atrair patrocinadores e marcas

23/12/2008

Pssst....38º 44 N, 9º 8 W.......

Peço desculpa....mas no último Natal, esqueci-me de Lisboa.....

António Costa aprova novo Museu dos Coches, apesar de o considerar desnecessário -PUBLICO - 23.12.2008, Ana Henriques

Silo automóvel previsto para a frente ribeirinha como parte do projecto do museu foi chumbado ontem pela Câmara de Lisboa

A Câmara de Lisboa deu ontem o seu aval à construção do novo Museu dos Coches em Belém. A proposta de aprovação partiu da maioria socialista de António Costa, que, no entanto, confessou achar desnecessária a transferência do museu para um edifício construído de raiz para o efeito decidida pelo Governo.
"Uma das razões apresentadas para a sua transferência para o novo edifício relaciona-se com o facto de, nas actuais instalações, não ser possível aumentar o número de visitantes. Mas uma vez que se trata do museu mais visitado do país, considero que não vale a pena mexer-lhe", observou, acrescentando ser prioritário arranjar espaço para novos projectos como o Museu das Descobertas ou o centro de cultura africana - uma parceria entre a câmara e o Governo, cuja instalação foi anunciada para o Palacete Pombal, nas Janelas Verdes.
Foi também o Governo a decidir que o autor do novo edifício do Museu dos Coches, previsto para defronte da estação ferroviária de Belém, seria o brasileiro Paulo Mendes da Rocha, já premiado com o maior galardão da arquitectura mundial, o Pritzker. "A contratação das obras de arquitectura deve ser feita por concurso público", objectou António Costa. "Mas há momentos e obras que podem justificar a encomenda directa a determinado arquitecto. A fiscalização destes procedimentos compete a organismos como o Tribunal de Contas."
Mas nem todo o projecto de Paulo Mendes da Rocha teve luz verde da autarquia. O silo automóvel de 23 metros de altura que o arquitecto brasileiro queria erguer já do lado do rio, ligado ao edifício do museu por uma passagem aérea por cima da linha do comboio, foi chumbado ontem pelo executivo municipal. Motivo: os técnicos camarários entenderam tratar-se de um "obstáculo entre o espaço público e o rio Tejo", algo que é proibido pelo Plano Director Municipal. Tratava-se de uma construção cilíndrica com capacidade para 400 carros e um salão panorâmico no topo. "Uma aberração", adjectivou o vereador Carmona Rodrigues. "E uma violentação da frente ribeirinha", acrescentou ainda.
Sendo uma obra do Estado, a lei estabelece que o parecer da autarquia não é vinculativo. Acontece que foi feito um "acordo de cavalheiros" entre o município e a Sociedade Frente Tejo, de capitais exclusivamente estatais, em que esta se comprometeu "a ter em consideração os pareceres camarários", explicou o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado. Ficou ainda estabelecido que a amarração da passagem aérea às imediações do Museu da Electricidade seja precedida da realização de um projecto de espaços públicos.
Quem o fará? Manuel Salgado ignora-o: "Não sei se os honorários pagos a Paulo Mendes da Rocha chegam para isso." Até porque o arquitecto vai ter de reformular o projecto para o adaptar às exigências camarária. Quanto a alternativas de estacionamento - "não se está a ver famílias inteiras irem para a beira-rio de autocarro", observa o vereador -, estão a ser procuradas na Calçada da Ajuda.
O PSD considerou ontem que o Tribunal de Contas "desmontou todos os argumentos" do presidente da câmara ao rejeitar o recurso contra o chumbo do empréstimo que a câmara queria contrair. Carlos Carreiras, líder da distrital de Lisboa do PSD, disse que a recusa do empréstimo "destrói a argumentação de António Costa" e significa "um ano perdido" no que respeita ao saneamento financeiro da autarquia". Costa disse, por seu lado, que os argumentos do TC nada têm a ver com os do PSD.

22/12/2008

ROSSIO: o mega cenário autista da «Jogos Santa Casa» (resposta do IGESPAR)



Mais algumas imagens das insensíveis «Decorações de Natal» que a Jogos Santa Casa e a CML prepararam para desfigurar o Rossio até Janeiro. E, afinal, esta gigante construção kitsch que tapa completamente a base do monumento a D. Pedro IV, não teve parecer do IGESPAR/Ministério da Cultura. Eis a resposta do IGESPAR ao nosso pedido de esclarecimentos:

«Exmo. Sr.

Em resposta ao seu email, informo que não deu entrada neste Instituto qualquer pedido de parecer sobre as decorações de Natal a que se refere. No entanto, solicitámos informação à Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo.

Com os melhores cumprimentos,

Cíntia Pereira de Sousa

Assessora da Direcção

IGESPAR, IP»

Nada de novo. Mais um exemplo da República das Bananas? E agora? Os responsáveis pela classificação e salvaguarda dos Monumentos Nacionais vão fazer respeitar a lei? As fotos provam que apesar dos protestos - e até da irregularidade da falta do parecer obrigatorio do IGESPAR - ainda ninguém se levantou da cadeira para defender os monumentos e fazer cumprir a Lei do Património. Não há a menor dúvida a quem pertence a Baixa durante o Natal. Quem estiver interessado em protestar junto da Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo, poderá usar o seguinte e-mail: geral@drclvt.mc.gov.pt

22.12.2008 - 17h36 Ana Henriques
O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, considera desnecessária a construção de um novo Museu dos Coches.

“Uma das razões apresentadas para a sua transferência para o novo edifício relaciona-se com o facto de, nas actuais instalações, não ser possível aumentar o número de visitantes. Mas uma vez que se trata de um museu mais visitado do país, considero que não vale a pena mexer-lhe”, observou o autarca, na reunião de câmara que está a decorrer – embora tenha afirmado que não tenciona inviabilizar o projecto do Governo.

Fachadas

A preocupação com as fachadas, em Portugal, chega a extremos confrangedores. Na Rua da Escola Politécnica pode ver-se, há muito tempo, esta fachada, escorada para, suponho, não cair (não deve ser por razões estéticas):



Do outro lado, há isto:

Posted by Picasa

20/12/2008

LISBOA É...

...lixo e mais lixo nas esquinas, cantos e recantos da capital. Não importa que bairro ou classe, o lixo é um denominador comum a todas as freguesias de Lisboa.

Travessa do Jasmim, na freguesia das Mercês, perto do Príncipe Real. Quem nos fez chegar a imagem informa que este arruamento é regularmente usado por alguns moradores como lixeira e WC canino. E como se vê, também lá estão os graffiti e um prédio abandonado. Concluíndo, é um retrato fiel e perfeito de uma rua de Lisboa.
O FCLX agradece a imagem e a denúncia.

18/12/2008

CEPOS DA CAPITAL: Rua Jacinta Marto




Maioria PS quer cortar acesso pela Baixa a automóveis particulares

A maioria socialista na Câmara de Lisboa apresentou hoje um novo plano de mobilidade para a Baixa que prevê que nenhum automóvel particular vindo da Avenida da Liberdade possa atravessar a Baixa para ir para nascente ou para poente.

O "conceito" apresentado pelo presidente da Câmara, António Costa, supõe "um corte na ligação da Baixa à frente ribeirinha" para tráfego automóvel, à excepção dos transportes públicos, mas foi posto em causa pela oposição e a sua discussão adiada para a próxima reunião de Câmara.

De acordo com a ideia da maioria, os automóveis particulares só poderão ir na direcção Santa Apolónia-Cais do Sodré/Alcântara e vice-versa pela Ribeira das Naus e o estacionamento na zona ficará exclusivamente reservado a moradores e comerciantes, devendo ser construídos novos parques subterrâneos no Campo das Cebolas e junto ao edifício das agências internacionais, ao Cais do Sodré.

Todo o trânsito particular que chegue à Baixa proveniente de Norte, do Rossio ou do Marquês de Pombal, terá que voltar para trás quando chegar ao último quarteirão da Rua do Ouro, prevê o novo "conceito".

A ideia, defendeu António Costa, é "alargar o espaço para peões e bicicletas" na zona ribeirinha e no Terreiro do Paço, que passa a ficar com duas vias que ladeiam a praça (a nascente e poente) completamente livres de trânsito.

O autarca afirmou que os percursos de eléctrico mantêm-se tal como estão, considerando que a solução hoje apresentada é a melhor para evitar o tráfego de atravessamento dos quarteirões da Baixa.

"Ainda não há uma decisão final nem sequer houve debate mas pretendemos que logo que esteja concluído, seja logo aplicado, uma vez que não exige obra física, só mudança de sinalização", disse.

Este novo "conceito" substituiu outra ideia de reordenamento do tráfego na Baixa que até agora a Câmara defendia.

(...)

In RTP.pt

Alta de Lisboa: Câmara decide período discussão pública de Plano Pormenor da Malha 14

A Câmara de Lisboa discute segunda-feira a abertura de um período de discussão pública da proposta de Plano de Pormenor para uma área do Alto do Lumiar que corrige a rede viária e altera equipamentos previstos.

De acordo com a proposta do vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, que será analisada na reunião extraordinária da autarquia, o período de discussão pública da proposta de Plano de Pormenor (PP) da Malha 14 do Plano de Urbanização do Alto do Lumiar (PUAL) deverá durar 22 dias úteis.

A área do Alto do Lumiar abrange o projecto da Alta de Lisboa, pensado para ser quase uma "pequena cidade", com cerca de 65.000 habitantes.

A proposta do PP da Malha 14 prevê a alteração do traçado viário da zona, modificando a relação do Bairro Padre Cruz com o restante tecido urbano, e alterações ao nível dos equipamentos previstos inicialmente no PUAL.

Estavam programados para a Malha 14 um parque infantil e uma extensão de centro de saúde, que não será concretizada tendo em conta "a revisão de orientações por parte da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo", lê-se no relatório da Sociedade Gestora da Alta de Lisboa (SGAL) a que a Lusa teve acesso.

Ao longo da Rua 3, que funcionará como a "coluna vertebral" para distribuição de tráfego, o plano prevê dois conjuntos habitacionais: um a nascente, com dois edifícios de 12 pisos (350 fogos), e outro a sul, com cinco edifícios-torre com um máximo de 14 pisos (235 fogos).

Para o estacionamento de acesso público está prevista a construção de um silo de quatro pisos em subsolo, com uma capacidade de 634 lugares.

À superfície estão previstos um total de 244 lugares de uso público.

No estacionamento privado foi tido em conta um valor médio de dois lugares por fogo.

O PP sugere igualmente a criação de uma Frente Urbana para o Parque Oeste (Parque do Vale Grande), uma área verde da autoria da arquitecta espanhola Isabel Aguirre ocupará 26 hectares e deverá estar concluído em Março de 2009.

O projecto da Alta de Lisboa foi idealizado para ter 65.000 habitantes, 500.000 metros quadrados de sector terciário com centros comerciais, escritórios, hotéis e centros de mercadorias.

Engloba ainda quatro estações de metro, três grandes parques com cerca de 70 hectares de zonas verdes, 20 recintos desportivos, 21 escolas, creches, centros culturais e de juventude, uma esquadra de polícia, quartéis de bombeiros e 25 quilómetros de rede viária.

In RTP.pt

Finalmente

O Público de hoje dedica a 1º página, o destaque e o editorial (sem links directos) à possível inconstitucionalidade da concessão do Terminal de Contentores de Alcântara à Mota-Engil.

O dossier do Público está extremamente bem feito, completo, profundo, apesar de se referir (por opção fundamentada e compreensível) apenas a um dos aspectos pelos quais o projecto deve ser suspenso.

Face a tudo o que o Público demonstra, só se quiser realmente perder a CML é que António Costa não põe já um termo claro e frontal àquele projecto calamitoso.

O que ainda me surpreende - e eu espero continue a surpreender-me por muito tempo - é como é que um Governo consegue dar início a um projecto com tantas fragilidades. É pura e simplesmente inconcebível.

17/12/2008

Finalmente a resposta do departamento de espaço publico relativamente a este assunto

"Vimos por este meio informar que, foi feito um projecto para a colocação de pilaretes no local, que será implementado o mais brevemente possível.

Com os melhores cumprimentos
Divisão de Fiscalização e Controle do Espaço Público"

Demorou mas preconiza a solução mais eficaz

Cidades vivas com comércio

Este fim-de-semana em Antuérpia,e em Amesterdão,
Ambas cidades com uma enorme área exclusivamente pedonal, logo com péssimo acesso e circulação automóvel, quase ausência de estacionamento à superfície, estacionamento subterrâneo caríssimo, etc. isto a acrescentar à temperatura próxima do zero. Ou seja, ao contrário do que se defende aqui (texto de Paulo Morais n'O Carmo e a Trindade), onde se pede mais acesso automóvel e estacionamento barato no centro.
E no entanto, as imagens não enganam. O comércio tradicional (e por consequência a cidade) está vivo e de boa saúde.
Os centros das cidades não podem competir com os centros comerciais na sua moeda em termos de acessibilidade automóvel. Têm sim que ser sítios agradáveis, bonitos, de fácil circulação pedonal.

(A propósito dos benefícios da pedonalização das cidades no comércio tradicional, recomendo este post - especialmente a última parte em inglês - com vários números que desmistificam muitos preconceitos que se houve por aí).

Os Natais de Lisboa



Em Lisboa aumenta o fosso entre os mais ricos e os mais pobres


Nesta época de Natal todos somos convidados ao consumismo, muitos são convidados também à preocupação com os mais pobres. Em Lisboa estas duas realidades estão bem presentes no dia-a-dia.

Por estes dias, especialmente durante os fins-de-semana, as zonas comerciais de Lisboa enchem-se de pessoas em frenesim. À volta é o pandemónio no trânsito. Segundas e terceiras filas de automóveis estacionados desafiam a promessa de António Costa de “tolerância zero” às segundas filas. Era apenas mais uma promessa para não cumprir.

Nestes dias frios, logo que a noite cai, lado a lado com zonas comerciais onde se apela ao consumo, instalam-se os chamados “sem-abrigo”. Pessoas sem tecto, sem comida, sem futuro. Pessoas sem compras de Natal para fazer. A pobreza passa também pela alimentação, registando-se o aumento daqueles que procuram o apoio do Banco Alimentar Contra a Fome.

Estes factos são sintomas preocupantes de uma cidade incapaz de combater a pobreza e em que aumenta o fosso entre os mais ricos e os mais pobres.

Num período marcado por dificuldades económicas, o Governo socialista e a câmara municipal também socialista mostram-se incompetentes para atenuar o impacto da crise junto dos mais vulneráveis. Talvez também por isso se assista a manifestações de insatisfação no partido socialista, do reforço da popularidade dos partidos à esquerda do PS e até ao possível aparecimento de um novo partido.

É neste cenário social delicado que o PSD deve afirmar a sua tradição humanista e colocar em prática uma política social mais justa e mais eficaz, promovendo um maior equilíbrio entre os muito ricos e os muito pobres. Em Portugal e também em Lisboa!



António Prôa

texto publicado no jornal Meia Hora

CONTRA A ALIENAÇÃO DO PATRIMÓNIO NACIONAL

O novo regime proposto agora pelo governo para os bens que integram a nossa "memória colectiva" vai abrir as portas á alienação de boa parte do ancestral património cultural do país, propriedade do estado.
Os monumentos nacionais serão vendidos ou onerados pela via do direito privado.
Esta medida só é comparável em termos históricos, com o processo de desamortização, nacionalização e venda dos bens da Coroa e da Igreja, ocorrido na primeira metade do sec XIX.
Entendemos por nossa obrigação, em defesa de um património que a todos pertence e que a todos assiste o direito legal e moral de fruir e de defender, solicitar por este e outros meios, a imediata suspensão deste intempestivo e pouco transparente processo legislativo, com vantagens evidentes para alguns grupos económicos, nacionais ou não.
Quanto muito, a alteração do regime de alienação que está a ser previsto, deveria ser substituído por um regime que estabelecesse um período máximo de locação de imóveis da propriedade do estado (de todos nós) para um fim específico (que não pode ser alterado pelo promotor), por um período máximo de cinquenta anos, após exaustiva identificação e inventariação escrita e fotográfica do seu estado, com concurso público idóneo e com a condição de que a sua devolução no final do prazo seja feita em condições nunca piores à da sua disponibilização; esta autorização de locação apenas poderá ser possibilitada após uma consulta pública nacional por prazo não inferior a 30 dias úteis, e desde que da consulta não resultem propostas alternativas de utilização públicas, que se mostrem viáveis.

Um grupo de cidadãos lançou uma petição online "CONTRA A ALIENAÇÂO DO PATRIMÓNIO NACIONAL"
Para votar: clicar no titulo

Agora que Santana se prepara de novo ...

Agora que Santana Lopes se prepara para de novo brindar a capital com a sua candidatura à Câmara, lembrei-me desta preciosidade então publicada pelo Expresso e que aqui recordo.

Em 2003, a Dom Quixote publicou a edição de bolso do romance «Dom Casmurro», de Joaquim Maria Machado de Assis.

Para a estupefacção do editor, algum tempo depois, este recebeu um cartão oficial da Câmara Municipal de Lisboa, assinado pelo seu então presidente, Pedro Santana Lopes, agradecendo o envio de um exemplar do livro. Até aqui, tudo normal. A perplexidade deveu-se ao facto de o cartão pedir ao editor que transmitisse ao autor o apreço do autarca – e de o envelope ser dirigido ao «Exmo. Sr. Machado de Assis, aos cuidados das Publicações Dom Quixote».

Mais uma vez tudo normal, não fosse o caso do escritor brasileiro ter morrido no dia 29 de Setembro de 1908.

Consta que na origem da gafe estava uma secretária do presidente da Câmara, e que este, ao contrário do que os homens públicos costumam fazer em tais casos, não só não transformou a subordinada em bode expiatório como até a promoveu, o que talvez configure uma magnanimidade nobre mas algo desmedida.

Francamente...É de ir ás lágrimas.

Amigo Pedro. Se para lá voltar poupe-nos por favor ás louras burras que passaram à história sob o nome de santanetes.
Por: Jorge Santos Silva

Um exemplo de Londres: Bloomsbury Streets / Um exemplo de Lisboa: Rua Câmara Pestana


BLOOMSBURY STREETS TO BE PEOPLE-FRIENDLY
6.3M project to attract pedestrians and cyclists

«A 6.3 million plan to make Bloomsbury more pedestrian and cycling friendly has been approved. The proposals include adding tree-lined public squares with seating and spaces for public art. Pavements will be widened and extra cycle facilities installed.

Chris Knight, Camden council’s executive member for the environment, said: «We have carried out a great deal of consultation with residents and businesses on these plans and have been delighted with the high level of support we have received.

«These are significant improvements for an area which at present is largely dominated by the needs of cars, taxis and coaches.» He said the proposals would make it safer for drivers, cyclists and pedestrians. Plans include the creation of safe areas for cyclists at busy junctions and relocation of bus stops so walkers and motorists are more visible.

New zebra crossings will be installed and bus lanes widened. The changes are split into two projects, Bloomsbury Streets For People and Bloomsbury Corridor, both of which focus on encouraging people to walk and cycle more.

Work is expected to be finished by 2012 to encourage Olympic visitors to the area. The Bloomsbury Streets For People project covers areas including the University of London, the Royal Academy of Dramatic Art and the British Museum. The Blomsbury Corridor project covers Upper Woburn Place, Woburn Place, Tavistock Square, Russel Square and Southampton Row.» In EVENING STANDARD, Londres, 21 de Outubro de 2008

Nota: cada parágrafo deste artigo revela bem a importância que as cidades do norte da europa dão à mobilidade pedonal. Por contraste, vemos o atraso da nossa capital, as mentalidade carro-dependente que querem mais e mais estacionamento, nas duas imagens do «passeio» de 25 cm na Rua Câmara Pestana - um patético exemplo da criação, prioritária em Lisboa, de lugares de estacionamento à superfície mesmo quanto os arruamentos não comportam tal escolha. Este «passeio» é um absurdo total pois não é viável para a circulação de peões. Not pedestrian friendly at all!
"CML já gastou este ano 463 mil euros com juristas externos-PUBLICO-17.12.2008, José António Cerejo

Entre os funcionários há 238 juristas. Mesmo assim a câmara pagou quase 800 mil euros, desde 2005, para comprar serviços jurídicos privados

Gastar cerca de 800 mil euros em pareceres jurídicos e advogados externos para acompanhar processos desde 2005 pode não ser muito significativo. Mas se se tiver em conta que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) tem 238 juristas nos seus quadros de pessoal, o facto já parece menos normal. E se o valor real puder ser muito superior, porque o apuramento não é exaustivo (diz a câmara) e muitos custos jurídicos podem ter passado para as empresas municipais, o quadro torna-se mais complicado. Mas a surpresa pode ser ainda maior, se se considerar que do total de 800 mil euros em quatro anos, mais de metade foram gastos só em 2008.
Olhando os números fornecidos pelo gabinete do presidente da câmara, António Costa, o panorama mostra-se particularmente negativo para o actual executivo. Somando os valores pagos pelos pareceres externos e pela contratação de advogados no exterior (ainda que pelo menos num caso o advogado externo fosse simultaneamente funcionário do município), conclui-se que a autarquia despendeu 193.519 euros em 2005; 57.502 em 2006; 85.839 em 2007 e 462.942 em 2008 (até 25 de Novembro). Ou seja: só nos primeiros 11 meses deste ano foram gastos 57,8 por cento dos 799.803 empregues desde Janeiro de 2005.
Sublinhe-se, no entanto, que quase metade do total já pago este ano (242 mil euros) corresponde a dois contratos celebrados em 2005 e 2007, no mandato de Carmona Rodrigues, para que a sociedade Rui Pena, Arnaut & Associados (RPA) representasse o município no tribunal arbitral criado para dirimir vários litígios entre a CML e o consórcio que construiu o túnel do Marquês. Esta sociedade, da qual fazia parte um dos juristas do departamento jurídico do município, João Paulo Rosado Correia (que interveio no processo arbitral em circunstâncias que a câmara ainda não esclareceu e que em Setembro pediu a exoneração do quadro camarário), recebeu aliás o grosso do bolo das aquisições de serviços jurídicos pagas este ano. No total, a RPA arrecadou cerca de 337 mil euros (com IVA), que correspondem aos serviços relativos ao processo do túnel do Marquês - em que a CML foi condenada a pagar perto de 17 milhões de euros, estando a correr um recurso de anulação dessa decisão -, e a uma factura de 89 mil euros, respeitante a uma acção de reivindicação dos terrenos do aeroporto da Portela, iniciada em 1995.

Pareceres para o TC
Nas despesas efectuadas este ano avultam ainda a aquisição, sempre por ajuste directo, tal como nos casos anteriores, de cinco pareceres destinados a justificar ao Tribunal de Contas (TC) o empréstimo de 400 milhões de euros que a CML pretendeu contrair no fim do ano passado e, depois, a fundamentar o recurso (ainda sem decisão) contra a reprovação daquele contrato. Estes pareceres foram pedidos aos juristas Vital Moreira (24.200 euros), Manuel Porto (19.360), Sérgio Cabo (16.500), Jorge Miranda (14.520) e Carlos Lobo (9.075), num total de 83.655 euros. Um sexto parecer (19 páginas) foi pedido a Eduardo Paz Ferreira (18.150 euros) para saber se a CML tinha de submeter os acordos de pagamento com os credores a visto prévio do TC.
As despesas com serviços jurídicos externos no ano de 2005, por seu lado, foram marcadas pelo pagamento de 136.500 euros ao advogado Mário Esteves de Oliveira para recorrer do embargo das obra do túnel do Marquês decretado a pedido do advogado José Sá Fernandes. Também em 2005, 2006 e 2007, o município pagou perto de 149 mil euros à sociedade Vieira Fonseca & Associados para acompanhar a expropriação dos terrenos do Casal Ventoso. Finalmente, ainda em 2007, avultam dois pareceres encomendados ao jurista Sérvulo Correia, no valor de 36.300 euros.

Cardoso da Silva não esclarece a contratação de um jurista da CML que se encontrava em licença sem vencimento
A A câmara levou mais de um mês a fornecer ao PÚBLICO um conjunto de documentos sobre a contratação de serviços jurídicos externos. Os documentos foram entregues depois de numerosos e insistentes pedidos, mas as perguntas feitas em 5 de Novembro ao vereador responsável pelo departamento jurídico, Cardoso da Silva, continuam a aguardar resposta.
Em causa está a explicação para o caso concreto da contratação, já este ano, do advogado João Paulo Rosado Correia, então ao serviço da RPA, para representar a CML no recurso de anulação da decisão arbitral sobre o túnel do Marquês - e aquele jurista pertencia aos quadros do município e encontrava-se com licença sem vencimento para fazer um mestrado. Um das perguntas feitas a Cardoso da Silva foi: por que é que a CML não recorreu aos funcionários do seu departamento jurídico, em vez de contratar a RPA. Outra, que continua igualmente sem resposta, foi sobre o valor do contrato ao abrigo do qual foi adquirido esse serviço.
Logo a 7 de Novembro, a directora do departamento jurídico, Paula Pires Coelho, fez saber ao PÚBLICO que já tinha "remetido informações" sobre o assunto ao vereador Cardoso da Silva. Contactado pessoalmente pelo PÚBLICO há cerca de três semanas, o autarca garantiu que ia responder. Até hoje, nada disse. J.A.C.

102 mil euros foi quanto a câmara lisboeta já gastou este ano em pareceres jurídicos pedidos a seis juristas externos "
"Venda do Complexo Desportivo da Lapa contestada em assembleia-17.12.2008, PUBLICO- Catarina Pinto

Deputados municipais querem que o executivo autárquico negoceie a transferência da gestão do complexo para o município lisboeta

A Assembleia Municipal de Lisboa aprovou ontem uma moção do Partido Social Democrata onde se recomenda que a autarquia lisboeta exerça pressão junto da Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto para evitar a venda do Complexo Desportivo da Lapa, negociando a transferência da gestão do mesmo para a Câmara Municipal de Lisboa.
Na moção, que foi aprovado por maioria com os votos contra do Partido Socialista, sublinha-se ainda que a assembleia municipal "não permitirá" que a classificação do espaço ur-
bano onde se encontra instalado o complexo seja alterada, quer através do Plano Director Municipal, quer pelo recurso a "qualquer instrumento de gestão urbanística".
A proposta e as críticas surgiram no seguimento da decisão da Secretaria de Estado do Tesouro, entidade que tutela o património público, de vender as instalações à imobiliária Es-
tamo. Os equipamentos, as federações desportivas e os serviços são obrigadas a deixar o Complexo Desportivo da Lapa e o Governo pretende que o Museu do Desporto que aí está instalado seja transferido para o Pavilhão Carlos Lopes, decisão que também foi alvo de contestação, apesar de já ter sido aprovada pela câmara. A este respeito, na moção aprovada, diz-se que o presidente da autarquia, António Costa, "não recupera nem valoriza o Pavilhão Carlos Lopes, como vinha sendo prometido há muito".
O Grupo Municipal do PCP apresentou também uma moção, igualmente aprovada por maioria com os votos contra do PS, condenando a alienação do complexo desportivo e exigindo que a câmara informe sobre as medidas que pretende tomar.
Na sessão de ontem, a assembleia votou ainda uma moção do Bloco de Esquerda contra o alargamento do terminal de contentores de Alcântara. Com os votos contra do PS, aprovou-se a proposta de solicitar ao Governo a revogação do decreto--lei que permitiu o prolongamento da concessão do terminal à Liscont até 2042. Ainda a este respeito, recomendou-se que a câmara não dê o seu apoio ao projecto, uma deliberação que foi igualmente aprovada com os votos contra do PS. Já no que diz respeito à ordem de trabalhos, a presidente da assembleia, Paula Teixeira da Cruz, foi a única a votar contra o regulamento municipal de urbanização. "

16/12/2008

Peões no passeio, atenção

Retomo uma notícia do Público de dia 12, chamando a vossa atenção para o texto em bold:

Peões e motociclistas são dois terços das vítimas de acidentes em Lisboa-PUBLICO- 12.12.2008

Dois terços das vítimas mortais resultantes de acidentes em Lisboa, no ano passado, eram peões ou condutores de motociclos, dois dos principais grupos de risco identificados pela PSP em matéria de segurança rodoviária. Os dados revelados pelo subchefe da PSP António Lérias comprovam que os peões continuam a ser vulneráveis, mas os responsáveis da segurança rodoviária ontem presentes num seminário sobre este tema alertaram para a influência do ambiente urbano e do comportamento de peões e condutores, a nível da prevenção de acidentes.
A melhoria do ambiente rodoviário em meio urbano é precisamente um dos objectivos da Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária para o período 2008-2015, adiantou o presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), Paulo Marques.
Este plano prevê também estudos sobre os regimes sancionatórios aplicáveis aos peões e condutores noutros países e a avaliação das condições necessárias para a fiscalização eficaz do comportamento dos peões.
"Os peões não precisam de ter carta para andar nos passeios e isso retira-lhes muita responsabilidade em termos de acidente", salientou o responsável da ANSR. "O peão não sente que está a cometer uma infracção e as forças de segurança não dão tanta atenção a estas matérias como dão a outros veículos", acrescentou.
Paulo Marques declarou que o Governo pretende lançar campanhas de sensibilização e actuar a nível de fiscalização, mas admitiu que "há um longo caminho a percorrer" em termos de mudança de mentalidades.
Em Lisboa, uma das cidades europeias que mais reduziu a sinistralidade nos últimos anos, 43 por cento das vítimas mortais registadas entre 2000 e 2006 eram pedestres. Os acidentes em Lisboa tiveram diminuição expressiva entre 2007 e 2008, passando de 11.520 para 7127, segundo António Lérias.
Mário Alves, assessor para a mobilidade da Câmara de Lisboa, destacou igualmente a redução do número de mortes de crianças, mas lembrou que parte desta estatística reflecte a diminuição da ocupação do espaço público, já que "as crianças estão cada vez mais fechadas em casa". Lusa
*
7127 acidentes foram já registados em Lisboa no corrente ano, contra 11.520 contabilizados em todo o ano de 2007
-----------
A ficção ultrapassou a realidade:

Resumo do Código do Passeio(*)

Art. 14: É proibido a um automóvel estacionar a menos de dois milímetros de uma porta ou portão
Art. 37: É proibido ao peão que se desloca no passeio subir para cima de um automóvel estacionado a 2 milímetros de uma porta ou portão.
Art. 76: O peão ligeiro deve recolher os ombros ao cruzar-se com um pesado.

(*) “Sinais do Trânsito” – Manuel João Ramos, Lisboa: Assírio & Alvim, 2000.
Imagens de Manuel João Ramos
***

15/12/2008

SIZA no CNC: «20 anos do Incêndio do Chiado»

Debate «20 anos do incêndio do Chiado» que se realizou no dia 15 de Dezembro, às 18h30 no Centro Nacional de Cultura, no Largo do Picadeiro. O Arquitecto Álvaro Siza Vieira, após introdução sobre as circunstâncias que o levaram a dirigir o plano de reconstrução, respondeu a perguntas colocadas pelo público. Algumas ideias e reflexões saídas das 2 horas de conversa:

Plano de reconstrução: «A Baixa-Chiado é um grande edifício»
«O Plano da Baixa era um plano de vanguarda para a época. Era preciso reconhecer a força vanguardista da proposta arquitectonica pombalina.» «Para a arquitectura moderna há tanto território, não é preciso sacrificar a cidade histórica.»

«Recusei-me a ceder às pressões para a construção de parques de estacionamento em cada um dos 18 edifícios afectados pelo incêndio. Para além de ser pouco viável (pois os lotes de cada prédio eram pequenos e só as rampas ocupariam imenso espaço) isso teria destruído a vivência que se queria para as ruas com comércio tradicional [de facto, seria um absurdo ter entradas de garagem de poucos em poucos metros, a interromper a vivência pedonal das ruas]

«Houve também muitas pressões para fazer um mini-centro comercial em cada prédio. Foi só depois de muitos debates e argumentação que os proprietários se convenceram que não era essa a vocação do Chiado. As pessoas vão ao Chiado por causa das lojas com entrada directa da rua - é essa permeabilidade que era importante preservar na reconstrução. Mas houve cedências - há um desses espaços na Rua do Carmo mas pelo que sei aquilo não funciona. As pessoas não se sentem atarídas por aqueles espaços pequenos em cave sem ligação à rua. O tempo deu-nos razão.»

«As janelas estão aí para serem copiadas»
«É impossível manter a expressão elegante das caixilharias originais das janelas com a introdução do vidro duplo. O vidro duplo exige caixilharias muito grossas. A solução que encontramos foi manter no exterior as janelas originais em madeira e vidro simples - iguais às que estão aí - e por dentro instalamos uma segunda janela para obter o conforto ambiental.»

«As ruas de sentido único prejudicam as cidades»
«Acaba por ser uma moda. Há cidades e vilas de província que já implementaram o sistema de ruas de sentido único e no entanto não têm qualquer problema de congestionamento.» «Pessoalmente não acredito que, a médio e longo prazo, traga algo de bom às cidades.»

Animação: «As cidades também precisam de dormir»
[Exactamente! Começa a ser uma paranoia estar sempre a falar de "animação" - que em muitos casos mais não quer dizer que "comercialização do espaço público e monumentos, de que são exemplos lamentáveis a presença da TMN na Praça do Comércio]

Ficamos também a saber que o Arquitecto Siza já entregou à CML o projecto de execução para a zona envolvente ao Convento do Carmo. Deste projecto faz parte, para além da conclusão da ligação pedonal entre a Rua Garrett e o Largo do Carmo (pelo interior do quarteirão), a criação de um novo jardim e miradouro na antiga cerca do convento. Informou também que a CML garantiu que há dinheiro para avançar com o projecto. Aguardemos...

Foto: estado actual da envolvente do Convento do Carmo / Elevador de Santa Justa, 20 anos depois do incêndio!

O que farias se não houvesse carros na rua?

Algumas crianças nova-iorquinas responderam à pergunta, what would you do if there were no cars on the streets.
Ou fazendo a pergunta de um modo mais "razoável", o que farias se o espaço urbano não fosse pensado com o sacro-santo fluxo automóvel como primeira prioridade? O que farias se a grande maioria das pessoas se deslocasse na cidade de um modo racional em vez de monopolizar 50 m² (carro em andamento) do espaço urbano? O que farias se o espaço público fosse realmente para todos e bem planeado?
Vale a pena ver este curtíssimo filme (1 minuto) da StreetFilms e pensar no que eram as cidades há umas décadas, e do que estamos a privar às crianças.

14/12/2008

Jornal de Lisboa

em PDF

Aqui

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CEPOS DA CAPITAL: Doca de Belém (APL)

Um cidadão de Lisboa escreveu a chamar atenção para o seguinte:
«Não é só a CML que tem centenas de cepos e caldeiras vazias por resolver. O Porto de Lisboa também tem falhado na manutenção do arvoredo e espaços verdes em território do seu domínio.» (...) «Entre a esplanada "À Margem" e o antigo Museu de Arte Popular existem várias caldeiras vazias. Já apelei à APL para que se aproveite o actual periodo adequado às plantações para repôr os exemplares em falta (mas que se escolham espécies mais adequadas ao local e ao nosso clima).»
O FCLX agradece o alerta e a fotografia.
A falta de civismo de quem estaciona em Lisboa não tem limites, neste caso trata-se de um condutor de uma carrinha que decidiu que mais ninguém podia entrar no jardim fronteiro à pastelaria do Restelo.

CEPOS DA CAPITAL: Praça José Fontana

no passeio do Liceu Camões, duas caldeiras com cepos esperam... por novas tílias!

A ampliação do TCA no Expresso

No Expresso deste fim-de-semana duas referências à ampliação do Terminal de Contentores de Alcântara:

Uma de Henrique Neto (sem link) que, num artigo sobre o projecto Tânger Med - que vejo, finalmente e com prazer, ser incluído no debate, diz: "...enquanto o Governo de Marrocos retira os ferries da baía de Tânger - 700.000 camiões por ano - para dedicar a baía aos grandes paquetes de turismo e à marinha de recreio, o Governo português quer gastar mais de 250 milhões de euros para colocar contentores no centro da cidade, em Alcântara. Decisão sem qualquer justificação razoável, mas que mostra as verdadeiras causas do nosso atraso: pequenez de pensamento estratégico, a meias com a determinação de servir os interesses particulares próximos do poder, à custa do bem público" (negritos meus).

Outra de Manuel Champalimaud (sem link), um dos operadores do porto de Lisboa, que se insurge - mais do que legitimamente - contra a ampliação do terminal e a forma como a concessão foi prolongada.

("O desafio marroquino", de Henrique Neto, pág. 30 do Caderno Economia; e "Alcântara, uma concessão vitalícia?", de Manuel Champalimaud, pág. 37 do 1º Caderno, Expresso, 13/12/2008.)

É importante esta menção a Tânger não só por causa do exemplo - dedicar a área nobre à marinha de recreio e aos cruzeiros não é, aparentemente, um doce devaneio para todos - mas também porque (como de resto já mencionei neste blog), a menos de dois dias de navegação há portos com condições naturais infinitamente melhores do que Alcântara para o manuseamento de contentores. O Governo e a APL não querem aproveitar Lisboa para aquilo que o seu estuário é óptimo, para nos dar em troca um terminal de contentores que será sempre medíocre - tanto nas consequências para a cidade (que não serão medíocres, mas sim péssimas) como na dimensão.

Por 15 dias....




Rádio Renascença 12-12-2008:
"Cais das Colunas volta a fazer parte do postal da cidade

O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, e o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, reinauguraram hoje o Cais das Colunas, no Terreiro do Paço, em Lisboa.
Depois de ter estado mais de dez anos em obras por causa da construção do túnel do Metro, o ancoradouro foi finalmente destapado e a praça está livre de tapumes.
Um panorama para apreciar enquanto é tempo. A 5 de Janeiro, começa a ser construído um colector, desta vez por iniciativa da Câmara de Lisboa.
“A má notícia que eu dou é que a obra vai começar, não esta que está concluída, mas uma obra que infelizmente não foi feita em simultâneo com o Metro”, afirmou o presidente da autarquia.
António Costa argumenta que o colector é essencial para a cidade de Lisboa, porque cerca de 20% dos esgotos desaguam no Rio Tejo sem qualquer tipo de tratamento.
A empreitada de construção do emissário, até à estação de tratamento de Alcântara, vai prolongar-se durante cerca de um ano e manter intransitáveis dois terços da Praça do Comércio. "

Amenidades

A ler, no Vida Breve:

13/12/2008

BERLIM: antigo aeroporto vai ser parque florestal

BERLIN: Tempelhof airport, a lifeline for West Berlin during the Soviet blockade in the Cold war, will be turned into a park. The city said Tuesday that it would spend 61 million euros, or 80 million dollars, converting the airport into a large garden in central Berlin. Reuters, 27 de Novembro 2008

Nota: o aeroporto foi encerrado oficialmente no passado dia 31 de Outubro. Foto: retirada do www.berlin.de/tourismus

Um site para informar situações por resolver e também as solucionadas.
As fotografias podem ser enviadas por correio electrónico ou por telemóvel, assim como a informação do local onde se situam.

Exemplo:
13 December 2008
Please can you arrange for the removal of this fly-tipping opposite Leander Community Centre in Ship Street? "Reported by Deptford Community Wardens"
Fly-tip
SHIP STREET
map

Job has been completed
More Details Available
13 December 2008
bampton road opposite the school,wood,cardboard e.t.c
Fly-tip Bampton Rd
map
BARÓMETRO DA MOBILIDADE - por Rui Zink
Parceria Jornal de Lisboa e
ACA-M (Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados)


POSITIVO
Pedalar devagar
A reprovação pela Assembleia Municipal do plano de ciclovias, reconhecendo que é irresponsável promover a circulação de bicicletas enquanto a velocidade automóvel na cidade não baixar para níveis razoáveis.


NEGATIVO

"Autódromo" da Liberdade
A insistência da autarquia em emitir sinais contraditórios.
Por um lado promovendo festivais de alta velocidade na Avenida da Liberdade, por outro lado prometendo pedonizá-la.

12/12/2008

CRITÉRIOS DA BAIXA: Praça da Figueira, 6B-6C


Demos todos as boas vindas aos novos reclames luminosos desta nova loja na Praça da Figueira!
Numa praça classificada IIP, «Em Vias de Clasificação» para Monumento Nacional, e parte integrante da BAIXA POMBALINA, candidata a classificação pela UNESCO!
São estes os critérios de gestão da BAIXA? É com estes exemplos que queremos convencer a UNESCO que estamos sérios quanto à candidatura da BAIXA a Património Mundial da Humanidade? Isto é ilegal? Foi licenciado pela CML? Foi aprovado pelo IGESPAR? O que é que se passa?

SIZA: «20 anos do Incêndio do Chiado» no CNC

«20 anos do Incêndio do Chiado» é o tema da próxima edição do Jornal Falado que se irá realizar no dia 15 de Dezembro, às 18h30 no Ciber-Chiado do Centro Nacional de Cultura, no Largo do Picadeiro nº 10 - 1º.

O Arquitecto Álvaro Siza Vieira, e outros convidados, falarão sobre o projecto de reconstrução, em que uma das apostas foi a devolução ao público dos logradouros entre edifícios. A conversa abordará também a realidade actual desta zona histórica assim como os projectos futuros.
O debate será moderado pelo Dr. Guilherme d’Oliveira Martins, Presidente do Centro Nacional de Cultura. ENTRADA LIVRE

Foto: as imaginativas novas "mansardas" do Hospital da Ordem Terceira (ilegais?)


E se o primeiro homem na Lua fosse português?
Sketch de Fogo Posto

CEPOS DA CAPITAL: Avenida Almirante Reis

...e na Almirante Reis, são dezenas de cepos. Alguns deles já foram apropriados para novos usos (papeleira, urinol, etc). Em relação aos canteiros... quais canteiros?!

CEPOS DA CAPITAL: Rua da Academia das Ciências

existem 2 cepos e 2 caldeiras vazias neste esquecido arruamento, transformado em parque de estacionamento...

11/12/2008

Ordem dos Arquitectos prevê efeitos graves na malha urbana de Lisboa

O projecto da Terceira Travessia do Tejo (TTT) tem, segundo o parecer da Ordem dos Arquitectos (OA), diversas falhas quanto ao impacte na malha urbana lisboeta. O relatório da ordem, publicado depois do projecto ter estado em consulta pública até terça-feira, refere que a TTT vai injectar um maior número de veículos em zonas já por si congestionadas, não salvaguarda património edificado, não prevê um enquadramento paisagístico e arrisca-se a tornar mais “insalubres” zonas de Lisboa que já têm problemas urbanísticos, pondo em causa uma oportunidade de regeneração.

No parecer que entregou à Agência Portuguesa do Ambiente e ao qual a Lusa teve acesso, a OA considera que o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do projecto não tem em conta "as implicações sobre o espaço público urbano edificado", lê-se no parecer.

Apesar da Ordem considerar que um modelo de Parceria Público-Privada pode ser apropriado para infra-estruturas rodoviárias ou ferroviárias, "o impacte do projecto obriga a elaboração de planos de âmbito urbanístico, para que este tipo de contratos não estão vocacionados".

"O procedimento de Parceria Público-Privada não é o mais indicado para a promoção de uma obra de âmbito urbano", considera a Ordem, sublinhando que o projecto da TTT deveria estar enquadrado num Programa de Acção Territorial estabelecido em parceria pela RAVE SA e pelas câmaras do Barreiro e Lisboa.

Malha urbana afectada

O parecer realça a implantação da via em áreas urbanas consolidadas e considera que no Estudo de Impacte Ambiental não se encontra uma forma de ponderação dos efeitos da Terceira Travessia do Tejo sobre condições específicas de meios urbanizados", lê-se no texto do parecer.

Entre as falhas apontadas ao EIA está o facto de o trabalho não avaliar a transformação da Avenida do Santo Condestável, em Chelas, numa via rápida e "ignorar as implicações que os pilares da ponte e os viadutos de acesso terão na frente ribeirinha".

A futura ponte Chelas-Barreiro (TTT), com início de construção previsto para 2009, prevê duas torres mais altas que as da ponte 25 de Abril (198 metros) e um tabuleiro com 67 metros de altura, sendo a primeira travessia sobre o Tejo em regime democrático a implantar-se sobre áreas urbanas consolidadas da cidade.

O parecer assinala ainda que "não é apresentado qualquer estudo sobre o efeito directo do acréscimo do número de veículos em áreas em si já bastante congestionadas, como a Praça do Areeiro e a Rotunda de Entrecampos", lugares onde acaba por desembocar grande parte do tráfego rodoviário da nova ponte.

Para além disso, considera que o EIA não salvaguarda o património edificado "uma vez que admite interferências negativas na área de protecção do Convento de Chelas, classificado como Monumento Nacional". Sob o tabuleiro da nova ponte ficarão igualmente os edifícios da Igreja, Convento do Grilo e o Palácio do Duque de Lafões.

A OA chama a atenção para o facto de "não se encontrar devidamente avaliado o impacte paisagístico dos acessos à nova travessia (com taludes de mais de 20 metros), nem serem propostas medidas de enquadramento paisagístico nos vários dispositivos de insonorização a instalar, que se prevê sejam em grande número".

Quanto ao Estudo Prévio, a OA aponta o facto de "não serem explícitos projectos de enquadramento paisagístico, compatibilização dos eixos rodoviários com o espaço público ou adaptação da malha urbana aos acidentes causados pela implantação da ponte".

Ausência de arquitectos no estudo

Apesar da construção da nova travessia poder ser uma oportunidade para regenerar zonas urbanas com problemas, a Ordem dos Arquitectos refere que a TTT pode provocar o inverso. Segundo o parecer o projecto da nova ponte "não tem qualquer instrumento de âmbito urbanístico ou paisagístico para compatibilização da nova Travessia do Tejo com a cidade de Lisboa, correndo-se o risco de tornar insalubres áreas como Chelas, que já têm graves problemas de espaço público".

A secção regional sul da OA, responsável pelo documento, lamenta ainda a ausência de arquitectos na elaboração do Estudo de Impacte Ambiental e no Estudo Prévio, contrariamente ao previsto na lei.

"Consta no EIA que, em relação à estrutura da ponte da Terceira Travessia do Tejo, 'o modelo demonstra uma preocupação em termos estéticos, plásticos e arquitectónicos'. Não se verifica, no entanto, a inscrição de nenhum arquitecto na ficha técnica do EIA e do Estudo Prévio", refere o parecer.

E exemplifica: "O perfil tipo de viaduto em áreas urbanas, previsto no Estudo Prévio, apresenta uma faixa para circulação pedonal de 1,5 metros, que na cidade de Lisboa não é compatível com o Regulamento da Municipal para a Promoção da Acessibilidade e Mobilidade Pedonal"
In Publico

Quem salva o património dos séc.XVIII-XIX?

Antes era assim:



Hoje, está assim:





Muito se tem falado da Avenida, do PUALZE para aqui e para ali, da PDM, das cérceas, do património que ali existe(ia), isto e aquilo; mas tudo continua na mesma, pior, caminhando a largos passos para o desaparecimento TOTAL dos edifícios de valor arquitectónico da zona, que é como quem diz dos que ainda restam dos séculos XVIII e XIX. A Rua Rosa Araújo é o exemplo-mártir mais pungente, mas a coisa anda por ali à solta, naquele rectângulo delimitado pela Ruas do Salitre/Nova de São Mamede/Rodrigo da Fonseca/Castilho/Barata Salgueiro/Mousinho da Silveira/Rosa Araújo.

O motivo é óbvio: são prédios com poucos andares, geralmente com apartamentos com elevado número de divisões, e ainda por cima com logradouro. Ou seja: há a tentação de aumentar a cércea, esquartejar os apartamentos, esventrar o logradouro. As receitas extraordinárias de tal investimento guloso sobrepõem-se, regra geral (infelizmente), ao respeito pela memória, pela identidade e pela estética.

Neste palacete do séc.XVIII, sito a tardoz do Hotel Tivoli, logo a seguir ao Hotel Veneza, foi tudo estropiado, como as imagens documentam, aproveitando o ensejo da demolição (sem apelo nem agravo ... nem qualquer menção oficial no sistema Gesturbe da CML) do edifício da Rua Barata Salgueiro, Nº 29 (foto em baixo) para construção apressada de um novo edifício (já em construção adiantada).

O ainda mais engraçado da coisa no que diz respeito ao palacete das traseiras do Hotel Tivoli é que a única coisa aprovada pela CML para ali diz respeito a um certo túnel de ligação do hotel ao palacete, aprovado em 2004. Dessa altura há registo de parecer do IPPAR, e de várias menções ao PDM. Depois disso, o que entrou no sistema foi um pedido de alterações durante a obra, sujeito a licença ... que está 'em apreciação'.

Conclusão: uma coisa é a teoria outra é a prática. E no que toca a esta última, muito em breve diremos adeus definitivo ao pouco que resta do plano inicial das Avenidas.


Rua Barata Salgueiro, Nº 29



Fotos: CML e ASRC