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08/07/2016

Teatro Nacional de São Carlos / Desaparecimento das cadeiras dos camarotes / Novo pedido de esclarecimentos


Foto 1

Foto 2

Exmos. Senhores


C.C. MC, DGPC e media

No seguimento do nosso pedido de esclarecimentos de 9 de Março, que anexamos, e do esclarecimento que recebemos da V/parte, dando-nos conta de que a substituição das cadeiras de cariz clássico (cadeiras de assento em veludo e costas em palhinha, pernas torneadas, madeiras entalhada e dourada a casca de ovo - foto1) era temporária e que as mesmas regressariam aos camarotes depois se serem restauradas, verificamos que as cadeiras ainda não regressaram e que os camarotes mantêm as cadeiras substitutas (foto2).

Solicitamos novo esclarecimento da parte da OPART.

Lisboa, 21 de Junho de 2016

Com os melhores cumprimentos​

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel Jorge, Luís Marques da Silva, Jorge Santos Silva, Júlio Amorim, Luís Marques da Silva, Maria do Rosário Reiche, Luís Serpa, Ricardo Mendes Ferreira, Fátima Castanheira, Beatriz Empis, Ana Alves de Sousa e Fernando Jorge

...

Resposta da OPART via Gab. SEC (8.7.2016):

«Exmos. Senhores,
Signatários do Fórum Cidadania ,


Assunto: Pedido de esclarecimento sobre as cadeiras do Teatro Nacional de São Carlos

Em resposta ao vosso e-mail do passado dia 21 de junho, transcrevo a informação prestada pelo Senhor Presidente da OPART, sobre o assunto em epigrafe.

“Em resposta ao pedido de informação relativo à solicitação de esclarecimento por parte do Fórum CidadaniaLx, cumpre-nos transmitir que, tal como comunicado anteriormente a 9 de março do corrente ano à entidade requerente, as mencionadas cadeiras encontram-se guardadas esperando o normal procedimento para intervenção de limpeza e restauro.
A não permanência das mesmas nos camarotes de utilização pública, portanto, prende-se com o seu estado de conservação.
As cadeiras colocadas "temporariamente" são de igual modo parte do acervo patrimonial do Teatro Nacional de São Carlos e a sua utilização não colocam em causa a segurança e conforto do público que as utiliza.
Queremos fazer notar a V. Exa. a nossa satisfação pelo facto desta organização cívica, na sua segunda missiva em menos de quatro meses, reconhecer agora que não há nem houve desaparecimento destes espécimes. Tratando-se apenas da regular rotatividade do nosso mobiliário com o fito de garantirmos a conservação preventiva deste acervo de valor patrimonial reconhecido por todos.”

Esperando ter respondido ao solicitado por V.Exas, apresento os meus melhores cumprimentos

A Chefe de Gabinete
Isabel Corte Real»

09/03/2016

Teatro Nacional de São Carlos / Desaparecimento das cadeiras dos camarotes / Pedido de esclarecimentos ao OPART:


Ao C.A. do OPART (9.3.2016)


Exmos. Senhores


C.C. MC, DGPC e media

O Teatro Nacional de São Carlos é a principal casa de ópera de Lisboa e de Portugal.

Foi inaugurado em 30 de Junho de 1793 pelo Príncipe Regente D. João para substituir o Teatro Ópera do Tejo, que tinha destruído no Terramoto de 1755, segundo projecto do arquitecto José da Costa e Silva. Trata-se de um exemplar de arquitectura civil, de cariz Neoclássica de influência italiana, único no nosso país. A decoração de época com influências de inspiração italiana, designadamente do teatro di San Carlo em Nápoles, e do teatro della Scalla em Milão, recebeu a participação de vários artistas nacionais e estrangeiros, na decoração dos seus interiores, como Cirilo Volkmark Machado, Appianni e Manuel da Costa.

Por isso é Monumento Nacional desde 1996 (D.R. I Série-B, nº 56, de 6 de Março).

Como será do conhecimento de V. Exas, no ano de 1940, o Teatro Nacional sofreu durante oito meses importantes obras de melhoramentos, restauro, consolidação e conservação exterior e interior, realizadas sob a égide do engº Duarte Pacheco Pereira, ministro das obras públicas, que teve o cuidado de manter as suas características decorativas centenárias, reabrindo em 1 de Dezembro de 1940.

Tendo tomado conhecimento do desaparecimento gradual das cadeiras de cariz clássico que se encontravam nos camarotes (cadeiras de assento em veludo e costas em palhinha, pernas torneadas, madeiras entalhada e dourada a casca de ovo – ver imagens), sendo as mesmas substituídas por cadeiras novas de cor castanha, o que desvirtua a ideia de conjunto que é o edifício e os seus elementos decorativos, desde logo o mobiliário de época;

Solicitamos a V. Exas. que nos esclareçam sobre se as cadeiras retiradas foram para restauro, sendo posteriormente repostas nos respectivos camarotes (como sucedeu aquando da reparação de 1973), ou se a sua remoção se destina, simplesmente, à sua substituição definitiva, facto que a acontecer nos parece grave, pelo já exposto.

Salientamos, ainda, que, a nosso ver, a classificação do Teatro compreende toda a decoração do mesmo e respectivo mobiliário, pelo que qualquer retirada das cadeiras referidas deverá ser devidamente autorizada pela tutela.

Com os melhores cumprimentos​

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel Jorge, Irina Gomes, Maria Ramalho, Pedro Henrique Aparício, Virgílio Marques, Maria de Morais, Inês Beleza Barreiros, Jorge Santos Silva, Júlio Amorim, Luís Marques da Silva, Maria do Rosário Reiche, Beatriz Empis, Pedro Formozinho Sanchez, Miguel de Sepúlveda Velloso e Nuno Caiado

Fotos: Miguel Jorge

...

Esclarecimento do TNSC/OPART (10.3.2016):

«Esclarecimento do OPART/TNSC: «Exmos. Senhores


Na sequência da receção do email infra, encarrega-me o Conselho de Administração do OPART, E.P.E. de esclarecer que a substituição de algumas cadeiras de cariz clássico é temporária e deve-se exclusivamente ao normal processo de inventariação e restauro a que regularmente são sujeitas, de modo a garantir a respetiva preservação.

Mais se informa que, logo que a intervenção esteja concluída, as cadeiras serão repostas nos devidos camarotes, conforme previsto desde o primeiro momento da sua remoção.

Cordialmente,

Raquel Maló Almeida
Direção de Promoção e Media»