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15/01/2019

O Palacete Ribeiro da Cunha é Monumento de Interesse Público a partir de hoje


Portaria n.º 80/2019 - Diário da República n.º 10/2019, Série II de 2019-01-15 117821507 Cultura - Gabinete da Secretária de Estado da Cultura
Classifica como monumento de interesse público o Palacete Ribeiro da Cunha, incluindo o jardim, sito na Praça do Príncipe Real, 26, e na Calçada da Patriarcal, 40, Lisboa, freguesia de Santo António, concelho e distrito de Lisboa

(foto: Público)

16/03/2016

02/04/2013

BAZAR ORIENTAL EM PALACETE LISBOETA


In O Corvo (2/4/2013)

«Em Maio, uma espécie de “souk” árabe vai ser inaugurado num palacete do Príncipe Real. Chamar-se-á Palace Bazar e será um espaço sofisticado e único, afirmam os seus promotores. Na origem do projecto está um cidadão austríaco, Anthony Lanier, que pretende transformar o Príncipe Real numa espécie de Georgetown (em Washington).


Texto: Isabel Braga Fotografia: David Clifford

O palacete Ribeiro da Cunha, no Príncipe Real, em Lisboa, vai abrir ao público em Maio, transformado num espaço comercial que tem, como modelo de negócio, um “souk” árabe e irá chamar-se Palace Bazar. Moda, design, jóias, objectos “lifestyle”, arte e restauração estarão à disposição do público no palacete que faz esquina com a Calçada da Patriarcal.

“Vamos pôr em prática um conceito novo, dum espaço que funcione como uma extensão do comércio de rua. Queremos lojas que reflictam o espírito do Príncipe Real, que tenham algo de único, sofisticado e autêntico”, afirmou ao Corvo Catarina Lopes, representante da empresa Eastbank, proprietária do edifício e promotora do projecto.

[...] “Pensamos nisto como um organismo vivo, que irá mudar com o tempo. Haverá produtos para todas as bolsas, de modo nenhum queremos um comércio de luxo. Vamos implementar um conceito novo, em termos de espaços comerciais, e, até agora, tem-se revelado um sucesso. Os candidatos têm sido sete cães a um osso“, sublinha a representante do Eastbank. A contribuir para isso está ainda, na opinião de Catarina Lopes, o facto de as rendas “não serem caras”. “Os preços das salas variam entre os 800 e os 2000 euros mensais, e incluem os custos com o aquecimento, a segurança e a limpeza”, especifica. [...] O palacete Ribeiro da Cunha é o coração do projecto que a empresa Eastbank iniciou em 2005/2006, quando o proprietário da firma, Anthony Lanier, um austríaco de 61 anos, nascido no Brasil e residente em Washington, decidiu começar a investir em Lisboa.

Desde então, a Eastbank adquiriu um conjunto de 20 edifícios, todos na zona do Príncipe Real, entre eles o palacete Castilho, no início da Rua da Escola Politécnica, sede da firma de Anthony Lanier.

“Tudo o que interessa, em Lisboa, fica a cinco ou dez minutos a pé daqui. Também em Washington, todos os edifícios que comprei ficam a dez minutos a pé ou de bicicleta do meu escritório. [...] Lanier explica qual o princípio subjacente aos seus projectos imobiliários: “A minha ideia foi sempre investir, não num edifício isolado, mas em vários, se possível numa rua inteira. Desse modo consegue-se rentabilizar melhor o investimento. Os bancos apoiaram a minha ideia e tenho tido bastante sucesso nos Estados Unidos. Mas é um negócio que demora a dar frutos. É preciso adquirir património em quantidade suficiente e poder esperar que o mercado apareça.”

Dada a situação de crise em que Portugal se encontra, Anthony Lanier optou por adiar as reabilitações de fundo dos edifícios que a Eastbank adquiriu, alguns pegados uns aos outros, para melhor aproveitamento de infraestruturas comuns, como, por exemplo, garagens.

“Uma vez que, com a actual situação de crise, não há crédito para nós investirmos na recuperação dos imóveis nem para os compradores poderem adquiri-los, decidimos alugá-los para lojas e escritórios. O resultado é que os edifícios, que antes estavam vazios, estão todos ocupados. E as ruas mudaram para melhor”, defende...»

25/03/2013

Protesto por mega-telas de Publicidade em imóveis património



Exmo. Sr. Presidente da CML
Dr. António Costa,
Exmo. Sr. Vereador do Espaço Público
Dr. José Sá Fernandes


Junto enviamos fotografias documentando o que consideramos ser 2 péssimos exemplos de publicidade em mega-telas, e dessa forma impróprios para Lisboa, uma cidade que se pretende seja cada vez mais uma capital europeia de referência a todos os níveis.

Como é possível que em Lisboa ainda se permita que estes telões publicitários tapem por inteiro imóveis históricos e em zonas emblemáticas da cidade?

Porque demora a Câmara Municipal de Lisboa em seguir os exemplos de outras capitais onde, em casos como estes, a regra é, pura e simplesmente, permitir-se APENAS uma tela neutra ou com a reprodução da fachada, mitigando-se dessa forma o impacto visual?

Chamamos a atenção de V. Exas. para a tela colocada no Rossio pois não se vislumbram quaisquer sinais de obras a decorrer... será mais um exemplo igual ao que se passou no Largo de Camões?

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Fernando Jorge e Bernardo Ferreira de Carvalho

CC: AML, Eastbanc

24/11/2010

Protesto por afixação de telão publicitário na fachada principal do Palacete Ribeiro da Cunha


Resposta da Eastbank ao nosso protesto:


«Caro Fórum Cidadania,

Como eventualmente saberão, a afixação da tela publicitária partiu de uma iniciativa da CML com o objectivo de promover a arte e chamar a atenção para edifícios devolutos em Lisboa. Ainda que que questões estéticas sejam sempre discutíveis, houve uma grande preocupação neste sentido, tanto que a tela é uma peça de autor desenhada por uma artista e foi especificamente concebida para o Palacete Ribeiro da Cunha.

Pela nossa parte, assegurámos que as regras de preservação da fachada fossem respeitadas e consultámos engenheiros conceituados em reabilitação para garantir que esta intervenção não prejudicasse física e materialmente o património arquitectónico do Palacete.

Dito isto, é naturalmente legítimo não aprovar a intervenção feita. Fica a consolação que este tipo de iniciativas são sempre temporárias - neste caso, a remoção do painel está prevista para o próximo sábado (27 de Novembro).

Como sempre, se necessitarem de mais informação, estaremos naturalmente à Vossa inteira disposição.

Mais uma vez agradecemos o Vosso interesse e empenho na defesa do património arquitectónico de Lisboa.

Melhores cumprimentos,

Catarina Lopes
EastBanc Portugal Lda
»

20/11/2010

Protesto por afixação de telão publicitário na fachada principal do Palacete Ribeiro da Cunha


Exmo. Sr. Vereador José Sá Fernandes
Exmo. Sr. Anthony Lanier / Eastbanc


Vimos este meio manifestar o nosso desagrado pela colocação de uma tela de grandes dimensões na fachada principal do Palacete Ribeiro da Cunha ao Principe Real (foto em anexo).

Consideramos muito prejudicial para a cidade este tipo de publicidade que não respeita o Património Arquitectónico.

Para além da tela impedir a normal fruição da Arquitectura do palacete, tem também um impacto negativo no ambiente histórico oitocentista da Praça do Princípe Real.

Lamentamos a falta de cuidado que este projecto reflecte pois era perfeitamente possível cumprir os mesmos objectivos de promoção/publicidade sem impedir a normal leitura da fachada do palacete pelos lisboetas e visitantes. Há sitios lógicos nos edifícios para a instalação de telas a publicitar actividades/projectos culturais. Foi pena que se tivesse optado pela lógica do "Tamanho único". O Património de Lisboa merecia mais respeito.

Na esperança de vermos esta questão resolvida, e nunca mais repetida, subscrevendo-nos com os melhores cumprimentos.


Paulo Ferrero, Fernando Jorge e Júlio Amorim

24/04/2008

Fruição livre ou não

In Público (24/4/2008)
Catarina Prelhaz

«Recomendação de "Os Verdes" foi aprovada por unanimidade, mas a livre fruição do jardim divide assembleia municipal

Se o estudo de impacte ambiental reuniu o apoio de todos os partidos, o mesmo não aconteceu relativamente à fruição livre do Botânico. Com a abstenção do PS e do BE, a assembleia aprovou a recomendação de "Os Verdes" para que a câmara "não permita a abertura desmesurada do Botânico ao público" como prevêem alguns projectos apresentados no concurso de ideias para o Parque Mayer, museus e zona envolvente.

a "Os Verdes" recomendaram e a Assembleia Municipal de Lisboa aprovou por unanimidade: o Jardim Botânico só pode ser reabilitado com um estudo de impacte ambiental. Para as forças políticas com assento na assembleia (PSD, PCP, Bloco de Esquerda, CDS-PP e Partido Ecológico "Os Verdes"), o executivo camarário encabeçado por António Costa (PS) deve exigir uma avaliação das consequências que uma intervenção poderá ter para aquele espaço, considerado juntamente com os Museus da Politécnica o "pólo histórico-científico mais importante da cidade".
De acordo com a recomendação aprovada terça-feira, para além de um estudo de impacte ambiental, a câmara deverá simultaneamente proceder a "um levantamento de todas as potencialidades do jardim e dos pontos fracos do que ainda falta fazer, para que o Jardim Botânico possa ser um jardim de futuro em termos de investigação, educação para a cidadania e protecção do espólio existente".

Palacete Ribeiro da Cunha

Paredes meias com o Jardim Botânico, o palacete neomourisco Ribeiro da Cunha, adquirido pela empresa norte-americana Eastbanc para ser transformado em hotel, continua a ser motivo de preocupação. Para o movimento cívico Fórum Cidadania Lisboa, os investidores têm de apostar na preservação do logradouro daquele edifício do Príncipe Real, sob pena de Lisboa ver desaparecer o seu "último conjunto neo-romântico "casa-jardim" intacto" e uma peça-chave de dois conjuntos patrimoniais em vias de classificação como monumento nacional: o Jardim Botânico e a Mãe de Água/Príncipe Real.
O projecto da Eastbanc de fazer do Príncipe Real uma zona hoteleira de excepção "é uma boa ideia", mas há outras soluções para a rentabilidade dopalacete que poderão manter intacto "o seu imenso e valioso logradouro", como torná-lo numa zona de recepções e de suites de luxo, em apoio a imóveis vizinhos, defende o Fórum Cidadania Lisboa. "Dado o número considerável de prédios e palacetes que tem adquirido na zona, não será difícil encontrar forma de fazer o hotel do Palacete Ribeiro da Cunha como uma e apenas uma das componentes do conjunto hoteleiro".
Segundo a Eastbanc, o palacete só é rentável se for transformado em hotel, admitindo recorrer ao jardim daquele imóvel e logradouros vizinhos para instalar cerca de 42 quartos (para preservar o património, o edifício do palacete apenas poderá albergar oito quartos) em piso térreo, de forma a minimizar o seu impacto visual. Contudo, o projecto da Eastbanc para o palacete apenas avançará depois de aprovado o plano de pormenor para o Parque Mayer e zona envolvente.»

23/04/2008

Projecto de luxo do Príncipe Real toma 20 edifícios com 50 milhões


In Público (23/4/2008)
Catarina Prelhaz

«Empresa norte-americana já tem metade dos 80 mil m2 que pretende adquirir. Palacete Ribeiro da Cunha deverá mesmo ser um hotel


Enquanto se discute o futuro da Politécnica, Jardim Botânico e Parque Mayer, o investimento da empresa norte-americana Eastbanc no Príncipe Real, em Lisboa, soma e segue: entre negócios fechados e contratos-promessa já arrecadou cerca de 20 edifícios e está a negociar a compra de outros cinco, um investimento que apenas nesta fase já ascende a 50 milhões de euros. Ao todo, estão garantidos 40 mil m2, metade do objectivo que pretende atingir. Entre os imóveis negociados pela Eastbanc contam-se vários palacetes: o Ribeiro da Cunha, o edifício do Banco de Portugal (ambos já adquiridos) e o que acolhe a Liga dos Amigos dos Hospitais (em contrato-promessa).
Enquanto decorre o concurso de ideias lançado pela câmara para recuperar os Museus da Politécnica, o Jardim Botânico e o Parque Mayer, a Eastbanc (patrocinadora da exposição das propostas) faz o balanço dos planos para o Príncipe Real. "Tomara eu saber em que estado está o projecto", lança Catarina Lopes, a representante da Eastbanc em Portugal.
Em Outubro, esta sociedade, responsável pela reabilitação de Georgetown, uma zona antiga de Washington, submeteu a aprovação camarária um pedido de informação prévia (procedimento que pode anteceder o licenciamento de obras) relativo a três edifícios - o Palácio dos Condes do Restelo, onde a Eastbanc está sediada, o vizinho 36 da Rua da Escola Politécnica e o Palacete Anjos, que pertencia ao Banco de Portugal. "Gostaria muito de ter uma licença de construção antes de passarem dois anos, caso contrário temos problemas sérios com os investidores", explica Catarina Lopes.
Este primeiro projecto, da autoria do arquitecto Souto Moura, inclui a preservação das fachadas dos palacetes (do Anjos fica apenas a fachada e as colunas que o suportam) e, garante a Eastbanc, "o crescimento em altura é coisa que não interessa".
O plano prevê comércio nos pisos térreos e cerca de 20 apartamentos de luxo com uma média de 200 m2 de área, de tipologias T1 e T2. Para comprar um deles, haverá que desembolsar mais de um 1,2 milhões de euros ("espero vendê-los a mais de seis mil euros por m2", diz Catarina Lopes). "O nosso produto é, por assim dizer, de alta costura, obra de arte, e contratámos um arquitecto que é um verdadeiro escultor e a arte é cara", justifica a Eastbanc.
Dentro de dois anos e meio deverão começar também as obras no Palacete Faria, que alberga a Liga de Amigos dos Hospitais. Mas para isso a Eastbanc comprometeu-se a procurar e construir um novo lar, e só depois poderá intervir no edifício.
Mais atrasados estão os planos para o Ribeiro da Cunha (a Casa de Macau não está sob a mira da empresa por ser "muito cara"). A Eastbanc congratula-se com o facto de o plano de pormenor para aquele imóvel ter sido chumbado pela assembleia municipal. "Era um projecto muito volumoso e isso não fazia sentido", admite Catarina Lopes. "O problema é que por si só aquele imóvel não tem viabilidade: dá para fazer um restaurante ou um clube, mas não aguenta mais do que oito quartos e nós pagámos por ele para ser um hotel."
Assim, adianta, o que a Eastbanc propõe é "algo mais leve do que os 2500 m2 do edifício, mais 4000 de anexos". "Estamos dispostos a distribuir a construção pelo resto dos logradouros - que já adquirimos na totalidade até ao Palácio dos Condes do Restelo -, podendo até ficar circunscrita a um piso térreo sem qualquer impacto visual." O projecto inicial vai ser totalmente reformulado, mas só depois de aprovado o plano de pormenor para o Parque Mayer, Politécnica, Jardim Botânico e zona envolvente. Ainda assim, a Eastbanc conta ter um hotel de cerca de 50 quartos e não valoriza as cavalariças ou o pombal. "Está tudo destruído e não faz sentido recuperar essas infra-estruturas. Para já, o que vamos fazer é mandar limpar a mata para estacionamento privado, sem cortar as árvores, e combater as infiltrações que estão a destruir o património do palacete. Temos entre 200 e 300 mil euros só para isso."»


Sobre o Palacete Ribeiro da Cunha, ainda irá correr muita tinta, claro, mas convém não esquecer o seguinte:

É bom que as coisas se terem esclarecido. Lembro que até há bem pouco tempo, o proprietário do Palacete Ribeiro da Cunha, a família Lopo de Carvalho, escusava-se a dizer que o Sr. Anthony Lanier estaria a querer comprar o palacete. Inclusive, jurou 'a pés juntos', na sessão/debate promovida pela CML que o projecto (dos Arq. Emauz) era seu. É bom, repito, que as coisas se tenham esclarecido.

Graças ao Fórum Cidadania Lx, à Quercus, à Associação Lisboa Verde, e, essencialmente, à Assembleia Municipal de Lisboa (e à sua Presidente, que estas coisas são mesmo assim!), o anterior e horroroso projecto - dito por Carmona Rodrigues/Gabriela Seara como sendo 'Plano de Pormenor' (e que foi aprovado em reunião de CML, é preciso não esquecer) - foi chumbado e devolvido à procedência.

A nossa postura é simples: defendemos, tal como consta das nossas propostas (http://cidadanialx.tripod.com/preal.html) , o seguinte:

- O Palacete Ribeiro da Cunha é o último conjunto intacto neo-romântico 'casa-jardim' de Lisboa (o outro, a Quinta do Relógio, é em Sintra) neo-mourisco, por sinal;
- O Palacete Ribeiro da Cunha é conjunto em Vias de Classificação no IGEAPAR, mediante pedido de classificação submetido àquela instituição pela Prof. Regina Anacleto, grande especialista naquele período histórico-cultural;
- O Palacete Ribeiro da Cunha consta de dois perímetros de Monumentos Nacionais (‘Em Vias de’ o serem e, portanto, usufruindo de todas as regalias como se o fossem já): Jardim Botânico e Mãe de Água/Príncipe Real;
- O Palacete Ribeiro da Cunha tem um importantíssimo e centenário logradouro que confina com o Jardim Botânico, sendo aquele peça vital na designada 'Cumeada da Cotovia', elemento estruturante do corredor verde daquele lado da Avenida da Liberdade (a outra é a Cumeada do Torel).

Tudo isto tem que ser ponderado pelos investidores e tudo isto será objecto da nossa luta.

Já apelámos, oportunamente, ao Sr. Anthony Lanier, para não destruir o logradouro do Palacete Ribeiro da Cunha. Aliás, o projecto de 'zona hoteleira de excepção' que parece ser o seu lema para o Príncipe Real, é uma boa ideia, e dado o número considerável de prédios e palacetes que tem adquirido na zona, não será difícil encontrar forma de fazer o hotel do Palacete Ribeiro da Cunha como uma e apenas uma das componentes do conunto hoteleiro (porque não como a zona de recepções e suites de luxo?), sendo para isso desnecessário destruir o seu imenso e valioso logradouro.

Como isto já vai longo, acabo com uma dúvida: o que dirá agora a Srª Vice-Reitora e directora do JB, e respectivos técnicos, na altura, ferozes defensores do defunto projecto para o Palacete Ribeiro da Cunha?

Projecto de luxo do Príncipe Real toma 20 edifícios com 50 milhões

Público de hoje

Empresa norte-americana já tem metade dos 80 mil m2 que pretende adquirir. Palacete Ribeiro da Cunha deverá mesmo ser um hotel.
Enquanto se discute o futuro da Politécnica, Jardim Botânico e Parque Mayer, o investimento da empresa norte-americana Eastbanc no Príncipe Real, em Lisboa, soma e segue: entre negócios fechados e contratos-promessa já arrecadou cerca de 20 edifícios e está a negociar a compra de outros cinco, um investimento que apenas nesta fase já ascende a 50 milhões de euros. Ao todo, estão garantidos 40 mil m2, metade do objectivo que pretende atingir. Entre os imóveis negociados pela Eastbanc contam-se vários palacetes: o Ribeiro da Cunha, o edifício do Banco de Portugal (ambos já adquiridos) e o que acolhe a Liga dos Amigos dos Hospitais (em contrato-promessa).
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O plano prevê comércio nos pisos térreos e cerca de 20 apartamentos de luxo com uma média de 200 m2 de área, de tipologias T1 e T2.
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Dentro de dois anos e meio deverão começar também as obras no Palacete Faria, que alberga a Liga de Amigos dos Hospitais. Mas para isso a Eastbanc comprometeu-se a procurar e construir um novo lar, e só depois poderá intervir no edifício.
Mais atrasados estão os planos para o Ribeiro da Cunha (a Casa de Macau não está sob a mira da empresa por ser "muito cara"). A Eastbanc congratula-se com o facto de o plano de pormenor para aquele imóvel ter sido chumbado pela assembleia municipal. "Era um projecto muito volumoso e isso não fazia sentido", admite Catarina Lopes.
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"Não somos nenhuns monstros. Não queremos apoderar-nos de tudo, mas fazer render aquilo que temos, e nada melhor do que uma zona científica e uma zona cultural de referência para valorizar o Príncipe Real".

13/11/2006

Lanier em entrevista sobre os seus planos para Lisboa


O facto de aparecer em grande destaque nesta entrevista a foto do Palacete Ribeiro da Cunha, é elucidativo para quem ainda tinha dúvidas que ele não fizesse parte dos planos de Anthony Lanier!

PF

10/11/2006

Apelo a empresário para respeitar palácio

In Jornal de Notícias (10/11/2006)
João Girão

"Organizações ambientalistas e cívicas apelaram, ontem, ao possível comprador do Palacete Ribeiro da Cunha, em Lisboa, que considere as características únicas do imóvel e eventuais consequências negativas para o Jardim Botânico da sua transformação em hotel. O apelo das associações ambientalistas Quercus e Lisboa Verde e do movimento de lisboetas "Fórum Cidadania Lisboa" surge na sequência de notícias recentes que dão conta da possibilidade de o empresário austríaco Anthony Lanier, ligado à reabilitação de património, comprar o imóvel e o projecto para o transformar num hotel

Carlos Moura, do Núcleo de Lisboa da Quercus, adiantou que as associações enviaram uma carta ao empresário com o objectivo de o sensibilizar "para a questão ambiental do projecto". "É preciso fazer ver ao empresário que a reabilitação do palacete tem muito pouco a ver com os projectos que tem desenvolvido nos Estados Unidos", disse o ambientalista, acrescentando que Lanier, que vive nos Estados Unidos, já comprou vários imóveis no Príncipe Real.

Logradouro em risco

As associações referem que Lisboa tem "muito poucos espaços verdes" e que o jardim do palacete é muito importante para os lisboetas. Na opinião de Carlos Moura, o projecto para o palacete terá consequências graves para o Jardim Botânico e destruirá o logradouro do imóvel.

Na carta enviada por correio electrónico, as associações informam que o Palacete Ribeiro da Cunha é o único exemplo em Lisboa de uma casa-jardim neo-mourisca, que foi construída em 1877 e nunca sofreu qualquer alteração arquitectónica. As organizações defendem que as características arquitectónicas do imóvel devem ser preservadas, assim como as árvores raras e seculares do jardim. Alertam ainda para o facto de os jardins serem contíguos ao Jardim Botânico, classificado como monumento nacional, e lembram que a área protegida em seu redor é de 50 metros.

Na carta, as associações pedem ao empresário que "reconsidere" a compra do palácio com um projecto que consideram "altamente questionável". Em causa está a construção de um hotel com 55 quartos, um "health-club", uma sala de conferências, uma piscina e um parque de estacionamento subterrâneo no jardim
."

09/11/2006

Palacete Ribeiro da Cunha / carta enviada a Anthony Lanier


Dear Mr.Lanier

Following recent news regarding the possibility that you are negotiating the purchase of Palacete Ribeiro da Cunha, in Lisbon (including the architectural project of the current owner to build an hotel in the palace's gardens), we are writing to appeal to you as follows:

1. Palacete Ribeiro da Cunha is the only example in Lisbon of a neo-Arab house-garden completely unaltered since its construction in 1877. Therefore, its exterior and interior architectonic features must be preserved. The garden's rare and secular trees must be preserved, too.

2. The Palacete's gardens are adjacent to the Botanic Garden (Jardim Botânico), listed as National Monument. Therefore, the area to be protected by the Portuguese law is of 50 meters, all around the Botanic Garden, which includes the total area of Palacete Ribeiro da Cunha's gardens.

3. According to the Lisbon Master Plan (Plano Director Municipal), all gardens and green areas in the city are protected and cannot be built up - and only a small quota, of 20%, can be used for parking purposes.

4. This project - designed by Architect Pedro Emauz Silva - to build a 55-room hotel, health-club, conference room, swimming-pool and underground parking in five new blocks in the palace's gardens, is a highly questionable project. It is shocking, totaly miscast and with a construction rate largely above the admitted by Law.

5. The City Council's procedure referring to this project was not the correct one, not only in terms of poor public discussion and legal issues, but it was also clearly wrong in terms of which should be the aspirations of a historical city as Lisbon: always preserve heritage rarities, such as this Romantic period house-garden.

In view of this, we ask you, Mr.Lanier , to reconsider your purchase of the palace with this particular project.

If you are interested in developing this beautiful, historical area of Lisbon, with quality hotels and retail parks, please do so, and you can count on Lisbon and its residents' support. But the citizens of Lisbon will fight for the preservation of the Palacete Ribeiro da Cunha gardens.

We know that you made a good job in Georgetown, but Lisbon is different, as you know. We have very few green spaces, our buildings are much older, and this particular garden is part of a green-lung, essential for us. Destroyed, it could spell the beginning of the end for all the gardens around the area. And that can only be bad for all.

Therefore, Mr. Lanier, please take our appeal into consideration.

Thank you very much, and accept our best regards.

Sincerely yours,

Paulo Ferrero and Fernando Jorge (Fórum Cidadania Lx)
Carlos Moura (Quercus)
João Pinto Soares (Associação Lisboa Verde)

23/10/2006

Palacete Ribeiro da Cunha: pedido de esclarecimentos à Junta de Freguesia de São Mamede

Ex.mos Senhores


No seguimento da fase de consulta pública relativa ao chamado Plano de Pomernor para o Palacete Ribeiro da Cunha, e uma vez que Lisboa e, em especial, os moradores, comerciantes, trabalhadores e visitantes do Príncipe Real ainda não tomaram conhecimento da posição oficial da Junta de Freguesia de São Mamede (e respectiva Assembleia de Freguesia) relativamente a este assunto, vimos pelo presente (enquanto movimento de cidadania que somos, independente, empenhado e verdadeiramente interessado em deixar uma Lisboa melhor às futuras gerações), solicitar uma tomada de posição pública dessa Junta sobre este projecto de transformação do palacete e jardim em hotel.

Fazemo-lo porque achamos que a Junta de Freguesia de São Mamede se tem de pronunciar sobre este projecto que prevê a construção de hotel com 55 quartos, health club, salão de conferências, piscina e estacionamento subterrâneo, em edifício cujo valor patrimonial e histórico é por demais evidente: aquele palacete e os seus jardins formam um binómio romântico-revivalista único em Lisboa, Finalmente, este projecto se for posto em prática será um precedente gravíssimo para um conjunto de logradouros de inegável valor em termos de mancha verde e pulmão do centro de Lisboa. Por todos estes impactos negativos, a maior organização não governamental de defesa do Ambiente do país - Quercus - pronunciou-se absolutamente contra este projecto de alteração do PDM.

Apelamos, por isso, à Srª Presidente, Ana Campos, a Duarte Galvão (Secretário), a Rodolfo Knapic (Tesoureiro), Alberto Coelho e Diogo Fernandes (vogais), a aos ilustres membros da respectiva Assembleia de Freguesia, na pessoa do seu presidente,Manuel Peres Ramires Oliveira (PSD), Maria José Cruz Leite Peralta A.Santos (PSD), Maria do Rosário Clímaco Reis Catarino (CDS), Paulo Manuel bernardes Moreira (PSD), Jore Manuel Martins de Freitas (PSD), Carlos Alberto dos santos Fernandes (PSD), Alexandra Lopes de Azevedo (PSD), Carla Ferreira Madeira (PS), Maria Luísa Boléo (PS), Luís Marques Ferreira (PS), Virgínia Fernandes (PS), Emília Costa Pereira Leite (PCP) e Maria Bertina Teixeira Pinto (BE), para que façam ouvir a sua voz ... à semelhança do que fez a Junta do Lumiar em relação à Quinta da Nossa Senhora da Paz!

LISBOA PRECISA DE SABER QUAL A POSIÇÃO DA JUNTA DE FREGUESIA DE SÃO MAMEDE SOBRE ESTE ASSUNTO!

Os lisboetas precisam de receber sinais claros de que as Juntas de Freguesia existem para defender os valores da cidadania e do patrimonio cultural e ambiental da cidade.

Melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Pedro Policarpo, Fernando Jorge e Catarina Portas

19/10/2006

Palacete Ribeiro da Cunha/Apelo aos Deputados Municipais

Ex.mos Senhores

Ainda estamos a tempo de salvar o único conjunto casa-jardim romântico, revivalista e neo-mourisco de Lisboa. o Palacete Ribeiro da Cunha!

Para isso é preciso chumbar o chamado "plano de pormenor" que a CML tem vindo a patrocinar desde 2001 ao promotor, cujo único objectivo é permitir a venda a terceiros de um palacete e de um jardim com projecto de construção aprovado.

Um projecto que, a ser aprovado definitivamente, representará uma grave peda para a cidade de todos nós, quer no que toca à integridade do próprio palacete, como da efectiva manutenção do magnífico e centenário jardim que lhe está anexo; quer no que se refere a inevitáveis danos ao Jardim Botânico (que é monumento nacional e que tem que ter protegido num raio de 50m!), quer no que essa hipotética aprovação representaria em termos de precedente grave para os logradouros vizinhos.

Por isso apelamos ao bom senso de todos vós, Senhores Deputados Municipais, para que leiam o parecer que apresentámos em tempo oportuno à CML (e do qual ainda não obtivemos resposta), em conjunto com a Quercus e a Lisboa Verde (http://patrimoniolx.tripod.com/ParecerRibCunha.pdf); e para que decidam em consciência!

Este conjunto é único em Lisboa ... e no país só há mais dois: Monserrate e a Quinta do Relógio, ambos em Sintra.

NÃO CONTRIBUAM PARA A DESTRUIÇÃO DE LISBOA!
Lembrem-se das gerações futuras!
Contamos convosco para uma cidade melhor!

Obrigado!
Melhores cumprimentos

18/10/2006

Plano pormenor Palacete Ribeiro da Cunha: qual é a posição do Jardim Botânico?

Enviámos o seguinte pedido de esclarecimentos ao Reitor da Universidade de Lisboa:



Ex.mo Senhor Reitor, Professor Dr. António Sampaio da Nóvoa


No seguimento da fase de consulta pública relativa ao chamado Plano de Pormenor para o Palacete Ribeiro da Cunha, e uma vez que o Jardim Botânico não toma/tomou posição oficial relativamente ao mesmo, vimos pelo presente, enquanto plataforma de cidadãos independentes, empenhados e verdadeiramente interessados em deixar uma Lisboa melhor às futuras gerações, solicitar ao Excelentíssimo Reitor da Universidade de Lisboa uma tomada de posição pública e clara sobre este projecto.

Lembramos que neste projecto se prevê a construção de hotel com 55 quartos, health club, salão de conferências, piscina e estacionamento subterrâneo, em edifício e logradouro cujo valor patrimonial, histórico e ambiental não só é por demais evidente, como o mesmo trará consequências inevitáveis e gravosas para o Jardim Botânico, e para um conjunto de logradouros vizinhos. Trata-se de um projecto perigoso, pese embora o originalíssimo argumento que alguns esgrimam: "um hotel nas vizinhanças trará mais visitantes ao Jardim Botânico"!

Lembramos ainda que em 1971, foi graças a um parecer negativo do Jardim Botânico que se evitou a demolição integral do Parque Mayer e a sua substituição por duas torres de uma conhecida cadeia de hotéis, célebre ao tempo. Como é possível o silêncio, desta vez?

Lisboa precisa de saber qual a posição do Jardim Botânico sobre este assunto! Acordo algum entre o Jardim Botânico e a CML quanto ao fornecimento de água pode justificar a indiferença daqueles responsáveis em relação a este projecto.

Na expectativa de uma resposta, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero (Fórum Cidadania Lx), Carlos Moura (Quercus) e João Pinto Soares (Associação Lisboa Verde)

12/10/2006

Quercus ameaça impugnar PP Pal. Rib.Cunha


In Público 12/10/2006
Ana Henriques

"A associação ambientalista Quercus está a analisar a possibilidade de impugnar legalmente o plano de pormenor do Palacete Ribeiro da Cunha, no Príncipe Real, em Lisboa, com vista a impedir que o hotel de charme que ali vier a ser erguido se expanda para os jardins.

O plano, que ainda não foi aprovado pelo Conselho de Ministros, prevê para o local um hotel de cinco estrelas com 55 quartos, alguns dos quais no palacete neomourisco do séc. XIX, mas a maioria em dois novos edifícios a construir no logradouro, que é contíguo ao Jardim Botânico. Planeado está também um estacionamento subterrâneo para 30 automóveis, bem como uma área de ginásio e uma piscina, a construir numas antigas cavalariças. Tanto a Quercus como a associação Fórum Cidadania Lisboa e o movimento Lisboa Verde se têm oposto a estas intenções, alegando impactos ambientais e visuais negativos. Esta última questão também tem preocupado organismos oficiais como o Instituto do Património Arquitectónico e a Comissão de Coordenação Regional.

A proximidade do Jardim Botânico - classificado como monumento nacional - é um dos principais argumentos do movimento de contestação, que decidiu, na terça-feira à noite, levar a cabo iniciativas como a criação de um blogue e o lançamento de um abaixo-assinado on-line, o envio de ofícios ao Governo e a publicação de artigos de opinião nos jornais.

Criticando aquilo a que chama o "desinteresse dos responsáveis do Jardim Botânico pela questão", o dirigente da Quercus de Lisboa Carlos Moura explica que, caso o hotel vá por diante nestes moldes, o espaço verde sofrerá consequências ao nível do escoamento das águas pluviais e subterrâneas, dada a impermeabilização dos terrenos. Por outro lado, parte das suas plantas perderão todos os dias várias horas de exposição solar, por causa das sombras projectadas pelos novos edifícios. Quanto à impugnação do plano de pormenor, Carlos Moura diz que o argumento da Quercus se baseia no requisito de requalificação do espaço em questão que exige o uso deste instrumento de planeamento do território. Para os ambientalistas, o plano não promove nenhuma requalificação. A.H
."

09/10/2006

Ainda, e sempre, o Palacete Ribeiro da Cunha


Ainda sobre o chamado "plano de pormenor" para o Palacete Ribeiro da Cunha, a Quercus organizará amanhã, dia 10 de Outubro, pelas 21 horas, nas instalações da Junta de Freguesia de São Mamede (Rua Nova de São Mamede, junto ao cruzamento com a Rua da Escola Politécnica), uma reunião-debate destinada a criar massa crítica para pôr em causa esta péssima solução para a cidade de Lisboa.

PF

20/09/2006

Pedido de ZEP para Jardim Botânico

Ex.mo Sr. Presidente do IPPAR
Ex.mo Sr.Director Regional do IPPAR

Como é do conhecimento de V.Exas. terminou na semana passada a consulta pública do denominado Plano de Pormenor do Palacete Ribeiro da Cunha, sito no Príncipe Real, a qual mereceu um parecer conjunto Fórum Cidadania Lx-Quercus-Associação Lisboa Verde, que junto temos o prazer de remeter a V.Exas.

Acontece que para além dos problemas graves que o dito plano acarreta para aquele palacete e para os seus jardins, temos forte convicção de que a ir avante esse projecto, o mesmo terá consequências graves para o Jardim Botânico, pois não só representará um precedente em termos de hipotéticos projectos semelhantes para os cerca de 20 logradouros que circundam o Jardim Botânico, como as próprias obras do projecto em causa deverão ter impacte negativo neste último, não só a nível visual, como a nível dos solos e das espécies vegetais.

Paralelamente, decidiu a CML levar por diante um novo plano para a Avenida da Liberdade e envolvente que significará a possibilidade efectiva por parte dos proprietários dos prédios com logradouro na Rua do Salitre em poderem construir parques de estacionamento subterrâneo nos mesmos, o que será mais um gravíssimo atentado ao Jardim Botânico, o qual, objectivamente, passará a ser a curto prazo o logradouro de uma série de prédios.

Pelo exposto solicitamos a V.Exa. a urgente aplicação/estudo de uma Zona Especial de Protecção para o Jardim Botânico, a fim de prevenir hipotéticos atentados a este monumento único em Lisboa, para além dos 50 metros decorrentes da classificação como Monumento Nacional.

Com os melhores cumprimentos

Sancha Trindade, Paulo Ferrero, Júlio Amorim, Luís Pedro Correia e João Gandum

11/09/2006

Jardim Botânico ameaçado com projecto para Pal.Rib.Cunha

In Público
Por Alexandra Reis

"O Jardim Botânico de Lisboa considera que as obras de transformação do Palacete Ribeiro da Cunha, no Príncipe Real, em hotel de charme, poderão vir a causar impactes negativos, permanentes e temporários, no equilíbrio das espécies vegetais que compõem o espaço. Pinturas e infiltrações de água poderão afectar equilíbrio das espécies arbóreas ali existentes.

Esta foi uma das preocupações levadas anteontem à noite por Manuel João Pinto, técnico do Jardim Botânico, a um debate sobre o projecto de plano de pormenor do palacete, da autoria do arquitecto Pedro Emauz Silva, que se encontra em fase de discussão pública.

Segundo Manuel João Pinto, o maior afluxo de visitantes ao jardim que poderá resultar da transformação do palacete em hotel de charme "é positivo", mas "perspectivam-se ao mesmo tempo impactos negativos, permanentes e temporários", resultantes do curso das obras de requalificação do palacete.
O projecto de plano de pormenor para o palacete neo-mourisco, propriedade da família Ribeiro da Cunha, prevê a transformação do edifício em hotel de charme também por via da construção no seu logradouro de cerca de 55 quartos duplos, em cinco andares: "Concebido como habitação familiar, o palacete comporta um máximo de dez quartos, o que não o torna viável como hotel", justificou o arquitecto.

Manuel João Pinto explicou que as tintas a utilizar na pintura do muro que divide jardim e palacete "libertam substâncias tóxicas que podem afectar o balanço e a temperatura dos micro-habitats". Por outro lado, "é muito provável" que as águas das obras se infiltrem no solo do jardim.

Porém, segundo Pedro Emauz Silva, "é evidente que a pintura do muro vai ter precauções". Quanto à questão das águas, o arquitecto Fernando Pinto Coelho, representante da Câmara de Lisboa no debate que decorreu no Museu Botânico, assegurou que "é difícil" que elas se infiltrem no solo do Jardim Botânico. "Mesmo que isso aconteça", asseverou, de acordo com a carta geológica da zona elas seguem na direcção contrária.

Manuel João Pinto referiu ainda que também as vibrações, a libertação de poeiras e eventuais abatimentos do solo resultantes do decurso dos trabalhos poderão ter impactos negativos temporários no jardim.

Príncipe Real, centro turístico de excelência

O projecto - que contempla ainda uma ampla zona de reuniões e conferências, restaurante, áreas de serviço e estacionamento para 30 lugares - tem sido contestado, entre outros, pela associação ambientalista Lisboa Verde. Apesar de sublinhar que não está contra a reconversão do palacete neo-mourico em hotel, a associação classifica como "um crime" a "implantação exagerada a construir no logradouro", que irá "destruir o jardim, cavalariças e estruturas de apoio aos jardins", que datam do século XIX.

A reconversão do Palacete Ribeiro da Cunha pode vir a integrar-se num plano mais vasto de transformação do Príncipe Real num centro turístico de excelência em Lisboa. Uma empresa norte-americana do ramo imobiliário, a Eastbanc, está a comprar vários edifícios na zona com esse objectivo e já está em negociações avançadas com a família proprietária do Ribeiro da Cunha para vir a adquirir o palacete
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Fonte: Olissipo.

08/09/2006

Palacete Ribeiro da Cunha: comentários à sessão de sensibilização da CML

No seguimento da sessão de sensibilização organizada ontem, às 21h, no anfiteatro do Jardim Botânio, pela CML/Reabilitação Urbana e promovida pela Junta de Freguesia de São Mamede, cumpre-nos tecer os seguintes comentários:

1. É inqualificável que as plantas da CML que acompanham o processo de consulta publica apresentem diversos erros, como por exemplo, a "mancha de cor" que identifica a área de intervenção do Palacete inclui o Beco da Alegria (bêco que antecede o portão do Jardim Botanico, conhecido como "Portão da Praça da Alegria"), que é espaço do dominio público! Outro exemplo: a zona de protecção de 50 metros em volta do Jardim Botânico não aparece nas plantas. A demarcação da área classificada do Jardim Botânico não está completa pois deixa de parte um talhão do jardim chamado MEXICO (junto da antiga cantina, onde estão os Dragoeiros e a colecção de cactos, etc). É uma vergonha que a CML cometa erros desta natureza em documentos oficiais para discussão pública!

2. É inqualificável que juristas de renome, advogando em causa própria, afirmem que processos como este (trata-se, recorde-se, de um "plano de pormenor" para uma parcela de um privado!) "não subverte a lei porque cada vez haverá mais processos como este, porque é o progresso".

3. É inaceitável que o projectista afirme "nenhuma árvore será abatida" (sic), bem como que o estacionamento de 30 e tal carros será feito "apenas numa nesga do terreno". Faltou mostrar a planta do projecto de perfil, para se ter a noção do como são de facto 5 andares dos blocos de apartamentos ... , coisa que a não se depreende da maqueta.

4. É extraordinariamente caricato o recente argumento pró-projecto, segundo o qual "o estado actual do jardim do palacete, com as suas ervas daninhas, as heras e ... os gatos sejam uma ameaça para o Jardim Botânico", ou que, pasme-se, "o projecto irá trazer mais visitantes ao Jardim Botânico".

5. É compreensível que o promotor do projecto se recuse a esclarecer se o palacete, projecto incluído, é, ou não, para ser vendido ao investidor americano G.Lanier, que já comprou outros palacetes vizinhos, e que, a ser observado pela CML de outra forma que não esta, possibilitaria a construção de uma cadeia de pequenas unidades hoteleiras de charme, evitando-se assim este projecto que, a ir em frente, destruirá um importante e histórico logradouro da cidade de Lisboa, com graves repercussões para o Jardim Botânico, não só porque será um precedente grave, como pelos efeitos que qualquer pessoa de bom senso imediatamente se aperceberá.

Ficaram por esclarecer pontos como "hotel de charme vs. unidade de 55 quartos, health club, sala de conferências, parque de estacionamento, etc.", "posição da Junta S.Mamede", "como é possível arquitectos da CML estarem envolvidos no projecto", etc.

Face ao exposto, e em jeito de provocação, sugere-se a quem de direito a elaboração célere de lei em que, agora que proliferam as companhias de "low cost", se obrigue todos os governantes e quadros autárquicos a viajarem anualmente ao estrangeiro, para verem o que por lá se faz; onde uma jóia como este exemplar neo-mourisco (e só há 3 ex. "casa-jardim" por cá; Monserrate e Quinta do Relógio, ambos em Sintra) nunca seria objecto de semelhante discussão.

PF

Nota: arecer conjunto Fórum Cidadania Lx/Quercus/Lisboa Verde, entregue oportunamente à CML, em sede de consulta pública: AQUI