27/10/2015
Ainda é poucochinho ... «Bares e lojas de conveniência de Lisboa vão fechar mais cedo»
31/10/2014
Lisboa. Câmara quer proibir álcool nas ruas a partir da uma da manhã
Por Marta Cerqueira
«Proposta da câmara prevê que lojas de conveniência e mercearias passem a fechar às 22 horas
À notícia sobre o encurtamento dos horários dos bares lisboetas junta-se agora uma nova proposta da câmara municipal que prevê o controlo do consumo de álcool nas ruas. Autarquia quer que apenas seja permitida a venda de bebidas para consumo no exterior dos estabelecimentos até à 1 da manhã, todos os dias. No despacho camarário publicado ontem lê-se ainda que o não cumprimento desta norma leve a que o estabelecimento tenha uma restrição temporária de horário para as 23 horas.
A câmara tinha já avançado com a intenção de reduzir os horários dos espaços nocturnos, com um fecho máximo previsto para as 2 horas entre domingo e quinta-feira e as 3 horas às sextas, sábados e vésperas de feriado. A excepção é feita apenas para estabelecimentos com espaço de dança legalizado, como o Tokio, o Jamaica, o Viking ou o Musicbox, que podem manter-se em funcionamento até às 4 da manhã todos os dias.
O despacho, assinado pelo vereador com o pelouro da Higiene Urbana, Duarte Cordeiro, dedica uma alínea às lojas de conveniência e mercearias, cujo horário de funcionamento fica restrito entre as 8h e as 22h. Actualmente, estas lojas podem estar abertas até à meia-noite.
Gonçalo Riscado, da associação de comerciantes do Cais do Sodré, acredita que esta será a única forma de controlar o espaço público. “As queixas dos moradores referem-se não ao que se passa no interior dos bares, mas sim ao que acontece nas ruas”, explica ao i. O responsável acredita, no entanto, que a restrição de venda de álcool para o exterior dos estabelecimentos deveria ser aplicada a toda a cidade.
“Delimitando a medida a certas ruas, corremos o risco de os focos problemáticos passarem para outras zonas da cidade, até mesmo para as ruas ao lado das visadas no documento”, garante.
O despacho está disponível desde ontem para consulta pública durante os próximos 15 dias úteis.»
24/09/2013
Lisboa Cidade Sem Lei
«Lisboa tornou-se nos últimos anos uma cidade sem lei a partir da noite.
O actual executivo camarário promove uma cultura de desrespeito pelos moradores o que torna a vida destes num inferno. Esquece os mais elementares direitos dos cidadãos, consagrados na Constituição da República Portuguesa, que pelos vistos só invocam quando lhes interessa defenderem os seus próprios interesses.
Os direitos ao sossego, ao repouso, à qualidade de vida, à segurança ao respeito pelas pessoas e bens são violentados sistematicamente por opção política do executivo camarário.
Apesar dos alertas sucessivos, petições, abaixo assinados, queixas ao Provedor de Justiça e reuniões com responsáveis autárquicos, este executivo camarário não se compadece e mantém-se inamovível na sua estratégia, activamente promovida nos mercados turísticos internacionais, de colocar Lisboa, e sobretudo os Bairros Históricos, no mapa dos destinos da noite, isto em total detrimento dos seus moradores, fomentando o consumo desregrado de álcool, os comportamentos aberrantes na via pública, a destruição sistemática da propriedade pública e privada dificultando a regeneração dos bairros históricos da cidade que continuam a definhar e a apodrecer.
Grande parte dos estabelecimentos não estão licenciados, não têm as mínimas condições para albergarem milhares de visitantes, as casas de banho são a via pública e as portas das casas, o lixo é deixado por todo o lado acordando os habitantes de manhã numa poça de urina e excrementos fétidos e no meio de uma lixeira depois de uma noite sem dormir por causa do barulho ensurdecedor de multidões que se deslocam de zona em zona em busca de mais álcool e mais divertimento como se estivessem permanentemente num festival de música ao ar livre.
No que toca ao estacionamento, os moradores e comerciantes pagam à EMEL para terem direito a estacionar na zona onde vivem, mas se por acaso regressam mais tarde a casa não o conseguem fazer porque todas as zonas de estacionamento estão ocupadas, mais as passadeiras, as esquinas, a frente de muitas garagens, os lados das ruas que não têm estacionamento autorizado, a própria faixa de rodagem, etc. Se houver uma emergência, é impossível um carro de bombeiros passar em muitos locais.
Nem isso demove o executivo autárquico da sua decisão abrir mais bares, fechar ruas com o objectivo de aumentar o consumo de álcool chegando ao cúmulo de fechar uma rua pública com o patrocínio do Absolut Vodka para promoção da sua marca.
• Onde está a fiscalização da idade para consumo de álcool?
• Onde está a fiscalização sobre o pagamento de IVA nos vários tipos de estabelecimentos de venda de bebidas a partir da noite?
• Onde estão afixados os horários de funcionamento dos estabelecimentos comerciais?
• Onde estão afixados os quadros de pessoal e respectivo horário?
• E porque não actua a Policia à noite sobre as praças de Táxi em segunda fila, o estacionamento caótico, o vandalismo, o barulho ensurdecedor na via pública, o desrespeito pelo cumprimento da lei da idade do consumo de álcool?
• Onde está a ASAE que antes fiscalizava tudo e agora não fiscaliza NADA?
• E no meio de tudo isto onde está o “ nosso “ presidente Dr. António Costa? O principal responsável da Câmara, mais preocupado com a sua carreira politica do que com a cidade que o elegeu, demitiu-se das suas responsabilidades, e entregou a gestão nas mãos dos seus vereadores, os quais resolveram brincar aos autarcas, fazendo experiências ao sabor do seu gosto pessoal, esquecendo-se dos seus munícipes. Não se pode desculpar com o inimputável ex-BE José Sá Fernandes, agora convicto PS, pois colocou-o novamente na sua lista. Os grandes massacrados são os moradores dos Bairros Históricos, em particular, Bairro Alto, Cais do Sodré, Santos, Príncipe Real, mas o fenómeno está a alastrar para outras zonas e outras cidades do país.
Leia-se o artigo da última Revista do Expresso (14/9/2013) sobre o consumo do álcool pelos jovens e atente-se no resultado devastador que as politicas seguidas pela Câmara Municipal de Lisboa têm sobre eles. Para Sá Fernandes, nada disso conta, o sossego dos moradores não é importante, urinar na via pública é normal, os graffitis/tags é uma moda, não tem solução e a sua limpeza é um custo que a Câmara tem de assumir. É fácil assumir custos com o dinheiro dos outros, das nossas taxas e impostos, é sem dúvida muito mais fácil do que promover uma fiscalização e sensibilização eficazes.
O que resta aos moradores? Mudar de casa? Comprar janelas com vidro duplo e corte acústico? Comprar ar condicionado e fechar as janelas? NÃO comprar casa nessas zonas? Então e aqueles que não o podem fazer, e os mais desfavorecidos, aqueles que não têm alternativa em relação às condições em que vivem? Estão sitiados nas sua casas onde de noite nem uma janela podem abrir por muito calor que tenham. Onde estão as preocupações sociais do Sr. Presidente da Câmara para com estes moradores?
Preocupações dessas não tem certamente o vereador Sá Fernandes que inaugurou de copo de Vodka Absolut na mão a rua cor-de-rosa, numa festa com barulho ensurdecedor, que acontece TODAS AS NOITES, esquecendo que ALI À VOLTA MORA GENTE.
Essa gente trabalha, estuda, tem horários a cumprir, paga impostos, cumpre a lei mas vive numa Cidade Sem Lei.
Isabel Sá da Bandeira (Nós Lisboetas)»
03/09/2013
António Costa e o Ruído Nocturno
Chegado por e-mail:
«"(...) não creia que eu deva julgar-me feliz por me achar longe da infecção do Chiado." Eça de Queiroz, Carta a Ramalho Ortigão, 1873
Desenganem-se do ar bonacheirão. António Costa foi eleito em 2009 com um programa focado na reabilitação urbana e na promoção da habitação no centro de Lisboa. Ao invés, no final de 2011, António Costa e Sá Fernandes encerraram ao trânsito automóvel a Rua Nova do Carvalho, no Cais do Sodré, a pedido da indústria do divertimento nocturno, sem que alguma vez tenham sido escutados os residentes, dando origem ao maior movimento migratório nocturno de que há memória em Lisboa. Foi assim criado, em pleno centro histórico da cidade, um ambiente inóspito e hostil a moradores e turistas que elegem a hotelaria local e um gravíssimo problema de saúde pública.
Agora terminam a obra a dias das eleições, pintando a rua simbolicamente de cor-de-rosa, de mãos dadas com bares e discotecas, numa iniciativa financiada pela vodka Absolut.
O encerramento da Rua Nova do Carvalho atraiu milhares de novos frequentadores para um local subitamente transformado em discoteca a céu aberto. A Câmara promoveu activamente este novo destino de massas, permitindo que ali se organizassem festas temáticas ao ar livre e criando a ideia de que o divertimento nocturno e o ruído associado poderiam ali florescer sem quaisquer limites. Seguiram-se a abertura descontrolada de novos espaços de venda de bebidas alcoólicas, a reconversão do comércio diurno em nocturno e graves questões de insalubridade, insegurança ou estacionamento. Foi assim criada uma mancha de problemas que alastrou ao Chiado, ao Largo do Corpo Santo e a Santos, afastando moradores e o comércio e serviços diurnos (vejam, por exemplo, a Rua do Ferragial, que hoje lembra Beirute durante a guerra civil).
Refira-se também que nos últimos cinco anos foram investidos na zona dezenas de milhões de euros na hotelaria de qualidade, a qual agora se ressente, com queixas de hóspedes sobre ruído. Promotores imobiliários com interesse no restauro para habitação e comércio diurno hesitam em ali investir com receio de que seja irreversível a sua transformação em zona exclusivamente nocturna.
Isto apesar de se tratar de uma parte de Lisboa de beleza incomparável, com hotéis e restaurantes de qualidade, onde Eça se alojava quando, já cônsul, se demorava pela capital (não consta que com queixas pelo ruído).
Mais grave que tudo isto, porém, é o facto de o ruído nocturno ser cada vez mais incessante e omnipresente ao longo da semana. Apesar disso, desde o encerramento da rua, nem uma medição ao ruído nocturno indiferenciado foi feita pela CML na zona do Cais do Sodré. Fizeram-na os residentes, no passado mês de Maio, através de empresa certificada, a qual revelou níveis intoleráveis de ruído (70 dB, entre a 01h00 e as 04h00, quando o máximo permitido são 45 dB).
Esta agressão aos residentes é incompreensível vinda de uma Câmara a quem compete, antes de tudo, proteger a saúde dos seus munícipes.
Desenganem-se do ar bonacheirão. É mesmo desinteresse ou a sensação de que se pode tudo fazer com o respaldo de uma maioria.
Não deixaremos.
Nós Lisboetas»
30/08/2013
29/03/2012
O inferno do Cais do Sodré
In Sol Onlie (28/3/2012)
Por Margarida Davim
«O barulho é insuportável, as ruas acumulam copos de plástico, garrafas de cerveja e folhetos de bares. E uma multidão que se acotovela, vai deixando um rasto de grafitis e vandalismo. Os novos bares ‘da moda’ tornaram as noites do Cais do Sodré, em Lisboa, num inferno para os moradores.
«E o pior é que se prolongam nos after hours, às vezes até ao meio-dia», conta Sérgio Teixeira dos Santos que há seis meses não tem descanso. «Vivo no bairro há sete anos, mas as coisas começaram a ficar piores desde que fecharam ao trânsito a Rua Nova do Carvalho».
Nessa altura, chegaram ao Cais do Sodré bares como a Pensão Amor, a Velha Senhora e o Povo, apresentados como uma forma de requalificar um bairro conhecido por ser poiso de marinheiros e prostitutas e com uma vida nocturna que se reduzia a três ou quatro discotecas famosas há décadas. «Nessa altura, havia menos gente e acima de tudo, o que se passava era dentro de portas. O problema é que agora é tudo na rua», explica Carlos Ornelas, director do Lx Boutique Hotel – um estabelecimento de luxo onde os turistas se queixam do ruído e do lixo que encontram na rua [...]»
27/07/2011
Obras no prédio do Jamaica sem fim à vista
Marisa Soares
«Os trabalhadores das discotecas Jamaica, Europa e Tokyo, encerradas desde Maio após o colapso de parte do edifício situado no Cais do Sodré, em Lisboa, enviaram ontem um abaixo-assinado ao presidente da câmara, no qual pedem uma data definitiva para a reabertura. O edifício está a sofrer obras de beneficiação a cargo da autarquia, que tomou posse administrativa do imóvel perante os "incumprimentos sucessivos" dos proprietários. Quase três meses depois, ainda ninguém sabe quando termina a intervenção.
Em causa podem estar cerca de 20 postos de trabalho, que os proprietários das discotecas não sabem até quando poderão manter. "A obra está a decorrer a bom ritmo, mas a câmara ainda não disse quando deve terminar. Precisamos de prazos para tomar decisões", diz Fernando Pereira, sócio-gerente do Jamaica.
Só no caso desta discoteca, diz, os prejuízos ultrapassam os 10.000 euros mensais. "Se as obras não acabarem rapidamente, talvez não consigamos manter os ordenados dos trabalhadores", admite.
No abaixo-assinado, os funcionários pedem à câmara uma "solução rápida" deste caso. O PÚBLICO questionou o gabinete do vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, mas não obteve resposta. Um dos proprietários do imóvel, Diogo Tavares de Carvalho, diz que contactou a autarquia, em Junho, com vista a "recuperar a posse do edifício e suceder à câmara na realização das obras", mas esta não respondeu. "Tentámos fazer um ponto de situação das obras com o empreiteiro, mas ele não forneceu os dados nem mostrou interesse", acrescenta.»
24/06/2011
O CAOS em Lisboa
«Muito bons dias
Não sei quando este mail será lido mas é sempre oportuno relatar estas situações a quem parece estar interessado no desenvolvimento de Lisboa como uma cidade aberta a todos os cidadãos nacionais ou estrangeiros.
O mail abaixo foi enviado para o serviço de atendimento ao Munícipe de Lisboa à cerca de 15 dias. Recebi posteriormente resposta indicando a sua recepção e que tinha sido aberto um processo com o nº CML-107789-5X86 .
Esta resposta dá a sensação daquelas que se diziam, tal lá e não "xateies". É realmente lamentável que numa capital Europeia - ou será realmente do 3º Mundo - se continuem a desprezar as leis aprovadas, desde que os prevaricadores sejam abençoados pelos Municípios?
O mais engraçado da situação ou não, é que a Policia Municipal e a Policia de Segurança Pública passem pelo local e nada façam deixando impune uma situação ilegal.
Esta situação pode não ser nada parecida com aquela que os senhores relatam sobre a situação da publicidade na zona do Intendente, mas desde que o atual presidente de Câmara assumiu a chefia do Município Lisboa tem descaído na sua qualidade de vida e em gastos desnecessários ou pelo menos não justificados em tempo de crise.
Escrevo isto às 01h00m. O barulho da música é impressionante.
Com os meus cumprimentos
Gilberto Almeida
---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Gilberto Almeida
Data: 10 de Junho de 2011 00:50
Assunto: Lei do ruido
Para: municipe@cm-lisboa.pt
Boas noites
Uma simples e concreta pergunta:
.
Os bares/esplanadas inaugurados à cerca de 15 dias na Av. da Liberdade estão isentos do cumprimento no disposto no Decreto-Lei nº 9/2007???
Este mail está a ser enviado cerca da 01h20m e o barulho é ensurdecedor.
Se fosse um simples cidadão o que é que poderia acontecer???
Gratos por uma resposta.
28/10/2010
"Boom" dos Bares no Bairro Alto foi há 30 anos
Cristiano Pereira
«Há cerca de três décadas que o Bairro Alto se afirma como um dos principais pólos de animação nocturna de Lisboa. Mas quem lá esteve há 30 anos aponta alguns defeitos ao bairro de hoje, como o excesso de lixo, "dealers" e falta de policiamento.
Até meados da década de 70 eram poucos ou nenhuns os bares no Bairro Alto para além das abundantes "casas de passe" com prostitutas e algumas casas de fado. Terá sido nas vésperas da década de 80 que pequenos bares começaram a surgir como cogumelos. "Houve um boom", conta ao JN o empresário Hernâni Miguel, a quem já chamaram "rei da noite", tamanha a quantidade de estabelecimentos que já abriu e fechou, ali e noutros locais de Lisboa.
"O Bairro Alto sempre foi um espaço de boémia por natureza", considerou, explicando que o facto de sempre ter sido uma zona "de maior tolerância" o tornou território fértil para manifestações lúdicas e culturais "porque a cultura identifica-se com a tolerância". Hernâni Miguel acha positivo o facto de "poder-se encontrar todas as tribos no Bairro", mas deixa transparecer algum desalento ao constatar que "hoje em dia há muito mais gente mas muito menos gente envolvida em tertúlias".
"Há mais aquela lixeira do garrafão", prosseguiu, tecendo duras críticas ao aparecimento de casas de conveniência "que só abrem para vender álcool em garrafas de vidro". Na sua óptica, a permissão de venda de garrafas de vidro é prejudicial porque aumenta o lixo nas ruas e a própria segurança é posta em risco. "Se houver uma cena de violência, aquilo são cocktails molotov", comenta.
"O problema é a falta de civismo das pessoas", aponta, por seu turno, um homem que se identificou como "fadista da velha guarda" que diz conhecer a zona "desde os anos 50". "Andam aí com os copos e a mictar na rua", lamentou, salvaguardando, contudo, que "é muito raro haver desacatos".
Outro aspecto que não existia e que hoje é por demais evidente é a presença de " centenas de dealers a venderem", apontou Hernâni Miguel. O empresário defende um sistema de vídeo-vigilância mais apertado e, acima de tudo, sublinha que "era de bom tom o bairro ter uma esquadra e que o efectivo policial fosse maior". »
29/09/2010
Moradores do Bairro Alto exigem sossego
«Cansados do ruído e do lixo que, aos fins-de-semana, invadem o Bairro Alto, em Lisboa, um grupo de moradores vai hoje, quarta-feira, exigir medidas ao executivo camarário. Há quem use tampões nos ouvidos e comprimidos para dormir, mas nem assim escapam ao barulho.
“Queremos dizer ao senhor presidente que é preciso dizer basta. Ele que deixe de se preocupar tanto com os gatafunhos nas paredes e limpe as ruas”, diz “Maria”, uma das moradoras, que prefere não revelar a verdadeira identidade por temer represálias.
Esta moradora, que fará parte do grupo que hoje se desloca à reunião pública de câmara, refere que, além do ruído, há ainda a questão da limpeza, que está a ser feita cada vez mais tarde. “Por vezes, às 10, 11 horas ainda as ruas estão cheias de garrafas”, queixa-se, acrescentando que, recentemente, uma criança sofreu um corte num pé por causa de um vidro.
Nem por magia seria possível conquistar uns minutos de silêncio no Bairro Alto. Os bares e lojas de conveniência são tantos que quem insiste em morar por aquelas bandas já esgotou todos os truques para fugir ao ruído. “São directas, atrás de directas. Dentro das casas, o som dos bares faz estremecer camas, candeeiros e sofás. “Vivemos num autêntico Inferno”, acrescentam.
Quem pode, dorme de dia e faz a lida da casa à noite. Outros tomam comprimidos para dormir ou usam tampões nos ouvidos. Outros ainda, limitam-se a aturar as tropelias e insultos, rezando para que amanheça depressa. “Eles tentam arrombar-nos as portas para se drogarem ou fazerem sexo. Sentam-se nas soleiras das portas, encostam-se e andam ali aos encontrões”, queixa-se, por sua vez, “Isabel”. Um dos moradores até arranjou uma artimanha para impedir que a soleira servisse de banco, mas desistiu de ali morar e foi para casa de familiares na margem Sul do Tejo.
E como se não bastasse o ruído e as pilhas de garrafas nas ruas, o cheiro a haxixe que entra pelas casas adentro, os insultos e os arrombamentos, há ainda os roubos insólitos. A Gracinda, roubaram-lhe as cuecas do estendal, no primeiro andar da varanda. O roubo terá pesado na consciência do ladrão, que lhe deixou cinco euros.
Gracinda diz que já nem ousa chamar a atenção de ninguém. “Se pedimos silêncio, somos insultados e ameaçados. Ficamos com medo. O problema é que há bares a mais. Cada rés-do-chão que fica vago é um bar que abre”.
“Rosa”, outra moradora, nem queria acreditar quando, há poucas semanas, foi ofendida apenas por estar a tossir na cama. “Ó velha, vê lá se te calas”, gritavam os jovens que estavam sentados junto à sua porta. E Rosa, lá foi para a cozinha, o local mais afastado da entrada da casa, onde ficou alguns minutos a acalmar a tosse.
Manuel Madureira fala sem reservas e garante que, um dia destes, “passa-se dos carretos”. No mínimo, diz, alguém vai levar com um balde de água na cabeça. Conta que um grupo andou pelas ruas a tocar trombone até às quatro da madrugada. Sem pudores, diz que sente saudades dos tempos em que o único problema era a prostituição. “Ao menos respeitavam os moradores”.
E só não há mais queixas, dizem em surdina, porque há bares que “gratificam” os moradores para que estes não reclamem.»
13/10/2009
ALERTA À CML



A EXISTÊNCIA DE UM BAR RUIDOSO DISFARÇADO DE CENTRO CULTURAL NA RUA DO SÉCULO AJUDA A TRAGÉDIAS COMO ESTA: O CHAFARIZ POMBALINO ENCONTRA-SE DEGRADADO E DELAPIDADO, EM PARTE GRAÇAS À SELVAJARIA DOS FREQUENTADORES DO BAR.
É URGENTE
RECUPERAR O CHAFARIZ
CONTROLAR A PROLIFERAÇÃO DE BARES EM ZONAS RESIDENCIAIS E FECHAR OS ACTUAIS OU LIMITAR O SEU FUNCIONAMENTO ATÉ ÀS 24H
CUMPRIMENTOS
NC
07/09/2009
Bar por cima do Mercado do Loureiro vai ser transformado em "restaurante de muita qualidade"
«Bom dia!
Antes de mais, gostaria de vos dar os parabéns pelo excelente espaço de informação e discussão que criaram. E como tal, gostaria de vos indicar uma informação que me apanhou de surpresa.
Pelos vistos, a esplanada que existe por cima do Mercado do Loureiro vai ser transformado num "restaurante de muita qualidade" (seja lá isto o que for). Se de facto for aquilo que penso, Lisboa vai perder um dos espaços sociais mais agradáveis da cidade, onde se pode ir com amigos beber um copo, ou sozinho ler um livro e sentir-se envolvido pela paisagem e atmosfera que só Lisboa consegue oferecer enquanto se bebe e como qualquer coisa, onde as crianças têm espaço para dar umas corridas e onde os turistas (e não só!) apreciam a paisagem, enfim... tudo isto - pelos vistos - vai desaparecer para se tornar num restaurante, que, pela conversa, vai transformar a esplanada num local bastante mais restrito em termos de oferta. Um restaurante de luxo ali, depois de se ter criado aquele espaço (que se foi formando ao longo do tempo), é mais um daqueles crimes que não se compreendem... será que os responsáveis ainda não perceberam o que é que nasceu ali? Um espaço de lazer por excelência? Uma zona social que nada tem a ver com um restaurante de luxo que vai restringir o local?
Deixo aqui o link do Público com a notícia.
http://jornal.publico.clix.pt/noticia/05-09-2009/melhor-esplanada-de-lisboa-com-os-dias-contados-seguese-restaurante-de-qualidade-17729101.htm
Cumprimentos,
Tiago Salgado.»





