Mostrar mensagens com a etiqueta águas livres. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta águas livres. Mostrar todas as mensagens

14/01/2020

Protesto pela demolição do prédio de Soares da Silva/ Tv Amoreiras 6-12


Exmo. Senhor Vereador Ricardo Veludo


C.C. PCML, AML, DGPC, JF e media

Como é do conhecimento de V. Exa., a reabilitação urbana promovida pelos Serviços da CML durante o período 2007-2019, traduziu-se em números impressionantes no que se refere a demolições de edifícios de finais do século XIX, princípios do XX, um pouco por toda a cidade, descaracterizando bairros até aí preservados ou pouco atacados na sua autenticidade, como sejam os casos de Campo de Ourique, Estrela, Lapa, Madragoa, Chiado, Picoas, Estefânia, para já não mencionarmos a zona da Avenida da Liberdade e as Avenidas Novas, cuja amputação começara há algumas décadas.

Assim, calculamos que tenham sido demolidos, total ou parcialmente, desfigurando-os significativamente, mais de 300 edifícios, compreendendo palacetes, vilas e pátios operários, prédios de rendimento, exemplares da arquitectura industrial, etc., etc.

Cumpre por isso, cremos, mudar o paradigma da política de reabilitação urbana da CML, para novas e boas práticas, em que não se materialize o entendimento de que basta manter-se a fachada como sinónimo de que uma cidade está a ser reabilitada.

É possível adaptar o edificado desse período construtivo, de que Lisboa já foi rica, às novas funções e exigências de uma vida moderna, sem destruir os interiores dos apartamentos, sem ampliar 2-3 pisos, sem destruir os seus logradouros, sem descaracterizar o quarteirão, o bairro. É possível, não é tão caro quanto nos iludem ser, e há mercado para essas casas.

Com a entrada em funções de V. Exa., cremos ser oportuno chamarmos a atenção especial do novo Vereador do Urbanismo da CML, para a antiga residência de Francisco Soares da Silva, junto ao Jardim das Amoreiras, e para o pedido de licenciamento de projecto de ampliação com demolição integral dos interiores (processo nº 2008/EDI/2019), que entrou recentemente na CML para apreciação dos Serviços que V. Exa. agora tutela.

Com efeito, o projecto de arquitectura da autoria do arq. Pedro Carrilho, tem tudo quanto defendemos dever ser recusado por uma política de reabilitação que não se reveja no fachadismo promovido nos últimos 12 anos: interior todo demolido, ampliação de um piso em mansarda, caves de estacionamento, regularização da fachada sobre a garagem.

O edifício em apreço, sito na Travessa das Águas-Livres, nº 6-12, é tão só a casa de Francisco Soares da Silva, conhecido industrial da cidade de Lisboa (http://www.lojascomhistoria.pt/lojas/francisco-soares-da-silva), que resulta da extraordinária adaptação, em 1912, de uma construção de origem pombalina de dois pisos que então detinha na esquina da Travessa das Águas Livres, com projecto do então conhecido arquitecto António do Couto de Abreu (1874-1946), que fora primeiramente discípulo de Miguel Ventura Terra nas obras do Palácio das Cortes em S. Bento, trabalhando posteriormente com Arnaldo Adães Bermudes, de quem chega a ser sócio no projecto do monumento ao Marquês de Pombal, e que ficou conhecido mormente pelos já demolidos Palacete Empis, Prémio Valmor de 1907, e Casa João António Henriques Serra, Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1909, e este projecto na Travessa das Águas-Livres.

O edifício, na realidade dois edifícios, encontra-se praticamente intacto, ainda que com algumas divisões em mau estado de conservação, mas passíveis de plena recuperação.

Aliás, esse é um ponto em que não cremos haja justiça neste projecto que contestamos: o levantamento fotográfico apresentado no projecto em apreço; uma vez que só são mostradas fotografias das áreas em mau estado de conservação (devido às infiltrações), mormente o sótão e a garagem. As restantes fotos são do 1º andar, cujo interesse decorativo é nulo. E não nos parece que haja nenhuma fotografia ilustrativa do piso nobre, o 2º andar, que era a habitação do proprietário, e que certamente manterá ainda estuques. Trata-se, a nosso ver, de uma forma de manipular a opinião de quem decide a favor da demolição dos interiores do edifício.

Por considerarmos que existe valor histórico e arquitectónico no edificado, apresentámos um requerimento à DGPC, em Junho passado, com o propósito de que esta procedesse à abertura da sua classificação, pelo que estranhamos que os serviços daquela ainda não tenham dado andamento ao processo, e mais estranhamos a apresentação deste projecto à CML, 5 meses sobre o nosso requerimento à DGPC.

Resumindo, consideramos que a eventual aprovação pela CML do presente projecto do arq. Pedro Carrilho, será uma nefasta para a cidade de Lisboa, porque consubstanciará o continuar de uma repetida má prática que se traduziu no arrasar dos edifícios da chamada “Arquitectura de Transição”, e, na circunstância, de um edifício sui generis e histórico, e que no seu todo vai contra as boas práticas de conservação e restauro, descritas em cartas internacionais, e reconhecidas pelas autoridades em Portugal.

Mais a mais tratando-se, como se trata, de um edifício supostamente protegido pela regulamentação camarária, em virtude de constar da Carta do Património anexa ao Plano Director Municipal, item 46.06 Conjunto arquitetónico / Praça das Amoreiras, 2 a 8, 25 a 32, 34 a 48 e 49 a 59, Trav. das Águas Livres, 2 a 8 e 10 a 14, Trav. da Fábrica dos Pentes, 2 a 6 e 3 a 9, Rua João Penha, 13 a 15 e 16 a 32 e Trav. da Fábrica das Sedas, 1 a 49 • (Antigo) Bairro Fabril das Amoreiras.

Pelo exposto, apelamos a V. Exa., senhor Vereador, para que atente neste projecto e evite o continuar de um entendimento erróneo do que deve ser a Reabilitação Urbana, e com isso se possa inverter uma política urbanística que consideramos não só retrógrada e atentatória ao património da cidade, que é de todos, como contrária ao espírito do Plano Director Municipal em vigor.

Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, José Pedro Tenreiro, Miguel de Sepúlveda Velloso, Júlio Amorim, Helena Espvall, Jorge Pinto, Inês Beleza Barreiros, Luís Serpa, Filipe Teixeira, Rui Pedro Martins, André Santos, Virgílio Marques, Alexandre Marques da Cruz, Henrique Chaves, José Maria Amador, Pedro Fonseca, Jorge Santos Silva, Miguel Jorge, João Oliveira Leonardo, Maria Maia, Beatriz Empis

03/02/2016

Pergunta da praxe:


Nesta coisa da candidatura de Lisboa às Paisagens Urbanas Históricas da UNESCO em que ficamos em termos de Aqueduto?

Uma vez que, pelos vistos, vai continuar a ser politicamente incorrecto e vão continuar a vencer as pressões contrárias à sua classificação autónoma, seria uma maneira airosa de o classificarem!

Foto: thelisbongiraffe.typepad.com

29/01/2016

CHAFARIZ DA COVA DA MOURA NA AVENIDA INFANTE SANTO



O Chafariz da Cova da Moura em 1950

O Chafariz da Cova da Moura na atualidade

Venho aqui apresentar a comunicação que proferi na reunião pública da Câmara Municipal de Lisboa de 27 de Janeiro de 2016 e que mereceu por parte do Sr. Vereador Manuel Salgado a promessa de que a recuperação do Chafariz da Cova da Moura e a sua possível integração no jardim previsto para o Geomonumento que o contém, iriam ser estudadas e tidas em consideração. Estas são , para já, boas notícias.

Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
Exmos. Srs. Vereadores
Minhas Senhoras e meus Senhores

Sou João Pinto Soares e aqui represento a Associação Lisboa Verde

Pretendo chamar a atenção de Vexas. Para o estado atual do Chafariz da Cova da Moura na Avenida Infante Santo e para a necessidade urgente da sua recuperação, bem como da salvaguarda do geomonumento que o contem, para usufruto dos Lisboetas.

O Chafariz da Cova da Moura, mandado fazer por aviso de 9 de Fevereiro de 1786, adossado ao Aqueduto das Águas Livres, que o alimentava, abastecia o quartel da Cova da Moura, existente na antiga Rua da Torre da Pólvora, tendo ambos (quartel e rua) sido demolidos em 1939 para dar lugar à abertura da Av. Infante Santo.

Encontra-se situado no afloramento calcário com sílex (Cenomaniano, com cerca de 97 milhões de anos) aceite como Geomonumento pela Câmara Municipal de Lisboa, em protocolo estabelecido com o Museu Nacional de História Natural, em 22 de Junho de 1998, como ocorrência geológica a preservar. Este afloramento é delimitado pela Calçada das Necessidades e Av. Infante Santo, Freguesia da Estrela.

O Aqueduto das Águas Livres está classificado Monumento Nacional por Decreto de 16 de Junho de 1910, publicado a 23 de Junho de 1910.

O Chafariz da Cova da Moura, sendo abastecido pelo Aqueduto das Águas Livres através duma galeria que o liga ao sistema principal, faz assim parte integrante do Aqueduto das Águas Livres pelo que se encontra classificado pelo Decreto n.º 5/2002, DR. 42, 1ª série – B de 19-02-2002, como Monumento Nacional (MN). Decreto que alargou a classificação do Aqueduto das Águas Livres aos seus aferentes e correlacionados.

Embora classificado Monumento Nacional, o Chafariz da Cova da Moura encontra-se há muito abandonado e entregue à degradação provocada pelos elementos naturais e pela incúria do homem, sendo inserto o seu futuro, já que existe um projeto urbanístico para o geomonumento que o contem e sua zona envolvente, tendo-se iniciado já as obras para a construção do parque de estacionamento subterrâneo para automóveis na Rua Embaixador Teixeira de Sampaio e Av. Infante Santo (Proc. 40/EDI/2011 – Alvará n.º 17/CE/3014), investimento conjunto da Empark e do Hospital CUF Infante Santo, da José de Melo Saúde .

Tais obras configuram a fase inicial de um processo que engloba também, por um lado, a construção de um elevador de ligação à Calçada das Necessidades, a construção de um jardim sobre o geomonumento, e por outro, a construção de habitações na parte da Calçada das Necessidades, nos. 8-8A e 10-10A, projetos em estudo na CML.

Porque quanto ao Chafariz da Cova da Moura, embora Monumento Nacional, nada é referido, a Associação Lisboa Verde vê com grande preocupação a resposta da Câmara Municipal de Lisboa ao requerimento do Gabinete dos Vereadores do PCP, de 11 de Março de 2015, referente à possível recuperação do Chafariz da Cova da Moura.

De facto, tal resposta, parece estar de acordo com os pareceres de diversas entidades que, tendo como obrigação a defesa do património nacional, em vez de propor a recuperação do Chafariz da Cova da Moura, preconizam a sua demolição, tendo como fundamento o estado de ruína.

Lembramos que no ano de 1878 também parte do Mosteiro dos Jerónimos esteve em ruinas e nem por isso foi demolido, antes recuperado. Assim, o chafariz da cova da Moura , embora tenha sofrido os efeitos desgastantes da passagem dos anos, sem qualquer intervenção, está em condições de poder ser recuperado, assim haja vontade para o fazer.

Não queremos acreditar que o desenvolvimento da urbanização agora em curso seja a causa da impossibilidade de recuperação do Chafariz da Cova da Moura.

Termino apelando a Vexas. Para que não permitam a demolição do Chafariz da Cova da Moura, antes procedam à sua rápida recuperação, impedindo a repetição dos atropelos verificados no local no tempo do Estado Novo , quando em Setembro de 1949 se procedeu à dinamitação dos arcos do Aqueduto para a passagem da Av. Infante Santo. Não queremos que o tempo volte para trás.

Juntamos fotografias do estado atual do Chafariz da Cova da Moura e do que ele era em 1950, quando da abertura da Av. Infante Santo.

Obrigado pela vossa atenção.

João Pinto Soares
Lisboa, 27 de Janeiro de 2016

23/09/2014

Para recordar e não repetir, nunca mais:


In Arquivo Municipal de Lisboa (Facebook):

«Esta imagem é uma fotografia de Judah Benoliel, de 1949 e que mostra o início dos trabalhos de demolição do troço do Aqueduto para a abertura da Avenida Infante Santo.»

18/06/2014

RESERVATÓRIO DA PATRIARCAL EM RISCO


«...Pensámos que o assunto tivesse então sido arquivado mas, há 2 semanas, fomos surpreendidos pela realização de SONDAGENS técnicas em 3 pontos diferentes em redor do jardim do Príncipe Real.

Depois de consultarmos a Direcção Geral do Património Cultural (instância que tutela o património classificado), ficámos estupefactos: trata-se da CONSTRUÇÃO futura de um parque de estacionamento subterrâneo! Ao qual a DGPC deu parecer negativo!!

E o projecto é ainda PIOR que o de 2001 – 4 caves, elevador à superfície, rampas de acesso, construção a 1 metro das galerias do Aqueduto das Águas Livres – o que acarretará efeitos colaterais irreversíveis e imprevisíveis.

Não menos importante será o problema de trazer ainda mais tráfego para a zona, já de si saturada. A promessa de alguns lugares de estacionamento para os moradores não deve iludir-nos, pois isso não resolverá o problema, tal como o parque da Praça Camões não o fez.

Uma melhor mobilidade não se consegue com a vinda de mais carros, mas com transportes públicos, de que aliás a zona já está bem servida: o metro no Rato e no Chiado, além dos autocarros e dos parques nas imediações, dão acesso fácil aos forasteiros. O regresso do eléctrico 24, sim, será sempre uma mais-valia em termos de mobilidade do século XXI.

Por isso, lançámos uma petição «Contra a Construção do Parque de Estacionamento Subterrâneo na Praça do Príncipe Real», disponível em http://amigosprincipereal.blogspot.pt.

Não nos iremos calar enquanto não arquivarem DEFINITIVAMENTE todo e qualquer projecto de estacionamento subterrâneo no Príncipe Real. Esteja atento a mais iniciativas neste âmbito, muito em breve. Obrigado....»

25/08/2011

Aqueduto em obras para que estalactites com quase um metro sejam removidas

In Diário de Notícias (25/8/2011)
Por Inês Banha

«Terceira fase de recuperação das arcarias incide sobre os seis dos 35 arcos do troço de Alcântara. São os únicos que faltam

São estalactites que têm, na sua maioria, entre 10 e20 centímetros, mas que chegam a atingir os 40, 50 e até 80 centímetros. O perigo é que, em caso de tremor de terra, as formações de gelo que pendem da parte interior dos arcos do Aqueduto das Águas livres, em Lisboa, caiam sobre quem passa por baixo deles. A eventualidade é suficiente para a Empresa Portuguesa das Águas Livres (EPAL) proceder à sua remoção, na terceira fase de um projecto mais alargado de recuperação da estrutura centenária que começou em 2005.

Quem passa no Vale de Alcântara, em Lisboa, já se habituou aos arcos imponentes que sobre eles se erguem. Mas no seu intradorso - ou seja, na face interior e côncava dos arcos - acumulam-se as estalactites resultantes de cerca de 250 anos de bolsas de água. A maior delas tem "cerca de 80 centímetros e é pontiaguda" explicou ao DN o director de comunicação e imagem da EPAL. José Manuel Zenha adiantou ainda que a maioria das formações de gelo tem entre 10 e 20 centímetros, embora algumas atinjam os 40 e 50 centímetros. Agora, vão ser removidas.

A intervenção - com um custo de cerca de 150 mil euros e uma duração de "um ou dois meses" - incide sobre os últimos seis dos 35 arcos que constituem o troço principal do aqueduto e é já a terceira fase de um projecto de recuperação da estrutura que contempla ainda trabalhos de consolidação de diversos blocos de pedra.

Tudo começou em 2005. Na altura, a EPAL procedeu, de acordo com José Manuel Zenha, a "um levantamento topográfico e fotográfico dos arcos", catalogando à volta de 75 mil pedras e detectando "sérias mazelas". Na sequência, foi iniciado um projecto de recuperação do Aqueduto que vai na sua terceira fase. Com intervenção mais recente, as obras "urgentes" ficam concluídas, tendo sido suspensos, por questões de contenção orçamental, outros projectos.

Exemplo disso é a recuperação que estava prevista do interior de uma conduta desactivada em 2009 e que visava fazer retomar o espaço à sua condição original.

"Neste momento, não há outros trabalhos marcados", concluiu o responsável de comunicação.»