19/04/2013

Corpo Santo assiste revoltado a abate


In Jornal de Notícias Online (17/4/2013)
Por Nuno Miguel Ropio

«Conseguiram impedir a construção de um parque de estacionamento no Largo do Corpo Santo, em Lisboa, mas esta quinta-feira acabaram por assistir impávidos ao que indica ser o começo do abate de árvores com dezenas de anos. O local irá ser intervencionado para acolher a nova Ribeira das Naus - um projeto que até prevê muito arvoredo para ali.

Segundo Rita Jorge, do Movimento Anti silo no Corpo Santo, nos projetos apresentados aos moradores e comerciantes da zona não se previa o arranque do arvoredo. Daí a estupefação. "Estamos muito apreensivos. Nunca nos transmitiram um abate de árvores que estão ali há dezenas de anos. Fomos apanhados de surpresa", admite a moradora da Rua do Arsenal, que questiona a qualidade do plano de reconversão daquela área no âmbito das obras de requalificação da Ribeira das Naus.

"Qual é o problema ou o receio que os arquitetos paisagistas têm para não incluírem nos seus projetos árvores que existam no local em causa? Querem alargar as faixas de rodagem, é isso; para termos mais trânsito ali? Só posso concluir que o pouco verde que há na cidade é para desaparecer", lamentou Rita Jorge, que ainda há poucos meses, com outros moradores, se regozijou quando o IGESPAR impediu que o município avançasse com um silo automóvel de cinco pisos no local.

O JN apurou que o arvoredo em causa já é posterior aos anos 70 [do século XX]. Até então, existia no local um pequeno estacionamento originado pela demolição das antigas 'Oficinas do Arsenal', 20 anos antes. No final do século XIX, existia um pequeno cais numa parte daqueles terrenos, ao lado do Ministério da Marinha.

"Já suspeitava que isto poderia acontecer porque começaram a vedar a zona. Subentendi que em causa pudesse estar o novo parque de estacionamento da Armada. Entretanto, como conheço a relativa falta de respeito pelos espaços verdes na cidade, escrevi à vereação (do Ambiente), apelando à conservação das árvores", explicou João Pinto Soares, da Associação Lisboa Verde, que esclareceu tratar-se de um conjunto de árvores 'tipuana' - da família dos jacarandás, mas que dão flores amareladas.

O JN apurou que a vereação do Ambiente não intervém no projeto, que é da responsabilidade da área do Urbanismo.»

4 comentários:

Carlos Medina Ribeiro disse...

Caríssimos,
Será quase um crime não aproveitarmos a campanha eleitoral para as próximas autárquicas para escarrapacharmos estes escândalos, atirando-os à cara dos responsáveis.
Há que ferir onde mais lhes dói: a possibilidade de os autarcas não serem reeleitos - a única (ou, pelo menos, a principal) obsessão deles.

Tudo o resto é como espremer borbulhas: dá gozo, mas não adianta nem atrasa para a saúde - neste caso, da Cidade.

Anónimo disse...

Pois, se o vereador Zé que fazia falta interviesse no caso, nada daquilo aconteceria. Estranhamente também não foi ao Crespo fazer queixinha do que se passa na CML (como sistematicamente fazia noutros tempos), local onde um vereador puxa para um lado, outro para o outro, o presidente conversa com o Seguro e a oposição inexiste.

Tirem-me daqui!

Alexandre Nunes disse...

Subscrevo. Esta gestão tem de ser responsabilizada pelo que fez mal e pelo que não fez. Nas próximas eleições há que escalpelizar o perfil de candidato. Olhar menos para o peso político e bem mais para a sua vivência e proximidade da cidade. Lisboa não precisa de pesos-pesados... mas desespera por Lisboetas de corpo e alma.

Anónimo disse...

Para a próxima eleição só um milagre nos pode salvar, todos os partidos estão cheios de incompetentes e ou corruptos e devem demasiados favores. Teria de aparecer alguém de fora que não fosse o nojo da Roseta e do Sá Fernandes, que ficaram caladinhos e coniventes com toda a porcaria asquerosa que tem sido feita em Lisboa. Como descobrir alguém que seja sério e competente que queira apanhar com uma autarquia totalmente destruida e cheia de gente infiltrada que não presta para nada?