29/04/2013

Jardim cerca da graça e destruição da horta do monte


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«Boa tarde,

há já um tempo que começaram as obras do "jardim da cerca da Graça" e só agora e que encontrei informaçao do projeto (estou a tentar ter uma reunião com a arquitecta)

http://visao.sapo.pt/que-graca-de-jardim=f725927

além de tirar o direito á privacidade dos moradores pela construcção duma esplanada, quiosque e parque infantil mesmo ao pé das vivendas da calçada do monte (o jardim tem 1,7ha!!) e do abate de mais árvores, o modelo de requalificação de hortas urbanas da CML prevê na horta popular do monte "a entrada de máquinas industriais que irão criar grande impacto no terreno, destruir toda a biodiversidade existente, a estrutura do solo, as árvores e os arbustos plantados pela comunidade nos últimos 6 anos"

http://www.peticaopublica.com/?pi=P2013N39744

não há forma nehuma de tentar para isto? vão destruir uma oportunidade de fazer um lindo jardim e de ter uma maravillosa horta popular... temos que ficar os moradores e cidadãos só com impotência e resignação? isto é simplesmente absurdo ... que vergonha...

Abraço

Bruno Peña»

15 comentários:

Anónimo disse...

Os dinamizadores da horta popular são certamente pessoas bem intencionadas, mas:

1) não são donos do terreno, pelo que a câmara pode (e vai destruir) o que lá está para melhorar;

2) o espaço está com um aspecto deplorável e pleno de lixo.

3) o espaço é demasiado nobre para ser usado como horta, pelo que sou completamente de acordo a mudar-se o espaço da mesma, e que esta seja gerida de forma mais profissional.

Maria Girão disse...

"o espaço é demasiado nobre para ser usado como horta"

Mas se o espaço fosse utilizado para edificar um mamarracho ou um novo projecto de um pseudo arquitecto, já deixava de ser, não é...

Agora a sério!
Já viu a quantidade de imóveis e zonas urbanas de aspecto desadequado e duvidoso que existe por aqui?
Desde marquisados até edificios que parecem saídos de bairros sociais!!! Acha que isto tem alguma coisa de Nobre???
Está a gozar!

E vai logo implicar com uma área verde que tem como objectivo o cultivo hortícola e subsistência dos moradores e que vai oferecer uma melhor qualidade de vida nas respectivas zonas urbanas!
Em todos os aspectos!

Sabe que nos centros históricos das mais diversas capitais europeias (essas sim zonas de aspecto nobre, que colocam zonas como estas num canto) existem espaços semelhantes, centenas de hortas urbanas compostas por associações de agricultores e jardineiros urbanos, que têm a mesma finalidade!

Enfim... não esperava outro tipo de comentário do típico Tuga Anónimo de Lisboa, o comum bravio, convencido que a paisagem urbana tem de ser constituída unicamente por prédios!
Ou então é um Arquitonto que tem um padrinho especulador ansioso por deitar a mão ao terreno!

Tenha vergonha!
Ou então eduque-se!
Falta-lhe Mundo!

Jorge disse...

Cara Maria Girão,

Assumes muitas coisas, e muitas delas erradamente. Eu não partilho da tua opinião, mas esse facto não te dá o direito de:

a) me chamar desavergonhado;
b) me chamar ignorante;
c) me chamar denso.

Este registo é um bocadinho histérico, e eu não te quero chamar histérica.

Agora vamos lá ponto por ponto:

1) Sou morador da Calçada do Monte (e tu, és?), e desaprovo a Horta Comunitária. Não porque seja horta, não porque seja comunitária, mas porque este espaço tem um biodiversidade composta de paletes, garrafões de plástico e barrotes de madeira.

2) O facto de desaprovar a presente condição (e atenta quando digo 'presente condição') não faz de mim um pato bravo. O artíficio de meter argumento na boca do adversário constitui uma desonestidade intelectual. Aliás! Eu vi o projecto prévio para a zona da Horta (e tu, viste?), e digo-te que devias ficar satisfeitíssima por a Câmara ter decidido ajardinar o espaço.

3) Quanto às marquises, duvido que dêem um bom espaço para criar quer uma horta, ou sequer um jardim. Porque estamos a falar de marquises? Serei eu incapaz de não gostar da Horta (no seu presente estado) e simultâneamente de marquises? Pensa nisso.

4) "Está a gozar?" Não Maria Girão, não estou.

5) "E vai logo implicar". Não Maria Girão, não vou logo implicar. Vou implicar com a Horta porque é disso que estamos a falar.

6) Sei que há hortas urbanas noutras capitais europeias. Mas duvido que seja na zona histórica. E tu Maria Girão, a quem não falta Mundo com letra grande, sabes dizer o nome dessas capitais, se fizeres a gentileza?

7)O "típico anónimo tuga" mora no nº30, 3º andar. E chama-se Jorge, e defende que o espaço da Horta (no presente estado) mais vale ser um espaço ajardinado. Importavas-te, Maria Girão, de parar de me chamar nomes?

8) Maria Girão, sem agravo, falta-te chá. Tenho pena que não cresça camomila na Horta, é óptimo para acalmar os nervos.

Cordialmente,
Jorge da Calçada do Monte

Rita disse...

Chapeau, Jorge! :-)

Anónimo disse...

Independentemente das hortas eda boa intenção de melhorar o espaço, o que devia ser averiguado era se a proposta em termos de custo beneficia o local e quanto vai custar manter no futuro. Do pouco que conheço, fazer ali relvados e matar as árvores existentes é mais prejudicial do que adequado, nessa zona já ocorreram alguns deslizamentos de terra. Fazer um "jardim" " estilizado" como o pfetendido pela CML não é quanto a mim o mais adequado ao local. Quem tiver tempo investigue o tema do hotel, que o sr. Dr. Vera Jardim há tantos anos namora e veja se este arranjo não terá algo que ver com esse tema. Vale a pena equacionat o tal restaurante pretendido. Esse gema é muito do agrado so sr. Vereador que apesar de ser do ambiente tem promovido ou deixado a maior matança xe árvores que há memória em Lisboa.

Bruno disse...

Acho que temos que começar a dar opiniões construtivas e deixar fora a ironia e os sarcasmos. Claramente temos muitas opiniões diferentes e acho que é muito difícil mudar de ideia. Pode ser produtivo partilhar mas sempre com limites...

Caro Jorge, se a horta para ti só é um lugar que: "tem uma biodiversidade composta de paletes, garrafões de plástico e barrotes de madeira" é claro que não podes ver o que a horta significa e simboliza além disso: participação aberta, alimentos ecológicos, workshops, interacção entre a vizinhança, trabalhar a terra, diversão e educação para as crianças, etc..Desculpa pela frase em espanhol pero para mim define a tua maneira de ver: “La realidad no depende tanto de los ojos que la miran como de la intención al enfocar”. Acho que vas entender
E em relação a tua resposta à Maria Girão: “Eu vi o projecto prévio para a zona da Horta (e tu, viste?), e digo-te que devias ficar satisfeitíssima por a Câmara ter decidido ajardinar o espaço” Se tão espectacular é o projecto, por que não tens partilhado os detalhes com os vizinhos? Issa é a tua ideia de vizinhança e solidariedade? Também tinhas visto o projecto do Jardim?

E o facto de se as hortas das outras capitais europeias estão no centro histórico ou não é totalmente irrelevante. Ou temos que fazer as coisas mesmo como são feitas noutras capitais???

Cumprimentos,

Bruno

raviolli_ninja disse...

Olá Bruno,

É irónico, mas sem sarcasmo, que me chames a atenção ao meu registo mais ácido, sem nunca apontares o dedo ao discurso pouco polido da Maria Girão.

Novamente por pontos:

1) "é claro que não podes ver o que a horta significa e simboliza além disso"
Posso ver e sei o que se faz lá, e dou valor. Repara que eu comecei por dizer que as pessoas envolvidas eram bem intencionadas. Mas em função disso não posso aceitar que a Horta seja o que é hoje em dia, em termos visuais. Uma coisa não justifica a outra. Se tivessem mantido a horta cuidada, sem barracões, sem cercas desnecessárias, sem colecção de entulho, estaria provavelmente do vosso lado.

2) "Desculpa pela frase em espanhol". Estás desculpado, a única coisa que não desculpo aos espanhóis é terem ganho a semi-final do Europeu passado.
Quanto ao conteúdo em si, acho que é uma versão não-histérica do que Maria Girão disse: que eu, por defeito de personalidade, não consigo ver o quão magnânime é o projecto da Horta. Ora, eu tenho alguma dificuldade em lidar com paternalismo quer seja ele de índole 'espuma-na-boa' ou na versão 'citação'.
Mas não seja por isso, se a minha opinião e o fundamento que lhe dá origem são fruto de uma suposta incapacidade, pois que seja. Há pedestais demasiado altos para um comum mortal conseguir subir.

3) "Se tão espectacular é o projecto, por que não tens partilhado os detalhes com os vizinhos?"
Bruno, desculpa-me agora a citação em português, mas "faz o que digo, não faças o que eu faço". Ainda há bocado eras contra o sarcasmo, e agora denoto algum no teu discurso?
Adiante. É o que dá ler de atravessado. O que eu quis dizer e tu não quiseste perceber foi que vi o projecto ANTERIOR ao que está agora em execução, e que consistia tão somente de um silo automóvel vertical, com CONSTRUÇÃO no topo. Uma aberração que mais parecia teleportada do atelier do Tomás Taveira nos anos 90. O projecto esteve exposto na Baixa há 6 anos atrás. Preferia a Horta a esse projecto inicial, da mesma maneira que prefiro o novo projecto à Horta.

4) "Issa é a tua ideia de vizinhança e solidariedade?"
A minha ideia de solidariedade entre vizinhos ficou ferida de morte quando tentei que os vizinhos parassem de meter os seus cães de cagar à minha porta. Ia arranjando uma sessão de pancada à conta disto, e como não gosto de bater em idosas e adolescentes, tive que me aguentar com os cocós no tapete.
A minha ideia de solidariedade entre vizinhos passa também por não encher uma zona de entulho, por muito boa que seja a intenção.

5) "Ou temos que fazer as coisas mesmo como são feitas noutras capitais???"
Exactamente! Mas esse é um argumento que vais ter de discutir com a Maria Girão.


Em jeito de remate final:

Eu não tenho nada no meu ADN que me dê estas intruções: Sê contra a Horta.

Não tenho nada contra uma Horta Comunitária, e até ponderei levar (logo no início) o meu filho às vossas actividades. No entanto o projecto rapidamente descambou para poluição visual que não consigo tolerar - o que é capaz de ser defeito profissional meu - . A Horta podia existir sem ter descambado para o que é. Talvez pudesse ter-vos chamado a atenção para isso, mas desconfio agora que me teriam mandado ir ter mais Mundo.

Eu gosto muito de hortas. E com alguma probabilidade até percebo mais de horticultura que a maioria das pessoas envolvidas na Horta. E com mais probabilidade ainda já apanhei mais azeitonas, já cavei mais feijão, já reguei mais batatas e carreguei mais tomate do que alguma vez foram produzidos neste espaço, ou pela totalidade dos seus membros.

Tenho mais algumas coisas para acrescentar, mas tu provavelmente já sabes quem eu sou (eu não sei quem tu és), pelo que te convido a interpelares-me quando me encontrares na rua, para uma conversa sincera e sem merdas.

Abraço,
Jorge

Anónimo disse...

Sr. Paulo Ferrero:
O aqui de cima até pode dizer a palavra m....
Mas o meu argumento, opinião e resposta, ao sr Jorge, que coloquei à dois dias e que não continha nenhum palavrão, foi logo censurado, não é?

Amostra de homem!

Jorge disse...

Olá Maria Girão,

Se me queres dirigir algum tipo de comentário, estás à vontade para o fazer em pessoa, visto que já me identifiquei. Não temas que sou uma pessoa civilizada.

O "o aqui de cima", Jorge

Anónimo disse...

A chamada horta comunitária, não e mais do que uma ocupação indevida de um espaço que em vez de ser inclusivo está reservado para um pequeno grupo de indivíduos que nem sequer são do bairro e que agora se opõe a que o espaço seja devolvido aos moradores.
O nível de degradação a que o espaço chegou é actualmente uma das causas de algumas situações a que temos assistido recentemente... Talvez lembrar que os carros que foram incendiados estavam exactamente em frente da horta "comunitária".

Planeta Alfama disse...

Talvez fosse interessante consultar o projecto antes de se falar dele.
A CML reserva 90 m² !!! para a horta comunitária, reabilitando o espaço para os moradores do bairro que actualmente esta uma vergonha!

Bruno M disse...

Morei na Calçada Agostinho de Carvalho e continuo a ter os meus pais a viver ai, por isso todos os meses passo pela calçada do monte, as hortas em termos estéticos são horríveis, cheio de lixo. o que a CML vai fazer me parece ser muito melhor do que lá existe, por isso apoio o que vão lá fazer, e pelos vistos vão na mesma disponibilizar espaço para horta. Sou contra o corte indiscriminado de árvores, que podiam claramente ser inseridas no jardim, tivessem os responsáveis do projecto tempo, paciência e inteligência para fazer essa compatibilização.

josé carlos soares .˙. disse...

Nasci na Graça e sempre aqui vivi pelo que, acho, a minha opinião deverá ser levada em conta. Poucos dos 'horticultores' da 'horta popular' eram do bairro da Graça, mas isso até dou de barato, o que eu gostava era ter sido ouvido sobre se queria, gostava ou apoiava a existência daquela 'horta'. Depois li num dos comentários que "além de tirar o direito á privacidade dos moradores pela construcção duma esplanada, quiosque e parque infantil mesmo ao pé das vivendas da calçada do monte"... Não conheço nenhuma vivenda na Calçada do Monte e quem ler esta afirmação, sem conhecer o local, deverá ficar a pensar que estamos perante um monte de perigosos e tenebrosos burgueses que não querem uma horta popular por perto... se forem perguntar à população da Graça, mas aos que efectivamente cá moram, mais de 90% dirá que antes quer um jardim ou um parque infantil naquele lugar em vez que uma 'horta popular' feia e que servia para criação de ratos...concordo que cada um tem o direito de viver de acordo com as suas convicções desde que isso não colida com quem por cá vive. Por certo nos bairros onde a maioria dos horticultores vivem existem espaços que poderão ser utilizados para uma horta, ou então, em alternativa, o que nã falta é terreno baldio nas imediações de Lisboa...façam hortas por aí.

Anónimo disse...

Caro José Carlos Soares,

a esplanada, quiosque e parque infantil vão ser construidos no Jardim da Cerca da Graça e não nos terrenos da antiga "horta do Monte".

Os moradores nos números pares da Calçada do Monte têm janelas e terraços também do lado do futuro Jardim (além do lado mesmo da Calçada do Monte) e a esplanada, quiosque e parque infantil vão ficar mesmo ao pé das janelas e dos terraços...

Anónimo disse...

Finalmente, a horta foi devolvida aos cães dos moradores da Graça.

Já ninguem pode para lá ir, as crianças já não podem brincar na terra e ficar a conhecer no local como é a flor da abobora, quais as ervas daninhas, como se arranca uma alface.
Mais uma manifestação da tacanhice desta cidade que se diz "cosmopolita"