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28/04/2009

"Postam"....ou pescam ?

2 comentários:

José Santiago disse...

Olá a todos e em especial ao Paulo Ferrero, que tive o gosto de conhecer muito recentemente.

Resolvi intervir neste blog por ter tido conhecimento que a Câmara Municipal de Lisboa na sua reunião privada do último dia 22, aprovou por unanimidade o projecto de requalificação do páteo B com a respectiva ligação ao Largo do Carmo da autoria do Arquitecto Siza Vieira.

Ora eu feliz ou infelizmente tive acesso ao dito projecto e fiquei de cabelos em pé quanto à falta de qualidade do mesmo no que se refere à sua integração na frente e alçado Sul do Convento do Carmo, mandado construir pelo D. Nuno Álvares Pereira, recentemente canonizado, se bem se lembram, e que merecia melhor presente nesta data.

Tive igualmente acesso a uma carta endereçada ao Senhor Presidente da Câmara António Costa por parte do Presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses, Dr. José Arnaud, cuja Associação ocupa as instalações do Convento do Carmo e que tem sido a única guardian do templo desta peça tão rica do nosso Património, a qual merecia melhor sorte. A referida carta mencionava o desagrado desta Associação quanto à qualidade do referido projecto, mas ninguém lhes deu ouvidos e ainda por cima foram quase que enxovalhados pela equipe de projectistas, como se os Arqueólogos fossem um empecilho ao desenvolvimento e à mudança.

De facto quando não se sabe o que é cultura e património e não se sabe intervir no espaço público, seria melhor não mexerem e deixarem estar como estava pois tinha mais dignidade e não envergonhava nada nem ninguém. Saliento apenas que o anterior projecto da autoria da Arquitecta Margarida Penedo e coordenado pelo Arquitecto Miguel Marques dos Santos, então chefe de Divisão da Câmara Municipal na ex-Direcção Municipal de Intervenção Local (DMIL), teve na altura o parecer do Arquitecto Siza que o elogiou. Pena não serem respeitados os direitos de autores, mesmo que o projecto tenha sido efectuado no âmbito da Câmara. A deontologia não existe neste Portugal dos pequeninos.

Este projecto agora aprovado vai deixar marca pela negativa e para o Arquitecto Siza não será certamente muito dignificante. Há que não esquecer que se está a intervir num Monumento Gótico que resistiu ao terramoto de Lisboa de 1755.

Mas vamos ao que interessa para que as pessoas que nos lêem possam perceber o que está em causa, pois quando se descreve um projecto sem ver o mesmo é sempre difícil a sua interpretação e visualização.

Apenas estou colocando em causa a intervenção no lado da porta Sul, travessa D. Pedro de Menezes, e na frente do portal principal da Igreja do Convento no Largo do Carmo, pois é aí que o impacte negativo deste projecto irá ter relevância.

No que toca à Travessa D. Pedro de Menezes, do lado da porta e alçado Sul deste Monumento, a largura desta via é de cerca 5.00 metros sem descontar os contrafortes da Igreja. Aqui o projectista pretende dividir esta via ao meio através de duas rampas, que partindo de uma mesma cota a nascente, lado do elevador de Santa Justa, irão subir uma, a mais próxima da fachada Sul da Igreja, para uma determinada cota, com o intuito de deixar os visitantes na cota da entrada actual do portal principal, e a outra, a do lado da fachada da antiga escola Veiga Beirão para uma cota aproximadamente à cota do arruamento existente, ou seja cerca de 1 metro mais acima.

No respeitante à entrada principal do Convento, irá ser aberta uma caixa rectangular, ligeiramente maior que a existente agora e que deu origem às actuais escadas de acesso, e que recebe a primeira das rampas descristas acima. Só que agora em vez das actuais escadas a toda a volta, esta nova caixa ficará com um varandim em torno deste rectângulo, como se de um gradeamento se tratasse, apenas com um acesso por uma escada de 3 metros no eixo do portal principal. Passe a expressão mais parece o acesso à cave de uma casa de porteira, com o devido respeito a estas.

Julgamos, digo eu, que as ruínas do Convento do Carmo merecem melhor destino que se tornarem a serventia das vontades do Senhor Arquitecto Siza.

Porque será que estamos condenados a baixar a cabeça a estes Senhores, como se não cometessem erros como os comuns dos mortais e sejam endeusados por toda a classe política.

Reconheço ao Arquitecto Siza um excelente traço de arquitecto e justamente reconhecido por muitos em todo o Mundo, mas infelizmente no que toca a intervenções de desenho urbano e espaços públicos têm deixado marcas bem negativas que vão perdurar muito tempo.

Lisboa, Abril de 2009

José Santiago

Lesma Morta disse...

O interessante é que estavam todos menos ao que julgo o PS, contra o projecto e combinados nesse sentido votar contra o mesmo, até que eis se não quando, aparece na reunião de Camara o arq. Siza Vieira e o mesmo foi aprovado por unanimidade. Devida vénia senhor arquitecto.
Quanto ao projecto a unica coisa que me tranquila é que é fácilmente removivel.