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04/03/2019

Arquivamento de procedimento de classificação do edif. da esfera armilar (Av. Republica) - Protesto à DGPC


Exma. Senhora Directora-Geral
Arq. Paula Silva


CC.PCML, MC e media

Tendo tido conhecimento do despacho de arquivamento dessa Direcção-Geral do procedimento de classificação do edifício sito na Avenida da República, nº 55-B/Avenida Elias Garcia, nº 67, mais conhecido por "edifício da esfera-armilar", edifício com projecto de 1929 e da autoria do arq. Manuel Norte Júnior, cujo requerimento de abertura, subscrito pela conceituada historiadora de Arte, senhora professora Raquel Henriques da Silva, dera entrada nesses Serviços em Maio de 2017;

Considerando que o edifício em causa, ainda que abandonado à sua sorte, continua a assumir particular relevância, não só pelo que representou na obra daquele insigne arquitecto, como a nível da nossa História da Arquitectura e da Arte;
E considerando que a Direcção-Geral do Património Cultural arquivou o referido procedimento, depois ter estado iminente a indicação para "Despacho de Abertura" (o que garantiria a preservação futura do edifício), que só não foi avante porque o procedimento havia de ser suspenso por indicação da SPAA do Conselho Nacional de Cultura, a fim de se recolher o parecer dos serviços da CML, o que, tudo leva a crer, permitiu a aprovação por esta de um Pedido de Informação Prévia com projecto de alterações (bastante intrusivas) para o edifício em apreço, implicando a sua completa descaracterização.

Vimos pelo presente apresentar a presente reclamação.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Fernando Jorge, Miguel de Sepúlveda Velloso, Pedro de Sousa, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Helena Espvall, Paulo Lopes, Pedro Henrique Aparício, Rui Pedro Martins, Pedro Malheiros Fonseca, Pedro Janarra, Jorge Santos Silva, João Oliveira Leonardo, António Araújo, Beatriz Empis, Bárbara e Filipe Lopes, Maria João Pinto, Alexandre Braga da Cruz, Fátima Castanheira, Irene Santos

09/02/2017

Plano de Urbanização de Alcântara - Edifício principal da antiga fábrica Sidul (Alcântara) - pedido de esclarecimentos à CML


Exmo. Senhor Vereador
Arquitecto Manuel Salgado

C.C. PCML, AML, DGPC e media

No seguimento de notícias vindas a público alusiva à entrada para apreciação na CML de um projecto de urbanização da autoria do arq. Frederico Valsassina para os terrenos das antigas instalações fabris da Sidul, em Alcântara, e considerando o manifesto interesse patrimonial do edifício sito na Avenida da Índia, nº 30, praticamente o único edifício ainda existente do resto do completo industrial demolido há cerca de 15 anos, edifício, aliás, que foi considerado inicialmente como sendo um imóvel a manter no master plan (http://www.suakay.com/projecto.php?pid=230&sid=41&ssid=112) então concebido por Sua Kay para o mesmo local;

Constatamos que o edifício em causa, para além de não ser objecto de nenhuma cláusula de salvaguarda em Inventário Municipal, encontra-se num lote sob as directrizes do Plano de Urbanização de Alcântara onde apenas constam planos de construção nova.

Desta forma, solicitamos a V. Exa. que nos informe quais as intenções de facto da CML para este edifício, ou seja, se aprovou ou não a demolição integral deste notável edifício de arquitectura industrial, repetindo a má prática de há 15 anos. A nosso ver, a salvaguarda do edifício é perfeitamente compatível com a ideia de construção nova nos terrenos adjacentes tendo em consideração a ampla área do lote, que resultou das demolições já referidas. Seria lamentável que continuasse a destruir o já raro património industrial da cidade.

Assim, solicitamos que se façam os maiores esforços de V. Exa. e da CML no sentido da preservação do imóvel em causa.

Com os melhores cumprimentos


Filipe Teixeira, Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel Atanázio Carvalho, Miguel Lopes Oliveira, Inês Beleza Barreiros, Miguel de Sepúlveda Velloso, João Oliveira Leonardo, Fátima Castanheira, Júlio Amorim, Fernando Jorge, Beatriz Empis, Fernando Silva Grade

21/12/2010

Polémico edifício do Largo do Rato vai novamente a votação

In Diário de Notícias (21/12/2010)
por INÊS BANHA

«O projecto do polémico edifício para o Largo do Rato, em Lisboa, vai a votação amanhã, pela terceira vez, na reunião da Câmara Municipal de Lisboa (CML). A aprovação poderá levar o promotor imobiliário da obra a desistir da acção judicial que interpusera após a autarquia ter chumbado o pedido de licenciamento do imóvel.

O edifício é da autoria dos arquitectos Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus e tem provocado muita polémica, desde que foi aprovado, em 2005, pela CML. Na altura, o projecto foi aprovado sem ser discutido em reunião de câmara, já que a então vereadora do Urbanismo, Eduarda Napoleão, tinha uma prerrogativa que o permitia.

No entanto, a 30 de Julho de 2008, o pedido de licenciamento da obra, localizado no gaveto formado pela Rua do Salitre, a Rua de Alexandre Herculano e o Largo do Rato, foi chumbado pela CML, com onze votos contra e seis a favor. Na base da decisão terá estado o impacto visual do imóvel, bem como a exigência de um plano de pormenor para a zona em questão.

O chumbo voltou a acontecer em Novembro do mesmo ano, levando a promotora imobiliária do projecto, a Aldiniz, a interpor uma acção judicial contra os onze vereadores que votaram contra, exigindo uma indemnização de aproximadamente 18 milhões de euros. Em causa estariam direitos adquiridos que não poderiam ser revogados.

Agora, com o regresso do processo à estaca zero, o requerente da acção judicial admite desistir da mesma em tribunal, caso a proposta seja aprovada pelo executivo camarário. Esta terceira votação deve-se ao facto de, nas vezes anteriores, a decisão tomada em reunião de câmara não ter sido comunicada ao requerente do processo, sendo, por isso, anulada.

O projecto que amanhã vai ser votado contempla algumas modificações relativamente à proposta anterior, nomeadamente a redução do número de caves e de lugares de estacionamento previstos e da cércea do edifício em cerca de meio metro. Também as fachadas foram redesenhadas, embora mantenham os materiais inicialmente propostos (lioz e vidro).

Foram igualmente alteradas as cotas de pisos e pés-direitos e apresentadas novas soluções relativas à promoção da acessibilidade e outras relacionadas com as tipologias e número de fogos.»

...

Ei-lo, ao Mono do Rato em todo o seu esplendor, espelho de uma cidade em autofagia permanente, mas que apesar disso continua deprimente. A ver vamos o que este caso ainda irá dar. A mim, pessoalmente, tudo isto me mete nojo.

06/11/2007

O Rato pariu uma montanha

In Expresso (3/11/2007)

«O edifício, já aprovado pela Câmara, vai mudar a paisagem desta zona histórica. Uma polémica à vista



O Largo ficará assim? O imóvel, da autoria de Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus, alinha com o prédio de Ventura Terra - fotomontagem Expresso, respeitando as dimensões do projecto

É uma questão de tempo: a referência mais conhecida do Largo do Rato deixará de ser a sede do PS (o palácio Praia). Para quem chegar a esta praça lisboeta procedente, sobretudo, das vias a Sul e a Poente, ficará esmagado com a imponência de um edifício para habitação, dos arquitectos Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus.

Para as obras na esquina das ruas Alexandre Herculano e do Salitre falta apenas a aprovação da licença de construção, em sessão de Câmara Municipal de Lisboa (CML). No entanto, tal não acontecerá nas próximas semanas, pois o processo está nas mãos do Ministério Público, no âmbito da sindicância aos serviços de Urbanismo, que deverá estar concluída no final do mês. Só após a devolução à CML o processo seguirá a tramitação.

O projecto de arquitectura foi aprovado em Julho de 2005, pela vereadora Eduarda Napoleão, quando a autarquia era presidida por Santana Lopes. Recentemente, foi dada luz verde aos projectos de especialidade. A avaliar pelas primeiras impressões recolhidas, o edifício é capaz de suscitar acesas discussões, entre defensores do enquadramento histórico e adeptos de soluções arquitectónicas de ruptura.


Vista do largo. O prédio rosa (ao fundo, à direita) e lote contíguo irão abaixo

Mas desde o início há polémicas e questões menos esclarecidas. A começar pelo lote onde será implantado o edifício. Olhando para o Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Envolvente (PUALZE), este estende os limites até ao Rato, com excepção do gaveto, assim a salvo da regulação. Segundo o arquitecto Manuel Fernandes de Sá, responsável pelo Plano, aquele lote “sempre esteve fora”. Manuel Salgado, o vereador do Urbanismo, recorda que os limites foram definidos em 1993. Foi uma “opção” excluir o espaço, para poder criar uma “unidade e coerência” no Rato, diz.

No entanto, num parecer, o Núcleo de Estudos de Património, da CML, diz ter existido uma proposta do PUALZE para a área em questão - “solução bastante coerente que poderia ser adaptada de forma a encontrar um modelo de ocupação do espaço que fizesse a charneira entre as diferentes malhas urbanas”.

O serviço chegou mesmo a reprovar o projecto da dupla Valsassina-Aires Mateus, alegando “total ruptura morfológica com a malha e edifícios envolventes”. O parecer criticava ainda a “volumetria excessiva”, porque anulava “a leitura do chafariz e do edifício da Fábrica das Sedas”. Após algumas alterações feitas ao projecto, a autarquia e o IPPAR (actual Igespar, Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico) viriam a dar opinião favorável à construção.


Antevisão do prédio, criada pelo ateliê de Valsassina

“Sei que não é um projecto fácil. Vai levar algum tempo até a cidade o assimilar. É novo, as pessoas assustam-se, mas é mesmo assim. Não fazemos réplicas”, esclarece Manuel Aires Mateus, refutando as críticas de incoerência com a envolvente.

O arquitecto explica como o edifício, na transição de zonas de escalas diferentes - os prédios mais altos da Rua Alexandre Herculano e o ‘casario’ e os palácios do Rato -, vai buscar o alinhamento ao vizinho Edifício Ventura Terra (Prémio Valmor 1903). A ligação à zona completa-se com a sobreposição na fachada de placas de lioz, novo e antigo, a mesma pedra do Chafariz do Rato e da Procuradoria, na rua defronte. Para manter a visibilidade dos dois monumentos oitocentistas, o edifício surge parcialmente recortado na entrada.

O novo prédio obrigará à demolição de alguns imóveis, nomeadamente a centenária Associação Escolar de São Mamede. Já a Sinagoga de Lisboa ficará quase tapada. Esther Mucznik, vice-presidente da comunidade judaica, evoca o cenário um dia discutido quando Jorge Sampaio presidia à Câmara: rasgar um jardim em direcção ao Rato, de modo a abrir a Sinagoga à cidade. Um sonho que passou “Agora estamos encurralados. Mais ficaremos”.

Paulo Paixão e Raquel Moleiro

OLHARES

“É uma provocação, tal como a Casa da Música, no Porto. Terá detractores e entusiastas, pois não é um edifício anódino. Destaca-se de toda a envolvente. Como arquitecto, agrada-me”
MANUEL SALGADO, vereador de Urbanismo da CML

“Fica a pairar sobre a Procuradoria e tapa o Chafariz do Rato. Houve uma perversão e não se justificava que saísse do Plano da Av. da Liberdade. Assim, os prédios ao lado perdem a lógica e a estrutura. Ficam atarracados”
MARGARIDA SAAVEDRA, arquitecta, vereadora do PSD

“À partida, não gosto de um gigante modernaço naquele sítio. O Chafariz do Rato, do século XVIII, parece ficar votado à condição de comparsa de terceira ordem”
APPIO SOTTOMAYOR, olisipógrafo


NÚMEROS

7 pisos acima do solo e cinco de estacionamento. A altura das fachadas varia entre os 19 e os 22 metros

10.000 metros quadrados ocupados pelo edifício de habitação, em gaveto, entre a Rua Alexandre Herculano, Largo do Rato e Rua do Salitre. É composto por seis pisos de apartamentos de pequena tipologia, maioritariamente T0 e T2



Mais passeio na Avenida

O Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Envolvente (PUALZE) esperou 16 anos até à aprovação, em Março de 2006, mas ainda não está para breve o início dos trabalhos de reabilitação da principal artéria da capital. Em apreciação na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional, o plano será depois submetido a discussão pública, antes do ‘ok‘ final da autarquia. Coordenado pelo arquitecto portuense Manuel Fernandes de Sá, abrange uma área de cerca de cem hectares, estendendo-se desde os Restauradores até aos limites do Largo do Rato e da Colina de S. José. De fora fica o Parque Mayer, para o qual será elaborado um plano de pormenor específico. O investimento no PUALZE atinge os €57 milhões.

O Plano prevê o fim do estacionamento à superfície na Avenida da Liberdade e, como compensação pela perda de 750 lugares, a construção de três parques subterrâneos. O trânsito nas laterais acaba, os passeios serão alargados até aos 7 ou 8 metros, haverá espaços específicos para cargas e descargas em cada quarteirão, as Ruas de Santa Marta e S. José serão redesenhadas e os elevadores do Lavra e da Glória, e respectivas encostas, serão unidos. A zona pedonal das Portas de Santo Antão - onde se situa o Coliseu - será ampliada, o piso restaurado e recuperadas algumas fachadas. Em toda a área do PUALZE será reformulado o mobiliário urbano


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Comentário:


Não se trata de uma «provocação», mas de uma enormidade, Sr.Vereador Salgado. Rebenta com a escala do Largo (pseudo-largo, diga-se) e é apenas o princípio de mais aberrações na forja para aquela zona. «Unidade e coerência no Rato»? Tal como na Doca do Bom Sucesso, imagino.

Em breve, reacções.