15/07/2011

Made in Finland. Porquê ?



Parque Infantil do Parque Eduardo VII. Equipamentos "Made in Finland". Porque razão quando existem empresas portuguesas que produzem equipamentos idênticos ? Ou, uma pequena justificação para a crise.

Bastava recorrer à FABRIGIMNO, ou, à SOINCA, ou, à CARMO, para que o beneficio ficasse em Portugal.

19 comentários:

lmm disse...

Se a aquisição dos equipamentos foi superior a 206 mil euros (podem ter sido adquiridos para vários parques), é obrigatório um concurso público internacional. E aí não é possível beneficiar empresas pelo critériuo geográfico

Anónimo disse...
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Anónimo disse...

Caro Carlos Leite de Sousa,

O seu comentário participa numa ideia simplista e perigosa, a que temos assistido ultimamente, que propõe passarmos todos a comprar apenas produtos portugueses.
Este tipo de afirmações é falaciosa e pode ter consequências graves.
Sem querer entrar em grandes discussões, até porque me parecem demasiado óbvios e inúmeros, os absurdos associados a esta ideia, queria só deixar-lhe os seguintes pensamentos: nada é 100% português. Pense que o mais certo é que as empresas que aponta importem grande parte da matéria-prima que utilizam ou que os seus lucros vão diretamente para corpos de acionistas localizados noutros países. Pense ainda que a energia de uma fábrica, ou escritório, os automóveis, os fatos e gravatas, os IPhones, Nokias e afins, que os seus diretores utilizam na sua atividade, mais o café que bebem os seus empregados, o Microsoft Windows que correm nos computadores, os próprios computadores ou a maquinaria que utilizam, etc., etc., etc., tudo isto, necessário à atividade de um negócio, e que até nem precisa de ter uma estrutura complexa, é na sua maioria importado. Pense ainda em todos os portugueses que ao longos das últimas décadas procuraram emprego no estrangeiro e os (milhões) que se encontram hoje espalhados por várias empresas não-portuguesas no mundo. Pense também que isto de comprar só produtos portugueses é muito bonito, mas o bom mesmo era que só nós é que nos voltássemos para dentro, não era? Mas os outros povos não são estúpidos, ou serão? Se todos pensassem como nós, não só as nossas exportações não existiriam, como também não importaríamos nada. O vinho do Porto acabava no rio, a cortiça apodrecia nos sobreiros, o turismo, o azeite, os sapatos, etc., etc., etc.
O problema económico de Portugal não se resolve com este tipo de avaliações simplistas e erradas, que ignoram a história e relação entre as sociedades, ou o momento específico em que nos encontramos, nem é daqui que o seu problema emana.

O que é necessário é desenvolver o espírito crítico, o civismo e apostar na educação das próximas gerações. É preciso que se estabeleça um ambiente de contenção e inteligência nas decisões do dia a dia e na leitura dos mercados globais. Inteligência também para se estabelecerem prioridades, para entender o futuro provável do planeta e os próximos grandes desafios, para apostarmos no desenvolvimento dos pontos mais sensíveis da estrutura económica, como o da energia e o da alimentação, mas sobretudo para aprendermos, nós todos, que consumirmos mais do que precisamos, e além da nossa riqueza, traz graves consequências.

O espírito crítico é ainda fundamental para matar à nascença utopias, como esta dos produtos portugueses, que proliferam como ervas daninhas em tempos emocionalmente propícios a demagogias.

Para terminar, atente na frase que encontrei no site da Fabrigimno:
"A Fabrigimno é representante em Portugal de 2 conceituados fabricantes Europeus de Equipamento para parques infantis: Bikini Bermuda e Durlang."

Abraços

Carlos Leite de Sousa disse...

Caro Mário Miguel

Discordo em absoluto consigo, mas como seria inviável debater tão ampla questão neste meio, apenas me foco no caso concreto. E o caso concreto é que vários milhares de euros foram transferidos para a Finlandia (com ou sem intermediários) quando poderiam manter-se em Portugal. Quanto á Fabrigimno, a mesma produz internamente equipamentos para parques infantis.

Anónimo disse...

the trucks that went to finland to get the playground did not go empty. they took portuguese goods.

sometimes is the opposite. the finnish trucks that come here and bring the lappset playgrounds do not go back empty either. they take back portuguese produce.

so take a break and think about it. or better yet, ask a truck driver form Luis Simoes if they travel with empty trucks....

lmm disse...

Os argumentos do Mário Miguel não fazem qualquer tipo de sentido. Explorando a ideia, con concluímos que o melhor seria não haver empresas portuguesas, já que é apenas uma maneira de concluir produtos importados. E outra questão relativamente ao facto de não valer a pena apelar à compra daquilo que é português porque "os outros são estúpidos e podem fazer o mesmo"...devo dispensar-me de procurar a excelência porque como os outros também não são estúpidos não vale a pena dar-me ao trabalho de procurar ser melhor?

Anónimo disse...

Mas Carlos, embora seja mais complexo do que o Carlos diz, quando ao dinheiro atribuído a uma empresa portuguesa vir a representar um benefício direto para Portugal, pois esses milhões participariam numa rede de trocas mundial com inúmeras ramificações e a única diferença seria que o dinheiro começava aqui, embora logo imperativamente saísse do país, o ponto principal é a consequência para as empresas portuguesas, logo para a economia portuguesa, de atos protecionistas como aquele que defende.
Em Itália pode estar por exemplo neste momento uma Câmara Municipal a equacionar comprar produtos à CARMO, e ainda bem.

Sobre a CARMO já agora, uma pequena pesquisa na internet permite saber:

"a Carmo SA, que foi fundada em 1955, com o nome de Anglo-Portuguesa de Produtos Químicos e que iniciou a sua actividade na preservação de
madeiras em 1980, sendo actualmente constituída por sete empresas, com 3 unidades de produção em Portugal, e
possuindo ainda duas empresas em Espanha (Carmo Ibérica e Retratar) e uma em França (Carmo France). A
Carmo exporta os seus produtos para vários mercados, nomeadamente para Itália, Grécia, Marrocos, Alemanha, Bélgica, Inglaterra e Tunísia".
http://www.ipv.pt/millenium/Millenium36/8.pdf

Dê uma vista de olhos no mapa da presença da CARMO no mundo e nos parceiros que a empresa tem, aos quais ela se refere desta forma: "As grandes empresas constroem-se com ajudas em forma de parcerias. Estas são a vários níveis - comerciais; produtivas; técnicas; serviços.
Apresentam-se algumas mais marcantes da área comercial e que existem há longos anos."

http://www.carmo.com/ (escolha nos menus: "presença no mundo" e "parceiros").

Não há um Português.

Acha que a CARMO defende o que o Carlos defende? Se perguntasse a um diretor da CARMO se ele seria a favor da ideia "comprar só em Português", das duas uma: ou ele era uma pessoa inteligente e ria-se de si, ou era sacana e mentiria assim: "Claro! Se os portugueses comprarem só a empresas portuguesas, logo mais nós (e os nossos parceiros) ganhamos e mais dinheiro para Portugal!", mas teria muito dificuldade em evitar dizer-lhe: "Mas não vá você propor essa ideia aos italianos, gregos, marroquinos, etc., porque se eles só escolherem as suas empresas nacionais para as suas necessidades, etc., é a ruína do meu negócio"

Isto de ser empresa "Portuguesa", no primeiro decénio do século XXI, tem muito que se lhe diga, não se deixe enganar.

E nem poderiam essas empresas senão abraçar outros mercados. Acha o Carlos que os nossos 10-11 milhões de habitantes são suficientes para alimentar um mercado variado como aquele em que vivemos?

Ou vamos agora começar a criticar os descobridores portugueses e as trocas mundiais (globalizadas) que inauguraram?

O problema Carlos está na nossa ganância, nas escolhas erradas, na corrupção, mordomias e compadrios, na falta de organização, etc. Não está nos outros.

No que respeita à Fabrigimno e aos parques infantis, infelizmente, a Fabrigimon é mesmo apenas um representante de marcas estrangeiras, não produz. Como não acreditou na citação que retirei do site deles, veja por si: http://www.fg.com.pt/main.php?id=4)

Mas isto é de somenos. E tem razão. A conversa dá panos para mangas, mas se é assim tão complexa, ela deve ser apresentada com precaução e portanto nunca num tom simplista.

Carlos Leite de Sousa disse...

Agradeço o detalhe, mas continuo a discordar. Estaria parcialmente de acordo consigo se eu estivesse a falar de um automóvel ou de um telemóvel. Sabe porque as empresas de construção portuguesas "desistiram" de Espanha ? O facto de não importarmos o que produzimos não melindra minimamente os "tais" países de quem precisamos para exportar. Mantenho o que disse em relação ao caso concreto.

Anónimo disse...

NEste caso como há oferta suficiente portuguesa pordia ter aberto concurso público só nacional

Daniel disse...

Os equipamentos devem ser comprados a quem oferecer melhor qualidade/custo. Se a Finlândia o faz com um melhor preço compre-se à Finlândia.

Isto faz com que os produtores nacionais tornem-se mais competitivos e pensem também em exportar.

É o mercado (comunitário).

Xico205 disse...

As empresas portuguesas de construção "desistiram" de Espanha porque lá tambem há crise da construção. As empresas portuguesas viraram-se para África e Médio Oriente que no presente e futuro próximo é o que vai dar.

Tanta conversa da treta para ver uma coisa tão simples.

Tambem concrodo que se deve dar preferência a produtos portugueses mesmo que tenham materiais estrangeiros. São esses produtos made in Portugalk que garantem postos de trabalho em Portugal com todas as vantagens directas e indirectas que daí advêm.

Julio Amorim disse...

Caros amigos....em parte têm os dois razão. O proteccionismo é uma ideia louca e, os argentinos, que nos contem onde foram parar com essa história. Com 38 anos de exílio, raramente comprei uma garrafinha de tinto que não fosse portuguesa (branco é outra conversa). Obviamente que facilmente encontro vinhos tão bons, ou melhores que os nossos mas, comprando os portugueses, deixo um pequeno contributo para a economia e a paisagem da minha terra, além de, estar a comprar um produto de excelente qualidade que me satisfaz a 100%. Talvez seja mais isto que o amigo Carlos nos quis transmitir? ou..."Think global, act local" ?

Anónimo disse...

Não Julio. Não existem duas razões. Se o modelo de protecionismo nunca funcionou e se o modelo de economia globalizada tem exemplos no mundo (olhe-se para os países do norte da Europa, entre outros) onde a riqueza, a justiça e maior igualdade entre pessoas foram atingidas a níveis interessantes, a escolha é óbvia. O Julio aponta um excelente exemplo.
Repare que o vinho tinto que compra só está disponível no país em que vive, e a um determinado preço, porque existe mercado, existem não portugueses, que pensam de forma diferente da do Julio. Esses cidadãos, em vez de só comprarem vinhos do seu próprio país, compram o nosso e ainda bem para si e para mim. Acontece que a filosofia da sua decisão não está a contribuir, a longo prazo, para que a empresa portuguesa melhore a sua atividade e tenha sucesso, logo não contribui para enriquecer o nosso país. A razão é simples. Os estrangeiros compram esse vinho português devido a um qualquer valor que o produto apresenta. A compra deles é uma compra consciente e é assim um prémio de incentivo para a empresa pela suas estratégias/metodologias/relação qualidade-preço - seja o que for. O Julio não. O Julio compra apenas porque é Português, contribuindo para a inação e no limite eliminando a necessidade dos exercícios estratégicos da empresa quanto à forma de se apresentar atrativamente no mercado, de observar a sua relação com o consumidor, etc.

A compra de produtos portugueses só porque são portugueses é uma compra cega. A única coisa que fará é manter o estado de ganância de alguns dirigentes, o despesismo de luxúria, a falta de capacidade de inovação à custa de preguiça choraminga, a incapacidade de aprender com os outros, o desprezo pelo cliente, etc. E assim, vamos todos perder. Claro, se comprarmos o produto português porque ele é bom entre os demais, ou seja, porque satisfaz as nossas expectativas, tudo bem. E em caso de igualdade, porque não escolher o português? Nada a obstar.

O que não podemos é agradecer que outros povos comprem os nossos produtos e nas suas costas, mesmo que os produtos deles sejam melhores que os nossos, compramos só os nossos. Se assim é, assumam-no internacionalmente e vejam o que acontece.

Temos ainda esta tendência para pensarmos que o problema está sempre lá fora, no mundo à nossa volta, no vizinho, nunca é nosso.
É que Portugal continua a ser um dos países do mundo (não só da Europa) onde o buraco entre pobres e ricos é dos mais acentuados e aumenta todos os anos. E os Ferraris continuam a ser vendidos aos empresários deste país como em nenhum outro – a culpa não pode ser do dinheiro nem dos produtores de Ferraris...
O protecionismo é uma forma facilitista de esconder os nossos defeitos e uma fraqueza intelectual. Se as empresas portuguesas não prosperam é porque alguma coisa no seu modelo está desadequada. Reinventem-se! Utilizem melhor o dinheiro, distribuam-no melhor, motivem os empregados, contratem criativos. Ou perecam, qual é o problema? Se vier a falência pode ser que apareça outro negócio no seu lugar e sangue novo (onde há sangue novo há esperança). E se no limite Portugal se tornar um país sem estrutura produtiva, completamente voltado para o turismo, que o seja. Cada país é definido pelo povo que tem.

Uma vez propus, já não sei onde, o absurdo da CML vir a ser gerida (acompanhada) por uma equipa de políticos suecos/noruegueses (o problema é que eles não quereriam). Por isso, a mim nunca me acusarão de dizer que nós somos os melhores do mundo em tudo. Há outros melhores com quem podíamos aprender muita coisa. Também há muitos portugueses excelentes no que fazem e muitas empresas excelentes nos produtos que oferecem, mas essas, meus senhores, essas não andam em dificuldades financeiras nem precisam que nós compremos os seus produtos em massa - exatamente porque souberam ser excelentes, mas não à custa de serem protegidas.
Mas como parece que sou o único a pensar assim, é melhor nem dizer mais nada.

Xico205 disse...

Tanta insustentabilidade no comentario das 3:57!!!! Esse modelo a ser aplicado levava à emigração geral de Portugal e quem não o fizesse morria à fome!

Desde quando um país pode viver só duma área??? A maioria dos portugueses não tem uma actividade profissional ligada ao turismo nem o turismo consegue absorver toda a gente em Portugal. O protecionismo é a melhor arma que um país pode ter mas não para ser aplicado a 100% claro.

Foi devido às luvas que uma empresa espanhola de construção de comboios deu ao Jorge Coelho e outros socialistas que a Sorefame/Bombardier fechou e mandou centenas para o desemprego na Amadora!!!

Foi devido à compra de várias centenas de jipes Nissan Patrol fabricados em Espanha para a GNR e exército em 1994 no governo do Cavaco, que a UMM (União Metalo Mecânica) faliu deixando centenas no desemprego em Queluz quando já tinha sido adjudicado a estes a entrega de centenas de jipes para a GNR e exército o que tinha levado a uma ampliação da fábrica para aumentar a produção. Houve investimento na modernização da fábrica mas depois não houve as vendas que estavam previstas e a falencia foi inevitável...
Isto são só 2 exemplos. Mas como os governos têem sempre corruptos, o país lá se vai lixando...


Devido aos governos portugueses terem ligado imenso ao turismo e terem deixado para segundo plano outras actividades é que há a crise que há! E o turismo estrangeiro em Portugal nem sequer teve cortes. Portugal até está a beneficiar da instabilidade politica do Norte de África e da cólera na Republica Dominicana no que toca ao turismo.

Eu dou preferência ao produto português, mas claro que nem sempre compro produto português. Mas tenho um cuidado de escolha ao adquirir um produto.

lmm disse...

Volto a repetir, se a compra for acima dos 206 mil euros, é OBRIGATÓRIO a abertura de um concurso público internacional e nesse caso os critérios de selecção obviamente que têm ser ser iguais para todos, não podendo nenhuma empresa portuguesa ser beneficiada. Ganha a proposta economicamente mais vantajosa. É o mercado comunitário...

Julio Amorim disse...

"O Julio não. O Julio compra apenas porque é Português"...?

Caro Mário Miguel...parece-me que fui muito claro no que escrevi? Compro vinho TINTO português porque me satisfaz a 100% na relação qualidade/preço!? Posso encontrar vinho tinto melhor de outra paragens...mas é imediatamente mais caro.
Assim como também escrevi que... vinho "branco é outra conversa"!
Ou seja, também posso comprar o português....mas não o faço porque encontro outros ao mesmo preço de qualidade superior.

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Anónimo disse...

Aproveitei o seu exemplo para generalizar e incluí-o na molhada. As minhas desculpas.

Carlos Leite de Sousa disse...

Caros Daniel e Mário Miguel

Mais uma vez vão por campos demasiado amplos, que levariam a conversa para questões como a (des)igualdade dos recursos utilizados, e a (des)igualdade do papel do estado. E mais uma vez mantenho o que disse no caso concreto. Proponho também que estudem um pouco o modelo económico dos paises nórdicos, a sua estrutura social, e para finalizar a estrutura accionista das maiores empresas alemãs, por exemplo. Isto para nao enveredarmos pela análise dos custos comparativos da mão de obra nesta concorrência "perfeita" Europa - Ásia.