04/11/2016

Enquanto as janelas antigas de Lisboa vão direitinhas para o lixo....


..noutras paragens são reparadas e aproveitadas..



..como parte integrante e testemunho da história do edifício...



Estas já com 126 anos de idade e depois de uma pintura com tinta de óleo de linhaça (que também já não se usa)....ficam para durar outro tanto. 

Foto: Stadsmuseet, Göteborg

Obra a obra Lisboa piora

Depois do Provedor de justiça fazer uma recomendação à CML afirmando que esta licenciou um projecto que violava vários artigos do PDM a propósito do novo projecto a nascer na Fábrica de Cerâmica Constância, e depois de todos os esforços das Associações de moradores, parece que começaram mesmo a demolir o numero 42 - 58 da Rua das Janelas Verdes. Um edifício em bom estado de conservação e perfeitamente contextualizado no panorama urbano da rua. É caso para dizer: Obra a obra Lisboa piora



Olaia de S. Vicente


Chegado por e-mail a 30 de Outubro:

«Hoje a olaia continua a resistir...

Rui Mateus»

Enquanto isso, foi desta para melhor uma resma de prédios na Rua do Salitre... impediam as vistas para o logradouro chamado JB:


Enquanto isso, foi desta para melhor uma resma de prédios pequeninos, baixinhos, miseráveis, insignificantes para o grande objectivo final de, à luz do PP do Parque Mayer e Zona Envolvente, se construir em altura para usufruto pleno do imenso logradouro comum que dá pelo nome de Jardim Botânico! Imagino que se sigam os nºs 103-109... Rua do Salitre do 91-101 (fotos de Fernando Jorge)

Severamente comprometida a autenticidade do edifício IIP da Avenida Almirante Reis, 2


Exma. Senhora Directora-Geral
Arq. Paula Silva

CC. PCML, JF Arroios e AML


Vimos pelo presente solicitar a V. Exa. esclarecimento se as novas caixilharias colocadas no nº 2 da Avenida Almirante Reis, edifício da autoria do arquitecto Adães Bermudes e classificado Imóvel de Interesse Público e Prémio Valmor, foram ou não autorizadas pela DGPC.

De facto, conforme V. Exa. poderá constatar pelas fotos que anexamos, nos vãos do gaveto curvo não houve o cuidado de fazer as caixilharias em curva e o resultado está à vista. As caixilharias foram aplicadas de forma descuidada, sem respeito pelo original. Deste modo, o nível de autenticidade deste imóvel classificado fica severamente comprometido.

Melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Fernando Jorge e Bernardo Ferreira de Carvalho

03/11/2016

Enquanto isso, abriu mais uma loja de carácter e tradição em pleno Rossio!



Fotos de Manuel Costa Santos Santos no Facebook

E pronto, quiseram-na e aí a têm!


E pronto, quiseram a vedação, aí a têm, digna da Lisboa entre séculos, e baixinha (ai, espera, ui, consegui subi-la) e tudo. Que lindeza. Tá tudo resolvido! E que precedente gravíssimo. Engulam-na. Passo.

Protesto por irregularidade em empreitada II - Jardim junto Miradouro da Graça


E por falar nisso, o projecto estapafúrdio de 2009 para o Palácio do Patriarcado, vulgo Ludovice, caducou. E o novo ante-projecto é melhor ou é mais do mesmo?


Pergunta de algibeira: é isto que vai ser o futuro Paris-bomba da BP?


(foto retirada do site do atelier RRJ)

Isto foi aprovado por quem e a que propósito?


Que horror. Não havia outro sítio para se pôr isto? Estas JF andam à solta, literalmente. Aliás, não chega de estátuas e estatuínhas nessa zona? E dão assim cabo das perspectivas de e para um dos melhores tesouros de Belém-Restelo? Atentado! Rua com isso!
(foto orgulhosamente exibida na página da JF Belém no facebook)

02/11/2016

Hotéis de Salgado & Cia.



Mais um maravilhoso rasgo de originalidade e de bom-gosto na Rua Rosa Araújo.

Este prédio não tinha nenhuma "patologia" para além de estar devoluto e um grupo interessar-se por ele para o descaracterizar para sempre. As obras foram autorizadas pelo vereador do costume.

Enquanto as decisões forem tomadas sem qualquer critério pela cidade que não seja o de facilitar empreendimentos que não fazem jus ao seu património, Lisboa sairá sempre a perder.

Sabemos que se pode mais e melhor.  Mas para os lados dos Paços do Concelho, Lisboa é uma vasta arena de possibilidades e de várias fantasias.

Hotéis de Salgado & Cia.



Dois prédios Arte-Nova na Rua Rosa Araújo. Perfeitamente viáveis, menos para o gabinete do urbanismo que acha que esta arquitectura não é para ser valorizada e muito menos preservada.

O vereador não gosta desta época, não gosta dos gaioleiros, não gosta de prédios de rendimento e moradias da Lisboa Entre-Séculos. O pior é que também não gosta de prédios pombalinos, de palácios barrocos e renascentistas, de casas e prédios pré-terramoto. Os exemplos são vários e sempre muito maus. palácio Santiago, palácio da Anunciada, casa apalaçada na Rua das Trinas, casa pombalina na Rua da Lapa e mais um enorme etc.

E estes dois. São agora hotéis muito lustrosos e cheios de conceitos e de spas. O diálogo entre o chapéu de vidro e aço e as cantarias originais é assustador.

Lisboa está hoje uma cidade cada vez mais descaracterizada.

Por falar em muralha fernandina, isto é 1º Mundo?


Foto do torreão da mesma, ao Martim Moniz, mais conhecida por ... Torre da Péla.

E já sabe, no Orçamento Participativo deste ano, vote nesta proposta:


Apelo à DGPC sobre o Cruzeiro do Largo de Jesus (Setúbal)


Exma. Senhora Directora-Geral
Arq. Paula Silva


C.C. PCM Setúbal

Serve o presente para apelarmos à Direcção-Geral do Património Cultural para intervir no Cruzeiro de Setúbal, também conhecido como Cruzeiro do Largo de Jesus e sito no terreiro fronteiro à Igreja e Convento de Jesus (MN), rodeado que está por muro grafitado e lixo, terreiro esse bastas vezes utilizado por "skaters", servindo o Cruzeiro de "baliza" aos adolescentes que ali continuam a jogar futebol, etc.

V. Exa. concordará connosco que este é um tratamento indigno de um Monumento Nacional, a que urge pôr cobro, sendo a DGPC e a Câmara Municipal de Setúbal as entidades a quem cabe não só a sua salvaguarda como a garantir a dignidade do conjunto monumental.

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Ana Alves de Sousa e Bernardo Ferreira de Carvalho

E a casa veio abaixo: abriu-se um buraco na Rua da Lapa que é "uma dor de alma"


Imagem do street view do Google com a casa ainda de pé GOOGLE

In Público (1.11.2016)
Por Jéssica Rocha «Um imóvel do século XVIII foi demolido com o aval da Câmara Municipal de Lisboa e da Direcção-Geral do Património Cultural, por “falta de valor arquitectónico e cultural”. Mas as críticas não tardaram: foi abaixo um dos edifícios mais emblemáticos da Lapa.

Quem passar agora pelo Bairro da Lapa, em Lisboa, vai notar uma diferença flagrante: a casa cor-de-rosa, de janelas de guilhotina, que ficava na esquina da Rua da Lapa com a Rua S. de João da Mata, já não está onde esteve desde o final do século XVIII. Os proprietários demoliram-na para construírem um edifício maior, de forma a vários irmãos lá viverem juntos. Aqueles que consideravam a moradia um ex-líbris da zona não se conformam com o monte de escombros. Sem qualquer estatuto de protecção, a casa veio mesmo abaixo.

O Fórum Cidadania LX foi quem primeiro chamou a atenção para o sucedido. Pedro Cassiano Neves, um dos administradores da página do Facebook, mostrou-se revoltado com a demolição da casa, que era “a mais icónica da rua e uma das mais icónicas do bairro” e que se encontrava em bom estado. E mostrou-se convencido que o edifício estaria protegido: “Há um raio de protecção em que os edifícios à volta (de monumentos reconhecidos), embora não estejam classificados, estão abrangidos pela protecção e não podem ser estragados”. No caso desta moradia, os monumentos em questão seriam a Basílica da Estrela e o Museu Nacional de Arte Antiga.

Fernando Jorge, arquitecto e também membro do Fórum, é da mesma opinião. “Eticamente, claro que a câmara não podia ter aprovado a destruição daquele edifício porque faz parte de um arruamento e uma rua urbana que está consagrada, que todos associamos a um bairro histórico. Isso é indiscutível. Ninguém vai dizer que a Lapa não é um bairro histórico!”. Além disso, aponta o dedo à “progressiva desvalorização do património existente”, argumentando que, na maior parte dos casos, as remodelações apenas mantêm as fachadas dos edifícios e não os interiores, também este com elementos patrimoniais interessantes.

Também Raquel Henriques da Silva, responsável pelo Instituto de História da Arte da Universidade de Lisboa, olha para a situação como “uma dor de alma”. “É uma barbárie que devia provocar a indignação de todos os cidadãos. Para lá do seu valor intrínseco (exemplar raro do pombalino adaptado à dimensão unifamiliar), era uma âncora da imagem do sítio capaz de travar pretensões de alteração na envolvência. Matou-se a peça-âncora para que o caminho fique livre para próximos episódios”. O que, na opinião dos três, não deveria acontecer.

Porém, segundo a Câmara de Lisboa, a casa não se encontrava abrangida por qualquer estatuto de protecção, podendo, dessa forma, ser demolida. A autarquia socorreu-se de uma alínea do Regulamento do Plano Director Municipal de Lisboa que diz que é permitida a demolição nos casos dos "edifícios existentes que não constituam elementos com interesse urbanístico, arquitectónico ou cultural, tanto individualmente como para o conjunto em que se integram, e o projecto apresentado para a sua substituição contribua para a valorização arquitectónica, urbanística e ambiental da área e do conjunto edificado em que se integra". A Direcção-Geral do Património Cultural também emitiu um parecer favorável à intervenção, sublinha o município.

Mas nem essa fundamentação gera consenso. “É completamente subjectiva! É preciso explicar o valor urbanístico e arquitectónico de cada edifício, não dar uma justificação geral e subjectiva como essa. É um parecer extremamente pobre”, acusa Fernando Jorge. “A Câmara de Lisboa tem sido muito permissiva com estas ambições imobiliárias e especulativas. E de cada vez que se faz isso, estamos a dar mais sinais de que, afinal, o património não é assim tão importante”.

Raquel Henriques da Silva completou: “O Departamento do Património Cultural deveria ter competências claras nesta matéria, como se fosse uma espécie de ‘DGPC do Departamento de Urbanismo’: autónomo e guiando-se pelos interesses culturais e patrimoniais e cujos pareceres deveriam ser de cumprimento obrigatório!” [...]»

Renovação de pedido à Carris – Carreira servida por viaturas sem rampa de acesso para cadeiras de rodas (Proc 85089)



Chegado por e-mail:

«Exmos. Senhores,


Sou,a escrever,um deficiente motor que,apesar dos condicionalismos,exerce profissão e preserva autonomia satisfatória.

A Carris assegura uma carreira muito importante (728),que serve a totalidade da frente ribeirinha,passando por locais residenciais,de trabalho e de lazer. Essa carreira encontra-se servida por viaturas equipadas com rampa de acesso para passageiros de mobilidade reduzida. No entanto,a partir das 19horas,essas viaturas são substituídas por outras mais pequenas,atendendo à redução do número de passageiros. Sucede,porém,que as viaturas do horário a partir das 19horas não dispõem de rampa com acesso de cadeira de rodas,embora existam outras de igual dimensão que as têm.

Ao longo dos anos tenho notado que a política da Carris é inflexível relativamente aos pedidos que formulo,sendo-me tudo indeferido com base em argumentos que evidenciam grande rigidez. No caso vertente,foi-me recusado garantir as referidas viaturas equipadas de rampas por não haver na estação de Miraflores. Repare-se que a empresa não coloca a hipótese de garantir que nessa estação haja viaturas equipadas de rampa,simplesmente apresenta-me esse argumento sem qualquer abertura de mudança. Não,simplesmente porque não.

Assim,serve o presente email para solicitar que faça uso de bons ofícios junto da Carris,por forma a que a empresa mude a sua postura e garanta que a carreira 728 seja servida de veículos equipados de rampas com acesso para cadeira de rodas durante todo o dia e não apenas até às 19horas.

Repare-se que os passageiros com mobilidade reduzida pagam o passe social por inteiro e apenas têm acesso a um conjunto muito limitado de carreiras apetrechadas de viaturas com rampa de acesso,razão pela qual os pedidos desses passageiros,quando razoáveis,deviam ser objeto de análise com flexibilidade e boa vontade,o que claramente não sucede no caso da Carris.

Desde já agradeço a atenção que o presente assunto possa merecer.

Com os meus melhores cumprimentos,


João Miguel Simões»

01/11/2016

A caricatura de um palácio




Mansardas pombalinas, cozinhas, todas as dependências, todo o jardim. Tudo destruído. O que resta daquilo que foi o Palácio da Anunciada, é o andar nobre onde existem salões com estuques e o magnífico átrio da entrada. Irá ser tudo engolido numa construção de raíz onde não faltarão novas mansardas à la moda de Lisboa, modernaças e brilhantes.

O que restar do palácio será como um enxerto em casa nova. Do jardim resta o dragoeiro.

Os exemplos como este multiplicam-se por toda a cidade. A isto chamam as pessoas bem-pensantes, reabilitação.