10/12/2010

Lisboa e António Horta Osório

Recentemente um dos nossos mais brilhantes gestores, António Horta Osório, foi nomeado CEO do Lloyds Bank, naquela que é considerada a nível mundial a "transferência do ano", no sector financeiro. Entre as razões que apontou para esta mudança, após 18 anos no Grupo Santander, destacou-se a vontade de continuar a viver com a familia em Inglaterra, onde julga poder dar uma melhor educação e qualidade de vida aos filhos. Este facto é por si só significativo, quando falamos de alguém, que poderia escolher qualquer local do mundo para viver e trabalhar, e cujas origens são a cidade de Lisboa. Pessoa que admiro, profissional de elevado mérito, António Horta Osório poderia muito bem escolher Lisboa para viver, onde para além do conforto pessoal que a sua posição lhe permite obter, poderia escolher os melhores Colégios da capital para educar os filhos, sendo ele próprio um antigo aluno de um desses estabelecimentos de ensino. Mas quando conhecemos esta cidade e temos capacidade de escolha, muitas vezes, optamos por outros locais, onde o lixo não imunda as ruas, onde o trânsito e o estacionamento desregrado não ocupam as nossas vidas, onde os jardins não são maltratados, onde o risco de ser atropelado não é real, onde o único transporte público de confiança não é debaixo de terra. Hoje pessoas como Horta Osório, que pelo seu poder de compra dinamizam uma cidade, têm ferramentas que lhes permite escolher o que há de melhor. E quem gere uma cidade tem os meios para perceber as regras que permitem atrair os melhores. Dou o exemplo da pequena cidade de Southport, no Reino Unido, que apesar de ter apenas 55000 habitantes tem uma qualidade de vida impar e uma economia pujante, apenas porque focou o seu modo de vida para as pessoas reformadas, atraindo assim os reformados mais abastados de Inglaterra. Todos os anos a consultora Mercer edita o Ranking das Melhores Cidades para Viver. Ao contrário do que muitos julgam, este não é destinado a quem habita a cidade, mas a quem pretende ou tem a possibilidade de escolher uma cidade para viver. E neste mundo globalizado é assim que se rege a atractividade de uma cidade. Com regras claras e intolerância pela medíocridade. Cabe a nós, eleitores, escolhermos as pessoas ideiais para que o local onde vivemos tenha a qualidade de vida que ambicionamos. E poder atrair pessoas como o António Horta Osório.

3 comentários:

Paulo Ferrero disse...

100% de acordo, caro Carlos.

Anónimo disse...

um complexo de inferioridade muito portuguesissimo... o autor sente-se mais realizado e feliz apenas porque o AHO é português.

o AHO não está em Lisboa pela mesma razão que o Ronaldo e o Mourinho não estão. o meio não é tão competitivo, o dinheiro não é o mesmo e é isso que eles querem....

Carlos Leite de Sousa disse...

Caro Anónimo,

A forma como escreve revela alguma ansiedade que distorce a sua capacidade de análise. Deve reler o texto com mais atenção.