25/11/2020

Publicidade e propaganda junto à AR - protesto e pedido de remoção

Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República
Dr. Eduardo Ferro Rodrigues
Exmo. Senhor Presidente da CML
Dr. Fernando Medina
Exmo. Senhor Director-Geral do Património Cultural
Eng. Bernardo Alabaça


CC. Media

Como é do conhecimento de Vossas Excelências, existem dois mega-suportes de publicidade/propaganda partidária colocados nem a 50 metros de distância da Assembleia da República, órgão de soberania de Portugal, e, enquanto Palácio de São Bento, Monumento Nacional desde 2002 (Decreto nº5/2002, DR, I Série B nº 42, de 19-02-2002).

Estes suportes encontram-se no local há já alguns anos e há partidos políticos e associações várias que não se coíbem de persistir em alugá-los, oportunisticamente, porque o local é “apetecível”, parecendo ignorar o que nos parece óbvio:

Além de ser ilegal a presença de quaisquer suportes publicitários ou de propaganda junto a um Órgão de Soberania, e também porque a sua localização neste caso viola grosseiramente a zona de protecção de um Monumento Nacional, o Palácio de São Bento (artigos 37º e 43º da Lei 309/2009); estamos perante uma situação completamente impensável junto a Westminster, ao Bundestag, a Montecitorio ou às demais sedes de parlamentos nacionais com que Portugal partilha o estatuto de Estado-Membro da União Europeia.

Perguntamos a V. Excelências: como é possível esta situação?

Na expectativa, apresentamos os nossos melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Nuno Caiado, Pedro Machado, António Araújo, Mariana Carvalho, Pedro Jordão, Pedro de Souza, Rui Pedro Martins, Júlio Amorim, José Morais Arnaud, Rui Pedro Barbosa, Eurico de Barros, Ana Celeste Glória, Pedro Fonseca, Paulo Trancoso, Miguel Atanásio Carvalho, Virgílio Marques, João Oliveira Leonardo, Jean Teixeira, Helena Espvall, Maria do Rosário Reiche, Fátima Castanheira, Bruno Palma, Irene Santos

24/11/2020

Anexo escandaloso na Rua da Prata 254/R. Santa Justa 26 a 32 - Pedido de demolição à CML

Exmo. Senhor Vereador
Eng. Ricardo Veludo


C.C. PCML, AML e media

Vimos por este meio alertar para uma alteração da cobertura no imóvel sito na Rua da Prata Nº 242 a 254 ( torneja para a Rua de Santa Justa Nº 26 a 32), que julgamos completamente ilegal à luz do articulado do Plano de Pormenor de Salvaguarda da Baixa, e inconcebível se a mesma tiver sido autorizada pelos serviços de Urbanismo da CML.

Solicitamos a V. Exa. que, portanto, dê indicações aos serviços para que procedam à contra-ordenação do promotor em causa, e requeiram ao mesmo a demolição deste acrescento espúrio, agindo legalmente em conformidade se se verificar o seu incumprimento.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Fernando Jorge, Miguel de Sepúlveda Velloso, Nuno Caiado, Júlio Amorim, Virgílio Marques, Rui Pedro Martins, Pedro Janarra, Pedro Fonseca, Rui Pedro Barbosa, António Araújo, Helena Espvall, João Oliveira Leonardo, José Maria Amador, Miguel Atanásio Carvalho, Fátima Castanheira

23/11/2020

Baixela Germain - Que futuro no futuro "museu do tesouro real"?

Exmo. Sr. Director-Geral
Eng. Bernardo Alabaça


CC. PM, MC, CML e media

À luz da entrevista que V. Exa. deu ao jornal Público no dia 21 de Novembro (https://www.publico.pt/2020/11/21/culturaipsilon/entrevista/bernardo-alabaca-nao-defendo-parta-direccaogeral-patrimonio-cultural-1940014), cremos que se torne imperativo obter o seu esclarecimento urgente quanto aos seguintes pontos:

1- Pretende a tutela lutar para que a Baixela Germain, conjunto único no seu género em todo o mundo e obra-total da ourivesaria francesa do Séc. XVIII, possa finalmente ser reunida como Património Nacional que é, para a sua leitura e fruição do público português e internacional?

2 – Quando o Director-geral afirma que “a recomposição de colecções não pode ser feita com sacrifício da identidade dos equipamentos, sob pena de estarmos a construir um à custa de uma desvalorização significativa de outros.” quer dizer que as tipologias existentes no MNAA permanecerão à guarda dessa instituição, impedindo, desse modo, a reunião da Baixela? Dito de outro modo, sacrificará a tutela este património excepcional, hoje reduzido a uma expressão parcelar, estando asseguradas as condições de exposição na extensão do Museu do Palácio Nacional da Ajuda cujas obras milionárias decorrem neste momento? Qual será, então, a “identidade” que a DGPC considera mais importante?

3 – Se assim for, como justificará a DGPC que se construa uma extensão de um museu já existente, num esforço e investimento tremendos, para que uma das colecções mais importantes se mantenha desintegrada, dispersa entre duas instituições?

4 – Como justifica V.Exa. a sua afirmação de ainda ser prematuro saber se as peças pertencentes à Baixela Germain e que estão no MNAA irão reintegrar a sua colecção de origem (é bom notar que essas peças transitaram para o MNAA a título de empréstimo e por lá foram ficando)? Prematuro, porquê? V. Exa. está em funções desde Fevereiro e este projecto mantém-se como até então, ou seja, à margem do escrutínio público.

Cremos que estamos perante um desígnio nacional, que não pode ficar refém de outros interesses ou perspectivas. Um desígnio nacional que não pode ser vítima de uma DGPC constantemente secundarizada, quando o que se pede a essa entidade é que seja capaz de criar um consenso essencial para que este conjunto único de ourivesaria francesa do século XVIII não esteja a correr o risco de continuar disperso e fragmentado. Pedimos-lhe, Senhor Director-Geral, para, por uma vez, nos deixarmos de subalternizar o Património em prol dos egos desta ou daquela personagem do momento.

Por último, tendo V. Exa. sido omisso em relação ao resto do projecto do todo Palácio Nacional da Ajuda, cumpre perguntar o que pretende a DGPC fazer em relação ao Jardim das Damas, já há muito tempo encerrado ao público, à Sala dos Serenins e ao torreão da antiga Capela Real ("Torre do Galo")?

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, António Araújo, Jorge Pinto, Virgílio Marques, Rui Pedro Martins, Pedro Jordão, Nuno Caiado, Helena Espvall

Foto:Terrina, in MNAA

18/11/2020

Castelo de São Jorge - Pedido de intervenção à CML

Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina,
Exma. Senhora Vereadora
Dra. Catarina Vaz Pinto


C.C. AML, EGEAC, DGPC e media

No seguimento de uma visita efectuada ao Castelo de São Jorge, constatámos uma série de detalhes que, a nosso ver, deveriam merecer a atenção da tutela daquele que tem sido referido como o monumento mais visitado da cidade de Lisboa, detalhes que serão passíveis de concretizar sem grande investimento ou grau de dificuldade.

Assim, gostaríamos de sugerir que no recinto do Castelo de São Jorge fosse acrescentada a identificação de locais para conhecimento do visitante: por exemplo, indicando os locais da antiga alcáçova, as ruínas do paço real de Dom João assim como a descrição de cada uma (das várias) fontes (que poderiam ter água corrente) com QR Codes para páginas descritivas.
Pedimos igualmente que as placas de madeiras com poemas fossem re-pintadas ou substituídas e que as árvores do Castelo recebessem placas de indicação de espécie.

Gostaríamos igualmente de saber se há planos para reabrir ao público as zonas hoje fechadas (em torno do Castelejo e nas próprias muralhas) e de saber se há planos para substituir as "reconstruções" a cimento e tijolo da década de 1940 no Castelejo.

Por outro lado, muitas zonas dentro do recinto do Castelo não parecem ter sido ainda alvo de escavações arqueológicas que provavelmente, dada a densa história do local, teriam grandes frutos: há planos da autarquia para realizar estes trabalhos?

Por fim, gostaríamos de alertar V. Exas. para a existência de lajes do Castelo que estão a precisar de reassentamento em vários locais e que favorecem a quedas e tropeções, e que várias mesas estão mal mantidas no Miradouro dos Canhões e precisam de ser reassentadas, e que existem correntes para prender informações turísticas em árvores (!): um método reprovável, em colisão com as boas práticas indicadas no Regulamento Municipal do Arvoredo.

Perguntamos ainda para quando estará prevista a reabertura da entrada pelo portão da Calçada Menino Deus?

Na expectativa, apresentamos os nossos melhores cumprimentos.

Paulo Ferrero, Rui Pedro Martins, Bernardo Ferreira de Carvalho, Beatriz Empis, Rui Pedro Barbosa, Virgílio Marques, Eurico de Barros, Nuno Franco, Miguel Atanásio Carvalho, Jorge Pinto, Inês Beleza Barreiros, João Pinto Soares, Fátima Castanheira, António Araújo, Pedro Cassiano Neves, Pedro Henrique Aparício

Fotos: Rui Martins

17/11/2020

Pedido à CML para tomar posse administrativa de 3 prédios Lx Entre-Séculos Caixa

Exmo. Senhor Presidente
Dr.Fernando Medina,
Exmo. Senhor Vereador
Eng. Ricardo Veludo


C.C. AML e media

Como é do conhecimento de V. Exas., o património erigido em Lisboa em finais do século XIX, início do século XX, tem sido severamente fustigado ao longo das últimas décadas, período em que todos assistimos a uma série interminável de demolições (completas e parciais) de edifícios construídos naqueles anos, um pouco por toda a cidade, com particular incidência na zona das Avenidas Novas, em Campo de Ourique, no Bairro Camões, Estrela e na Estefânia.

Muitos desses edifícios desaparecidos, alguns deles emblemáticos na cidade, foram deixados ao abandono, propositadamente, durante vários anos, sofrendo os mais variados actos de vandalismo, desde o destelhar das coberturas a fogos “espontâneos”, passando pela remoção de elementos decorativos, os mais variados, à abertura propositada de portas e janelas, convidando à entrada da chuva e de mais vandalismo, com apenas um propósito: tornar irreversível a sua demolição e com ela a possibilidade de erguer uma construção nova.

São inúmeros os casos de demolição ou alterações significativas em edifícios constantes da Carta Municipal do Património, bem como em imóveis localizados em zonas de protecção de imóveis classificados de interesse público.

Porque é nossa profunda convicção que a muito breve trecho, se nada for feito em contrário, dessa época nada restará em Lisboa que não um punhado de edifícios classificados, apelamos à CML, na pessoa de V. Exas, que, de forma urgente e ao invés do que se fez nas últimas décadas, trave a especulação imobiliária, razão central do desaparecimento desses edifícios de uma Lisboa “Entre-Séculos”, outrora um património pujante e que nada destoava do que outras cidades da Europa possuíam.

Nesse sentido, instamos a CML a que, de forma exemplar, tome posse administrativamente de um trio de edifícios “entre-séculos”, característicos dessa época e importantes para os respectivos arruamentos e bairros, que, a nosso ver, são três casos exemplares de especulação imobiliária: encontram-se os três ao abandono há anos, foram vandalizados, encontram-se ao sabor das intempéries, mudaram de proprietários, sendo que estes foram submetendo à CML pedidos de informação prévia sucessivamente chumbados pelos serviços, mas nem por isso aqueles fizeram o que lhes competia fazer: obras de conservação nos prédios:

1.Edifício da Calçada da Estrela, nº 40-48

2.Edifício da Rua de Dona Estefânia, nº 28-30

3.Edifício da Rua Antero de Quental, nº 2

Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Fernando Jorge, Miguel de Sepúlveda Velloso, Beatriz Empis, Filipe Teixeira, Maria Teresa Goulão, Helena Espvall, José Maria Amador, Rui Pedro Martins, Miguel Atanásio Carvalho, Maria do Rosário Reiche, Pedro de Souza, Pedro Cassiano Neves, Júlio Amorim, Nuno Caiado, Virgílio Marques, Jorge Ponto, Fátima Castanheira, Maria João Pinto, Pedro Fonseca, António Araújo, Martim Galamba, Pedro Henrique Aparício, Pedro Jordão, Sofia de Vasconcelos Casimiro, Pedro Machado, Irene Santos

Concurso Árvore do Ano 2021

Shotia speciosa Jack ( no Jardim Botânico da Ajuda)
Está aberta a votação para a Árvore Portuguesa do ano 2021. São 9 finalistas e a vencedora concorrerá à "Tree of the year 2021", um concurso a nível europeu. Pode votar até 23 de Novembro em https://portugal.treeoftheyear.eu/.

Os resultados serão divulgados a 26 deste mês.

João Pinto Soares

12/11/2020

Colocação de néons no edifício-sede do DN - contra-ordenação da CML

Afinal tínhamos razão (https://cidadanialx.blogspot.com/2020/09/nao-colocacao-de-neons-no-letreiro-do.html?fbclid=IwAR1UgCuVx99V6PHK79jCH_be0M_lm8e-r-diXqIEmkqysInRF0KKdmyO3dU), e a CML contra-ordenou a que pusessem o néon no edifício DN:

Ainda sobre a Tabaqueira, obrigado, Grazia Repetto...

Ainda sobre a Tabaqueira, obrigado, Grazia Repetto, por lançares o repto a Renzo Piano para que compre o edifício e retomem juntos o teu projecto de museu de 2002-2003

Foto: António Pedro Santos, para o jornal i, 2011.

06/11/2020

ENT/6761/GPCML/20 - URGENTE: OBRAS SEM LICENÇA - OCO/73956/2020 e OCO/102948/2020-Rua de S. Gens, 8

Chegado por e-mail:


«Bom dia,

No seguimento do email enviado abaixo e para o qual não obtive qualquer resposta, além da partilhada pela Polícia Municipal de que se encontrava nos dias seguintes a encerrar o processo administrativo. Venho comunicar ao fórum, que continuam a acontecer situações pouco claras, relativamente a obras realizadas na cidade, mesmo quando existem evidências claras de não cumprimento das regras de isenção de licença, comunicadas pelos principais lesados os vizinhos que vivem nos prédios contíguos. Não sei se trata de inércia ou incapacidade de avaliar, mas na minha perspetiva no mínimo os reclamantes deveriam ter direito a uma resposta clara, o que não acontece neste caso.

Agradeço a vossa atenção e ajuda no sentido de não deixar que estas situações continuem a ocorrer na Capital de Portugal.

Obrigado, com os melhores cumprimentos.

Rui Vicente

...

Bom dia
Exmo. Senhor Vereador e Divisão de Fiscalização

No seguimento do email enviado a dar conhecimento das ocorrências acima mencionadas, venho informar que recebi resposta à OCO/102948/2020, na qual é mencionada que a "Polícia Municipal no âmbito das suas competências fiscalizou a obra em causa, tratando-se de obras de conservação/remodelação, isentas de controlo prévio municipal.", com a qual não concordo devido ao seguinte facto, no decurso das obras de conservação/remodelação anteriormente mencionadas na resposta, foi efetuada a substituição de toda a estrutura do telhado ou cobertura por uma nova, o que contraria o que está exposto no artº 6 do Decreto-Lei n.° 26/2010 de 30 de Março, é mencionado na alínea b) "As obras de alteração no interior de edifícios ou suas fracções que não impliquem modificações na estrutura de estabilidade, das cérceas, da forma das fachadas e da forma dos telhados ou coberturas;", existindo aqui um ponto do decreto-lei que foi contrariado, não sendo aplicável a isenção. Mais informo que estas obras iniciaram-se em Maio de 2020, tendo a mudança da cobertura ocorreu entre Julho e Agosto, atualmente as obras continuam em curso, continuando a verificar-se o barulho relacionado com a destruição de paredes ou estruturas- Informo também que tenho vizinhos que apresentam já danos no interior das suas frações e observado pedaços de cimento da fachada que caíram (na retaguarda do edifício).

Deixo desde já claro que a situação é inadmissível e inaceitável, pelo que gostaria que a própria entidade fiscalizadora facultasse uma resposta detalhada sobre os responsáveis pela obra, identificassem o proprietário do edifício e sobre os critérios que estiveram na base da resposta partilhada através do "NAMINHARUALX", bem como dos relatórios da fiscalização efetuada que possam ser partilhados, pois não existindo clareza nas respostas, mais parece que voltamos ao tempo do "Estado do Senhor da Cadeira" ou que estamos numa "República das Bananas", mas quero querer que não, espero.

Informo que inclui neste email (em CC) o contacto do responsável da polícia municipal que se deslocou ao local, demais e-mails da polícia municipal, da Câmara Municipal e dos meus vizinhos, com os quais comuniquei ao longo de todo o processo e partilhei informação.

Fico a aguardar a vossa resposta ao assunto acima exposto, com os melhores cumprimentos.

Rui Vicente»

Palácio Silva Amado – Pedido a autor e CML para repensarem o proj alterações e ampliação aprovado pela CML

Exmo. Senhor Vereador
Eng. Ricardo Veludo
Exmo. Senhor Arquitecto
Manuel Aires Mateus


C.C. PCML, AML, DGPC, vizinhos e media

No seguimento da aprovação pela CML do projecto de arquitectura para alterações e ampliação do Palácio Silva Amado (proc. nº 614/EDI/2018), ao Torel, que corrigiu condicionantes aquando do pedido de informação prévia nº 2053/EDI/2016,
E independentemente do “parecer” emitido pela DGPC, omisso no que importava opinar tendo em conta o carácter histórico do imóvel em si, a excelência urbana única da Rua Júlio de Andrade e a singularidade da entrada do Jardim do Torel;

Solicitamos a atenção de V. Exas. para os seguintes aspectos do projecto que, a nosso ver e a bem da preservação da cidade romântica, importaria repensar antes que a obra avance:

Em relação ao projecto de arquitectura para o Palácio Silva Amado em si mesmo, não temos nada a criticar, pois parece preservar o que ainda é passível de preservar neste imóvel, vítima de duas décadas de abandono e 14 anos de especulação imobiliária. Chegados a 2020, pelo que depois de tudo quanto o palácio sofreu, este projecto é uma boa notícia até porque pretende, inclusive, recuperar algumas das características de palácio, que a sua transformação em repartição pública adulterou.

No entanto, receamos que as soluções de reforço estrutural se revelem "pesadas" e possam entrar em conflito com as pré-existências históricas.

Já em relação ao novo corpo a construir atrás da fachada do anexo dos anos 40, fachada essa situada defronte à entrada do Jardim do Torel, e contígua ao primeiro chalet da Rua Júlio de Andrade (nº 2), corpo esse designado no projecto por “Casa”, não podemos deixar de criticar a alteração completa da geometria da cobertura, que se traduz, na realidade, por acrescentar um novo piso, com uma geometria que não só entra em rotura com o desenho da fachada deste anexo dos anos 40 que seguia uma linguagem de continuidade com a arquitectura barroca do palácio, como essa ampliação terá impacto significativo na envolvente, pois terá grande visibilidade para quem está no Jardim do Torel e não só.

De igual modo, a proposta desta fachada ser mantida como pseudo-ruína meramente decorativa, alienada do interior da nova casa, se afigura um gesto de radicalidade desadequada ao lugar – sublinhando uma ruptura desnecessária com a identidade daquele ambiente urbano consolidado.

Considerando toda a envolvência de grande qualidade arquitectónica, abrangida, aliás, pela classificação de Interesse Público do Campo Mártires da Pátria, não vemos justificação para esta linguagem de ruptura em frente ao portão principal do Jardim do Torel. Também as moradias do período romântico na sua envolvente saem prejudicadas, em especial o chalet imediatamente ao lado (Rua Júlio de Andrade, nº2) que sofrerá impacto na sua imagem e terá as suas vistas afectadas pelo piso a mais.

Por outro lado, parece-nos de um manifesto exagero, propor-se estacionamento subterrâneo de 2 caves para 25 carros! Numa altura em que a CML, e bem, pugna por uma mudança de paradigma na mobilidade urbana, pela defesa dos logradouros permeáveis, etc., e o próprio PDM defende isso mesmo para toda aquela colina, seja proposto e aprovado este estacionamento, havendo mesmo ao lado, no Campo Mártires da Pátria, um parque de estacionamento, ao tempo construído já completamente em contra-ciclo, geralmente vazio.

Pelo exposto, apelamos ao autor do projecto e à CML para que revejam o projecto nestas duas vertentes: novo piso na fachada defronte à entrada do Jardim do Torel e o radical fecho de vãos, e estacionamento em subsolo.

Na expectativa, apresentamos os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Fernando Jorge, António Araújo, Miguel Jorge, Miguel Atanásio Carvalho, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Beatriz Empis, Helena Espvall, Miguel de Sepúlveda Velloso, Pedro Jordão, Sofia de Vasconcelos Casimiro, Jorge Pinto

04/11/2020

Aspecto da Rua das Praças. Uma nova forma de fazer cidades?

Dada a grande resistência das entidades responsáveis em plantar árvores na via pública da cidade de Lisboa, bem como o desleixo no seu tratamento posterior, associados ao desinteresse da maioria da população em criar e desenvolver uma filosofia de amor pelas árvores e flores, elementos indispensáveis para uma boa qualidade de vida nas cidades; considerando ainda que esta ausência de árvores, bancos e floreiras é mais gritante nos bairros tradicionais de Lisboa, onde a população é mais idosa e não encontra bancos nem sombras, tendo de se socorrer, em muitos casos , das soleiras das portas para descansar, verificamos com agrado a obra levada a efeito na Rua das Praças, Freguesia da Estrela, que demonstra a ousadia de se tentar um novo paradigma de cidade, com acalmia de transito e a possibilidade de dar aos cidadãos o usufruto da sua cidade de uma forma mais equilibrada. Esperemos que este ensaio venha a ter continuidade em Lisboa, oferecendo bancos, árvores e flores aos lisboetas em todos os locais onde tal seja possível.


João Pinto Soares

03/11/2020

Empreendimento Stone Capital no antigo Hospital da Marina - Queixa ao MP

Exma. Senhora Procuradora-Geral da República
Dra. Lucília Gago

C.C. CML, AML


Como será do conhecimento de V. Exa., decorrem obras de alteração com ampliação e demolição de interiores no antigo edifício do Hospital da Marinha, em Santa Clara, cuja propriedade deixou de ser pública em 2016 para se tornar da firma de capitais franceses Stone Capital, por aquisição à Estamo, sendo o projecto em apreço da responsabilidade do atelier Samuel Torres e Carvalho (https://www.stonecapital.pt/projects/santa-clara).

Posteriormente à compra do edifício do antigo Hospital, a mesma firma adquiriu o edifício ao lado, adaptado a escola durante muitos anos (e dessa forma ocupado, já decorria a obra no edifício do Hospital), e submetido projecto autónomo de alterações à CML, mas com o propósito evidente de o englobar no projecto global, como acaba por verificar-se neste momento, com a demolição quase completa do mesmo e a alteração ao projecto aprovado pela CML.

Da mesma forma, o projecto em causa tem uma componente de construção nova, massiva, no terreno imediatamente ao lado do hospital, que servia de estacionamento a céu aberto e que tem entrada pela Rua do Paraíso, junto ao edifício “Faz Figura”, onde existe um portão (foto1) que dá acesso ao lote vago de construção, que era usado como parque de estacionamento para os funcionários do hospital. Não existe ali nenhuma construção nem garagem, apenas estruturas espúrias, certamente de génese ilegal. No início do século XX existiu ali uma pequena serração, em 1900 composta de telheiro e edifício térreo (foto 2) e mais tarde um edifício de tijolo com 1 piso e telhado a duas águas (foto 3), que viria a ser totalmente demolido nos anos 80.

Como se verifica nas fotos o edifício da estância de madeiras nunca ultrapassou a cota do muro que existe ao longo da Rua do Paraíso, permitindo-se assim um desafogo de frente construtiva e um desafogo para os prédios do passeio oposto da rua e, inclusivamente, para o miradouro do Panteão Nacional (MN).

Por isso mesmo, pela harmonia da frente de quarteirão (Hospital-edifício da escola e muro), supostamente protegidos pelo PDM que “indica a importância do edifício enquanto integrante do tecido urbano que compõe os alçados da Rua do Paraíso, um arruamento cuja integridade e imagem se pretende preservar” (conjunto arquitectónico da Rua do Paraíso 18 a 112 e 1 a 59, Referência 51.25) e por, manifestamente, o PDM não permitir construção nova (vide artº 28º) no terreno com entrada pela Rua do Paraíso, lado do "Faz Figura", reforçamos que:

Este lote é independente do edifício do antigo Hospital e do edifício da escola primária, nunca teve construção nem garagem, apenas a referida serração de madeiras e, desde 1980, apenas elementos espúrios a servirem de cobertura aos automóveis ali estacionados. O terreno foi, portanto, usado desde então como estacionamento para os funcionários do hospital.

É por isso estranho que a CML tenha aprovado a construção nova de edifícios (fotos 4) nesse lote vago (Proc. 783/EDI/2017 e 2012/EDI/2017, posteriormente alterados), com o argumento de que esses edifícios são ampliações do hospital, por serem ampliações de uma garagem, quando essa garagem já não existia e porque essa garagem era ilegal quando existiu!

Foto1: Vistas da rua: Antes/Depois (simulação criada a partir da maquete do projecto)

Foto 2: Machado e Souza (1900), in Arquivo Municipal de Lisboa

Foto 3, sem autor, c.1960, in Arquivo Municipal de Lisboa

Foto 4

Por considerarmos que as construções novas aprovadas pela CML para este lote se nos afiguram com matéria que justifica apresentação de queixa junto do Ministério Público, e reiterando que o terreno em causa foi utilizado nas últimas décadas como estacionamento e não tinha nenhuma garagem passível de ser “ampliada” com 3 prédios, e que o mesmo é um lote que não é parte integrante do edifício do hospital;

Por considerarmos que a construção desses 3 prédios colide com o articulado do PDM no que se refere à preservação daquela frente de quarteirão inscrita na Carta do Património (item 51.25) e à não permissão de construção nova, expressa no artº 28º do PDM, manifestamente desrespeitado por este projecto, e que;

Não são apresentadas no projecto (na documentação para consulta presencial, nem nas imagens online) as necessárias projecções com imagens virtuais das fachadas dos edifícios a construir, do lado da Rua do Paraíso, impossibilitando a leitura correcta do impacte dos mesmos; apresentando-se apenas imagens aéreas e do lado rio;

Nem é apresentado qualquer estudo de impacte no ponto de vista do miradouro do Panteão Nacional (MN com ZEP);

Apresentamos queixa ao Ministério Público, na pessoa de Vossa Excelência, com vista ao apuramento de responsabilidades a nível administrativo por eventual violação de normas de direito do urbanismo/administrativo, bem como, eventualmente, criminais.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel de Sepúlveda Velloso, Júlio Amorim, Virgílio Marques, Miguel Lopes, Maria Ramalho, João Pinto Soares, Helena Espvall, Pedro Jordão, Beatriz Empis, Jorge Pinto, Rui Pedro Martins, António Araújo, Pedro Machado, Fernando Jorge, Gustavo da Cunha, Pedro Cassiano Neves, Bruno Palma, Irina Gomes