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05/03/2021

4 edifícios Movimento Moderno - R. Alexandre Braga - nºs 4 a 8 - Protesto pela mudança de uso para hotel

Exmo. Sr. Vereador
Eng. Ricardo Veludo


C.C. PCML, AML, JF

Como será do conhecimento de V.Exa., encontra-se para decisão na CML um projecto de alterações, demolição, reconstrução, ampliação e mudança de uso (proc. nº 483/EDI/2020) em 4 prédios residenciais de um quarteirão residencial da Estefânia, mais precisamente na Rua Alexandre Braga, nºs 4, 4-A, 6 e 8, junto ao Jardim Constantino, com vista à sua transformação em hotel (“The Rebel Hotel”) e para os quais a CML tinha aprovado em 2017 um projecto de arquitectura para a sua reabilitação mas enquanto edifícios para habitação (proc. nº 260/EDI/2017).

Independentemente da nossa estranheza em verificarmos que, decorridos 4 anos sobre a aprovação pela CML do projecto de reabilitação, nada aconteceu aos edifícios em causa para lá da sua crescente degradação e venda a terceiros, no que se nos afigura como uma operação de especulação imobiliária;

Vimos apresentar o nosso protesto pela eventual aprovação de mudança de uso para fins de hotel, numa rua como a Rua Alexandre Braga, de sentido único, pacata, com passeios estreitos, edificado exclusivamente habitacional e inserida que está em traçado urbano consolidado. Sendo o Bairro da Estefânia uma das poucas zonas residenciais ainda relativamente acessíveis da capital, assim como livre da pressão turística, é essencial questionarmos os impactos negativos de uma unidade hoteleira desta dimensão no bairro. Dispensamos noutro bairro residencial da cidade histórica danificado pela falta de planeamento das actividades do Turismo.

Lembramos que estes 4 edifícios foram concebidos pelo Arq. Cristino da Silva (nºs 4 e 6) e Arq. João Simões (nº 4-A – oficinas e armazéns da firma de Amadeu Gaudêncio - e nº 8), estando os dois primeiros inscritos na Carta Municipal do Património (item 44.83), pelo que a mudança de uso naqueles dois edifícios (nº 4 e nº 6) da CMP só pode ser aceite à luz do artigo 30º do Regulamento do PDM se a mesma não comprometer a manutenção das respectivas características construtivas e arquitectónicas, o que a nosso ver não se verifica uma vez que será aberto um corredor em todo o comprimento dos 4 edifícios para serviço aos quartos do hotel, pelo que irá ser alterada toda a lógica construtiva e funcional com a destruição da compartimentação dos dois edifícios modernistas de Cristino da Silva, mandados construir por Amadeu Gaudêncio em 1932 e inscritos na CMP, estando prevista também a abertura de um “rooftop” contínuo, comum aos edifícios dos nº4, 6 e 8.

Como tem sido apanágio de muitos projectos imobiliários para servir a gula da indústria do Turismo, também aqui parecem estar reunidos todos os ingredientes que conduzem ao empobrecimento do património construído da nossa cidade - com a destruição irreversível do primeiro conjunto de habitação colectiva desenhado por um autor de referência, pioneiro da arquitectura nacional do Movimento Moderno, o que justificou precisamente a sua protecção na CMP. Lembramos ainda que o Arq. Luís Cristino da Silva, e a sua família, habitou um dos apartamentos deste conjunto. Não é pois defensável um projecto que ambiciona reduzir uma obra de arquitectura deste valor a uma mera fachada que se "preserva" descontextualizada e portanto sem significado. Estivéssemos em Londres, por exemplo, e já teríamos uma "blue plaque" a assinalar a memória do ilustre morador e autor.

Da nova direcção do Pelouro do Urbanismo esperamos um virar de página na apreciação deste tipo de projectos que apenas consideram o património como imagem superficial, denunciando assim que Lisboa ainda está muito aquém de um entendimento mais evoluído e sustentável do que significa «Património Cultural». É urgente alargar o horizonte da discussão e da análise de projectos desta natureza em nome da salvaguarda do bem comum. Lisboa não pode continuar a descartar elementos do seu património único e irrepetível num cumprimento simplista de interesses privados, sem benefícios indiscutíveis para as gerações futuras.

Na expectativa, apresentamos os nossos melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Fernando Jorge, Miguel de Sepúlveda Velloso, Júlio Amorim, Rui Pedro Barbosa, Gustavo da Cunha, Virgílio Marques, Beatriz Empis, Luis Carvalho e Rêgo, Pedro Jordão, Nuno Caiado, Jorge Pinto, Pedro Cassiano Neves, Marta Saraiva, Luís Serpa, Maria Ramalho

11/10/2019

Protesto veemente pela demolição da moradia modernista de Cristino da Silva (Av. Ant. Jose Almeida, 20)


Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina
Exma. Senhora Directora-Geral
Arq. Paula Silva 


CC. AML, Ver. Urbanismo, Docomomo e media 

É com estupefacção que assistimos à inacreditável demolição da moradia desenhada pelo arq. Cristino da Silva para o eng. Belard da Fonseca, sita na Av. António José de Almeida, nº. 20, resultante da aprovação em 2018, e consequente licenciamento, de um projecto de alterações com ampliação e construção nova, pelos Serviços que V. Exas. tutelam, projecto esse que, mais uma vez, não foi aprovado em sede de Reunião de CML.

Lembramos a V. Exas. que esta moradia é a mais importante de todo o legado do Modernismo que ainda subsiste na cidade de Lisboa, e está referenciada em todas as publicações da especialidade, e não só, dignas de nota.

Mais nos indignamos quanto julgávamos impossível a repetição durante o presente executivo camarário, do escandaloso processo semelhante por que passou a moradia de Cassiano Branco, no nº 14 da mesma avenida, em 2007, com outro executivo.

Questionamo-nos como é possível que tal tenha sido aprovado agora pelos Serviços de Urbanismo e da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, e respectiva tutela, e pelo Serviços da Direcção-Geral do Património Cultural, e respectiva tutela;

E questionamos a relevância, senão mesmo a existência, de entidades e estruturas como a Docomomo Ibérico e a comissão consultiva para a Carta do Património do Plano Director Municipal de Lisboa.

Não compreendemos como é possível que o quarteirão de moradias modernistas da Avenida do México e da Avenida António José de Almeida, e a moradia em apreço por maioria de razão, não mereça até hoje a mínima atenção nem da CML nem da DGPC/IGESPAR/IPPAR, porque há muito que devia ser classificado Conjunto de Interesse Público (no mínimo Municipal).

É profundamente lamentável o que está a acontecer à moradia de Cristino da Silva.

Melhores cumprimentos 

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Rui Pedro Martins, Júlio Amorim, Miguel de Sepúlveda Velloso, Inês Beleza Barreiros, Virgílio Marques, José Toga Soares, Beatriz Empis, João Oliveira Leonardo, Helena Espvall, António Araújo, Pedro Ribeiro, Luís Mascarenhas Gaivão, Paulo Lopes, Irina Gomes, Ricardo Mendes Ferreira, André Santos, Jorge Santos Silva, Carlos Moura-Carvalho, Maria do Rosário Reiche, Jorge Pinto 

Fotos de Rui Pedro Martins, Júlio Amorim, SIPA/IHRU/DGEMN e Arquivo Municipal de Lisboa

15/07/2019

Areeiro - pináculos do projecto de Cristino da Silva/ pedido de intimação à CML


Exmo. Senhor Vereador
Arq. Manuel Salgado


Cc. PCML, AML, JF Areeiro e media

No seguimento da notícia vinda a público (https://sol.sapo.pt/artigo/664311/caravelas-vao-voltar-as-torres-do-areeiro), tomámos conhecimento do V/ofício refª 17/DMU/CML/19, de 18 de Março de 2019, solicitando à administração do condomínio do prédio do Areeiro, Avenida Almirante Reis, nº 247, sobre as razões do desaparecimento da nau/pináculo do topo deste edifício emblemático do projecto de Cristino da Silva, e o porquê também da sua ainda não reposição.

Aplaudimos essa V/comunicação, mas, dada a ausência de acção de facto do mesmo com vista à referida reposição, e uma vez que o imóvel se encontra abrangido pela protecção decorrente da Carta Municipal do Património, anexa ao PDM em vigor, vide lote 43.07- Conjunto arquitetónico/ Praça Francisco Sá Carneiro, 1 a 8, Av. Almirante Reis, 243 a 247, Av. Padre Manuel da Nóbrega, 1, 2 e 4 e Av. Almirante Gago Coutinho, 1 e 3), e que o pináculo em apreço é elemento fulcral do conjunto arquitectónico identificado (foto de Horácio Novais, c. 1955, in Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian);

Solicitamos a V. Exa. que dê indicações aos Serviços da CML para intimarem a mesma administração a proceder à necessária reposição do pináculo, ou, em caso de o mesmo ter sido já vendido ou o seu paradeiro ser neste momento desconhecido, e uma vez que facilmente se acede aos desenhos originais do mesmo (in Arquivo da CML), encomende a sua réplica fidedigna e respectiva colocação no topo do torreão do edifício.

Igual procedimento, solicitamos em relação aos proprietários do edifício do lado nascente, sito na Av. Almirante Reis, nº 260.

Sabemos todos da descaracterização, quiçá irreversível, do espaço público daquela que foi a melhor praça modernista de Lisboa, mas tentemos que os edifícios não o sejam, pelo menos a nível das suas fachadas e coberturas, uma vez que também se têm verificado alterações significativas nos seus interiores.

Ainda sobre este edifício em particular (Avenida Almirante Reis, nº 247), solicitamos ainda a V. Exa. que nos informe sobre a legalidade do que aparenta ser uma piscina na cobertura do edifício, conforme indicado na foto em anexo, o que, a confirmar-se, configurará mais um incumprimento a nível do Regulamento do PDM de Lisboa, artigos 27º, 28º e 30º, pelo que deverá a CML intimar o proprietário à sua remoção.

Na expectativa, aceite os nossos melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, Pedro Jordão, Rui Pedro Barbosa, Maria Teresa Goulão, Maria do Rosário Reiche, Rui Pedro Martins, José Filipe Soares, Carlos Moura-Carvalho, António Araújo, Alexandre Marques da Cruz, Virgílio Marques, Helena Espvall, Fátima Castanheira

17/05/2019

Adeus à moradia de Cristino da Silva/Belard da Fonseca, tal como a conhecemos:


Desejando a todos um belo fds, digam adeus à soberba moradia modernista (1920-1930), tal como a conhecemos e que devia ser Imóvel de Interesse Público, feita pelo arq. Cristino da Silva para o eng. Belard da Fonseca, ali na Av. Antº José d'Almeida, pois vai ter alterações significativas, vai ser ampliada e alterada a distribuição interior. O processo foi analisado no DBC/DGPC no âmbito da zona de protecção do INE e o projecto foi aprovado em Janeiro de 2018 tendo sido precedido de reunião em sede da ARU onde foi definida a metodologia para a ampliação. Este processo teve início no final de 2016. Sem os tiques da moda, resulta, porém, num projecto de mau gosto que em nada dignifica a arquitectura. Para aprovar isto não é preciso haver arquitectos nas entidades públicas licenciadoras. É lamentável, mas, infelizmente, está tudo aprovado há demasiado tempo! E pronto, siga.
Fotos de Júlio Amorim e Hemeroteca Municipal de Lisboa

20/12/2018

Demolição de moradia modernista de Cristino da Silva - Pedido de esclarecimentos à CML


Exmo. Senhor Vereador
Arq. Manuel Salgado


C.C. PCML, AML, JFAN, MP e media

Constatada a demolição, rápida e eficaz, da moradia cuja autoria era atribuída do insigne arq. Luís Cristino da Silva, na Av. João Crisóstomo, nº 27.

E considerando que a mesma se encontrava em bom estado de conservação;

Solicitamos a V. Exa. que dê conhecimento público:

* Das razões objectivas para que a CML tenha permitido o abate da moradia referida, sem o discutir e aprovar previamente em sede de Reunião de CML;
* Do relatório de engenharia de estruturas que suportou esse abate;
* Do projecto de arquitectura previsto para este lote.

Melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Carlos Moura-Carvalho, Luís Mascarenhas Gaivão, Pedro Cassiano Neves, Henrique Chaves, Inês Beleza Barreiros, Ana Homem de Almeida, Miguel Atanásio Carvalho, Filipe Teixeira, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Fátima Castanheira, Maria do Rosário Reiche, Paulo Lopes, Rui Pedro Martins, Jorge Pinto,Jozhe Fonseca

15/03/2017

A propósito do renascido Capitólio, cuja reabertura se saúda ...


Fotos: CML


É preciso não nos esquecermos dos dias em que teve os dias contados..., só é pena ter o renovado Capitólio aquela imensidão de vidros pretos e aquela parte traseira (credo!). Ficam, abaixo, as fotos (arquivos CML e FCG) do antigamente, para se ver das diferenças in loco:

02/12/2015

Excelente artigo, como 2 ressalvas: dinheiro, há sempre, para anedotas; o Dispensário não é classificado, foi um equívoco!


In O Corvo (2.12.2015)
Texto: Isabel Braga

«Em Lisboa, um edifício classificado é apenas “uma chamada de atenção”

Há centenas de edifícios que fazem parte do inventário dos imóveis de interesse municipal, mas poucos se encontram classificados como tal. Parece haver alguma confusão na terminologia, mas a situação é clara, em termos práticos: a Câmara Municipal de Lisboa não tem dinheiro para acudir aos imóveis classificados, sejam eles de interesse municipal, público ou nacional.

Em Lisboa, existem menos de trinta imóveis classificados como sendo “de interesse municipal”, uma lista que inclui conjuntos habitacionais como o Bairro Azul, equipamentos como o Pavilhão do Rádio do Instituto Português de Oncologia, o Dispensário de Alcântara ou o Oceanário, edifícios onde funcionam estabelecimentos de referência, como o restaurante Tavares Rico, e ainda palácios ou simples prédios de habitação.

A par desta curta lista, existe uma outra, muito mais extensa, dos edifícios que integram o inventário dos imóveis de interesse municipal, publicado juntamente com o Plano Director Municipal (PDM).

Portanto, uma coisa é fazer parte do inventário, outra é estar classificado. Sendo que a terminologia não é a mais correcta, que gera confusões. Tanto mais que não há apenas um, mas diversos inventários dos imóveis de interesse municipal existentes em Lisboa, dois dos quais elaborados pela Associação dos Arquitectos Portugueses, um terceiro do historiador de arte José-Augusto França, e vários outros, mais especializados, relacionados com características específicas dos imóveis.

Em resumo, um imóvel pode ser apenas inventariado, se tiver qualidade comprovada, seja por que razão for. Um nível acima ficam os imóveis classificados, digamos que passam de major a coronel, e esses podem incluir-se em três categorias, os imóveis de interesse municipal, herdeiros dos antigos imóveis de valor concelhio, os imóveis de interesse público e os monumentos nacionais.

Em termos práticos, estas classificações pouco significam no que respeita à protecção dos imóveis a que se referem, já que tudo se resume a uma chamada de atenção para a sua relevância. Ao classificar um imóvel, estamos apenas a sensibilizar a gestão urbana para a qualidade desse imóvel. Há que acrescentar que existem centenas de edifícios degradados na cidade, e que a Câmara não tem dinheiro para obras coercivas.

Cabe, então, aos proprietários dos imóveis classificados custear obras de conservação ou quaisquer outras. Mas, para as realizar, há que pedir autorização às entidades competentes: a autarquia, no caso dos imóveis de interesse municipal; a autarquia e o Estado, através do Instituto do Património Cultural, no caso dos imóveis de interesse público ou classificados como monumento nacional . Essas autorizações são também exigidas no caso de demolição dos edifícios.

Qualquer entidade, pública ou privada, pode propor à Câmara Municipal de Lisboa a classificação de um imóvel. Por vezes, são os próprios proprietários a propôr essa classificação, como sucedeu recentemente com o Palácio de Santana, do século XVIII, na Calçada de Santana, cujo processo de classificação está em curso. Outras vezes são os técnicos camarários a descobrir num edifício características que o tornam merecedor dessa distinção. Um caso desses ocorreu, há pouco, com a escola primária de Raul Lino, situada na Calçada da Ajuda, e também classificada recentemente, cujo interior se revelou precioso, com pinturas e azulejos do próprio Raul Lino e de António Soares.

No que toca à protecção e salvaguarda dos imóveis classificados, tudo parece resumir-se, portanto, a proibições e restrições. Até aos finais do século XX, ter um imóvel classificado era como se fosse um castigo para os proprietários. Os principais inimigos da classificação eram eles, porque ficavam muito limitados em termos da gestão do imóvel.

Algo mudou, em 2001, com a aprovação da Lei de Bases do Património. O Estado regulou no sentido de conceder benefícios fiscais aos proprietários de edifícios classificados, sendo o mais importante a isenção de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI). Há outras isenções menores, mas a do IMI foi a medida mais importante. Bastou isso para se começar a gerar outra atitude nos proprietários. Só que a isenção de IMI apenas se aplica aos edifícios isolados, daí que aqueles que fazem parte de conjuntos classificados, como é o caso da Avenida da Liberdade ou da Baixa Pombalina, não sejam abrangidos.

Dada a forma polémica como a Autoridade Tributária tem lidado com a isenção de IMI para conjuntos classificados – de que foram exemplo a revogação da isenção do IMI em vários edifícios integrados em centros históricos classificados, como o de Évora, que é património mundial -, legislação recente esclareceu que a isenção de IMI apenas abrange os imóveis individualmente classificados.


À antiga livraria do DN, desenhada por Cristino da Silva, de pouco serviu a catalogação

Daí que a situação de abandono a que já estavam votados vários edifícios notáveis da cidade de Lisboa se tenha acentuado. É o caso do cinema Odéon, situado na Rua dos Condes, inaugurado em 1927 e construído segundo um projecto que marca o aparecimento de uma linguagem modernista na arquitectura. Este edifício faz parte do conjunto classificado da Avenida da Liberdade, pelo que não beneficia da isenção do IMI. A CML limita-se a assistir ao processo de degradação deste imóvel. O Cinema Odéon é bem um exemplo disso.

Uma vez que não há mesmo dinheiro para obras coercivas, o proprietário está muito limitado relativamente ao que pode fazer ali, para o rentabilizar, por força da classificação. Valerá a pena investir 500 mil euros naquele edifício e deixá-lo fechado, uma vez que não irá ser usado como cinema? Muito possivelmente, em meia dúzia de anos, o imóvel voltar-se-á a degradar, tendo sido o dinheiro da reabilitação deitado à rua.

Outro caso digno de registo é o do edifício situado na esquina do Rossio com a Rua do Ouro, um projecto do arquitecto modernista Cristino da Silva, onde funcionou, desde 1938, a livraria do “Diário de Noticias” – desde 2013, funciona ali uma loja de retalho têxtil.

O imóvel encontra-se catalogado no Inventário Municipal de Património e faz parte do conjunto classificado da Baixa Pombalina: em 2006, a livraria passou a chamar-se Oficina do Livro, depois de vendida à editora do mesmo nome, e teve o seu interior modificado. A seguir, os livros foram-se embora e, na loja, passou a funcionar “A Feira dos Tecidos”. O edifício, uma vez que não está classificado individualmente como sendo de interesse municipal, à semelhança do que sucede com o Cinema Odéon, paga IMI.

Apesar das restrições impostas por lei a obras num imóvel que faz parte de um conjunto classificado como de interesse público, como é o caso da Baixa Pombalina, obrigando a autorizações duplas – do município e do Estado -, o edifício da antiga livraria do “Diário de Notícias” está hoje irreconhecível por dentro e por fora, em resultado das várias intervenções nele realizadas.

* Nota: texto rectificado pela autora às 16h25 de 2 de Dezembro. O texto voltou a ser editado às 17h20

28/11/2013

E os passeios no Areeiro ERAM assim:


Pois este piso já era, já foi. Agora há uma coisa chamada Plano de Acessibilidade Pedonal (nada contra tal ideia, designação e objectivos finais) e a calçada portuguesa não faz parte dele salvo em zonas turísticas. O Areeiro tem autoria de nomes como Cristino da Silva, e deve parecer mal tratar o Areeiro com dignidade, devem pensar alguns.


Foto: Estúdio Horácio Novais (fonte: Malomil)

27/09/2013

Recordar é viver


Finalmente, o Capitólio está a ser recuperado, reconstruído praticamente. Oxalá fique pronto na perfeição das linhas originais que Cristino da Silva lhe projectou, e pouco lhe seja acrescentado por inventado. Cá estaremos para aplaudir. (pena, muita pena, que a CML continue simplesmente a ignorar o Odéon...).

(Foto: blog olhai lisboa)

...


E assim chegam ao fim os episódios (bons e maus) da gestão do actual executivo, que achei por bem eleger como elegíveis e publicar ao longo do período de campanha eleitoral.

25/09/2013

Recordar é viver



E a Expo já chegou ao Areeiro. Tinha chegado ao Miradouro de Santa Catarina, à Ribeira das Naus, ao Terreiro do Paço, ao Intendente e agora chegou ao Areeiro. Ninguém a pára, à 'estética Polis', perdão, Expo.


Foto: Carlos Fontes

15/07/2013

Se era para isto mais valia terem deixado as letras garrafais de Cristino da Silva!!!


«ANTIGA LIVRARIA DIÁRIO DE NOTÍCIAS DO ROSSIO FECHOU PORTAS

In O CORVO


As letras que lhe davam a imagem, justificavam o carisma e, mais que tudo, outorgavam o nome pelo qual ela foi conhecida já tinham sido retiradas, no início do ano passado. A designação oficial da loja já nem era a mesma de sempre, desde há sete anos. Mas agora as portas fecharam mesmo. A antiga livraria Diário de Notícias, uma das mais icónicas da Praça Dom Pedro IV, ou Rossio, e também da Baixa, encerrou no final da semana passada. A livraria, pertencente ao Grupo Leya, e o seu recheio foram transferidos para a outra loja do grupo, praticamente em frente, no número 23 do Rossio, ao lado do Café Nicola, e que amanhã reabre, após obras de reabilitação. Durante o fim-de-semana, era muita a azáfama, com funcionários a fazerem a mudança do acervo e de algum mobiliário para o renovado espaço. Morria mais uma livraria, por entre o muito movimento dos turistas indiferentes.

A livraria do jornal Diário de Notícias abriu em 1938, com o projecto da fachada a ser concebido pelo arquitecto modernista Cristino da Silva. Essa fachada de azulejos amarelos encimada por um néon azul com as letras estilizadas do Diário de Notícias foi, durante décadas, um farol para muitos dos que passavam pela Baixa. A loja que em 2006 se passou a chamar Oficina do Livro, após ter sido vendida aquela editora, havia conhecido obras de remodelação no seu interior, cinco anos antes. Mas o aspecto exterior manteve-se inalterado pelo seu simbolismo patrimonial. Tanto que o mesmo está catalogado no Inventário Municipal de Património anexo ao Plano Director Municipal. Tal classificação revelou-se, porém, insuficiente para evitar que o néon com as famosas e reluzentes letras do Diário de Notícias tivesse sido retirado, em Fevereiro do ano passado. Isto depois de a fachada ter sido já adulterada com a colocação por cima do néon de uma enorme placa dizendo Livraria Oficina do Livro.

Texto e fotografia: Samuel Alemão»

29/02/2012

Confirmada ilegalidad​e da obra feita na fachada da antiga agência do Diário de Notícias no Rossio/E AGORA?


Exmo. Senhor Presidente
Dr. António Costa


Voltamos ao contacto de V. Exa. para lhe dar conta da efectiva ilegalidade da operação de remoção dos letreiros modernistas originais das fachadas da antiga livraria (agência) do Diário de Notícias, no Rossio, uma vez que fomos informados de que não deu entrada na DRC-LVT nenhum pedido de alteração àquela loja.

Aqui chegados, pedimos a V. Exa. que nos esclareça quanto ao procedimento a adoptar pela CML no sentido de repor a legalidade, ou seja, instar o proprietário a recolocar os letreiros naquelas fachadas, respeitando o património da cidade (a fachada de loja está inscrita na Carta do Património anexo ao PDM, e a loja está inserida na Baixa Pombalina, IIP) e o que resta do projecto original modernista do Arq. Cristino da Silva, de 1936.

Na expectativa, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos

Fernando Jorge, António Branco Almeida, Luís Marques da Silva, João Filipe Guerreiro, António Araújo, Jorge Pinto, Paulo Lopes, Nuno Caiado e Virgílio Marques

C.c. AML, Media.


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«Date: Wed, 29 Feb 2012 12:15:23 +0000
To: Fernando Jorge
From: Paula Infante
Subject: Antiga Agência do Diário de Notícias no Rossio


Exmo. Senhor Fernando Jorge

Encarrega-me a Senhora Diretora de Serviços dos Bens Culturais da Direção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo, de o informar que não deu entrada neste serviço nenhum projeto de alteração para a antiga agência do Diário de Notícias, no Rossio.

Com os melhores cumprimentos


Paula Alves, Técnica Superior
Direcção de Serviços dos Bens Culturais
Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo
Avenida Infante Santo, n.º 69 - 1.º, 1350-177 Lisboa
Telf: 213 920 750 | Fax: 213 953 535
Correio electrónico: geral@drclvt.pt
Sítio oficial: www.drclvt.pt»


22/02/2012

Antiga agência do Diário de Notícias no Rossio (Arq. Luís Cristino da Silva, 1938)

Todo o lettering original, em metal e néons, foi retirado da fachada da antiga agência do Diário de Notícias na Praça D. Pedro IV, 10-11 torneja Rua do Ouro.

Esta loja foi desenhada em 1938 pelo Arq. Luís Cristino da Silva (1896-1976) sendo um dos estabelecimentos comerciais mais paradigmáticos do Movimento Moderno em Lisboa. Também era uma das poucas frentes de loja do periodo Modernista que sobreviviam na capital.

Como foi possível acontecer esta destruição, em pleno Rossio, de uma obra de um dos autores de referência da arquitectura do séc. XX?


Deu entrada na CML algum projecto de alteração deste imóvel?
Este estabelecimento faz parte da Carta Municipal do Património anexa ao PDM.


Por Fernando Jorge.

09/03/2010

Lisboa é metade limpa e metade porca

Este edifício partiu de um convite que a CML fez em 1945 ao Arq. Cristino da Silva para um «Plano Parcial de Urbanização da zona compreendida entre a Praça dos Restauradores e a Praça D. João da Câmara». O projecto para este novo edifício que a Sociedade Industrial Aliança acabaria por erguer ficou pronto em 1948. Segundo os desenhos do projecto original sempre houve um piso recuado. Mas, conforme se vê nesta foto, o problema é que se acrescenta quase sempre um novo "piso" para as instalações técnicas (ar-condicinado, antenas para telemóveis, etc.). Enquanto a CML não exigir que as coberturas, em particular na Baixa, sejam rigorosamente tratadas também como "fachada" - a 5ª fachada - assistiremos à proliferação de telhados caóticos em toda a zona. Metade do imóvel foi vendido e remodelado para instalação de uma unidade hoteleira de 5 estrelas que vai ser inaugurada muito em breve. Quanto à outra metade do edifício, está no estado em que se vê: a proprietária é a Caixa Geral de Depósitos e o seu arrendatário, os Serviços Sociais do Ministério da Justiça. Mais palavras para quê?

Reabilitação de edifício nos Restauradores para novo hotel Altis aposta no requinte discreto dos anos 40

In Público (9/3/2010)
Por Ana Henriques

«Em tempo de Óscares, não é preciso muita imaginação para vislumbrar os actores de voz baixa e insinuante dos anos 40 a vaguearem lânguidos pelo edifício. Este fim-de-semana nasceu um novo hotel em Lisboa, num edifício dos Restauradores concebido pelo arquitecto modernista Cristino da Silva e com uma decoração que remete para os cânones da época.

A cargo do grupo Altis, a reabilitação do edifício não foi fácil. O orçamento para recuperar o imóvel, que data dos primórdios do betão em Portugal, disparou dos 14 milhões de euros inicialmente previstos - verba que inclui a sua compra a outro grupo hoteleiro, que acabou por desistir da tarefa - para 18 milhões. Quando a obra se iniciou, o estado do edifício fronteiro à Estação do Rossio metia dó. "Tinha pertencido à Câmara de Lisboa, mas estava completamente abandonado, e num adiantadíssimo estado de degradação", descreve o arquitecto encarregado da recuperação, João Vasconcelos Marques. Até animais mortos havia lá dentro.

As boas notícias é que, quando voltar o bom tempo, todos vão poder usufruir da grande varanda panorâmica do último andar, que será aberta ao público como esplanada da brasserie do hotel, ainda por cima num horário alargado: das 7h30 à uma da manhã. Daqui avista-se a Avenida da Liberdade de um ângulo muito especial: praticamente a partir do seu centro. Logo pela alvorada é vê-la muito pacata, quase sem carros, para nas horas seguintes se encher de trânsito barulhento. Um problema que levou os donos do hotel a munirem-se de todas as armas ao seu alcance - potentes caixilharias e vidros - para que os hóspedes possam dormir manhã fora em paz e sossego.

O preto lacado das paredes dos quartos faz parte de uma decoração retro que aposta num requinte discreto condizente com as cinco estrelas do alojamento, que, além de 68 quartos, conta com duas suítes. Os preços começam nos 160 euros por noite.

Recuperada com o acompanhamento do instituto do património, a obra de Cristino da Silva mantém muitas das suas características originais. É o caso da magnífica escadaria com corrimão de madeira que sobe até ao sexto andar. Para a recuperação ficar completa, falta estender-se à segunda metade do imóvel, ainda nas mãos da Caixa Geral de Depósitos e do seu arrendatário, os Serviços Sociais do Ministério da Justiça, mas que o grupo Altis já começou a cobiçar.»

...

Não fora o andar a mais que foi construído lá no topo ...

11/09/2008

Violação do projecto aprovado?




Para este edifício da Rua Primeiro de Dezembro, 120 (autoria de Cristino da Silva), a CML aprovou em Dezembro de 2006 um projecto de alterações para adaptação do mesmo a hotel de 4****, designado então 'Hotel Mundial Prestige', para a Soc. Hoteleira de Turismo Sotelmo, S.A. O projecto então aprovado (Proc. Nº 955/EDI/2006) dizia claramente que o hotel seria feito 'sem alterar as suas características arquitectónicas'. E que 'a volumetria do edifício é mantida na sua totalidade e que era proposta a manutenção das fachadas, com substituição das caixilharias de madeira por alumínio lacado, recuperação da entrada principal, bem como, das duas caixas de escadas e adaptação/alteração dos espaços de modo a dar resposta ao novo programa do edifício, bem como uma nova cobertura para o saguão'. O hotel seria 'composto por 1 piso em cave e 8 pisos acima do solo. O piso –1,, em cave é destinado a áreas de serviço, designadamente, instalações sanitárias e refeitório do pessoal, rouparia, depósito de bagagem/bengaleiro, armazenagem de lixos e áreas técnicas. O piso 0, é composto, essencialmente, pelo lobby e recepção, bem como, instalações sanitárias do público e elevadores e escadas de acesso aos pisos superiores. A entrada de serviço é efectuada pela rua Jardim do Regedor. Do piso 1 ao piso 6, localizam-se os quartos, 12 por piso, que correspondem a 24 camas por piso. No piso 1, encontra-se o quarto adaptado a pessoas de mobilidade condicionada e respectiva instalação sanitária. O piso 7, é composto por a sala dos pequenos-almoços, e respectiva copa, duas instalações sanitárias do público mais uma adaptada a pessoas de mobilidade condicionada. Existe ainda uma sala de estar/bar e um bengaleiro. É proposta para o hotel uma capacidade de 144 camas, distribuídas por 72 unidades de alojamento, todas estas designadas por quartos duplos'.

Posteriormente, em Agosto do corrente, foi apresentado um projecto de alterações durante a execução da obra (Proc. Nº 436/EDI/2008), no qual 'as alterações apresentadas são alterações decorrentes das contingências da obra e de outras circunstâncias não previsíveis à data da realização do projecto deferido. Assim, só após as demolições foi possível efectuar um levantamento rigoroso das dimensões interiores de todos os pisos, estrutura, redes de esgotos e águas pluviais. Analisadas as peças desenhadas, as alterações apresentadas no presente projecto não alteram nem cércea nem volumetrias. Nos alçados são apenas apresentadas alterações no desenho da caixilharia no piso 7, a criação de um gradeamento exterior no alçado poente e ampliação da casa das máquinas. Também a capacidade do hotel mantém-se com 72 unidades de alojamento, distribuídas por 144 camas, todas estas designadas por quartos duplos'. O projecto ainda se encontra formalmente em apreciação.

O problema é que, segundo testemunhas, a ampliação no último piso já vai muito para além da casa das máquinas, ou de café miradouro, continuando-se a colocar tijolo sobre tijolo e parecendo que o prédio vai crescer, o que seria uma violação grosseira do projecto aprovado. Em breve haverá fotografias actuais.