...

...

25/02/2016

Não se perde grande coisa enquanto prédio, perde-se História...nesta cidade de hotéis: «Prédio da Rádio Renascença vai ser hotel de charme»


In Diário de Notícias (25.2.2016)
Por Inês Banha

«Nova unidade na Rua Ivens, em Lisboa, vai ter 94 quartos e as obras começam em Junho. Rádio muda-se para quinta entre Benfica e a Buraca.

Ao fim de 80 anos no Chiado, a Rádio Renascença vai deixar o histórico número 14 da Rua Ivens para dar lugar a um hotel de charme. O início das obras já está marcado: no segundo semestre deste ano, o edifício que é ocupado pela Emissora Católica Portuguesa desde 1937, começará a ser transformado numa unidade com 94 quartos. Será mais uma a juntar aos cerca de 20 espaços hoteleiros - entre hotéis, hostels e apartamentos de arrendamento a turistas - que existem no Chiado, no coração de Lisboa.

O número 14 da Rua Ivens é propriedade da Fidelidade, Companhia de Seguros, S. A. e a previsão é de que a mudança de instalações do grupo R/com - Renascença Comunicação Multimédia se mude para a Quinta do Pastor, entre Benfica e a Buraca, até ao final de junho. "Até ao final do primeiro semestre, contamos fazer a mudança para as novas instalações", adiantou ao Dinheiro Vivo, há cerca de duas semanas, José Luís Ramos Pinheiro, administrador do grupo que detém ainda a RFM, instalada também no Chiado. O dirigente do R/Com frisou ainda que o novo espaço, com uma área de quatro mil metros quadrados, oferece "melhores condições para toda a empresa, permitindo ter estúdios totalmente digitais, com capacidades de transmissão web acrescidas, com os estúdios a funcionar como uma unidade integrada".

É no semestre seguinte que, avança ao DN fonte oficial da Fidelidade, terão início as obras para converter o edifício datado do século XIX, integrado na área classificada da Lisboa Pombalina, num hotel de charme com 94 quartos. A seguradora não revela, porém, o valor do investimento nem o tempo previsto para a duração dos trabalhos que culminarão na abertura de mais uma unidade hoteleira na capital. E esta está longe de ser a única a abrir portas nos próximos tempos.

Até 2018, está prevista a abertura em Lisboa, segundo informação disponível no site do Observatório da Associação de Turismo de Lisboa, de 16 hotéis, oito dos quais já este ano. Já no próximo, serão sete e, no seguinte, mais um. A maioria concentra-se no centro histórico, mas há também um previsto, por exemplo, para o aeroporto. Outros oito projetos estão já referenciados, mas não têm ainda data de inauguração anunciada.

No final de 2014, havia na capital 163 unidades hoteleiras - mais 34% do que quatro anos antes, quando eram apenas 122. A estimativa é da consultora imobiliária Worx, que, em setembro, salientou que não se trata de uma tendência única da capital portuguesa. "O aumento significativo da oferta hoteleira na cidade de Lisboa foi acompanhada por outras cidades europeias, ainda assim nenhuma outra conseguiu superar este incremento próximo dos 34%", lê-se no estudo elaborado por aquela entidade, citado então pelo jornal Expresso.

No mesmo período, o crescimento em Oslo (Noruega) foi de 18,6%, em Praga (República Checa) de 18,6% e em Budapeste (Hungria) de 18,4%. Já em 2015, abriram, só entre os meses de janeiro e setembro, 12 hotéis.

Esta é, ainda assim, apenas uma pequena parte da oferta hoteleira da capital, que inclui ainda hostels e apartamentos alugados a turistas. No Chiado, por exemplo, dos 18 espaços contabilizados pelo DN através do site Trivago, um motor de busca hoteleira, apenas seis são hotéis - tantos como os alojamentos de Bed&Breakfast, um alojamento que oferece apenas dormida e pequeno-almoço (ver infografia).

Há ainda situações de particulares que optam por alugar as suas casas a visitantes ocasionais, aproveitando o boom turístico dos últimos anos e incentivados pelo barulho noturno nas principais zonas de diversão da cidade.

Sobre o hotel de charme que nascerá no número 14 da Rua Ivens não se conhecem ainda detalhes, apesar de o DN os ter solicitado à Fidelidade. Certo é que, em causa, está um edifício que, ao longo de mais de um século, teve diversos ocupantes. Datado do século XIX, foi casa, entre 1914 e 1950, da Companhia dos Grandes Armazéns Alcobia, entidade responsável por grande parte da sua decoração interior, de acordo com o Sistema de Informação para o Património Arquitetónico, gerido pela Direção-Geral do Património Cultural. O edifício, originalmente um palacete, tem ainda acesso pela Rua Capelo, tendo, desse lado, funcionado a Pensão Nova Capelo e a Casa do Algarve. Depois do final de junho, conhece uma nova vida.»

1 comentário:

Anónimo disse...

Onde estão os ouvintes da Rádio Renascença?
A Igreja nada tem a dizer?
Desapareceram os fiéis em Portugal que se entusiasmavam com as notícias vindas da Rua Ivens?