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04/04/2016

DGPC chumbou projecto que prevê demolição da Vila Martel


In Público (3.4.2016)
Por JOSÉ ANTÓNIO CEREJO

«Quando a Câmara de Lisboa se preparava para autorizar a destruição do espaço onde viveram e trabalharam alguns dos principais artistas portugueses dos últimos 120 anos, a Direcção-Geral do Património Cultural obrigou a que o projecto volte à estaca zero.

Dois dos ateliers da Vila Martel em que trabalharam grandes pintores portuguesesMIGUEL MANSO

A directora-geral do Património Cultural, Paula Silva, inviabilizou há duas semanas o projecto que previa a substituição da quase totalidade da Vila Martel por um edifíco semi-enterrado, com 12 pisos para estacionamento e dois para hotelaria. O projecto, que conta com o apoio dos responsáveis dos serviços de Urbanismo da Câmara de Lisboa, terá agora de ser revisto, embora tenha ficado aberta a porta a um aumento da altura da construção existente.[...]»

2 comentários:

Anónimo disse...


Até estou admirado

Sem dúvida uma vitória contra o escandaloso vandalismo da CML e Manuel Salgado

Albert Virella disse...

Seria um exercício formativo se cada um dos que entraram nesta luta pela conservação deste património, cultural, desportivo e recreativo, ocupassem, nem que fosse durante um par de horas, a cadeira e a mesa donde se acumulam as propostas de aplicação das reduzidas verbas para o restauro e conservação do património. Ali se deparariam com a impossibilidade orçamental de poder atender o muito que se entende merecia ser recuperado.

Verbas do turismo? O património pode e deve ser uma alternativa ao sol e praia? Não temos no rectângulo uma densidade de locais merecedores que espante e motive. Mas tampouco somos tristemente pobres. Somos é desleixados e mal gastadores. Preferem-se viagens para formação (?) e iniciativas publicitárias, que custam bastante e não sabemos se rendem na devida proporção.

E pensemos, que é barato e não cansa.

Ter um elemento do património bem recuperado, sempre com custos importantes, não termina com o arrumar os andaimes numa camioneta. A conservação é igualmente importante, e custa verbas sem termino.

Há uma situação neste capítulo que me causa calafrios. Por muito que me esforce não encontro nada que me faça aceitar a decisão de pintalgar o Palácio da Pena como se fosse um castelo de um parque temático. Sabemos que aquela salada de estilos, vistosa e curiosa, não passa de ter sido um sonho romantico e delirante que precedeu o Portugal dos Pequenitos. mas com a cor da patine do tempo, da pedra e do reboco mesmo que com tons de ocre e anil, dava uma sensação de mistura respeitável numa mansão de férias. Mas o que conseguiu com a aplicação de tinta plástica tornou excessivamente festivo e caricato um edifício que devia ser o contraponto, em diferentes épocas e estilos, do Palácio da Vila.

Podemos sempre imaginar soluções para conseguir recursos que permitam certos projectos, como é a recuperação do património. Estes dias é notícia, mais uma vez, a fuga de capitais e impostos correspondentes para os chamados paraísos fiscais. Tal como se diz que "uma mão lava a outra" creio que se poderia tentar converter alguns destes prófugos económicos para a mais respeitada categoria de mecenas da recuperação. Em vez de um "perdão" simples e mal visto pela população cumpridora, podiam juntar-se as verbas recuperadas para este real problema.

"Só"que aí surge a possibilidade de se criar um novo problema: Quem poderia garantir que estes dinheiros não se sumiriam como a água na praia? Quem controlaria os abutres com grandes bolsos?

Podem bater neste atrevido ignorante, mas sei que, cívicamente tenho direito a opinar.