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24/04/2016

Hotéis de Salgado & Cia. - 2

Uma das mais extraordinárias fachadas pombalinas de Lisboa. Fica em Alfama.

Como a integridade da malha urbana é um luxo a que Lisboa não pode almejar, vá de colar ao lado desse prédio em todos os aspectos notável, um bacamarte de cimento armado falho de qualquer rasgo e igual a qualquer outra cidade do mundo.

A vergonha vista dos becos de Alfama. Numa zona que deveria ser tratada com pinças. Opta-se pelo camartelo, pela destruição de todas as perspectivas que fazem deste bairro uma coisa única e singular. O património tem muitas facetas. os conjuntos urbanos classificados são uma delas. Será que Alfama pode ser palco de todas os delírios dos urbanistas e dos arquitectos num oportunismo de arrepiar porque faz da ignorância a certeza com pés de barro?



Fachadas do século XVIII cortadas a meio, substituídas e enxertadas por projectos que, como manda a regra em voga, têm que ter retorno do investimento, mesmo que este seja  duvidoso na sua qualidade. O que não tem retorno é a destruição de Lisboa. Esta manta de retalhos é o que resta da fachada do palácio dos Condes de Coculim.

A caixa de betão que envolve o resto dos restos da fachada.

Este hotel galopa pela encosta acima. Cola-se como uma peste às fachadas pombalinas. pela gigantesca volumetria, torna os becos e vielas, realidades liliputianas.

O novo diálogo que tanto é prezado por esta CML. Em território mais do que histórico, no coração da cidade, este executivo aprova ou dá seguimento a projectos megalómanos e destruidores de Lisboa. Renegociar com o promotor? Obrigar a que se cumpram plenamente as regras em domínios classificados, adaptar o projecto aos sítios onde se quer implantar e não os sítios aos projectos? Tudo noções absolutamente alheias ao modo de gerir a cidade. Aqui o que conta, é a quantidade, raras vezes a qualidade.


Aliás este executivo preparava-se para aprovar um silo para automóveis com 12 andares subterrâneos na colina do Bairro Alto, destruindo a Vila Martel para sempre. Projecto, em boa hora, condenado pela DGPC e pelos serviços de tráfego da CML.

NB: o palácio dos condes de Coculim que as fotografias retratam, estava em muito mau-estado. Era evidente que teria que ser alvo de uma intervenção. Nunca se esperaria que a intervenção aprovada trouxesse consigo um aumento de cérceas desta envergadura, uma destruição de quase todo o pré-existente, a invasão volumétrica de toda a área contígua. 

9 comentários:

Anónimo disse...

Por favor; qual é a localização dessa "vergonha" de cimento que estão a colar ao lado do Palácio da primeira foto?

É que não credito. Tenho mesmo que ir ver com os meus próprios olhos!

Anónimo disse...

E depois? As pessoas não querem saber.
Na verdade os portugueses são uma cambada de cínicos e hipócritas. Vivem bem é com o dinheiro dos outros. Agora trabalharem a sério para ganhar o deles e pagar as suas contas ... tá quieto!
Isto é apenas uma manifestação arquitetónica do baixo nível e javardice a que chegou a sociedade portuguesa, em particular a classe dirigente.
Mas mesmo essa classe dirigente só é assim porque o sítio de onde vem, a sociedade portuguesa no geral, é assim. Composta por uma cambada de cínicos, imbecis e ladrões.
Os portugueses têm o que sempre quiseram. Porcaria! É assim que eles vivem, e é do que mais gostam!
Publiquem esta se tiverem coragem!

Miguel de Sepúlveda Velloso disse...

Respondendo ao anónimo das 2.31 da tarde.

Esse hotel está nascer a seguir à Casa dos Bicos na rua que vai até ao largo do Chafariz de Dentro.

Anónimo disse...

Caro MSV:

Sim, esse projecto que está a nascer seguir à Casa dos Bicos, no antigo Palácio dos Condes de Linhares e Coculim, sei qual é.


Mas o que eu queria saber era a localização do edifício amarelo que tem a seguinte nota de rodapé:

"Uma das mais extraordinárias fachadas pombalinas de Lisboa. Fica em Alfama"

Obgd.

Anónimo disse...

Afastaram os investidores do centro de Lisboa, através de décadas de burocracia e rendas congeladas. Era evidente que isso não levaria a bom porto e o tratamento da doença das ruínas por toda a cidade é tipo terapia de choque.

Miguel de Sepúlveda Velloso disse...


Caro anónimo das 3.50 da tarde

O prédio amarelo é na rua S. João da Praça, uma rua que parte da Sé, à esquerda.

Cumprimentos,

Filipe Melo Sousa disse...

Lembra-me um discurso de alguém que pregava no Restelo contra a saída das naus.. mas os cães ladram e a caravana passa

RT disse...

LOL. Só cá faltava o fms com as suas comparações demagogas, infantis e descabidas.

Esses que zarparam fizeram história pois marcaram uma época.

Agora o que é que um cubo de betão como este vai marcar e deixar para a história da arquitectura Portuguesa e de Lisboa é que não sei.

Só se for o que não voltar a fazer!



Anónimo disse...

Concordo com o Sr. Sousa,

Os cães como ele ladram, e a caravana passa.