20/03/2008

Telas gigantes voltam a invadir Lisboa



Tudo recomeçou no final do ano passado com a colocação das telas gigantes da campanha “Europe’s West Coast” de gosto e eficácia muito discutíveis. Por essa altura a cidade ficou forrada por essas gigantescas telas, tapando indiscriminadamente prédios devolutos ou edifícios classificados.

Esse foi o princípio. Depois ficou o precedente. Agora verifica-se a colocação deste tipo de propaganda um pouco por toda a cidade.

Este tipo de suporte, pela sua dimensão e pelas localizações preferidas implicam um forte impacto visual na cidade.

Lisboa é hoje uma cidade com excesso de suportes publicitários. Em número e em qualidade, os suportes publicitários da cidade são, em muitos casos, desadequados para uma cidade como Lisboa, capital do país e com uma riqueza e características patrimoniais assinaláveis.

No âmbito dos suportes publicitários existentes destacam-se os diversos suportes explorados por duas empresas com contratos com a câmara que remontam a 1995. Estão nesta situação as paragens de autocarros, os “mupis” e os “outdoors”. Os compromissos assumidos com a câmara municipal de Lisboa tornam complexa (mas possível) a sua limitação.

Por outro lado existem os pendões em candeeiros e as telas gigantes. Quanto a estes suportes não existem compromissos pelo que a limitação do seu uso depende apenas da vontade da câmara em limitar a publicidade nestas situações.

Em 2006, a CML entendeu ordenar e restringir a afixação de publicidade em telas nas fachadas de edifícios. Fê-lo através de orientações dadas aos serviços para o licenciamento deste tipo de publicidade. O objectivo era claro: restringir a publicidade considerada excessiva e que por esse facto se transformava muitas vezes em verdadeira poluição visual em Lisboa. Foi um primeiro passo, seguido de outros como o combate à publicidade ilegal e o início do processo de revisão do regulamento de publicidade.

As regras então impostas para a restrição de publicidade na cidade não foram alteradas. Não se conhece aliás nenhuma iniciativa no sentido de dar seguimento ao processo de revisão do regulamento de publicidade então iniciado.

As referidas orientações permitiram inviabilizar, por exemplo, a colocação de telas gigantes em praças emblemáticas como o Marquês de Pombal.

No presente verificam-se muitos casos de manifesto incumprimento das regras referidas sem que para isso se note qualquer iniciativa eficaz da CML para fazer cumprir as orientações existentes. Parece que em Lisboa se voltou a poder não cumprir as normas…





António Prôa

6 comentários:

Anónimo disse...

tem toda a razão,António Proa, quanto ao n-ao cumprimeto de regras, infelizmente, é de sempre e de todos.

AML

Insp. Clouseau disse...

Meu caro Prôa, não me lembro que V.Exa. se tenha oposto ao seu presidente Pedro Santana Lopes quando a Cidade ficou inundada de publicidade.
Penso que até concordou!!!!

Anónimo disse...

Exactamente! A capital ficou atafulhada de cartazes que queriam equiparar Santana Lopes ao M. Pombal. Ja se esqueceu do festival que foi a Rua da Madalena? A Rua Braacamp? E muito mais! Foi uma vergonha. NA verdade Lisboa nunca teve tantos cartazes da CML como nessa altura.

daniel costa-lourenço disse...

Mais escandaloso que tapar edifícios degradadados é tapar monumentos nacionais.

Temos mesmo o país que merecemos...

Miguel Drummond de Castro disse...

Um erro semântico-geo-político na sigla do inefável Pinho, agora corrigida:

Não é Europe's West Coast mas sim USA's East Coast.

Por outro lado não era nada má ideia tapar uns bons 80% da cidade. Nem se dava por isso- onde está o Christo que tape o rio do mar da palha até ao Bugio?

Miguel Drummond de Castro disse...

Já agora uns quantos monumentos a tapar com urgência pela "marca Christo":

O Cristo-Rei (má cópia do C. do corcovado)

O Monumento ao António José de Almeida (estátua de estilo e proporções nazis)

A estátua de Egas Moniz (criminoso experimentador com cobaias humanas)