03/06/2011

As lojas mais antigas da Baixa lisboeta

In Diário de Notícias (3/6/2011)
Por Inês Banha

«Martinho da Arcada
Praça do Comércio, n.º 3 > Tel. 218 866 213

Foi no ano de 1782 que, no Terreiro do Paço, surgiu o café que rapidamente se tornou uma preferência para diversas classes sociais. Ao longo de mais de dois séculos, o Martinho da Arcada foi eleito como ponto de encontro de governantes, políticos, militares, artistas e literados. Destes, destaca-se Fernando Pessoa. Este espaço continua a ser procurado para tertúlias e convívios, mantendo a tradição secular.

Conserveira de Lisboa
Rua dos Bacalhoeiros, n.º 34 > Tel. 218 864 009

Tricana, Minore Prata do Mar, marcas próprias da conserveira, cobrem as prateleiras de madeira da loja da Rua dos Bacalhoeiros. Fundada em 1930, a Conserveira de Lisboa é um estabelecimento familiar, fiel à qualidade e à tradição. Enquanto se perdem entre as dezenas de variedades disponíveis, os clientes podem ainda ver o processo de embalagem manual das conservas, nos característicos rótulos coloridos.

Charcutaria Nova Açoreana
Rua da Prata n.º 116-118

A charcutaria que já ocupava o n.º 116-118 da Rua da Prata há mais de 120 anos fechou as portas no dia 14 de Maio. Depois de mais de um século a enriquecer o comércio da Baixa lisboeta, com os seus produtos típicos e muito apreciados, tornando-se um elemento indispensável para os seus clientes habituais, a Nova Açoreana vai dar lugar a um hotel. Muitas idosas da Baixa contavam com as entregas ao domicílio da Nova Açoreana.

Drogaria e Perfumaria S. Pereira Leão, Lda.
Rua da Prata, n.º 223 > Tel. 213 423 320

É uma das duas drogarias que ainda mantém as portas abertas na Rua da Prata. Fundada por espanhóis em 1890, a antiga Drogaria Alvarez, que em 1964 mudou de proprietários e de nome, mantém a traça original e ainda vende perfumes avulso. Mas não se ficam por aqui os cheiros; há sabonetes de várias marcas e todos os produtos típicos de drogaria.

Luvaria Ulisses
Rua do Carmo, n.º 87-A > Tel. 213 420 285

Apesar das suas dimensões reduzidas, a Luvaria Ulisses não passa despercebida na Rua do Carmo. Foi fundada em 1925 por Joaquim Rodrigues Simões, numa época em que as luvas eram um artigo com muita procura. A concorrência desapareceu e a luvaria é agora um dos poucos estabelecimentos do ramo. E se muitos entram ali por curiosidade, há quem não resista e acabe por levar um dos pares de luvas que polvilham os expositores.

Joalharia do Carmo
Rua do Carmo, n.º 87-6 > Tel. 213 423 050

O empresário António Champalimaud foi um dos muitos clientes ilustres da joalharia. Situada na Rua do Carmo desde 1924, a loja da família de Alfredo Alberto Sampaio sentiu o incêndio do Chiado de 1988 muito perto. Resiste, grandiosa. Apesar de continuar a ser uma joalharia de referência na alta sociedade, sofre com a falta de investimento dos seus clientes e com a concorrência dos centros comerciais.

Confeitaria Nacional
Praça da Figueira, n.º 18 > Tel. 213 424 470

A confeitaria que introduziu em Portugal o apreciado bolo-rei nasceu em 1829, pela mão de Baltazar Castanheira, na Praça da Figueira. Antiga fornecedora da Casa Real, a Confeitaria Nacional é procurada e recomendada internacionalmente, pela qualidade dos seus produtos, de produção própria. Mais do que as suas salas de chá e de refeições muito procuradas, são as montras recheadas que abrem o apetite de quem passa.

Café Nicola
Praça D. Pedro IV, n.º 24-25 > Tel: 213 460 579

Inicialmente chamado "Botequim do Nicola", um dos primeiros cafés de Lisboa, inaugurado no século XVII em plena Praça do Rossio, foi o estabelecimento eleito por grandes personalidades da época, como Bocage. Apesar de ter acabado por encerrar em 1928, é recuperado por Joaquim Albuquerque, com o nome Café Nicola, e reconquista a preferência da elite. O seu interior moderno e requintado é apreciado por muitos turistas.

Ginjinha
Largo de São Domingos, n.º 8

A qualquer hora do dia, a Ginjinha dá vida ao Largo de São Domingos, ao Rossio, com o entra e sai constante dos seus clientes, que se fazem notar antes de conseguirmos avistar o pequeno estabelecimento. É fruto da ideia de Francisco Espinheira, que, em 1840, se aventurou na mistura de aguardentes, ginjas e outros ingredientes, da qual resultou a marca registada Ginja Espinheira. A tradição continua.

Chapelarias Azevedo Rua, Lda.
Praça D. Pedro IV, n.º 69, 72-73 > Tel. 213 427 511

Fundadas em 1886 por Manuel Aquinó Azevedo Rua, as Chapelarias Azevedo Rua, Lda. saltam à vista pelas suas montras e pelo seu interior tradicional. Situam-se na Praça D. Pedro IV (Rossio), antigamente conhecida também como a Praça dos Chapeleiros. Foi aqui que o Marquês de Pombal concentrou todas as lojas do ramo da chapelaria. Os outros fecharam, resiste a Azevedo Rua, com boinas, calepinas e chapéus para todos os gostos.

Restaurante Leão D'Ouro
Rua 1.º de Dezembro, n.º 103-107 > Tel. 213 428 185

Conhecido por ter sido o espaço onde se formou o Grupo do Leão, um grupo de naturalistas, ao qual pertenciam personalidades como os pintores António Ramalho e Columbano Bordalo Pinheiro, o restaurante foi fundado em 1845. A sua fachada da altura do Projecto da Restauração, de 1640, e o seu interior com características ainda fiéis aos seus primórdios e o seu ambiente continuam a cativar quem passa.

Pastelaria Suíça
Praça D. Pedro IV, n.º 99 > Tel. 213 214 090

A Pastelaria Suíça foi fundada em 1922 por Isidro Lopes e Raul de Moura. Na altura da II Guerra Mundial, esta pastelaria foi a eleita por muitos dos refugiados provenientes da Europa Central, tornando-se o seu local de encontro e lazer. Por isso nasceu a esplanada, para aumentar a capacidade. Frequentada por ilustres, como o general Humberto Delgado, ainda nos dias de hoje continua a ser a eleita de muitos.

Património. Está a nascer uma nova Baixa, onde novos e velhos estabelecimentos comerciais têm possibilidade de sobreviver. Quem o diz é o presidente da Associação de Dinamização da Baixa Pombalina (ADBP), Manuel Lopes, lembrando, no entanto, que é preciso que as lojas do comércio dito tradicional se adaptem aos novos tempos para que não se perca uma parte importante do património da capital. Isto num altura em que, apesar da substituição do tecido comercial em curso na Baixa, o número de estabelecimentos tem, segundo dados a autarquia, vindo a baixar - em 2009 eram 884, depois de em 2000 terem chegado a ser 1032.

No lugar de algumas que fecham, abrem outras. São sobretudo lojas de chineses ou paquistaneses, mas também de jovens empresários com novas ideias. E todos eles são bem-vindos. "A juventude traz dinâmica à Baixa, e é possível uma interligação entre o presente e o passado", diz Manuel Lopes. Inês Banha»

1 comentário:

Anónimo disse...

"No lugar de algumas que fecham, abrem outras. São sobretudo lojas de chineses ou paquistaneses, mas também de jovens empresários com novas ideias. E todos eles são bem-vindos."

Isto é que está certo.