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18/03/2016

Pedido de Esclarecimentos à CML sobre excesso de unidades hoteleiras em Lisboa


Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina


C.C. AML, Gab. Ver.Manuel Salgado, ICOMOS Portugal e Media


Na sequência da excessiva pressão turística que se faz sentir na cidade de Lisboa, de há poucos anos a esta parte, mormente no centro histórico, com reflexos nítidos no edificado da cidade e no dia-a-dia de quem nela mora, facto que se traduz na descaracterização da zona em várias vertentes (demográfica, comércio local, etc., por via de acções de despejo de moradores e comerciantes, e por alterações irreversíveis na tipologia das habitações e na estrutura dos edifícios, não poucas vezes antigos e referenciados na Carta Municipal do Património anexo ao PDM, solicitamos a V. Exa. que nos esclareça sobre:

- Quais os fundamentos que levam a CML a apostar nesta estratégia de tolerância/angariação deste tipo de desenvolvimento hoteleiro, a nosso ver insustentável a médio prazo?
- Qual o número de novos projectos previstos para alterações de edifícios para fins de hotelaria?
- Qual o tipo de edificado pré-existente onde irão localizar-se?
- Se a CML tem quantificada a relação projectos entrados para unidades hoteleiras (incluindo alojamento local) vs. projectos dedicados à habitação nas zonas históricas, que não envolvam exclusivamente destinados a uma clientela gama-alta?
- Se está a ser feita a monitorização do uso dado aos imóveis municipais alienados em hasta pública (constatamos que em demasiadas zonas o que acontece é a transformação imediata em "alojamento local" em vez de regressarem ao mercado de arrendamento normal?
- Qual o número de alojamento privado destinado a turistas, via "airbnb"?
- Se existe algum plano da CML para aumentar/cooperar na fiscalização de "airbnb" não-declarados?
- Qual o número de casas compradas por estrangeiros ao abrigo dos regime de "vistos gold" e que de facto se encontram ocupados? - E se está prevista alguma moratória para projectos hoteleiros na zona histórica da cidade?
- Considerando a falta de casas para arrendamento para jovens casais nos bairros históricos, porque é que a CML não repensa a alienação dos seus imóveis nesses bairros já que são, cada vez mais, a única hipótese de criação de oferta de fogos com rendas económicas?
- Por fim, considerando que a iniciativa privada está praticamente centrada em exclusivo no alojamento para turistas, como pensa a CML resolver esta assimetria cada vez mais grave nos bairros históricos já que é cada vez mais difícil para um habitante permanente da cidade encontrar fogos para arrendamento em regime normal?

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Miguel de Sepúlveda Velloso, Maria do Rosário Reiche, Pedro Henrique Aparício, Fernando Jorge, Alexandre Marques da Cruz, Pedro Gomes, Miguel Atanásio Carvalho, Jorge Lima, Inês Líbano, Jorge Pinto, Inês Beleza Barreiros, Jorge Lopes, Isabel Sá da Bandeira, Júlio Amorim e Nuno Caiado

8 comentários:

lmm disse...

Haveria tanto para dizer sobre este post, mas coloco apenas uma questão/observação: A forma como tem sido apresentada a deslocalização dos habitantes dos bairros históricos é uma falácia. Esses habitantes dependem exclusivamente de rendas ridiculamente baixas, que não permitem a requalificação dos imóveis. Têm os proprietários de fazer caridade e "dispensar" os seus imóveis para habitação social? Os habitantes dos bairros históricos apenas conseguem viver nesses locais de uma forma não sustentada, porque não têm rendimentos para tal. É isso uma boa opção? Manter de forma artificial pessoas sem rendimentos em algumas da zonas mais procuradas de Lisboa?

Vasco disse...

No que se baseiam para dizer que existe excesso de unidades hoteleiras? É preciso um número ou facto concreto e não dizer apenas "eu acho que...". Muitas das novas unidades hoteleiras aguardavam licenciamento há anos e anos, e na maioria dos casos ocupam edifícios anteriormente devolutos.

Pedro Vaz disse...

Bem👏👏👏👏👏

Anónimo disse...

Boa noite,
Li esta proposta de debate com alguma incredulidade e apreensão. Sempre segui este blog com alguma atenção e com algum respeito. No entanto e neste momento apos a leitura do vosso post perdi-vos toda a consideraçao e respeito que antes tinham granjeado. Os senhores estão a começar a interferir na economia e no patrimonio que os pequenos investidores tanto lutaram para conseguir. Este tipo de debate é muito perigoso. Pelo que entendi preconiza-se uma regulamentação da abertura das unidades hoteleiras, logo com uma destruiçao do pequeno comercio que gravita em torno do Alojamento local. Esta proposta não passa de um atentado à livre iniciativa e ao investimento privado, mais uma tentativa de nacionalizaçao e congelamento de rendas na cidade, as quais ja sabemos no que vao dar. Os senhores gostam muito de defender o patrimonio, nao gostam? Então parem o desenvolvimento da cidade e daqui a 10 anos só terão escombros e ruinas. É vergonhoso e anacronico este tipo de posts.Soa-me a inveja e a maldade. Cidade descaracterizada? Então e as pessoas que vivem no centro da cidade com rendas miseraveis, que não contribuem quase nada para a cidade e que inviabilizam a possibilidade dos propietarios reabilitarem o patrimonio? Deixem de ser partidarios, pequenos e mesquinhos e metam-se nas vossas vidinhas tristes e vazias. No que depender de mim este blog não tem futuro.

Anónimo disse...

Muito bem!!!! Este blog cidadania LX parece-me um feudo do bloco de esquerda. Espero que feche porque de cidadania não tem nada.

Anónimo disse...

O que vale é que a CML ja esta calejada e nao leva a serio disparates destes que so servem para prejudicar a vida de quem trabalha. Deixem de ser invejosos e vao trabalhar. Provavelmente nao devem ter trabalho nas vossas areas profissionais e depois infernizam os outros. Blog anti-cidadania LX

Anónimo disse...

So para terminarmos, actos destes têm consequencias junto dos verdadeiros cidadaos de Lisboa. Onde querem os senhores chegar?. Nao devem estar à espera que os hoteleiros legalizados da cidade fiquem de braços cruzados e nao interponham uma acçao judicial para fechar este blog manipulador e ofensivo.

Ana disse...

Bom dia a todos,
gostaria apenas de deixar dois pontos sobre o assunto:

A placa de 'AL' em muitas casa locais para arrendamento,que esteticamente considero feias, não significa que a Câmara as aprovou ( quando o pedido para alojamento turístico é entregue à entidade é sublinhado que aquilo é apenas um registo de propriedade para aqueles fins);

Há vários exemplos de casas locais em regime de arrendamento temporário em que os proprietários, tendo ficado sem trabalho nas suas áreas e tendo aquele imóvel, se viram 'obrigados' a arrendá-las ( um T0 em Lisboa custa cerca de 400-600 euros num regime de contrato a longo prazo, o incremento a curto prazo é muito maior...).

Obrigada
P.S. Continuem o bom trabalho!