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20/05/2011

Chuva forte na tarde de segunda-feira arrastou poluição para o rio Tejo


Em meia hora, o caudal no caneiro de Alcântara, em Lisboa, foi 12 vezes maior do que o normal. Algumas águas sem tratamento foram para o rio com esgoto à mistura ( por Marisa Soares in Publico )

A chuva que caiu em Lisboa, ao final da tarde de segunda-feira, foi tão forte que o caudal ultrapassou a capacidade da estação de tratamento de águas residuais (ETAR) da Simtejo em Alcântara, a maior do país, inaugurada há menos de um mês.
Entre as 19h30 e as 20h, o caneiro de Alcântara, ao qual chegam as águas residuais e pluviais da zona alta da cidade, registou um caudal 12 vezes maior do que o caudal médio registado ao longo do dia. As águas que não foram tratadas acabaram no rio Tejo, onde no dia seguinte era visível uma enorme mancha de poluição e peixes mortos, junto às margens, em Alcântara. Em meia hora, o caneiro recebeu 23,7 metros cúbicos por segundo, quando o normal seria dois metros cúbicos por segundo. O que foi recebido em excesso não foi tratado. A Simtejo garante, porém, que não há perigo de contaminação. “A diluição dos esgotos domésticos num caudal tão significativo não causa danos no meio receptor, não é agressivo”, assegura o presidente da comissão executiva da Simtejo, José Salgado Zenha.
O PÚBLICO teve conhecimento do caso através de um vídeo divulgado na Internet, datado de 17 de Maio, e no qual se vêem peixes mortos e uma mancha de água suja com detritos, ao pé da margem, em Alcântara. O responsável da Simtejo admite a hipótese de a excessiva pluviosidade ter arrastado resíduos ou substâncias que estavam depositadas no sistema de águas pluviais. “Às vezes há descargas ilegais, de óleos ou outros materiais, na rede pluvial, o que pode originar situações como esta.”

A Simtejo adianta que “em situações extremas têm ocorrido inundações”, que resultam da incapacidade dos colectores unitários para receberem todas as águas. O Plano Geral de Drenagem de Lisboa, pronto desde 2008 mas que ainda não saiu do papel, prevê a construção de bacias de retenção junto de alguns colectores, nomeadamente do de Alcântara. O objectivo destas bacias é armazenar as primeiras chuvadas e assim reduzir o risco de inundações.

Esta solução já foi adoptada noutros países europeus, mas a Câmara de Lisboa ainda não deu esse passo. O plano prevê intervenções em vários pontos da cidade, com um custo estimado entre 140 milhões e 200 milhões de euros, a realizar em dez a 12 anos, mas ainda não está em andamento. José Salgado Zenha lembra, porém, que, apesar de relevantes para evitar o impacto da chuva forte, as bacias de retenção “não resolvem todas as situações de pluviosidade excepcional”.

Em tempo de chuva, a ETAR de Alcântara, que recebe os esgotos de mais de 756 mil pessoas, está preparada para tratar 6,6 metros cúbicos por segundo. A infra-estrutura foi apresentada como fundamental para a despoluição do rio Tejo.

2 comentários:

Filipe Melo Sousa disse...

mais um equipamento inútil, mais um exemplo de propaganda enganosa do costa. paga pelo contribuinte, como sempre.

Xico205 disse...

À uns tempos apareceu aqui um cromo a dizer que havia separação de canais para águas residuais e pluviais!!! Aqui está a resposta.

Coitadinhos dos ratinhos e das baratinhas que foram na enxurrada até ao Rio Tejo. Um dia destes batem nas pernas dos banhistas em Carcavelos.