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17/11/2016

Edifício-sede do DN vai para apartamentos e comércio - alerta/pedido à DGPC e à TTombo


​Exma. Senhora Directora-Geral do Património Cultural
Arq. Paula Silva,
Exmo. Senhor Director-Geral do Arquivo Nacional Torre do Tombo
Dr. Silvestre Lacerda


C.C. Gab.PM, AR/Comissão de Cultura, Gab.MC, Gab.PCML, AML e media

No seguimento do nosso alerta de 29 de Fevereiro ao Senhor Ministro e a Direcção-Geral do Património Cultural dando-lhes conta da venda, então iminente, do edifício-sede do Diário de Notícias, na Avenida da Liberdade, e considerando a já anunciada intenção dos seus novos proprietários em transformarem aquele edifício (Imóvel de Interesse Público e Prémio Valmor) em apartamentos e comércio;

Voltamos a alertar não só para a possibilidade do respectivo projecto de alterações vir a implicar obras profundas no edifício que acarretem modificações na estrutura e na concepção de engenharia do mesmo, ou destruição ou remoção dos ​espaços e dos ​elementos figurativos exteriores e interiores, nomeadamente ​o átrio e ​os painéis e letreiros publicitários alusivos ao Diário de Notícias, mas também a existência evidente de risco de pe​rd​​​a do valioso espólio ainda existente naquelas instalações – em que se inclui variadíssimo mobiliário (algum dele desenhado por Daciano Costa) e um conjunto de quadros e esculturas de autores de nomeada, uma grande colecção de fotografias (muitas delas ainda em placa, e um arquivo fotográfico que vai da Monarquia até aos nossos tempos), escritos originais de escritores, dezenas de desenhos de Stuart (muitos inéditos), uma caneta de diamantes da Administração, e colecções completas de jornais e revistas (documentando 150 anos da História de Portugal);

· Solicitando à Direcção-Geral do Património Cultural que garanta a integridade física do edifício-sede do Diário de Notícias, concebido por Porfírio Pardal Monteiro e um dos maiores símbolos do Movimento Modernista na cidade de Lisboa e no próprio país, em sede de licenciamento;
· E ao Arquivo Nacional Torre do Tombo que garanta a salvaguarda do espólio do mesmo, designadamente por via da sua inventariação, arquivamento e posterior musealização em local público.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, Rita Matias, Miguel de Sepúlveda Velloso, Inês Beleza Barreiros, Nuno Vasco Franco, Miguel Atanásio Carvalho, Luís Rêgo, Jorge Pinto, Ana Cristina Figueiredo, Maria João Pinto, Rui Martins, Vítor Vieira, José Maria Amador, Fernando Silva Grade, Fernando Jorge, Paulo Lopes, Alexandra de Carvalho Antunes e Filipe Lopes

7 comentários:

Alvaro Pereira disse...

Porque é que não recuperam o Hotel Braganza, por trás do Teatro São Carlos?
Deixem em paz o edifício do DN! Podiam usá-lo para um Museu da Imprensa!

Pedro de Souza disse...

Um contacto que talvez pudesse ser útil seria o jornalista e académico António Valdemar, que trabalhou muitos anos no jornal e dirigiu a galeria Diário de Notícias. Ele talvez possa ajudar a evitar que o espólio e a memória do jornal sejam apagados para sempre pela máquina de fazer dinheiro.

Pedro de Souza

Anónimo disse...


É uma finalidade precisame destrutiva da arquitectura e da memória.

Muito grave !

Quando muito, e teria sucesso, para escritórios.

CIDADANIA LX disse...

Não é por nada, caro Álvaro Pereira, mas esse já foi estropiado até ao tutano... só tem fachada.

Alvaro Pereira disse...

É verdadeiramente lamentável o estado em que está o Hotel Braganza. Se estivesse em funcionamento, de certeza que seria um dos melhores e mais belos de Lisboa!
Voltando ao edifício do DN, podiam usá-lo como Museu da Imprensa, como eu já sugeri. A CML transferiu a Hemeroteca para as Laranjeiras, mas o edifício do DN também serviria para isso!
O que eu realmente queria era que o jornal não saísse daquele edifício, mas isso sou eu a divagar...

No entanto, em Lisboa existe um caso que pode servir de exemplo: o edifício do extinto jornal "O Século" foi, e penso que ainda é, um departamento do Ministério do Ambiente. Eu entrei lá várias vezes, quando trabalhava numa agência de viagens, e vi que os interiores do edifício foram totalmente respeitados!

Com os meus cumprimentos

Álvaro Pereira

Anónimo disse...

Uma vergonha!

Anónimo disse...


Que a DGPC responda urgentemente.

E a Ordem dos Arquitectos (ou dos negócios imobiliários ? ..), não se pronuncia ??