27/05/2015

PODAS E ABATES DE ÁRVORES EM LISBOA - CARTA ABERTA AO SENHOR PRESIDENTE DA CML


Exmo. Senhor
Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
Dr. Fernando Medina


Face à onda de intervenções radicais e devastadoras que as árvores de Lisboa têm sofrido nas últimas semanas - empreitadas de poda, abate e substituição de árvores de alinhamento e de jardim um pouco por toda a cidade, de Alvalade à Estrela, das Avenidas Novas a Arroios, da Graça à Ajuda, com menor ou maior grau de intensidade e número de árvores objecto das mesmas, com mais ou menos gravidade e grau de irreversibilidade, sob esta ou aquela justificação, não poucas vezes caricata, e outras tantas por razões que a razão desconhece - considera esta Plataforma recém-constituída ser seu imperativo dirigir-se ao novo Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, uma vez que nos parece ser tempo de se virar de página e da cidade partir para outro paradigma.

Porque entendemos que quando estão em causa valores tão nobres e elementares como a preservação de um património que temos a obrigação de legar às gerações vindouras, o direito à informação, os afectos, o respeito por todas as formas de vida, a qualidade de vida e o bem-estar da população; ficar-se calado não serve!

É verdade que esta insensibilidade e este menosprezo pelo indispensável contributo dado pela árvore à cidade e por aqueles que as defendem não são de agora. Todos nos lembramos da destruição massiva de jacarandás nas transversais à Avenida da República e dos 153 plátanos abatidos nem há 10 anos no Campo Pequeno porque havia que implementar determinado projecto de paisagismo. Ou do “vendaval” no Vale do Silêncio, as “desmatações” de Monsanto e a “requalificação” do Príncipe Real, só para enumerarmos algumas reconhecidas más práticas. Mas é neste preciso momento que o flagelo assume proporções inauditas, com o confluir de uma série de constatações e de procedimentos menos claros (por exemplo, ajustes directos através dos quais é diagnosticado o estado do arvoredo - que compete aos serviços municipais e após parecer do Laboratório de Patologia Vegetal Veríssimo de Almeida – e se procede aos abates e às podas, e posteriormente ainda dentro do mesmo ajuste, se vendem os espécimes de substituição - cuja determinação a competência continua na esfera do Município e não das Juntas), a que importa obviar de uma vez por todas, Senhor Presidente, a saber:

As árvores não são podadas nem conservadas nem tratadas, quando doentes. Antes se mutilam, agridem, abatem e substituem como se fossem objectos de decoração descartáveis e sujeitos à ditadura da última moda, nem sequer respeitando a época mais propícia para as árvores e para a bio-diversidade que albergam. Há árvores de primeira (as estruturantes) e de segunda (as de alinhamento).

Não existem jardineiros, mas abundam os curiosos e os madeireiros de serra em punho, cujas intervenções deveriam ser adjudicadas com transparência, critério e sem conflitos de interesse, tantas vezes ao arrepio dos pareceres fitossanitários de entidade idónea e, ultimamente, ao abrigo do não exercício da prorrogativa de declarar esta temática como estruturante, delegando nas Juntas de Freguesia de forma a nosso ver errada e contraproducente, transferindo direitos a nível da gestão do arvoredo, mas esquecendo-se de transferir as boas práticas já regulamentadas, logo agora que aquelas ainda estão numa fase de auto-afirmação e de delimitação de território.

Continuam a não ser aplicados e cumpridos o Regulamento aprovado pela AML (51/AM/2012), que resultou da deliberação 102/CM/2009, nem o Despacho do 60/P/2012 do Senhor Presidente de CML de então, mas quando há um parecer sério que indica a necessidade de abater determinada árvore, logo esse mesmo parecer serve para uma dúzia de outras sãs.

Perdeu-se a boa-prática de consulta preferencial ao LPVVA, preferindo-se o parecer de empresas que depois procedem elas próprias à poda e ao abate no que se configura como procedimento a carecer de sindicância.

Cultiva-se a ignorância, acenando com pragas e alergias, velhice excessiva das árvores (quando árvores com 60 anos devem ser consideradas jovens), cataclismas inevitáveis e a corrosão da chapa. Alimenta-se o ódio instalado ao choupo, cipreste, plátano, freixo e, quiçá a breve trecho, à tília, à tipuana e ao jacarandá! Não se percebe de onde vêm os novos espécimenes que se plantam, mirrados e sem copa frondosa previsível que não por várias décadas, nem para onde vai a lenha que resulta de tudo isto. De uma assentada, como no caso recente da Av. Guerra Junqueiro, destrói-se a imagem até agora inalterável de um arruamento histórico com 60 anos.

Por isso esta nossa carta dirigida a V. Exa., Senhor Presidente, porque temos esperança que a sua juventude signifique irreverência, sensibilidade e vontade indómita em querer mudar o status quo que muitos presidentes antes não conseguiram mudar, pelas razões que cada qual saberá.

Os regulamentos existem e bastará cumpri-los, pois têm matéria suficiente para que os procedimentos de poda, abate e substituição de arvoredo se traduzam em boas práticas de arboricultura, motivo de orgulho para esta cidade, em contraponto com tantas outras onde continuam a aceitar práticas retrógradas, baseadas em mitos e inverdades. Não aceitamos que Lisboa possa ser referida como um dos piores exemplos de gestão do arvoredo do país, quando tem todas as condições para ser exactamente o oposto, desde que corrija o que é preciso corrigir.

Estamos, como sempre estivemos, disponíveis e empenhados em colaborar com a CML e com o seu Presidente e os seus Serviços para que consigamos esse desiderato.

Conte connosco!

Lisboa, 26 de Maio de 2015


A recém-formada "Plataforma em Defesa das Árvores":
Associação Árvores de Portugal
Associação Lisboa Verde
Fórum Cidadania Lx
GEOTA-Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente
Grupo de Amigos do Príncipe Real
Grupo dos Amigos da Tapada das Necessidades
Grupo Ecológico de Cascais
Liga dos Amigos do Jardim Botânico
Plataforma por Monsanto
Quercus

25/05/2015

ConSerto para Árvores com motosserras


O quê, o funicular é o responsável pelo abate de pinheiros mansos no Miradouro da Graça??!


"Lisboa é imperfeita. Que bom"


In Expresso Online (24.5.2015)

«GLOBETROTTER. Tyler Brûlé passa 250 dias por ano a viajar. Uma vez por mês vai a Tóquio. O guru das tendências mundiais escreve todas as semanas a crónica “Fast Lane” no “Financial Times”

Criou a revista "Wallpaper", em 1996, considerada a bíblia do design e arquitetura. Voltou a reinventar-se em 2007 com uma marca de media inovadora, a "Monocle", que passou a ditar tendências globais. Estatuto, qualidade de vida, reinvenção do luxo e das regras do mercado fazem dela uma revista e uma 'cultura' globalmente cobiçada. Tyler Brûlé é a "Monocle". E todos querem ver o mundo pelo seu monóculo. [...]»

A nossa 2ª Conferência Lisboa Entre Séculos é já neste Sábado, às 9h30:


In Expresso (23.5.2015)

Parece que se safaram, este e o pequeno do lado, mais mansarda menos mansarda, o que é BOM!


23/05/2015

That's one small step for man, one giant leap for mankind...


Foto: Alain GAVILLET in Flickr In O Observador (23.5.2015)
Por João Pedro Pincha:

«O elétrico vai voltar ao Príncipe Real. Mas só para turistas

Ainda não é desta que os revivalistas da carreira 24 vão poder dar uma volta do Cais do Sodré a Campolide. Isso "não é uma prioridade", diz a Carris.

Os elétricos vão voltar ao Príncipe Real, em Lisboa. Depois de quase vinte anos sem utilização, os carris que galgam a Rua da Misericórdia em direção ao Rato voltam ao ativo, num novo circuito turístico promovido pela Carristur, a empresa de turismo da transportadora lisboeta Carris. Para já, apesar de confirmar a criação da Chiado Tram Tour, a assessoria de imprensa da Transportes de Lisboa não adianta mais pormenores sobre o percurso e preços deste novo serviço, mas é possível que o elétrico chegue até à Rua das Amoreiras.

Nos últimos dias, ao mesmo tempo que um veículo elétrico da Carris tem estado em testes nas linhas, a Rua da Misericórdia recebeu novas pinturas no alcatrão e pilaretes plásticos para impedir o estacionamento que dificulte a passagem do elétrico. Isto poderá querer dizer que o novo circuito se iniciará no Largo Camões, prosseguindo depois pela Rua de São Pedro de Alcântara – e respetivo miradouro -, indo depois Rua Dom Pedro V e Rua da Escola Politécnica acima até ao Príncipe Real. Caso se confirme a ligação à Rua das Amoreiras, o Chiado Tram Tour vai ainda passar pelo Rato.

O percurso terá, assim, cerca de dois quilómetros, atualmente percorridos em parte pela carreira de autocarro 758, num dos eixos mais movimentados do centro da cidade. Os elétricos deixaram de passar por esta zona em 1995, quando a Carris e a Câmara Municipal de Lisboa suspenderam provisoriamente a carreira 24. Só que o “provisoriamente” manteve-se até hoje e o percurso entre o Cais do Sodré e Campolide nunca mais voltou a ser feito. Há vários anos que o Fórum Cidadania Lx pede a reativação desta carreira e, nos últimos meses, tem sido promovida nas redes sociais uma petição com esse fim.

Até agora, a petição conta com 1.436 assinaturas e João Filipe Guerreiro, o principal promotor da iniciativa, explica ao Observador que o 24 poderia tornar-se num elétrico útil, não só para os lisboetas como para os próprios turistas, uma vez que o 28 anda geralmente repleto de gente. “O turista típico não paga 15 euros para ir do ponto A ao B” num circuito, “mas paga a tarifa de bordo” de uma carreira normal, diz, explicando que o percurso original do 24 (entre o Cais do Sodré e Campolide) contribui para uma “interligação única” entre o rio Tejo, equipamentos culturais, espaços comerciais e escritórios.”

É por isso que não entende que a Carris aposte num elétrico turístico para uma parte do troço e não num elétrico de serviço regular. “Deixa-me pasmado”, afirma João Filipe, para quem “há várias dinâmicas de mercado que não estão a ser tidas em consideração” na abordagem ao elétrico 24, cujas receitas, acredita, “ficariam acima das do 28″.

A reativação do 24 não está no horizonte da Carris. “Do ponto de vista da Carris, a eventual reposição da circulação de elétricos efetuando a carreira 24E não é uma prioridade, dado que, naquele percurso, existe já um serviço de transporte em autocarro”, explica a transportadora, ressalvando que esta é “matéria que não depende exclusivamente da Carris”.

No âmbito da iniciativa “Uma Praça em cada Bairro”, através da qual a câmara quer reabilitar praças um pouco por toda a cidade, está prevista a construção, na Rua de Campolide, de uma estação terminal de elétrico. No site da autarquia pode ler-se que a praça servirá a carreira 24E, o que poderá indiciar que não estará totalmente posta de parte a ideia de recuperar todo o percurso do antigo 24.»

O azar de se ser árvore em Lisboa. Agir pela sua urgente defesa.

Exemplar monumental de Ficus macrophyla no jardim do Príncipe Real, barbaramente mutilado.



Aspecto geral da mesma árvore

O que resta do que se pensa ter sido uma tília centenária no jardim da Praça da Alegria.

Os dois tocos que restam das palmeiras do jardim da Praça da Alegria

Corte de pernada da sumaúma do mesmo jardim.

Poda assimétrica e brutal do lodão classificado no jardim da Praça da Alegria.

Poda de uma das tílias do Jardim das Francesinhas.  A mais antiga foi abatida.

Jacarandás em flor no jardim  de Santos. Os próximos a abater?

Uma imagem que poderá, caso a tendência se mantenha, desaparecer dos jardins da capital. Jacarandás e tipuanas, não há muitas cidades na Europa que possam ter espécies desta dimensão e oriundas de zonas tropicais com a presença e frequência com que existem em Lisboa. Ainda.

Uma das tipuanas do conjunto das oito árvores desta espécie classificadas. Jardim de Santos

Um dos jovens jacarandás que adornam a 24 de Julho.


Nos útlimos tempos, as árvores de Lisboa têm sido alvo de podas assassinas e abates sem precedentes.

Com a transferência de competências, as Juntas de Freguesia têm procedido a intervenções no arvoredo de duvidosa qualidade e absoluta falta de oportunidade.

O jardim da Praça de Alegria perdeu mais de metade das árvores de grande porte,   JF de Santo António,.

Jardim Cesário Verde, vários dos lodãos monumentais foram abatidos, JF de Arroios

Jardim das Francesinhas e de Santos, tília monumental abatida, Bela-Sombra centenária podada selvaticamente. JF da Estrela

Todos os freixos da Guerra Junqueiro, podados de uma forma irracional que poderá inviabilizar a sua sobrevivência. JF do Arreiro.

Todas as árvores da Calçada da Ajuda abatidas. JF da Ajuda.

Abate de todas as nogueiras-negras da Ava. Rio de Janeiro. JF de S. João de Brito.

E a lista podia continuar. A maior parte das intervenções foi feita com base em que pareceres técnicos?  Quais as empresas e que qualificações tem o pessoal que interveio? Muitas outras perguntas poderiam ser feitas. Em abono da trasnparência, agradeciam-se as respostas.  Sabemos que as razões de "segurança" não se resolvem com abates totais, mas sim com podas de ramos cimeiros, de pernadas mais frágeis o que implica um trabalho de terreno e de levamtamento que nenhum dos ilustrados autarcas está na disposição de fazer. Os incómodos para as viaturas de alguns indignados lisboetas, não pode servir de tese para permanentes substituições do arvoredo. Por este andar, abatam-se todos os jacarandás que ousam libertar um melaço que suja os carrinhos dos munícipes. Fácil de imaginar a desolação da 5 de outubro se o enlevo que alguns têm pelos seus carros levasse a JF a abater essas centenas de jacarandás que tornam a avenida, em tudo o mais ínsipida, numa artéria maravilhosa em Maio/Junho.

Pedidos existirão sempre, os "eleitos" têm a obrigação de fazer pedagogia. Nada disso acontece por estes dias. A cidade está a ver muito do seu arvoredo perdido para sempre. Um valor botânico incalculável. A sua defesa poderá não trazer popularidade ou votos, mas é um imperativo de uma sociedade civilizada.


22/05/2015

«Eiffel Tower suffers shutdown over pickpockets»






The Eiffel Tower shut down for six hours because of a staff walkout in protest against a surge in pickpocketing gangs.
Workers say the gangs are increasingly threatening them with assault or abuse.
The company managing the major tourist attraction "thanked the public for its understanding" and said it "regrets that visitors... are being punished". About seven million people go up the tower every year. The tower reopened on Friday afternoon.

'Fight among themselves'

Staff are demanding "formal guarantees" from management to stop pickpocketing gangs who target numerous tourists every day. The staff's union representative, Denis Vavassori, told the AP news agency that the staff had walked out "so we could ask for a permanent police presence here".
http://www.bbc.com/news/world-europe-32844573
Os guarda-freios do eléctrico 28 em Lisboa também podiam adoptar esta forma de protesto...

O rei nu na cultura em Portugal e uma proposta para fazer diferente


In Público (22.5.2015)
Por RAQUEL HENRIQUES DA SILVA

«Não admito que, depois dos gastos de torneira aberta exigidos pelo novo e desnecessário Museu Nacional dos Coches, se diga que não há dinheiro.

A inauguração do novo Museu Nacional dos Coches (MNC), mais de dois anos depois da conclusão dos trabalhos de construção e sem que a museologia da exposição permanente esteja concluída, é um acto da campanha eleitoral que já estamos a viver. Pretende-se mostrar obra feita na Cultura e cativar o influente lobby dos arquitectos e seus amigos que consideram que o que ali urge mostrar é a obra do principal autor do projecto, o celebrado Paulo Mendes da Rocha. Para mim que, desde 2000, discordei das sucessivas propostas que sobre o assunto foram existindo, com sincero espírito de companheirismo, desejo à equipa do MNC as maiores felicidades e aos públicos em geral que os mais de 40 milhões de euros já gastos tenham merecido a pena, ou seja, que a bela colecção dos coches possa ser fruída em melhores condições.

Ainda assim quero usar aqui o meu direito à memória. Recordando as primeiras decisões — elaboradas por um grupo de trabalho onde sempre perdi —, o que aconteceu é infinitamente superior ao que se propunha: usar o apetecível local para instalar a Escola Portuguesa de Arte Equestre, com estabulação de cavalos integrada, e, numa pequena área anexa, colocar o MNC. Ultrapassada esta estapafúrdia proposta, a decisão de que se renunciava à escola e se construiria apenas o novo MNC foi tomada por um ministro da Economia que a transmitiu ao ministro da Cultura. Apesar da prepotência insuportável, a verdade é que o ministro da Cultura aceitou e “toda a gente” também porque se via no novo museu uma árvore das patacas que iria (irá) fazer multiplicar os preciosos 40 milhões de euros que chegaram à Cultura, por contrapartida da abertura do Casino de Lisboa. “Toda a gente” não incluía evidentemente a opinião de técnicos e especialistas, muito pouco a do Instituto dos Museus e quase nada a da própria directora do mesmo. Assim se continuou depois, até ao dia de hoje. Alguns, poucos na verdade, defenderam que aquele dinheiro devia ser investido com o máximo critério, considerando as graves carências do sector: mais do que construir um novo MNC (quando o existente era amado e visitado como nenhum outro em Portugal) urgia ampliar o Museu Nacional de Arqueologia ou intervir profundamente no Museu Nacional do Azulejo, museu igualmente amado e visitado e cujo monumento quinhentista em que está instalado se encontra em situação de risco permanente. O MNC precisava de renovar a sua museologia e de crescer em área mas não de um edifício novo onde os coches, como se verá, passarão a nadar. E, ainda assim, é necessário expor todos, os excepcionais e os vulgares, para ocupar, ou fazer de conta que se ocupa, a arquitectura de Mendes da Rocha. Esta, infelizmente, muito deixa a desejar como museu, cuja primeira função é salvaguardar os bens que integra. Mas sobre este penoso assunto não me alongarei antes de a museografia estar completa, pensa-se que para o final de 2015.[...] »

21/05/2015

20/05/2015

Protesto por licenciamento das alterações em loja da Rua dos Fanqueiros nº 136

Resposta da DGPC ao nosso protesto de dia 11.7.2014! :-)

...


Exmo. Senhor Vereador
Arq. Manuel Salgado


Cc. PCML, AML, DGPC, Media

Vimos pelo presente apresentar o nosso protesto a V.Exa. pela continuada falta de atenção com que os serviços de Urbanismo da CML vão tratando do licenciamento urbanístico em matéria comercial na Baixa, i.e., no licenciamento de obras de alterações em espaços comerciais no conjunto classificado de Interesse Público, que é a Baixa Pombalina, e sobre a qual se encontra em vigor um Plano de Pormenor e de Salvaguarda.

Junto enviamos fotos de um caso recentíssimo em que a falta de critérios no licenciamento de alterações nas caixilharias resultou no que as fotos documentam.

Trata-se de um imóvel de génese pombalina, que ficou agora desqualificados com caixilharias e ferragens (puxadores em aluminio!) inadequadas a imóveis classificados como o presente. Mas trata-se de um caso paradigmático do que se está a passar em 90% da Baixa.

Com os melhores cumprimentos


Lisboa, 11 de Julho de 2014


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Fernando Jorge, Miguel de Sepúlveda Velloso, Cristiana Rodrigues, Luís Marques da Silva, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Beatriz Empis, Rui Martins, Alexandre Marques da Cruz, Maria Ramalho, Gonçalo Cornélio da Silva, Jorge Pinto e Nuno Caiado

Programa para Sábado:


Largo Dr. Sousa Macedo (ao fundo da Calçada do Combro), o antes/agora e o depois (?)


Publicidade gratuita, e com gosto, pq a ser aprovada poderá travar de facto este furor arboricida generalizado:


19/05/2015

Press release / poda e abate de árvores na Av. Guerra Junqueiro


As intervenções desastrosas realizadas nas árvores de alinhamento da Avenida Guerra Junqueiro têm chocado muitas pessoas e já originaram diversas reclamações.

Não obstante não têm sido dadas explicações coerentes e fundamentadas sobre estas intervenções.

Um Engenheiro Agrónomo contactado pelo Fórum Cidadania Lx, que optou por não dar a sua identificação publicamente, e com experiência de 30 anos na manutenção de arvoredo em meio urbano diz estar escandalizado com o que tem acontecido. Após ter visto imagens e visitado o local afirma, sem sombra para dúvidas, que o que foi feito vai contra todas as regras e boas práticas internacionais, praticadas pela Europa e constantemente transmitidas em colóquios internacionais.

Sinteticamente, a poda consiste na supressão de alguns ramos, particularmente os que apresentem sinais de doença ou secos, mal orientados, ou os que de alguma forma, possam provocar transtornos a pessoas e bens.

Ou seja, trata-se de uma intervenção selectiva na estrutura das árvores, sendo que intervenções mais radicais são sempre o último recurso.

Considera-se que no caso vertente a época ideal da poda seria o período de dormência da árvore (finais de Outono, início da Primavera), tendo em consideração que a espécie Fraxinus (o freixo é a espécie que está plantada na Av. Guerra Junqueiro), em Portugal, é das primeiras a iniciar o seu período vegetativo (Janeiro, Fevereiro).

Os cortes que foram feitos pela Junta de Freguesia do Areeiro contrariam todas as boas práticas internacionais, pelo que não podem ter sido feitos por uma empresa especializada. Foram mal feitos em termos da época do ano em que foram feitos e na extensão, nas árvores podadas e no número de árvores podadas.

As consequências das podas drásticas ou excessivas são:

1- Cada corte é uma ferida, consequentemente, poderão ocorrer entradas de agentes que poderão provocar o aparecimento de novas doenças e podridões.
2- Desenvolvimento desequilibrado da árvore pondo em causa a sua estabilidade, agravando a segurança de pessoas e bens.
3- Aumento de temperatura da rua ou das casas e aumenta o efeito de túnel de vento.
4- Diminuição substancial da longevidade das árvores e das árvores em sua volta.
5- As novas ramagens não possuem uma inserção correcta no tronco, originando quedas dos novos ramos, pondo em risco pessoas e bens. As árvores não são Bonsais e estas intervenções, num ser vivo, não são naturais, nem mesmo em meio urbano.
6- Aumento dos custos de manutenção.

Ou seja, intervenções radicais são sempre o último recurso e devem ser feitas por fases para que o ambiente em volta (as outras árvores, a temperatura, o vento) não se ressinta e não se altere radicalmente.

As intervenções selectivas são mais baratas (envolvem menos transporte de ramos e são mais rápidas) mas também dão garantias de longevidade. Com estes cortes, os próximos ramos irão cair com mais facilidade com pouco vento. Ou seja, estes cortes radicais irão custar mais ao erário público do que uma intervenção selectiva, gradual e programada.

Julgamos que estes casos já só aconteciam em cidades pequenas sem recursos humanos formados. E estamos incrédulos, tendo em conta que existe formação especializada na matéria e que quase todos os anos se realizam congressos e colóquios em Portugal sobre a matéria, onde este tipo de intervenções é mostrado como o que não deve acontecer.

Com a maior facilidade encontramos literatura sobre o assunto e intervenções em colóquios internacionais que confirmam o que o bom senso já nos faz perceber. Estas intervenções prejudicam mais do que ajudam e vão provocar, no futuro, mais perdas do que ganhos.

E não são os cidadãos que têm o ónus da prova quanto aos erros destas intervenções, são as entidades públicas que têm de explicar, fundamentadamente, aos contribuintes, o porquê das suas acções.

Estamos a falar de espaço público, que é de todos e é património comum, e não de um espaço privado de uma Junta de Freguesia.

Existe um relatório dos espaços verdes da Câmara Municipal de Lisboa que conclui: “Consideraram-se o abate de mais 6 exemplares, devido ao agravamento do estado fitossanitário nomeadamente cavidades e podridões internas do lenho. Consideraram-se 46 árvores para poda, recomendando-se o corte de ramos secos, afastamento da fachada dos prédios, reequilíbrio da copa e principalmente redução de carga.”

Ou seja, a intervenção feita pela Junta de freguesia está muito longe deste parecer da Câmara Municipal e viola as boas práticas já referidas. A avaliação feita pela CML (que não refere se existe parecer científico para confirmar as árvores doentes) defende uma poda selectiva e não o corte e abate generalizado. Por outro lado, a CML, em momento algum, defende que a intervenção fosse feita nesta altura do ano.

Acresce que o relatório da CML refere: “planear toda a rearborização do arruamento, de modo faseado, tendo em conta a necessidade de substituição total a médio prazo.”

No local verifica-se que foram cortadas ou abatidas árvores que não eram consideradas de perigosidade elevada e para as quais era preconizado uma intervenção selectiva e substituição gradual. Foram cortadas árvores não apresentavam podridão nem outras mazelas visíveis. O que quer dizer, que deceparam árvores saudáveis

Acresce que a única entidade avalizada para determinar se uma árvore está doente e que extensão é o Instituto de Agronomia, em Lisboa. E não consta que o parecer possa ter defendido esta intervenção generalizada, em Maio, não selectiva, em todas as árvores, mesmo as consideradas saudáveis.

Finalmente, solicita-se às Juntas de Freguesia de Lisboa:

1- Consultem e informem a população, os técnicos da CML e as entidades com competência nesta matéria sobre o tipo de intervenções, a sua calendarização e metodologia, bem como os impactos no espaço público.
2– Informem sobre que empresas têm sido contratadas para estas intervenções, as suas qualificações e os respetivos pareceres/informações.
3- E quando ocorrerão as novas plantações e que espécies serão plantadas, bem como futuras intervenções.

Melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Rui Costa, Jorge Pinto, Rui Martins, Fátima Castanheira, António Branco Almeida, João Oliveira Leonardo, Gonçalo Cornélio da Silva, Fernando Jorge, Nuno Castro Paiva, Gonçalo Maggessi, Maria do Rosário Reiche, Carlos Moura-Carvalho, Pedro Henrique Aparício, Jorge Santos Silva, Luís Marques da Silva, Beatriz Empis, Francisco Sande Lemos e Miguel de Sepúlveda Velloso

18/05/2015

Talvez a Manteigaria do Loreto???


António Rosa de Carvalho chamava a atenção em 2012 (fotos de Fernando Jorge) e a dita mantém-se: atenção à loja da antiga Manteigaria União, na esquina do quarteirão da Suíça, lado da Pç Figueira! Era bom que alguém com um mínimo de testa conseguisse aproveitar esta loja para uma coisa digna e com bom gosto. Talvez a Manteigaria do Loreto???

APAREÇA!


PASSEIOS DE LISBOA: Rua da Madalena



16/05/2015

Obras na pastelaria Mexicana embargadas pela Câmara de Lisboa


A intenção do novo proprietário da emblemática pastelaria lisboeta era abrir no próximo mês o espaço. Câmara embargou obra por carecer de licenciamento.

A intervenção, disse ao DN o novo proprietário da pastelaria na Avenida Guerra Junqueiro, Rogério Pereira, começou "pela fábrica de pão e bolos que fica na cave do edifício" e devia continuar com o restauro "de todo o espaço de atendimento ao público" do mítico espaço, que deveria reabrir no próximo mês.
Contudo, os trabalhos foram interrompidos esta quinta-feira por falta de licenciamento municipal, escreve o Público. Numa resposta escrita enviada ao jornal, a Câmara de Lisboa explica que a intervenção carece de licenciamento uma vez que "a Pastelaria Mexicana está classificada como Monumento de Interesse Público".
A classificação patrimonial, iniciada em 1994, ficou concluída em abril do ano passado.
No artigo publicado pelo DN no dia 12 de maio sobre as obras, o proprietário dizia contar com a aprovação da Direção-Geral do Património Cultural. Contudo, a DGPC confirmava apenas a entrada do "processo formal com o projeto revisto" e que a intervenção se encontrava "em análise técnica".

in DN 2015-05-16
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Lá vamos nós de novo nesta novela da carroça à frente dos bois....

15/05/2015

Jardins da Expo em risco, ou como a (in)competência segue a todo o gás e sem freio e ninguém faz nada :-(


In Sol online (14.5.2015)
Por Sónia Balasteiro

«A retirada de equipamentos do jardim da Música, no Parque das Nações, em Lisboa, e o anúncio, numa reunião na Junta de Freguesia do Parque das Nações, segundo vários moradores daquela zona ribeirinha da capital, do desaparecimento dos jardins da Água, bastante degradados, das ondas e dos Garcia d’ Orta estão a causar revolta. “São espaços emblemáticos desta zona da cidade” – diz Rui Laginha, de 45 anos, que vive no Parque das Nações “desde a sua criação”, em 1997. “No jardim da Música, os equipamentos já foram arrancados e resta cimento”, lamenta. [...]»

CONTRA A VONTADE POPULAR CONTINUAM OS ARBORICÍDIOS NA CIDADE DE LISBOA


No desértico Jardim de Santos, Freguesia da Estrela, deparasse-nos com a imagem dantesca desta vetusta Bela-sombra (Phytolacca dioica), selvaticamente podada.

O que determinou mais esta atrocidade sobre o património vegetal que é de todos os lisboetas e não das Juntas de Freguesia nem mesmo da própria Câmara Municipal ?

A árvore está implantada no interior do jardim, não tem problemas fitossanitários, não constitui perigo para pessoas ou bens, não liberta produtos que provoquem alergias. Quais então as razões apontadas ?

Acresce que a árvore em apreço está em pleno período de floração (como se pode ver na foto), altura em que todas as suas reservas são chamadas para a realização deste ato. A poda agora executada poderá por em causa a sobrevivência deste exemplar.

Pensamos que é altura, dado o avolumar de ações lesivas do nosso arvoredo, que a Sociedade Civil se una e exija, pelos meios legais ao seu dispor, que os culpados, infratores das leis e deliberações camarárias vigentes, sejam responsabilizados pelas ações que têm vindo a perpetrar.

Deve também a Sociedade Civil envolver as forças políticas com assento na Câmara Municipal de Lisboa e Assembleia Municipal de Lisboa para que revejam a Lei n.º 56/2012 de 8 de novembro –Reorganização administrativa de Lisboa - tendo em vista a gestão e manutenção de espaços verdes, que pela sua importância não podem ser encarados com leveza, mas sim como um fator estruturante e coeso, com um plano diretor que deverá ser o resultado de um estudo aprofundado.


Pinto Soares

PUBLI-CIDADE: Largo do Chiado