Esteja atento às várias iniciativas em perspectiva:

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23/01/2014

Série Avenidas - 4 - Avenida da Liberdade e adjacentes - 2

Este é o último grande exemplar da arquitectura Fim-de-Século da Duque de Palmela. A trama reticular de ruas a oeste da Avenida foi pensada, de certa forma, para prolongar o programa que esteve na base da sua criação; construção de qualidade, prédios destinados a uma burguesia cuja importância crescia, moradias, passeios largos. Esta foi a ideia.Grosso modo, a partir dos anos '70, uma pacóvia modernidade tem vindo a dar cabo da maior parte do património. Algumas felizes excepções existem, atestando a grande qualidade dos projectos. Infelizmente para este já é tarde demais. 19/01/2014

O PISAL por onde anda? Faltam vários paineis de azulejos nesta fachada.

Na Alexandre Herculano, este "Ventura Terra", faz parte daquele que é, porventura, o melhor quarteirão de Lisboa que deveria ser classificado na sua totalidade. Queremos manter estes testemunhos de uma Lisboa a desaparecer.

Talvez tenha sido esquecimento. Janela aberta no "Ventura Terra" que é Prémio Valmor.

O grande cabeçudo. É, actualmente, um hotel do grupo HolidayInn. À excepção da entrada, tudo o mais foi destruído. Estranho na medida em que o prédio, antes de ter sofrido este tratamento, estava longe de estar podre 
Na esquina com a Rosa Araújo, prédio de rendimento de grandes proporções e qualidade. O promotor é a CERQUIA que já foi responsável por aquela atrocidade de vidro que "agarra" uma das mais belas fachadas Arte-Nova da Avenida da República. Aqui a "dose" será em tudo semelhante. Interiores que mereciam ser inventariados, classificados, darão lugar a quadrados impessoais e vulgares

Aspecto da fachada principal. A hierarquização social está patente no decrescente aparato das varandas centrais. Prédios destes ajudam-nos a compreender melhor a história da cidade.

O desvario atinge, neste caso, proporções alarmantes. Aquilo que a rede esconde são duas óptimas fachadas fim-de-século. Antes do ínicio das obras, os interiores eram viáveis. Aqui não havia a conhecida técnica de degradação que são as janelas abertas ou os vidros partidos e demais desastres. O projecto (para estes dois havia um projecto do Valsassina, creio. Não sei se foi mantido) rebentou com tudo. Sobraram as fachadas e a lata com que os senhores arquitectos, promotores e autarcas tratam Lisboa.

.... a quê?

Não vimos já estes mimos por Lisboa fora? Será este o valor acrescentado de que nos fala a publicidade da empresa adjudicada? Três belos pisos de betão armado. Ligações de cimento que afundam a memória dos espaços e do tempo. Roubam-nos a cidade todos os dias.

Indeed so. De tal forma que sobra só o novo. Em português, um toque de finados. E tudo na Rosa Araújo. Em ironias deste género é Lisboa forte.

Neste contei mais de dez vidros partidos e janelas abertas. Arejamento não lhe faltará, faltar-lhe-á a resistência para o que lhe está reservado.

Pueril, este gosto dos grandes grupos pelo património de Lisboa. Aqui viveu Trindade Coelho, as janelas de empena escondem divisões semelhantes a jardins de inverno. Mais um na lista infindável do abate. Em Lisboa, chama-se a isto, "requalificação do espaço urbano". Assim se engana o indígena.

Uma fachada que tapa o quadrado que a desfigurou. Um "Bigaglia" que já nã existe. Será que nunca mais aprendemos? 

Rua Castilho. Se é para construir estas pérolas com tanta facilidade, quem ousará colocar-se no caminho desta modernidade galopante e que alastra imparável por toda a cidade? Do Tejo à Alta de Lisboa, de Belém ao Parque das Nações. 

Aqui está um dos pioneiros de uma moda que veio para ficar. O famigerado Heron Castilho. Requintadamente de péssimo gosto e pior presença. Para diálogos destes não vale a pena sequer começar a falar.

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