Esteja atento às várias iniciativas em perspectiva:

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12/02/2014

Palácios de Lisboa - 3 - Quinta das Águias à Junqueira Fevereiro de 2014

Entrada da Quinta das Águias, palácio setecentista edificado antes do terramoto. muito do que existe ainda é dessa altura. É Imóvel de Interesse Público. Encontra-se na rua da Junqueira, toda ela deveria ser parte integrante de um percurso temático do qual fizessem parte os város palácios que nela se enquadram Palácio Ribeira Grande, em ruínas, Palácio Burnay a precisar de um urgente restauro, Quinta das Águias, palácio dos Condes da Ponte, Palácio dos Condes da Ega com o magnífico salão Pompeia, Palácio Angeja,  Palácio Lázaro Aranha. 

Original alpendre com uma belíssima colunata. A maior parte dos azulejos setecentistas já desapareceu. Terão sido recolhidos pelo PISAL? Alguém sabe do seu paradeiro? Este palácio foi mandado edificar entre 1731 e 1748, pelo filho de Secretário de Estado de D. João V, que tal como o pai se chamava Diogo de Mendonça Corte-Real. É um palácio histórico que merece com toda a certeza um melhor destino do que o actual, o do abandono, da negligência, da indiferença

Base de um dos torreões da Quinta das Águias, janelas abertas à destruição dos interiores. O que terá acontecido aos silhares de azulejos barrocos e aos tectos de estuques, às pinturas e a todo o restante património?

Portão da entrada lateral da Quinta das Águias

Este é o aspecto actual da entrada daquele que é um dos mais belos palácios barrocos de Lisboa. 

Está-se à espera de quê para agir? Pode a CML, em nome da transparência e do dever de informação, dizer-nos o que se passa? Há ou não há um projecto de hotel? Pode a DGPC , tal como já foi pedido aqui, esclarecer-nos sobre o caderno de encargos exigido ao eventual promotor, que valores mercem ser preservados no processo hipotético de transformação do palácio em hotel? Enquanto nada dizem, a ruína avança sem obstáculos. 

Mais duas janelas abertas à destruição

Onde estão os azulejos em falta? Será que para a CML, para a DGPC, para todos nós, basta assobiar para o lado, enquanto edifícios notáveis como este são destruídos todos os dias?
Será que nada escapa aos amigos da vandalização mais completa e acabada do património lisboeta?A Rua da Junqueira é uma rua monumental e apesar do seu estatuto ímpar no conjunto das ruas de Lisboa, é vítima desta libertinagem. Em Lisboa tudo é possível. Não, não é um cenário pós-bélico, é um cenário pós-cidade

Actual aspecto daquilo que foi um jardim setecentista. Quinta das Águias

Não sobrou nenhuma das palmeiras centenárias do palácio. Em breve não sobrará nenhum dos azulejos setecentistas, nenhum dos estuques. O promotor terá fugido? A CML dirá que não pode substituir-se ao proprietário, seja ele quem for, a DGPC terá um útil parecer dos seus serviços jurídicos que justificará a sua etterna inacção, os cidadãos por aqui continuarão a passar sem ver. É confrangedor e vergonhoso que em Lisboa, vários dos palácios históricos, sejam hoje autênticas ruínas. Proponho que se faça uma exposição sobre todo esse invulgar legado. Talvez assim a comunicação social comunique, a CML actue, a DGPC saia do seu mutismo, os cidadãos exijam a defesa da sua cidade. 

5 comentários:

JJ disse...

Eu também exijo que este edifício seja recuperado. Também exijo poder ver os seus magníficos interiores recuperados. Também exijo que o espaço, como o Valle Flor seja de acesso público, ainda que restrito. Gosto muito de exigir. Só não gosto de pagar a conta. E esta deve ser de uns largos milhões de euros. Só um grupo privado com muito poder de investimento para poder assumir o risco que acarreta o mesmo. O Palácio Valle Flor foi totalmente recuperado e está esplendoroso (estava totalmente em ruínas), mas tenho a certeza que isso só aconteceu porque o Grupo Pestana pôde construir um hotel nas traseiras do mesmo com quartos menos caros do que as suites do palácio. Aqui, há essa hipótese? Este palácio só será recuperado com um projecto de negócio que dê retorno, acredito pouco que algum excêntrico o recupere só porque sim. A CML não pode assumir esses custos, pelas razões que sabemos. Venham propostas!

JR disse...

Não se esqueçam do Palácio do Correio Velho, em plena calçada do Combro.
A fachada tardoz, situada na Travessa Mercês, está em pré ruína.

Miguel de Sepúlveda Velloso disse...

Sr. JJ,

Pois não, não pode. Mas já houve projectos que permitiram reabilitações, Palácio Valada-Azambuja, por ex.

Propostas:

- centro(incubadora de empresas culturais ou outras. Em Berlim, Bruxelas, Paris, Rio de Janeiro, etc, alguns destes imóveis são reconvertidos, preservando o seu óbvio valor patrimonial , nesse tipo de centros.

- Hotel, sim, há espaço para adaptar o espaço, jardim, dependências, por aí fora. Em Lisboa o Palácio Ramalhete é um bom exemplo. Um hotel pequeno, numa rua complicada, sem estacionamento, com um jardim de dimensão reduzida, e é um caso de sucesso.Aqui não seria difícil

- Transformação em centro cultural, com biblioteca, espaço de exposição, tal como se fez no Beau-Sèjour

Não há dinheiro???? Esse argumento está estafado. Há e houve, CCB, novo Museu dos Coches, expansão faraónica da rede do metro. Há mecenas, há fundações, há fundos internacionais que ajudam a recuperar património, (veja-se a criação do FAI em Itália)

Não sr. JJ, se tudo se faz só pelo retorno, mesmo que exista, tudo será redutor. Não é mais nem menos do que uma forma encapotada de nada fazer e de legitimar a incúria e a negligência. Mas obrigado pelo seu comentário

Miguel de Sepúlveda Velloso disse...

Reagindo ao comentário de JR,

Esse não está esquecido de forma nenhuma.

Obrigado pela dica de qq forma

Célia Mesquitq Rocha disse...

Tive hoje conhecimento no Palácio da Ega, que este Palácio das Águias foi já adquirido por investidores chineses, desconhecendo-se o fim a que se destina.
... espero que melhor sorte que o Palácio dos Condes de Rio Maior.