04/02/2014

É para isto que a CML quer acabar com a calçada portuguesa

"O pavimento deve ter um acabamento não polido e garantir boa aderência, mesmo na presença de humidade ou água. Alerta-se para o facto de ocorrer um polimento rápido na calçada de vidraço ou noutros pavimentos pétreos igualmente vulneráveis ao polimento."
"O revestimento deve ter ”reflectâncias correspondentes a cores nem demasiado claras nem demasiado escuras”. Os pisos muito claros refletem muita luz, e acentuam as dificuldades de peões com alguns tipos de deficiência visual ou incapacidade de adaptação a variações bruscas de intensidade luminosa, como acontece com as pessoas mais idosas."
(Plano de acessibilidade pedonal de Lisboa/Volume 2 – Via pública – Ponto 12.4.3, página 227)

Se a isto acrescentarmos que é intenção da Câmara Municipal de Lisboa "substituir paulatinamente mas em força a quase totalidade da calçada portuguesa" preservando-a apenas, nas zonas históricas e turísticas, mas que como já nos vem habituando não cumpre o que promove, o resultado é o que podemos ver na Rua da Vitória, onde o novo piso após uma chuvada mais parece um espelho, que contradiz no essencial o previsto no Plano de acessibilidade pedonal de Lisboa, recentemente apresentado pela CML e que de certeza não evitará as quedas (bem pelo contrário), que a CML e António Costa tanto criticam na calçada portuguesa.

Foto retirada do Facebook do meu amigo Vasco Morgado.

6 comentários:

Pedro M. Fonseca disse...

Estou a antever um "à data da aprovação deste projecto, o plano de acessibilidade não estava ainda aprovado." O que é verdade, parece-me. Mas o que aqui criticam é perceptível a qualquer um, pelo que o mal está nos nossos arquitectos que descuram a utilização prática dos espaços em benefício do seu aspecto visual (e este nem assim, porque o efeito espelho em dias de chuva/sol não deve ser agradável).

Anónimo disse...

A rua ficou muito mais bonita do que era. É um piso muito mais prático, de mais fácil manutenção e bem mais bonito.

Só espero que façam isto em todas as ruas pedonais da baixa. :)

Bem sei que esta intervenção tem a ver com o projecto da "via para o castelo" mas também podiam estendê-la outras ruas.

Filipe Melo Sousa disse...

Espero que se abandone de vez a calçada antiquada, inestética e anti-higiénica que temos. Dá vergonha ver os turistas ir para o meio da estrada para caminhar com as malas. Basta de terceiro mundismo.

É de saudar o fim deste pesadelo. Eu bem sei que os saudosistas resistem contra o progresso, mas os cães ladram e a caravana passa.

Anónimo disse...

esse piso novo é óptimo.. para escorregar e partir a bacia!

Miguel de Sepúlveda Velloso disse...

Sr. FMS e já agora quem é o cão e quem é a caravana?

Bruno Rubus disse...

Só assim uns dez argumentos que me vieram à cabeça instantaneamente para não retirar calçadas:

1 - Outra situação que já todos se estão a esquecer é que a calçada é semi-permeável o que permite infiltração das águas. Isso faz as madeiras das fundações pombalinas manterem condições de ensopamento que evitam deterioração. Logradouros não impermeabilizados/pavimentados, jardins e calçadas são os três elementos chave para evitar cheias.

2 - Dada as inclinações de certas ruas de Lisboa em vez de calçadas que permitem a tração adequada os pavimentos lisos vão ser escorregas em vez de passeios.

3 - Com pavimentos lisos e impermeáveis toda a água tem de ser escoada pelo sistema de drenagem subsuperficial e esgotos esta sobrecarga provoca entupimentos, tampas de esgoto a saltar, sumidoros e sargetas a jorrar água em vez de a receber, saídas de água dos esgotos para dentro das casas, caves inundadas e cheias rápidas e violentas.

4 - Já foi comprovado que é mais confortável e saudável andar muitas horas sobre pavimento com micro irregularidades do que pavimento liso porque a calçada com a sua irregularidade massaja em vez de aplanar e fazer endurecer a planta do pé (má circulação de sangue).

5 - Com a quantidade de infraestrutura enterrada e desorganizada nos pavimentos, os custos de reparação da calçada são muito inferiores aos dos outros pavimentos porque permitem retirar apenas o necessário e o material é reutilizado. Lages de pedra assentadas partem-se ao serem retiradas e a substituição por novas resultar+a sempre num remendo de tom diferente e para sempre identificável. Assim a a segunda escolha mais económica/reparável seria o betão ou o betuminoso igual a todas as capitais do resto da europa... Nós queremos ser únicos ou iguais?

6 - Não é o pavimento que determina o nível de higiene mas os hábitos dos utilizadores. Já vi passeios em betão todos pontilhados de pastilhas elásticas, manchados de líquidos derramados e estes também estalam e deterioram-se facilmente.

7 - Dado os abusos da circulação/estacionamento automóvel sobre passeios a calçada é melhor porque se molda/deforma. Lages pré-fabricadas ficam partidas e os bordos levantam-se o que é pior para tropeçar.

8 - A calçada existe em vários tipos de pedra sendo a mais comum a calçada de calcário branca mas existe em calcário negro e em todos os tons de cinzento, amarelo e rosa que se possam querer. Assim não há justificação para dizer que o albedo da calçada é muito luminoso. As lages de pedra clara ou o betão (sobretudo com pó) são igualmente claros.

9 - As lages (pedra ou betão) são muito mais escorregadias que a calçada e acumulam poças de água muito mais facilmente/secam com mais dificuldade, acumulam também pó e areias finas em vez de receberem/absorverem nas juntas estes elementos finos que com a água criam um película fina escorregadia (limo).

10 - Estética! Lisboa está no top das cidades mundiais a visitar pelas suas características únicas. O turista não quer as ruas sinuosas endireitadas para andar menos, os edifícios antigos substituídos por modernos, as colinas terraplanadas para andarem de bicicleta, as calçadas substituídas pelos mesmos pavimentos de todas as vulgares capitais europeias.