21/08/2007

"O TERREIRO DO PAÇO É DAS PESSOAS" ...importa-se de repetir?


A iniciativa da CML, "Aos domingos o Terreiro do Paço é das pessoas", merece aplausos. Mas o que querem realmente dizer? Para mim, uma praça histórica é "minha" se existir espaço e silêncio para eu a apreciar e assim a "ocupar" físicamente e mentalmente. Mas Lisboa, ou melhor, as autoridades municipais, parecem ter um horror ao vazio e ao silêncio. A CML também não se esforça nada para resistir à atracção dos euros das grandes empresas...

Portanto, deduzo que o "Terreiro do Paço é das pessoas" até à próxima feira, bailarico ou campanha de mega-publicidade!

O Terreiro do Paço à muito que não é das pessoas, graças em grande parte à CML e à sua falta de critério na ocupação do espaço público histórico. O Terreiro do Paço tem sido "pau para toda a obra" desde que se acene com um bom molhe de notas! Em Paris ou Londres, espaços com a carga simbólica e valor patrimonial do Terreiro do Paço só são utilizados muito esporádicamente e por muito boas razões. Aqui tudo é razão para atravancar e desvirtuar o Terreiro do Paço: o chouriço assado, a barraca de plástico dos gelados, o novo carro da "Seat" (foto de Fevereiro de 2007), o mega-ego do Banco Milenium BCP (na forma de uma pseudo-árvore de natal), etc.

Se querem mesmo devolver o Terreiro do Paço às pessoas, então parem de o atravancar com barulho e abarracamentos. Senhores e senhoras sentados nas cadeiras do poder municipal: o silêncio, e o vazio são tudo o que as pessoas e o Terreiro do Paço precisam!

11 comentários:

Alex disse...

Não concordo. Uma praça vazia para observarmos os estaleiros das obras e os motoristas dos senhores ministros em segunda fila a espera destes? ou para ouvirmos o barulho do transito e das maquinas? Os dois melhores momentos que Lisboa me ofereceu este ano foram curiosamente dados em duas praças: a do Camões no 25 de Abril em que passei a tarde sentado naquele relvado brutal a apanhar sol e a desfrutar das varias animações que por ali andavam; e os concertos que assisti em Julho no terreiro do paço. Isso sim foram bons momentos.

Quanto aos comes e bebes que podemos encontrar por la ocasionalmente, concordo que aquilo devia ser tirado dali ao pontapé.

Quanto a publicidade, sou um pouco suspeito para falar de tal, visto ser estudante de Marketing e Publicidade... mas vamos la ser sinceros: estas publicidades não são a melhor forma de reduzir um passivo de uma Autarquia? Lembram-se da publicidade da Wolkswagen na avenida da Liberdade durante o natal? perturbou muito os cidadãos? não, até pelo contrário, finalmente vimos a Av. da Liberdade decorada decentemente sem aquelas luzes pseudo natalícias que mais fazem lembrar a feira popular. E assim por tras, a autarquia encaixou uns bons € e não precisou de gastar outros tantos a montar a tal feira.

A arvore do BCP de facto era uma aberração... nem o dinheiro envolvido paga tal coisa.

Os Lisboetas precisam de bater o pé, não de ficar em casa a ver televisão. Sem animação e Vida nas ruas ninguém quer sair de casa.

Isto é a minha opinião em relação ao terreiro do paço e a todas as outras praças e ruas de Lisboa.

Abraço

Anónimo disse...

MAS "SER DAS PESSOAS" NÃO É O MESMO "SER DAS EMPRESAS, DA PUBLICIDADE, DO MARKETING".

Se é de todos nós devem ser pensadas inciativas para nós. E que se saiba, a publicidade e as patéticas árvores de Natal apenas SERVEM ás empresas e mais ninguém.

É preciso pensar em iniciativas ao ar livre para as pessoas! Por exemplo, os espectáculos que este verão o CCB organizou nos seus diferentes espaços ao ar livre e gratuitamente: dança, música, teatro, etc.

E quanto ao trabalharmos numa área não faz de nós acríticos apenas porque "reduz o passivo" da CML. Cada coisa no seu lugar.

vm disse...

Ser livre de publicidade e de carros e barracas de comes e bebes não quer de todo dizer que fique vazia. Há outras formas de dar vida a uma praça que é um monumento e que nós, praticamente, nem reparamos. Há anos foi falado que os Ministérios iriam disponibilizar os pisos térreos para serem abertos cafés, alfarrabistas e outros tipos de lojas. É isso que tem que ser feito: fazer com que as pessoas não passem pelo Tereiro do Paço mas vão ao Terreiro do Paço. Fora com todos os carros, sejam dos ministérios ou não, abertura de restaurantes com comida portuguesa e não tipo "Macdonalds", muitas esplanadas, música ao vivo mas ser organizada, isto é, de criação espontânea. Que um músico pegue na sua guitarra e vá cantar ou tocar . Ou um violinista ou violoncelista.
Fim imediato da pirosice da maior árvore de natal, das barraquinhas de lona para amostra de não sei o quê, de carros expostos. Ainda ontem passei pelo Terreiro do Paço e vi na esquadra de polícia que existe perto da Câmara um enorme vidro partido. É apenas um vidro, bem sei. Mas é o sinónimo do deixa andar e do estado a que deixamos chegar as nossas coisas. O estado é o grande mau exemplo. E o estado somos todos nós que passamos e não nos preocupamos ou aceitamos tudo. É preciso denunciarmos, exigirmos e darmos o exemplo.

Quanto à av da Liberdade: a mim só não me preocupou mais a publicidade dessa marca de automóveis porque a Avenida está numa total decadência: suja, podre mal frequentada, sem vida. E quanto ao dinheiro dessa campanha para onde foi ele? Viu-se alguma coisa de bom nesta terra nos últimos anos? Nunca vi Lisboa tão mal governada, tão abusivamente usada pelos poderes, tão decadente como nos últimos anos. Chega. É preciso que os cidadãos tenham poder e o usem. A culpa não é só dos eleitos, também é dos que elegem e dos que não votando deixam eleger. E não me digam que são todos iguais. Não são. Nenhum será certamente o nosso ideal mas uns aproximam-se mais que outros. Achamos sempre que todos os problemas são para os outros resolverem. Que má ideia temos de cidadania

Anónimo disse...

A palavra-chave para uma mudança é:

CIDADANIA!

Não basta - embora seja importante - escrever aqui e acolá. É também preciso escrever para os eleitos e questionar e exigir.

FJorge disse...

Uma Praça "vazia" significa, naturalmente, uma praça já liberta de estaleiros de obras, de carros de ministros em segunda fila e de trânsito automóvel (na medida do possível). Com esse vazio e silêncio essencial, então é possível uma ocupação pelos cidadãos: música (expontânea ou programada), exposições, feiras? Sim, claro, MAS com critério, coisa que não tem existido de modo algum. Mas eu questiono a teoria da indispensabilidade de uma animação programada para a Praça do Comércio. Não concordo que só assim se justifica um passeio até lá. Para começar, o próprio espaço urbano, a arquitectura, a escultura, as vistas para o rio Tejo, são argumentos suficientes para estar na Praça do Comércio. Apesar de tudo (da ocupação execessivamente burocrática) existem muito para ver e até ouvir (poderiamos ouvir o rio e os barcos por exemplo, se houvesse menos barulho de carros!).
Mais do que insistir na nossa crónica dependência das feiras e do entretenimento, sempre circunstancial e dependente da classe política que estiver no poder, seria muito melhor pensar em "animações" sustentáveis a longo prazo. Por exemplo: o Museu da Cidade deveria transitar para aqui (ou pelo menos o núcleo da Lisboa Pombalina); a colecção de mobiliário e Artes decorativas do Museu Nacional de Arte Antiga também poderia ocupar uma parte da Praça (e assim libertava espaço tão necessário ao MNAA para mostrar mais obras de pintura e escultura actualmente na escuridão das reservas). Parte das arcadas devem de facto ser ocupadas por comércio de qualidade MAS adequado ao perfil da Praça do Comércio.
Não vamos destruir o espírito do lugar com o provincianismo das "luzes & banda da música".

Anónimo disse...

hoje estive no Terreiro do Paço, e vi um quiosque de plástico de uma marca de gelados mesmo no centro. alguém imagina tal coisa no meio da Place Vendôme ou na Place de La concorde em Paris? nem em Roma tal coisa seria alguma vez permitida! aqui é a parolice e a brejeirice total.

Alice disse...

Isto talvez não passe de uma medida circunstancial, tipica de políticos que se sabem sem dinheiro mas com uma necessidade urgente de marcar a sua chegada. Lembra a pacóvia ideia do Santana Lopes de instalar altifalantes nas ruas da Baixa (que ainda lá andam pendurados dos candeeiros). Todos ss politicos, já não interessa a cor, sabem que a Baixa é uma vergonha nacional e como tal, sabem que os cidadãos aguardam por soluções. Mas isto é tudo o que podem oferecer. Espero estar enganada e que o futuro traga medidas sérias para resolver a agonia da Baixa. No domingo lá estarei para ver e ouvir.

Anónimo disse...

fico revoltada com o que vejo nezsta imagem! usar o Terreiro do paço como stand de automóveis! depois de tantos anos a lutar para retirar o estacionamento da praça, ver uma campanha de publicidade de uma marca de automóveis no meio dessa mesma praça é no mínimo uma brincadeira de mau gosto!

Anónimo disse...

alguém me sabe dizer se o quiosque de plástico de uma marca de gelados esteve no terreiro do paço no passado domingo? será que o antónio costa comeu um gelado?

Anónimo disse...

concordo. e percebo muito bem a questão do silêncio e do vazio. encontrei isso em Veneza, em Florença, e muitos outros locais na velha europa. presisamos de ser comedidos com as chamadas "animações" nestes lugares com um simbolismo e história muito fortes. o movimento de pessoas já é uma animação, natural.

FJorge disse...

Claro, "animação natural" é essencial para se conseguir uma animação sustentável a longo prazo.