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30/04/2008

Novo Museu dos Coches arranca em Janeiro de 2009

O contrato entre o arquitecto Paulo Mendes da Rocha e o Governo português para a elaboração do projecto do novo Museu Nacional dos Coches foi ontem assinado no Ministério da Economia, entre o conhecido projectista brasileiro e o ministro Manuel Pinho. As obras deverão começar em Janeiro de 2009 e espera-se que estejam prontas em Outubro de 2010.

"O novo museu vai fazer brilhar os coches e a atenção das pessoas estará centrada na importância daqueles artefactos maravilhosos", disse ao DN Mendes da Rocha, não querendo antecipar ainda muitos pormenores sobre trabalho que tem em mãos. "Ainda estamos a pensar", diz o arquitecto. E vai deixando escapar alguns detalhes. "Fachada?, Não sei se terá. Vai ser aberto por baixo...", gracejou.

O arquitecto que diz "não ver a criação do projectista como um objecto isolado", deverá entregar ao cliente - neste caso o Turismo de Portugal/Parque Expo/Sociedade Frente Tejo - dentro de 30 dias um estudo prévio com a solução adoptada para albergar o acervo do actual Museu do Nacional dos Coches , ainda a funcionar no Antigo Picadeiro Real do Palácio de Belém. O projecto para o novo museu deverá desenvolver-se próximo das instalações actuais, nos terrenos de antigas instalações do Exército existente no quarteirão em frente (Rua da Junqueira, Praça Afonso de Albuquerque e Avenida da Índia) e que terão de ser demolidas. Com uma área bruta de construção de 12.000 metros quadrados distribuídos entre área de exposição (7.500 metros quadrados) e áreas complementares (incluindo um auditório e oficinas de manutenção e conservação dos coches), o novo museu será "um espaço que se deve integrar em toda a bela zona de Belém e até na margem do rio", sublinha Paulo Mendes da Rocha, que diz que o importante são os visitantes e o conteúdo do museu.

O projecto prevê ainda a existência de 7.500 metros quadrados destinados a estacionamento e ainda uma área de espaços exteriores de 13.500 metros quadrados. Parte integrante da solução encontrada pelo arquitecto brasileiro é a passagem pedonal e ciclável sobre as avenidas da Índia e Brasil e a linha do caminho de ferro Lisboa-Cascais, estabelecendo a ligação do edifício com a frente ribeirinha e a estação ferroviária de Belém. O valor global da obra (ainda sem IVA) é de 27 milhões de euros, verba que será paga com as receitas provenientes do Casino de Lisboa. Para o ministro Manuel Pinho, o novo museu será "uma nova centralidade que vai trazer mais gente a esta zona de Lisboa. E ter Paulo Mendes da Rocha a projectá-lo é um privilégio".

in Diário de Noticias 30/4/2008

15 comentários:

Arq. Luís Marques da silva disse...

Brilhante disparate!!! Ao invês de acabarem o Palácio Nacional da Ajuda, completando o projecto inicial, o que resultaria num espaço fabuloso para albergar para além do espólio do M.N.dos coches, os acervos de outros museus, permitindo fazer um verdadeiro museu nacional de projecção internacional, poêm-se a inventar obras desnecessárias que servirão os interesses de tudo menos da cultura.
Numa época em que se fala de racionalização de recursos humanos, logísticos e energéticos, era a oportunidade de ouro, a conclusão e ao mesmo tempo, a criação deste museu, para albergar em si, as várias colecções espalhadas pela cidade e que são assim, muito menos visitadas.
Desde que comecei a falar no assunto, escrevendo no meu blog e no livro de reclamações do Palácio Nacional, numa visita que lá fiz e onde, numa tarde inteira, apareceram 10 visitantes, parece que foi de afogadilho, que o protocolo foi assinado; tal era o medo de se criar na opinião pública, uma ideia contrária a esta "brilhante ideia"!!!
Alguém foi ouvido nesta tomada de posição?

Anónimo disse...

Assim estamos nesta "West Coast":a uma idéia antiga e aparentemente sensata-um novo museu dos coches,num ex-espaço militar-responde o arq. anterior ,com um ultrapassado disparate que é "acabar" o Palácio da Ajuda!
Os srs Pinho/Costa/Júdice andam famintos de betão;queria pôr ali naquele ex-espaço militar,ribeirinho, mais um condomínio privado tipo Inglesinhos?O que faria dali sr. arquitecto?Deixe lá o Palácio e concentre-se neste tema da Ribeira que promete saque!E bata-se por ele.

30-4-08 L. Villa

Anónimo disse...

É facil, com o dinheiro dos outros.
Só faltava mais esta, agora o Manuel Pinho também opina sobre centralidades em Lisboa.
Ignorantes até na escolha do babaca do arquitecto, na agencia de emprego e de contratos da Parque expo.
Puta que pariu, isto já mete nojo...

Arq. Luís Marques da silva disse...

Antiquado disparate concluir o Palácio Nacional da Ajuda? Dotá-lo de capacidade física, humana e logística para poder concentrar em si mesmo, as várias colecções espalhadas pelos mini museus de Lisboa, dando-lhe assim a hipótese, de se tornar num museu de projecção internacional?
Relativamente á ideia em si mesma, é opinativa e pessoal e por isso, passível de ser contrariada mas, em relação ao aspecto da inovação, é muito mais vanguardista e moderna, do que a ideia de construir mais um espaço museulógico isolado, só para a colecção de coches.
Aliás, veja-se o que se faz nos grandes museus do mundo, por exemplo no Louvre ou no Hermitage.
O escarro, que é o remate da "fachada" Poente do Palácio com a Calçada da Ajuda e da desurbanização ali existente, também poderia ser agora resolvido, se as energias fossem canalizadas para o Palácio.
A questão dos edifícios militares, nada tem a ver com aquilo que se passou nos Inglesinhos, que passou pela sua completa desvirtualização. Aqui, são na sua maior parte edifícios desinteressantes e sem valor, podendo ser, perfeitamente construída uma zona residêncial, para fixação de jovens, um pouco como se fez e faz, noutras zonas de Lisboa.
Até porque, a não ser que já conheça o projecto, a construção do museu naquele local, não é garante de que o espaço militar venha a ser qualificado ou melhorado.
Só para finalizar, deixe que lhe diga meu caro anónimo, que as opiniões que expresso, boas ou más aos seus olhos, são minhas e advêm do meu sentir e do amor que tenho á minha cidade, nada têm a ver com saques porque eu, não sou um pirata de Lisboa; sou mesmo de cá!
Permita-me também aconselhá-lo a não medir os outros pelos seus padrões e valores profissionais e morais.
Bem haja.

Anónimo disse...

Caro arq.Marques da Silva:
Primeiro não sou anónimo,segundo não dou conselhos,terceiro o projecto do museu dos coches é conhecido há 10 anos e o do "acabamento" do Palácio da Ajuda há uns 20,ganho que foi em concurso pelo ex-arquitecto Byrne e actual pato-bravo-chic autor das torres soviéticas,em construção no Estoril-Sol,10 vezes pior que a Penitenciária dos Inglesinhos(esta pelo menos respeita a cércea vizinha!).
Do seu discurso sobre o Palácio vejo que ,ou não conhece os projectos(o inicial e o outro),ou não se preocupa nem com as finanças nem com a "escala urbana",o que é estranho num arquitecto.Ainda para mais lisboeta.Ou então é da "escola de restauro" das obras de Sta Engrácia...
Mas fugiu á minha questão:concentrar-se na Zona Ribeirinha da sua(e da minha)Lisboa que está a ser abocanhada por Costas/Salgados/Júdices/Pinhos/Linos e que precisa de DEFESA !
E este blogg aqui e agora é para esta Zona.
Bem haja também.

1-5-08 Lobo Villa

daniel disse...

Parece-me um bom projecto.

Talvez menos dispendioso e mais racional e potencioalmente mais lucartivo e gerador de sinergias para a zona ocidental do que acabal o Palácional Nacional da Ajuda.

Arq. Luís Marques da silva disse...

Bem, numa coisa tem razão; não conheço o projecto do Museu dos Coches, porque nem o autor o conhece ainda; só agora vai entregar um estudo prévio.
Depois, conheço muito bem o projecto do arq Gonçalo Byrne; é o remate da fachada Poente mas, não tem nada a ver com aquilo que aqui preconizo. Há duas décadas, quando eu e os meus colegas de faculdade, fizemos um estudo sobre o remate do Palácio, foram as nossas ideias que foram aproveitadas para que os "mestres" brilhassem, portanto...
Já agora, sabe que no âmbito da intervenção aprovada para a zona Ribeirinha, este último projecto, o da conclusão da fachada, vai ser mesmo executado? Provávelmente no âmbito de alguma parceria com alguma escola de Sta Engrácia.
Fala nos custos da conclusão do Palácio? Mas sabe, quais serão os custos de concluir a fachada Poente e os custos totais da construção de raiz, do edíficio para os Coches (não se sabe com certeza, a área total de construção)?
E fala também em escala humana?
Porquê? Acha que arq.tos como Manuel Caetano de Sousa e José da Costa e Silva, entre outros, não sabem o que é escala humana?
Já foi porventura visitar o Palácio da Ajuda e ver lá a maquete do Palácio e como seria, se fosse todo construído?
Por favor não fale do que não sabe!
Só mais uma pequena achega; este blog é para falar, aqui e agora, a respeito de tudo quanto aqueles que o utilizam, com educação e propósito, entenderem dizer sobre a cidade de Lisboa. Foi isso que me limitei a fazer e assim continuarei.
Relativamente á opinião do sr Daniel, merece-me todo o respeito, apesar de diferente da minha. Mas é isto a democracia!

Lesma Morta disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lesma Morta disse...

Caro arquitecto. A lógica da construção do novo museu dos Coches em instalações militares escapa ás intervenções anteriores, senão vejamos: Desde a desobrigatoriedade do cumprimento do serviço militar, que boa parte das instalações estão desocupadas ou subaproveitadas e nesse sentido o governo já havia tratado de juntamente com as forças armadas, alianar património. Desta feita, juntando-se a fome à vontade de comer e eis que surge mais um museu em local nobre sem dúvida mas num projecto desnecessário e caro, já que os dinheiros da venda dos espaços militares revertem a favor da Defesa. De há muito sou da sua opinião de concluir a Ajuda mantendo o aspecto exterior projectado por Francisco Fabri e Costa e Silva (que só está concluido pela metade)e daí juntar um espólio digno de nota ao exemplo dos maiores museus das grandes capitais europeias.
Se não temos um verdadeiro Museu Nacional, como podemos aspirar a ter um verdadeiro museu internacional?

Anónimo disse...

Sr.arq M.da Silva .
Não falei em "escala humana",mas sim em escala urbana.
Vejo que distorce muito bem os assuntos em favor da sua dama,-o Palácio- e que não aceita críticas activas,ensimesmado que está na sua altiva "arquitectice".
Ao anterior Daniel,que nem escrever sabe,respeita e é "democrático",a mim chama-me ignorante por várias vezes(e eu ralado...).
O "mestre" Byrne roubou-lhe as idéias para o Palácio? O que esperava dum pato-bravo?.
Quanto áquele mono italianizante(Terzi,Fabri...)completamente fora da ESCALA URBANA de Lisboa,e que
felizmente se quedou em menos de metade,devido á crise financeira da época,não me merece nem mais uma vírgula.
Faça o favor de falar na Frente Ribeirinha,que é o Tema deste blogg.

2-5-08 Lobo Villa

Arq. Luís Marques da silva disse...

Meu caro Sr Lobo Villa, a sua prosa argumentativa não passa de adjectivação rasteira, com que vai bombardeando com quem consigo discorda ou com quem o sr não concorda, resvalando para uma confrontação pessoal, com a qual não alinho.
Dei a minha opinião sobre um assunto perfeitamente integrado no contexto da notícia inicial ( não no blog em geral, que esse é muito mais abrangente), sendo o que escrevo ou não, da minha inteira responsabilidade e não da sua.
Podia continuar aqui a esgrimir consigo interpretações prosaicas sobre se houve ou não relação entre Terzi e Fabri no projecto do Palácio ou qual a relação entre escala Humana e Urbana; mas não vale a pena.
Aquilo que eu queria, era demonstrar que, na minha opinião, havia uma solução melhor áquela que foi aprovada no âmbito da Frente Ribeirinha, concretamente para o museu dos coches.
Torno a dizer, é a minha opinião e o sr, discorde dela á vontade mas, respeite as ideias e as pessoas!

Lesma Morta disse...

Ora toma que já almoçaste.

Anónimo disse...

Sr arq.M da Silva:
De facto passei-lhe um "bombardeamento rasteiro",concordo consigo!
Falei-lhe em ESCALA/BYRNE/TERZI/FABRI...(as "key-words",diria qualquer aluno de arquitectura)e o Sr. conseguiu não me responder a nenhuma.Parabéns!
Enturmou na perfeição na idiotice latente,tipo anterior "Lesma Morta", do "ora toma que já almoçaste" .
E assim continuaremosmos nesta "West-coast",cheios de pseudo-ressentimentos pessoais...

7-5-08 Lobo Villa

Arq. Luís Marques da silva disse...

Sr Lobo Villa, que nível o das suas respostas e que palavras tão "caras" e rebuscadas; estrangeiras mesmo. Estou siderado!
Tenho que admitir, que não estou preparado para argumentar com alguém, com uma prosa tão intelectual-calma-educada como a sua e por isso, me retiro desta contenda, quase cavaleiresca.
Só fica aqui de mim, a minha ideia inicial, que essa mantenho.

GAMNAA. disse...

Apresentamo-nos:

Somos o blogue do Grupo dos Amigos do Museu Nacional de Arte Antiga.

Somos "novos" nestas lides blogais...

Ajude-nos com as suas ideis e opiniões! .......