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22/11/2014

Lisboa de Rastos I

Convendo do Corpus Christi. Entre tags, lixo, portas rebentadas, vidros partidos, este espaço singular na Baixa Pombalina continua a marcar passo. Entre classificações apressadas e tardias de uma inoperante DGPC, a fúria da construção de hóteis e a inoperância da CML, tudo se degrada num hino ao abandono e à destruição. Afinal nada que se possa estranhar em Lisboa.

Desta lixeira a um incêncdio, não vai um grande passo. Auto-felicita-se a CML pela sua gestão da capital. Será que entre as frases feitas para uma opinião pública alheada e condescendente e o confronto duro com a realidade, não haverá ninguém nos Paços do Concelho que diga aos lisboetas por que razão a modorra da negligência é preferida em relação a uma gestão da cidade que a valorize no seu riquíssimo património?


Avisos que nada avisam a não ser a cegueira voluntária e comodista da CML e da DGPC.


Não são só conventos, palácios e chafarizes as únicas peças de património lisboeta que estão a ser alvo de negligência por parte das instâncias que deveriam ser as primeiras na sua protecção e conservação. Hoje em dia até as mansardas pombalinas deixaram de estar a salvo. Na via verde da destruição de Lisboa, arquitectos, projectistas, gabinetes camarários e todas as aves que pairam sobre a cidade, dão o seu inestimável contributo para que ela saia diminuída todos os dias. Prédio na rua do Arsenal. As mansardas foram destruídas na íntegra.


Prédio no Largo de São Paulo. Salvo in extremis da derrocada completa. Primeiro deixa-se chegar o edificado a um passo da estocada final. Aprovam-se, entretanto, uns projectos-âncora considerados salvíficos e a seguir a CML apresenta-se como grande recuperadora, quando na verdade é o grande algoz da cidade. Dos palácios à arquitectura de transição, dos conventos abandonados aos jardins históricos, da substituição de mobiliário urbano de época por horrendas peças contemporâneas, da sujidade inaudta a um tapete imenso de tags e património vandalizado, Lisboa nunca esteve tão mal tratada. Digam o que disserem.

E as mansardas lá foram. . .

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