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13/05/2016

Arboricídio em perspectiva no Jardim das Amoreiras e imediações


Chegado por e-mail:

«Envio-vos este mail, porque hoje vi que no Jardim, das Amoreiras, estão a planear o abate de várias árvores, que segundo os Avisos afixados não estão em "condições". Neste mundo formatado, as árvores que tenham"defeitos" são condenadas ao abate. Envio-lhe fotos de algumas das árvores em causa.
Não sei se poderão fazer alguma coisa para evitar tal desfecho, se poderem será uma mais valia para as árvores, e para a Paz do local.
MP»

2 comentários:

Rosa disse...

Mais um exemplo preocupante de muito má gestão do património arbóreo de Lisboa.
Em Março passado, a Junta de freguesia de Santo António, pede (e bem) ao departamento técnico da CML, a avaliação do Arvoredo da Praça das Amoreiras, "O arvoredo encontra-se localizado em caldeira, à volta do jardim Marcelino Mesquita, sendo composto por 41 exemplares do género Tília, 1 exemplar da espécie Cupressus sempervirens, 3 cepos e 1 caldeira que foi fechada sem justificação, pela antiga Junta de Freguesia. "
Resultado desta avaliação técnica aconselha-se o abate de duas tílias apresentando como justificação "Cavidade na zona de inserção das pernadas. Copa desequilibrada."- note-se que em altura alguma se utiliza no relatório o termo decrepitude -em relação às restantes árvores o relatório recomenda " o corte de ramos secos, alivio de peso da copa, de reequilíbrio e de formação"
Algumas (5) destas tílias são vivos ex-líbris do Jardim das Amoreiras, com DAP (diâmetro à altura do peito) que chegam aos 3 metros e copas monumentais e únicas. Em atenção a estas o relatório faz referência particular desta forma "De modo a conservar alguns destes exemplares por mais algum tempo, é necessário proceder à poda imediata, ou seja, antes da rebentação da folha, de cinco exemplares referidos no quadro acima e monitorização de seis em seis meses"

As folhas já rebentaram há algum tempo, vigorosas, maravilhosas. Os pássaros já nidificaram. Passou o tempo em que se podiam fazer as podas aconselhadas pelo relatório....Resta avançar com os abates.
Mas também aqui a coisa não está a correr bem. Por alguma razão absurda que só pode ser vista como um grave engano, numa dessas árvores (que importa conservar) foi agora afixado pela Junta de Freguesia de Santo António um aviso de abate!

Anónimo disse...

Quem determina o processo de intervenção do arvoredo são os técnicos da CML, embora possa haver proposta da Junta de Freguesia.
Os avisos são colocados com antecedência para que quem não estiver de acordo possa protestar junto dos serviços da CML., como parece ser o caso de pelo menos o exemplar abusivamente posto para abate pela Junta de Freguesia.
Outro grave problema refere-se ao tempo que medeia entra os pareceres e a sua execução.
Quando se abate uma árvore em resultado de um exame feito por técnico habilitado da CML, deve ser logo removido o cepo e plantado um novo exemplar. O que muitas vezes acontece por não se respeitarem os prazos é que os cepos ficam no solo da um ano para o outro e demora a plantação de novos exemplares por muitas vezes se ter ultrapassada a época de plantação.
Tão grave como o abate desnecessário de árvores é a falta de plantação de novos exemplares.

João Pinto Soares