AVISO

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20/08/2008

O Chiado








"Chiado ainda é um problema na cidade"

A mudança que o Chiado sofreu, depois do incêndio de 1988, é um mau exemplo para o arquitecto Leonel Fadigas, que classifica de "escândalo" o tempo que demorou a reabilitar-se "dois ou três quarteirões" do emblemático bairro lisboeta.

"Vinte anos a pensar no Chiado é de mais. Não foi uma parte da cidade que ardeu, embora tenha sido uma área importante. É um escândalo levar-se 20 anos para fazer aquilo", disse o arquitecto paisagista e urbanista, doutorado em Planeamento Urbanístico e professor da Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa.

Mais do que reabilitar, Leonel Fadigas defende que é necessário "regenerar" certas zonas da cidade. "A Colina de Santana, entre a Avenida da Liberdade e a Avenida Almirante Reis é uma zona de risco, muito degradada e a cidade não tem olhado para ela com atenção", referiu o arquitecto, que foi director e presidente da empresa municipal Ambelis, Agência para a Modernização Económica de Lisboa, entretanto extinta.

"Temos de intervir na reabilitação dos edifícios e na melhoria das condições de vida da população", disse Leonel Fadigas. "A cidade tem grandes desafios, e o Chiado ainda é um problema. Substituíram-se uns edifícios por outros. Tem mais vida? Tem mais comércio? Teve um efeito estimulante na zona envolvente? Há mais moradores na Baixa?", questiona.

Para o arquitecto, quando se fala de reabilitação da Baixa, é necessário ligar a recuperação física à social, e "não pode esquecer-se a colina de Santana". Mais: "É preciso requalificar os edifícios e também as condições de vida da população. São necessárias políticas de habitação associadas para levar gente", salientou.
O vereador Pedro Feist, que ocupava as funções de presidente da Câmara, em substituição de Krus Abecassis, que se encontrava de férias, ainda hoje acredita que a cidade nunca conseguirá ter a Baixa de volta. "Foi uma dor terrível, como lisboeta e responsável pelos comerciantes (presidia a uma associação). Fiquei com a sensação que nunca conseguiríamos reabilitar a vida daquela zona", contou Pedro Feist. "Vinte anos depois ainda não há soluções à vista que me permitam ter algum optimismo", disse.

O autarca mantém-se "pouco optimista na recuperação da zona que sofreu uma mutilação muito severa". Argumenta que se fizeram "algumas asneiras na reabilitação, que criou uma separação completa entre Chiado e Baixa. Antes do incêndio estava tudo integrado, depois separaram-se as zonas. Começou a debandada de tudo o que era património histórico a nível de comércio e prestação de serviços", defendeu."

Texto_ Jornal de Notícias de 20/08/2008


O Chiado é um problema na cidade?! Um dos bairros mais dinâmicos da cidade histórica?!

12 comentários:

funcionario publico disse...

Houve erros graves no Chiado, e oportunidades perdidas.
A teimosia do Projecto de Siza Vieira foi um desastre para o Chiado, perdeu-se uma infeliz oportunidade, senão vejamos:
A morfologia do terreno permitia a instalação de um grande parque de estacionamento, valorizava e revitalizava a zona do Chiado tal como a da Baixa, por teimosia de Siza Vieira não permitiu a introdução de estacionamento.
A incompreenção de que a "Baixa é um edificio único" mas não no sentido proprio do termo.
A descaracterização das tipologias, transformou edificios num pastiche postmodernista sem sentido.
Este formalismo vai ao ponto de prejudicar o comercio, ver as lojas com falsa fachada que estão enterradas.
Transformou esta zona num gheto de estratos sociais elevados, a deliberada introdução de apartamentos só para "ricos", sem compreender a equidade social da tipologia pombalina.
A pedonalização da Rua 1º Dezembro foi um erro, consequencia de opções erradas.
A larga boca de metro da estação do Chiado no largo do poeta, é vergonhosa, completamente fora de escala, consegui destruir a intimidade deste pequeno largo e o seu ambiente transformando num cruzamento de tráfego.
Os seus edificios na Antonio Maria Cardoso são vergonhosos, em termos formais, na escolha dos materiais, fachada de azulejo cinzento na fachada que está sempre a sombra, apesar de estar voltada a nascente. E porquê está a sombra porque o arquitecto faz uma varanda corrida (com balanço superior ao da pombalina) no ultimo piso, e esta faz sombra na fachada. Mas há mais, a modulação das caixilharias, o desenho das grades da varanda que provocam vibração ao olho, a destruição da perspectiva da Rua Vitor Cordon, e a incapacidade de realizar espaços comerciais "normais", ao longo do passeio, a única fachada voltada a sul sem janelas (só da cozinha) e mais haveria a dizer...
Para concluir a intervenção de Siza Vieira foi um desastre, quando um tecnico vive permanentemente numa luta filosofica e existencial, apoiante e suportado por regimes e politicas totalitarias e anti sociais dificilmente consegue compreender a sociedade actual e seu desenvolvimento, a previsão do seu caminho futuro.
Neste projecto prevaleceu sómente a sua opinião, aliás neste como nos outros. A desmedida deuzalização deste por parte de alguns precipitou a decisão e a não contestação a boa maneira dos regimes fascistas foi rápidamente abafada, porque houve quem se opôs.
Por este motivo, qualquer transformação na cidade de vulto, tal como no Cais do Sodré, e ou o Mono do Rato, o Novo Museu do Coches, podem comprometer o futuro, e destabilizar o fragil "harmonia ou ambiente urbano" local.

daniel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
daniel disse...

Bem efectivamente houve erros no Chiado e oportunidades perdidas, mas:

Lembro que os terraços de Bragança não fazem parte da reconstrução da área ardida do Chiado.

Por outro lado, questões meramente estéticas quanto ao aspecto dos edifícios são muito subjectivas.

Quanto aos edifícios da zona destruída pelo fogo, são praticamente iguais aos anteriores e à construção pombalina.

Quanto ao estacionamento, existem no Chiado 3 enormes parques de estacionamento (Lg do Camões e Lg do Carmo e Praça do Município)
Efectivamente lojas com falsa fachada foram um desastre, mas representam uma pequeníssima parte do total das lojas daquela zona (alias, resumem-se apenas a um prédio).

Mesmo aquelas que estão nos pátios, o seu fracasso deve-se mais á má estratégia (ou falta dela) comercial dos donos da lojas do que do arquitecto. Aqueles espaços eram logradouros não aproveitados e hoje são espaços públicos lindíssimos.

O facto de os apartamentos serem caríssimos, a culpa é do mercado não do arquitecto. A não ser que se fizesse um bairro social. Depois queria ver que comércio é que ia para ali.

O metro deu o impulso necessário a uma grande afluência de pessoas e a saída da estação é no único sitio onde havia espaço e ainda permite ter escadas rolantes da baixa para o Chiado.

Considerações pessoais quanto ao arquitecto parece-me que não ajuda á discussão.

Por outro lado, é inegável que, mesmo com erros e falhas o Chiado ressurgiu, está na morda, tem comércio vibrante, tem sempre gente, é disputado por marcas nacionais e internacionais, tem um mini centro comercial que atrai muitas pessoais sem ser opressivo.

A habitação é cara mas é um mero reflexo de uma zona mais vibrante.

A Baixa morreu porque se calhar não teve intervenção á altura.

Tomara que os "erros" do Chiado fossem lá cometidos. Não estaria decadente e bafienta como está agora.

Lisboeta disse...

Leonel Fadigas é um excelente professor, infelizmente o politicamente correcto não o deixou fazer outros comentarios necessarios para a explicação depois de tão grande investimento nada mudou. O FP que pôs o dedo na ferida foi oportuno, realmente deverá ter havido muita coisa por explicar. Não admira que sejamos todos cépticos aos projectos para a Baixa.
O problema é social, maus regulamentos, é necessário ajudar os proprietaios, a Baixa faz dó!

No passado domingo dei uma volta com a familia pela Baixa e Chiado, foi um passeio triste.
As lojas abertas são os chineses e os souvenires indianos, tudo fechado..., na Rua Augusta e Rossio, ciganos e gente mal amanhada vendiam droga debaixo do nariz da polícia!!!(Já sei não é droga, mas então prendam-nos por ludibriar as pessoas!) quiz beber uma cerveja com a familia ao Martinho da Arcada, fechado! Mas o melhor ainda estava para vir!
O Terreiro do Paço, com duas roulotes de Churros, farturas e porras, com preservativos pendurados cheios de mostarda e ketchup,...nojento uns neons coloridos...umas bancadas de venda de hippies, uns vasos raquiticos de banboos...até as lágrimas me correram na face. Não há direito.
Ignorantes não merecem a cidade que têm.

daniel disse...

Concordo se toda essa análise for feita para a Baixa e não para o Chiado.

O Chiado, mesmo com alguns problemas, está com uma dinâmica que nãos e encontra em muitos bairros da cidade.

Tb a sua reporta-se à baixa.

É um exagero dizer que o Chiado é um problema da cidade. Tomara que o Chiado fosse o "problema" da cidade.

Sinal de que Lisboa não estaria nada mal.

Arq.Gonçalo C. Silva disse...

Daniel, infelizmente a zona está interligada, o trágico acidente no Chiado poderia ter permitido a revitalização de toda esta zona e ainda a Baixa. Nessa altura verificaram-se, que varios regulamentos e legislação estavam desajustados e os governantes nada fizeram, ou pouco fizeram.
Quanto a responsabilidade do arquitecto, não posso estar de acordo. Justamente por ser conhecido teria autoridade e acesso para transmitir ou denunciar aquilo que estaria errado. Tal como um médico é responsável, o arquitecto tem que se assumir, e o bem comum deve se sobrepôr à sua ambição pessoal.
As questões estéticas não são subjectivas, a tipologia pombalina foi prostituída. E se reparar(suba a Rua do Carmo e repare que as janelas não sobem consigo), as tipologias foram "interpretadas", esta atitude, deu como consquencia vãos/lojas estranhas, que deixaram de ter montra para a rua. Após esta situação as coisas ficaram complicadas.
Uma vez que os edificios foram reconstruídos o estacionamento deveria ter sido introduzido, por teimosia do arquitecto não foi realizado. Os estacionamentos posteriores, foram quase de calçadeira, com consequencias futuras na gestão do trafego local.
Quanto aos espaços exteriores publicos são disparatados e forçados, e têm tido grande dificuldade em vingar.
O arquitecto se não concorda com a estratégia do promotor desiste do projecto, já imaginou o que seria se o arquitecto denunciasse essa situação? Os arquitectos não são, não podem ser mercenários.
Existem em várias capitais da europa projectos de reconstrução em centro historico com um percentual ou uma bolsa de rendas economicas, não se pode permitir transformar os centros historicos só com apartamentos de luxo, não podemos permitir isso e fazer os mesmos erros do passado.
A cidade é feita de todos segregar ou estratificar a cidade por raças, credos, ou recursos é deixar às gerações futuras gravissimos problemas, é de uma desumanidade insuportável. Alias estamos a assistir a problemas graves nos bairros sociais, não existem oportunidades, não há cidade, fomenta-se a marginalidade, Portugal não se pode dar ao luxo de perder a quantidade de jovens que vivem por esses bairros.
Não entendi os comentarios como acusações pessoais mas sim uma observação, bem atenta por sinal, a diversas situações que estão erradas e não há dúvida que teve um autor. E como arquitecto deixe que lhe diga que concordo na generalidade das considerações.
O municipio tem obrigação de controlar este tipo de situações, o exemplo da zona do bairro azul devido a um infeliz centro comercial é bem conhecido.
A Baixa não está morta, os proprietarios estão de mãos e pés atados devido ao congelamento de rendas durante muitos anos, enquanto o estado não tomar medidas a este nível a situação irá continuar a degradar-se. Agora imagine, que existia um estacionamento entre a Rua do Carmo e Rua do Ouro, não tenha dúvida que a Baixa teria grande sucesso.
Compreendo que seja delicado todo este assunto. A revitalização da Baixa é necessária mas não a qualquer preço.
O projecto de reconstrução da cidade de Lisboa após o terramoto de 1755 não está terminado, e é considerado a 1ª tentativa de re-invenção de cidade, este plano/projecto urbano ainda não se encontra concluído e tal como o plano de Cerdá em Barcelona está actual e permite futuros desenvolvimentos.

daniel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
daniel disse...

Os dois barros estão interligados mas tratam-se de duas entidades bem diferentes, como sempre o foram, seja pelo comércio, pelo tipo de habitação, pela vivência.

Podem enquadra-se no mesmo plano e beneficiar de medidas de interligação e até beneficiar das potencialidades do outro, mas tratam-se de realidades completamente diferentes, seja antes ou depois do incêndio.
O arquitecto, obviamente, que tem responsabilidades mas apenas pode condicionar as dinâmicas de uma cidade e nunca sobrepor-se a elas. A não ser que se trate de uma zona completamente nova, sem passado e construída de raiz. E mesmo aí, pode ganhar uma vida que não fora prevista pelo arquitecto.

A questão do estacionamento é controversa. Não me parece que o arquitecto tenha feito um erro descomunal. O Chiado é servido por 3 parques de estacionamento subterrâneo que apenas enchem ao sábado e ás vezes á sexta, devido ao movimento do Bairro Alto.

Quanto há habitação a preços económicos a responsabilidade não é do arquitecto, mas de quem gere a cidade. Recordo que muitos imóveis foram reabilitados no Chiado e Bairro Alto, com objectivo de albergar rendas económicas e para jovens, mas a CML rapidamente as colocou do mercado para venda livre ou para as “sortear” com critérios pouco conhecidos
Acresce que a dinâmica da cidade supera todo o planeamento. Hà zonas de gradadas que rapidamente são tomadas por classes mais altas, devido á dinâmica crescente da zona. Veja-se Santos e Chiado. Outras zonas construídas para classe média ou média alta, por vezes são tomadas por classes mais baixas e logo por preços mais baixos, porque a dinâmica da zona foi pobre
O Chiado foi vítima do seu sucesso.

O municipio tem obrigação de controlar este tipo de situações, mas a verdade é que, em Lisboa não controla.

A Baixa não está morta, mas está a morrer e concordo que os proprietarios estão de mãos e pés atados devido ao congelamento de rendas.

Quanto a parques de estacionamento na Baixa, recordo que existem dois – Praça da Figueira e Restauradores, sendo a zona servida de eléctricos, metro e autocarro. Outro parque de estacionamento? Era isso que faria o sucesso da Baixa? Não! A Baixa foi morrendo, mesmo quando se construíram os outros parques, introduziu-se o metro e os electrivos. A questão é mais profunda e não se resolve com o privilégio aos carros.

Acredite que quem quer morar na Baixa não desiste de o fazer por causa do estacionamento. È por outros factores.

O projecto de reconstrução da cidade de Lisboa após o terramoto de 1755 não está terminado. Foi genial. Mas tem 250 anos.

A meu ver, mesmo com problemas, há que replicar o CHiado na Baixa e passa, sem margem para dúvidas e em primeiro lugar pela recontsrução dos edifícios, com cuidados, mantendo a traça, a estrutura interna e dotando-os de comodidades modernas.~

O comercio de qualidade, a habitação (mesmo que cara) e adinâmica, virão depois.

Antes disso, não vale a pena discutir estacionamentos e transportes...

Gonçalo C. Silva disse...

Caro Daniel, discusão interessante, espero termos ocasião para voltarmos a falar.
Quero realçar aquilo que disse e que acho fundamental.
O arquitecto responsavel não pode condicionar as dinâmicas de uma cidade e nunca sobrepor-se a elas". A outra que não quero deixar de assinalar porque em total desacordo e que tem sido um erro grave ou flagelo na nossa paisagem natural. Não existem zonas completamente novas, "...sem passado e construída de raiz...", tal como a historia o comprova Brasilia foi um belo exercicio académico, de uma corrente dita modernista (esta baseada em filosofias dogmaticas), hoje é uma cidade deshumana, artificial onde nem o povo alegre brasileiro gosta de viver ou consegue viver. Tal como os remédios se não forem testados é perigoso experimentar, talvez possa parecer simplista mas os problemas da arquitectura e urbanismo têm consequências sociais complexas, o arquitecto deve ter o conhecimento para prever estas consequências, e não se aventurar por caminhos que desconhece. Como alguem uma vez disse a proposito da geração dos ultimos 30 anos "experimentalistas".

daniel disse...

Até Brasília desafia os seus conceitos. veja este artigo:

Cidade mais rica do país, com renda per capita três vezes superior à média, Brasília vive um boom econômico sem precedentes em sua história. Projetada para ter 500 mil habitantes no ano 2000, a capital federal conta hoje, a dois anos de seu cinqüentenário, cinco vezes mais habitantes do que o planejado. Aos poucos, está deixando de ser apenas a sede do poder para se transformar num pólo dinâmico de desenvolvimento econômico.

Uma classe média endinheirada, escolarizada e, em sua grande maioria, estável no emprego graças ao setor público, vai às compras sem pudor. Estima-se que, no Distrito Federal, cerca de 10% da população, o equivalente a 250 mil pessoas, ganha mais de R$ 20 mil por mês. Isso tem atraído a instalação de novos shopping-centers, concessionárias de automóveis, lojas de luxo, filiais de restaurantes de outros Estados.

A rede Iguatemi, pertencente ao grupo La Fonte, está construindo, por exemplo, um novo shopping no Lago Norte, bairro nobre da capital. Uma das lojas-âncoras do novo centro comercial, com inauguração prevista para o ano que vem, será a Livraria Cultura, o que fará de Brasília a única cidade, além de São Paulo, a ter duas livrarias dessa rede no mesmo mercado. A primeira loja, aberta há apenas três anos no shopping Casa Park, superou as expectativas.

Curiosamente, até 2003, portanto, depois de 43 anos de fundação, Brasília não dispunha de livrarias e de lojas de CDs e DVDs de grande porte. Naquele ano, o grupo francês Fnac abriu o caminho, instalando uma filial no Park Shopping, o maior do Distrito Federal, e atraindo a atenção de concorrentes como a Livraria Cultura. “Os resultados são muito positivos. Brasília tem um mercado potencial muito bom”, atesta Pedro Herz, diretor-geral da Cultura.

Um outro exemplo da pujança do comércio local - o crescimento explosivo da frota de veículos - já provoca dor-de-cabeça nos moradores mais antigos da cidade, acostumados a viver numa metrópole sem trânsito. Os números são impressionantes. Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), nos últimos dez anos a frota de Brasília dobrou de tamanho, saltando de 499.049 para 1.020.415 veículos.

Na capital da República, a vida parece imitar uma velha piada, segundo a qual, os brasilienses são feitos de cabeça, tronco e rodas. Há, em média, um veículo para cada 2,5 habitantes. A média nacional é mais folgada: aproximadamente um para cada quatro pessoas. Quando se observa apenas o número de automóveis em circulação, excluindo da conta caminhões, motocicletas, caminhonetes, ônibus e outros veículos, a frota cresceu 89% entre 1998 e junho de 2008, o ritmo mais rápido do país - em São Paulo, o Estado mais rico, o número de carros aumentou 73% no mesmo período.

O resultado dessa corrida sobre rodas foi o surgimento de congestionamentos, especialmente na hora do rush, algo impensável para os criadores de Brasília, os arquitetos Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. Numa entrevista publicada em março deste ano pelo jornal inglês “The Guardian”, Niemeyer afirmou que, por causa de problemas como o trânsito, sua “obra-prima está fora de controle”.

Na verdade, o que a realidade mostra é uma Brasília muito diferente da cidade idealizada na segunda metade dos anos 50. O comércio exuberante, movido pelos altos salários dos funcionários públicos, explica apenas uma parte da mudança de perfil e da recente explosão econômica. Nos últimos anos, empresas de outros Estados começaram a olhar para a capital federal não apenas como uma cidade administrativa, com um forte mercado consumidor, mas também como um bom lugar para instalar unidades de produção e centros de distribuição de mercadorias.
in http://blogdofavre.ig.com.br/2008/08/brasilia-centro-do-poder-vai-as-compras-e-atrai-industrias/

daniel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
daniel disse...

“O arquitecto responsavel não pode condicionar as dinâmicas de uma cidade e nunca sobrepor-se a elas".
Depende do contexto. Se a sua intervenção for feita no núcleo histórico, se o objectivo é a recuperação cirúrgica ou alargada, ou se se tenta apropriar de uma espaço vazio, com possibilidades de inovar.
Outra é se se trata de uma zona mais recente ou completamente degradada, onde há carta branca para inovar. Veja-se o Parque das Nações.
“o arquitecto deve ter o conhecimento para prever estas consequências, e não se aventurar por caminhos que desconhece.”
Mesmo a super planeada Brasília acaba por trocar as voltas ao criador.

Acresce que o arquietcto só foi responsável pela recuperação de alguns prédios. Não pode ficar sobre si a responsabilidade da revitaliação do Chiado e da própria Baixa.

O Chiado está vazio á noite? Também a Baixa e o resto da cidade de lisboa, com excepção de bairros com uma vida estratificada e própria, como é o caso do Bairro Alto (complementar do Chiado).

Também não se pode culpar o arquitecto da lei da oferta e da procura. O chiado hoje é apetecível e existindo poucos prtédios recuperados, é natural que os preços disparem. Acontece aqui como em qualquer parte do mundo.

O facto de os preços no CHiado serem os mais altos do país é um sinal de fracasso? Não, de sucesso...mesmo que esse sucesso seja um pau de dois bicos.

Talvez a Baixa devesse ter ardido também...Com toda a certeza estaria bem melhor do que hoje, aprodecendo.