12/09/2014

E a impunidade na noite de Santos continua. Para a CML são os moradores que estão a mais









Deste jardim , para além das árvores, algumas delas classificadas, já nada resta. Os copos de pllástico são aos milhares por todos os canteiros e pelas ruas. As brigadas de limpeza afirmam, e sabemo-lo nós que aqui vivemos, que é assim todas as noites de domingo a domingo. Da CML dizem-nos que  compreendem o incómodo. Dos grupos que frequentam esta zona já nada há a esperar senão mais urros, mais vómito, mais pancadaria, mais buzinadelas, corridas de motos. Os carros estacionam em segunda fila, impossibilitam os moradores de sair em caso de urgência. De hora para hora a música aumenta até se tornar ensurdecedora. Queimam-se caixotes do lixo, arrancam-se pernadas às árvores, faz-se da entrada dos prédios habitados por famílias, sala de conversas e de berros, poiso para todos os copos e garrafas, casa de banho. Sabemos que este é um modelo de exploração da noite que não tem em conta a vida dos moradores do centro histórico. Achavámos que haveria uma forma de controlar e compatibilizar os interesses em jogo. Mas a realidade amarga é esta, quem está a mais somos nós. Para a CML pouco importa que a cidade no seu centro histórico se transforme numa enorme farra desbragada, siga o jogo que os moradores hão-de desisitir. Noutras paragens, outros modelos de diversão provam que a qualidade do turismo ganha e a a vida dos habitantes também. Cá, nem com a experiência de anos de loucura no BA se aprendeu, os erros mantiveram-se e foram aumentados. Bica, Santa Catarina, Alcântara, Cais do Sodré, Príncipe Real e Santos são zonas onde esta forma de noite alastrou como um rolo compressor que tudo abate à sua frente.  Repito quem está a mais neste cenário de impunidade, são os moradores e o seu direito ao repouso. Assim vai Lisboa.

17 comentários:

A. M.C. disse...

Caro Miguel,
a proibição de beber na rua e de fazer grupos à porta dos bares e restaurantes é força de lei em bastantes países da Europa e somente aqueles países que vivem do turismo deste tipo onde para ganhar um euro vale tudo (Portugal e Espanha) se permitem estes despautérios e privatização das ruas. É disso que se trata, os bares, discotecas e restaurantes acrescentam as ruas como esplanadas para os seus clientes. E depois não há controlo de venda de bebidas e tabaco a menores, que se vêem bastantes e não me digam que aquelas criaturas imberbes não são menores!
É esta a cidade que achamos aceitável, onde vida noturna é sinónimo de destruição e vexame público? É claro que os políticos não vão tomar medidas eficientes (que sabem bem quais seriam) porque eles vivem somente para os votos. A única coisa que fizeram foi impossibilitar a abertura de novos restaurantes e bares na grande área do BA, mas nada fazem para controlar os "animais" com excesso de adrenalina e álcool em comportamentos deploráveis. A polícia? não tem ordem para agir.

Anónimo disse...

E isto não é nada comparado com o que se passa no Miradouro do Adamastor!

Filipe Melo Sousa disse...

Os moradores em média pagam 30€ de renda. Não se podem queixar. Por algum motivo não saem dali.

Anónimo disse...

Qunto se terá gasto na "reabilitação" desse jardim, designadamente com os jardineiros que por lá vi andar meses a fio, para oa canteiros serem, a 90%, apenas e só piso de terra batida?

Carlos Medina Ribeiro disse...

Quando se diz que os políticos só olham aos votos, é verdade. Mas, num caso como este, há que ver que os votos dos prejudicados podem ser mais do que os votos dos prejudicadores (muitos deles menores sem idade para votar...). Ou seja: um forte movimento de cidadãos, que mostrasse aos políticos que perderão os votos dos moradores teria, decerto, mais impacto do que "posts" de lamento, como estes.

Miguel de Sepúlveda Velloso disse...

Ao sr. da camisola verde,

Não só não pago 30 de renda como o dinheiro (assunto tão próximo da sua perturbada maneira de ver as coisas), de rendas, compras e vendas de casas na zona histórica, não é para aqui chamado. Tão deslocado o argumento como a sua presença como comentador neste blogue.

A demagogia barata, a falta de sensibilidade aliada e uma má-vontade expressa e infantil, deveriam accionar os filtros de mensagens deste blogue.

Filipe Melo Sousa disse...

O sr. autor do post pode querer abstrair-se da realidade daquilo que chama "os moradores", mas o retrato é esse. Ainda mais quando refere o assunto, cá estarei eu para lhe lembrar o que é a Lisboa de hoje: você vilipendia a juventude que festeja à noite em Santos, mas na verdade pagam bem mais impostos e contribuem muito mais para a cidade do que "os moradores" que estão há décadas a viver em casa dos outros à borla e são moralmente responsáveis pelo caco que Lisboa se tornou.

Se apesar dos impostos arrecadados sobre a venda de bebidas, licenças e impostos que pagam os estabelecimentos, a CML não limpa a rua, queixe-se a quem de direito. Denuncie antes a falta de contentores de lixo na rua.

E não lamente os moradores, que eu não os lamento. Pelo menos a maioria deles, que não pagam simplesmente renda alguma e não se podem mesmo queixar.

Alguma dúvida: http://www.jornaldenegocios.pt/economia/rendas/detalhe/infografia_quanto_se_paga_de_renda_em_lisboa.html

Anónimo disse...

Quem pagará ao cromo da 1 da tarde para sistematicamente vomitar asneirame?

Anónimo disse...

Os competentíssimos "técnicos" da cml que temos resolveram alargar o passeio de um dos cantos desse jardim, e tão bem feita a obra foi que os autocarros de turismo que vêm da zona das Janelas Verdes e pretendem seguir para a Av 24 de Julho têm grandes dificuldades para fazer a curva nesse local.

E sobre esse tal passeio colocaram enormes blocos de pedra, supõe-se que para evitar que se fizesse alí lugar de estacionamento.

Pois o pessoal já conseguiu, ignoro com que meios, deslocar a maioria dos tais pesadíssimos blocos de pedra e à noite já se estaciona por lá (de dia nem por isso, pois é zona batida por funcionários da EMEL).

Enfim, uma capital sei rei nem roque...

Anónimo disse...

é impressao minha ou tambem já está a acontecer o mesmo em sao pedro de alcantara?!
nao há desculpa para estas situacoes, nem o preço baixo das rendas o justifica!

Miguel de Sepúlveda Velloso disse...

Quando as rendas se situam num patamar bem acima dos 1000€ e as casas se vendem entre 500 e 700 mil euros, não penso que a desculpa das rendas possa ser adiantada.

Mas o que é que as rendas têm a ver com a situação de impunidade na noite? Há argumentos tão cândidos e verdes como a própria camisola que se enverga.

Por mim conversa encerrada.

Em relação ao anónimo das 3.32 da tarde: esse acrescento é para instalar mais um quiosque com a sua esplanada e música. Numa zona sobrecarregada pela selvajaria total, adiciona-se mais um ponto de consumo de bebidas alcoólicas, de música e de comida. está patenet a estratégia da CML, afastar os moradores das zonas históricas até tudo ficar transformado num parque temático de diversão nocturna.

Filipe Melo Sousa disse...

O autor do post continua a (tentar) fazer-se de desentendido. E vai largando as suas farpas contra os bares e quem os frequenta. Coloca os jovens como os agressores e os moradores como vítimas. Chama-se aqui a nossa juventude de selvagem e glorifica-se o pretenso morador heróico e participativo que tenta fazer tudo para melhorar a cidade, mas coitado desamparado pelas autoridades camarárias que não actuam.

Já que o autor do post se permite fazer esse tipo de generalizações caricaturais, vamos a ver se uma generalização se consente. Quer generalizar? Tudo bem. Uma generalização vale o que vale. Então eu vou utilizar o jovem tipo: trabalha 50h por semana a recibos verdes e ao contrário dos moradores de santos tem de pagar renda, fora da cidade. Passa umas horas ao fds em santos onde consome e paga impostos. O morador típico paga 30€ de renda, pertence a geração do 25 de Abril e é um beneficiário do sistema que montou e cuja factura chutou para a geração a seguir. É reformado ou tem um modesto tacho numa repartição onde pouco faz. E exige a cidade num brinco, sobretudo porque a sua idade não lhe permite mais borgas. Por vezes trabalha no mesmo serviço que o jovem que lhe deixou uma garrafa na rua onde não há caixotes do lixo a ganhar o triplo e a fazer nem a metade.

Continuem a tratar assim a juventude. Depois admirem-se que emigrou tudo e ninguém ficou para pagar a reforma dos "moradores".

Anónimo das 3:32 disse...

Desconhecia a história do quiosque, que, para além dos inconvenientes assinalados, ficará precisamente no meio do final do caminho mais utilizado por quem, pelo meio do jardim, se dirige ou provém da estação dos comboios de Santos.

Realmente, quem autoriza essas completas imbecilidades merece ser louvado lá pela cml que temos de ter.

Miguel de Sepúlveda Velloso disse...

Bom o sr da camisola verde está a pedi-las:

- primeiro não leu o post

- segundo ignora o que se passa na cidade

- terceiro é intelectualmente desonesto e amigo de falsas polémicas que ,numa tentativa de ser intelectual, chama de contraditório

- quarto tem tempo a mais na sua vida e por isso entretem-se a desconversar

- quinto reduz tudo a uma questão económica quando nem tudo são tostoes, sejam eles muitos ou poucos.

- sexto infere da idade de quem aqui escreve, da conta bancária do alheio numa falácia insuportável, mesquinha, barata e pouco digna

- sétimo ninguém acusa a juventude, mas quando há mortes a lamentar, património destruído, questões graves de saúde pública em jogo, talvez seja bom repensar o modelo da noite e abstermo-nos de comentários tão irrelevantes como fruto de uma brincadeira de mau-gosto, comentar o que é sério e grave, com um ar de soberbo paternalismo e infantilidade

- oitavo já agora de onde tirou o retrato do morador-tipo, da renda-tipo (esquece-se deliberadamente da lei das rendas), do autor de post deste blogue-tipo?

- nove já que me acusa de generalista, vamos a mais uma: a do comentador-tipo -que-não-tem-nada-de-útil-para-dizer: vê-se a si próprio como um génio só porque consegue alinhavar duas patacoadas a que chama ideias, desconhece por completo a realidade de Lisboa uma vez que nem sequer aqui mora, confunde tudo numa lastimável falta de lógica e coerência, julga-se culto e até arranha algum francês, é óptimo para animar as hostes aqui dos "colunistas", normalmente consegue o seu intento: o de nos pôr a responder, tem mau-gosto e é infantil. Gosta de verde e veste-o. Actua em solitário e é avesso a ver de frente a realidade. Mas tem tempo de antena no único blogue que, se calhar, o permite. Afinal não passa de um pavão em plena muda da pena, não é carne nem peixe e deve ser digno da nossa pena.

Obrigado por seguir o blogue. Estas controvérsias até são divertidas. Sabe, o absurdo não deixa de ter a sua graça. O grave é fazer dele o nosso mundo. Suspeito que seja esse o seu caso.

Filipe Melo Sousa disse...

pensava que a conversa estava encerrada para o autor do post ;) pelos vistos ainda achou útil vir repetir-se e responder aos comentários sem ler e sem propriamente responder.

eu percebo que o irrita o facto de as pessoas que vilipendia serem melhores contribuintes e melhores cidadãos do que aqueles que você louva e pretende proteger. mas é a verdade, e cá estarei para o lembrar: a maior parte dos moradores daquela zona usufrui de um espaço pelo qual não paga.

e repare não sou eu que reduzo a limpeza da estrada a uma questão económica, é o autor do post que apela a mais fundos públicos, e que de facto coloca a questão económica em cima da mesa. não vamos ser ingénuos e pueris ao ponto de pensar que as coisas aparecem feitas sem se pagar aos funcionários. a limpeza custa. se não sabia disso, informe-se, cultive-se. analfabetismo financeiro foi o que nos levou à bancarrota.

mas o mais triste mesmo é a falta de consideração pela geração recibos verdes que tem que viver em regime de apartheid jurídico (ao contrário de quem tem os seus tachos vitalícios e reformas garantidas pela constituição de abril) e ainda pagar a festa do 25 de abril a quem soube governar-se bem.

triste fim quando não ficar mais ninguém no país para pagar a festa. essa sim a grande festa. por isso não tenha inveja de um modesto bailarico.

Alexandre Silva disse...

Não entendo como se defende o deitar lixo para o chão a não saber comportar-se, elaborando um discurso económico para isso e considerar só que a CML venha limpar depois. É que seja num pais comunista ou capitalista, a educação é de sentido comum. Parece que espera que se possa ser incivilizado à base de taxas. Ser educado e não sujar a via pública é educação universal, não economia ou gestão da câmara somente. Aqui não se trata de lixo esporádico normal, trata-se de uma desproporção que se espalha pela zona numa só noite devido à vida nocturna. Eu saí por lisboa desde os anos 90, acabei bêbado, mocado, Kremlin até de manhã, Plateu, etc., fiz trita por uma linha, bebi na rua. Mas nunca deitei lixo ao chão nem caguei a via pública, menos me passou pela cabeça achar que tinha direito por estar a consumir. É grátis ser limpo!! A mim educaram-me assim, a si como o educaram?

Miguel de Sepúlveda Velloso disse...

Obrigado Alexandre Silva pelo seu comentário. às vezes parece que a loucura actual da noite de Lisboa é uma invenção dos residentes