12/05/2007

CML pede 30 milhões para pagar salários

IN DN 12-05-2007

"Assembleia municipal vota proposta dia 15
Apesar da polémica em torno da Câmara de Lisboa, a assembleia municipal prepara-se para aprovar dois empréstimos, a curto prazo (um ano), no valor máximo de 30 milhões de euros.

A proposta vai a plenário em sessão extraordinária, na terça-feira, e prevê que sejam contraídos dois empréstimos, um junto da Caixa Geral de Depósitos e outro junto do Banco Bilbao e Viscaya Argentária, até 15 milhões de euros cada. Estas terão sido as duas instituições bancárias que apresentaram as melhores ofertas. As verbas destinam-se ao pagamento de salários ou de subsídios de férias dos funcionários municipais. Segundo os números do orçamento camarário deste ano, a câmara terá 11050 funcionários na sua folha de pagamento, entre elementos do quadro (9446) e outras situações, como contratados a prazo ou avençados (1605).

A proposta que vai terça-feira à assembleia municipal já tinha passado pelo executivo camarário, onde foi aprovada com os votos favoráveis do PSD e a abstenção de toda a oposição, excepto o Bloco de Esquerda, que votou contra.

Carmona recusa renúncias

O ainda presidente da câmara, Carmona Rodrigues, tentou ontem manobras dilatórias para atrasar a marcação de eleições intercalares. O seu gabinete fez chegar a todos os gabinetes de vereadores indicações de que as dezenas de declarações de renúncia ao mandato só seriam aceitáveis se viessem acompanhadas de fotocópia do bilhete de identidade. Tal atrasaria inevitavelmente o processo de marcação de eleições, atirando-as para o meio do Verão. Sem as renúncias na mão, o Governo Civil não poderia marcar as eleições, o que, por sua vez, prolongaria o mandato de Carmona à frente da autarquia - e agora sem oposição a fiscalizá-lo.

As exigências de Carmona desencadearam protestos de todas as forças, inclusivamente do PSD. O Governo Civil teve de se envolver na polémica, garantindo à Lusa através de uma fonte não identificada que as declarações seriam aceites com ou sem BI. Já por volta das 20.00, a presidência da autarquia anunciava em comunicado que enviaria ainda ontem ao Governo Civil a comunicação de falta de quórum. Às 20.30 ainda não tinha chegado, segundo o DN apurou.

Carmona, prossegue, entretanto, a sua campanha dentro do funcionalismo camarário. Anteontem à noite apareceu de surpresa num jantar de homenagem a Lurdes Rabaça, uma alta funcionária camarária exonerada pelo vereador da Acção Social, Sérgio Lipari Pinto (PSD).

No jantar participavam cerca de 400 pessoas. O quase ex-presidente da câmara cumprimentou a funcionária em causa e acabou por se dirigir a todos os presentes, referindo que não havia necessidade para uma despedida à directora da Educação. A explicação veio logo de seguida.

Perante a estupefacção geral, Carmona Rodrigues revelou a carta que tinha na manga: não tinha assinado o despacho de exoneração que lhe fora proposto. E assim Lurdes Rabaça, funcionária da CML há mais de 20 anos, ficou a saber que afinal não estava demitida."

sem comentários

Sem comentários: