Conferência-26 de Abril-9:30-Anfiteatro Ventura Terra (MAC)-Entrada Livre

04/05/2012

Inundação provocada por "ocupas" encerrou sede de associação gay






Por Ana Henriques in Público

Ocupantes notificados para abandonarem edifício camarário no prazo de dez dias questionam coerência de posições da vereadora Helena Roseta. Autarca escusa-se a comentar


Uma inundação causada pelos "ocupas" da Rua de S. Lázaro, em Lisboa, obrigou ao encerramento da sede da associação Ilga - Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero. Os activistas gay não sabem quando poderão reabrir. Tanto a linha de aconselhamento telefónico como o serviço de apoio psicológico da associação estão interrompidos e sem data para retomarem o funcionamento.
O problema terá tido origem num cano roto. Pouco depois de se instalarem na casa camarária junto ao Hospital de S. José, há uma semana, os "ocupas" abriram a água, que se encontrava fechada. "Avisámo-los para não o fazerem, porque já há ano e meio tinha sucedido o mesmo durante outra ocupação", relata o presidente da Ilga, Paulo Côrte-Real. A associação está sediada há década e meia no rés-do-chão do prédio camarário da Rua de S. Lázaro, enquanto os "ocupas" invadiram o primeiro e o segundo andar. Depois de vários dias com a água a escorrer por paredes e tectos, a associação teve de fechar ao público, conta o presidente da associação. "Há um bocado de tecto prestes a cair e foi preciso chamar a Protecção Civil e a EPAL para a água voltar a ser fechada".
"Quem pode resolver a situação é a câmara. Já enviámos fotos do sucedido ao presidente António Costa", observa o mesmo responsável.
Entretanto, os "ocupas" foram notificados pelas autoridades para abandonar o local no prazo de dez dias úteis. Antes disso, na quarta-feira, o grupo divulgou no seu blogue (saolazaro94.blogspot.pt) uma carta aberta à vereadora da Habitação, Helena Roseta, questionando a coerência das suas posições no que à ocupação de casas diz respeito. A autarca, que tem criticado a invasão do imóvel municipal mas que se disponibilizou para receber os ocupantes, não quis comentar a missiva.
"No seu programa eleitoral, Helena Roseta apregoou o direito à habitação e denunciou as políticas de degradação e abandono do parque habitacional", recordam os ocupantes. "Surpresa das surpresas, após ter esquecido tudo o que disse até ao dia da sua eleição vem agora opor-se à ocupação e revitalização de um prédio abandonado - enquanto o parque habitacional da câmara continua a cair de podre e o mercado imobiliário especulativo continua a ditar as regras da vida na cidade", acusam.
Os "ocupas" dizem que, apesar de alguns membros da equipa da autarca terem mostrado publicamente o seu apoio ao projecto Es.Col.A do Porto (ver caixa), Helena Roseta "fez passar apressadamente em Abril um despacho que visa reduzir de 90 para apenas dez dias o prazo máximo de permanência de ocupantes em edifícios abandonados pela Câmara de Lisboa", logo três dias depois de terminar o prazo para o despejo na Fontinha. "Curiosa coincidência de datas ou pura matreirice?", questionam. A decisão sobre se irão ou não sair da casa no prazo estipulado, ou reunir-se com a autarca deverá ter sido tomada ontem à noite, já depois da hora de fecho desta edição. Jovens na sua maioria, os "ocupas" garantem estar a promover algumas actividades no prédio, como ioga, música e ateliers de pintura.

6 comentários:

Anónimo disse...

Só teve o que andava a pedir.

Joaquim Amado Lopes disse...

Pelos vistos, provocar uma inundação e ser "preciso chamar a Protecção Civil e a EPAL para a água voltar a ser fechada" é "revitalizar um prédio abandonado".

Anónimo disse...

Vão trabalhar e pagar rendas e água como toda a gente. Esta cena dos ocupas é um atentado para quem trabalha (ou não) e com muitas dificuldades tem que levar a vida avante. Estes gajos querem é fantochada e boa vida.

António Joaquim disse...

O edifício está decrépito, devido ao abandono. As condições de segurança para quem vive em Lisboa são precárias, a CML deixa os edifícios vazios até apodrecerem, agora vai ser preciso gastar muito mais dinheiro para o recuperar. Quem paga isto? Quem paga uma cidade abandonada, decrépita, vazia, abandonada? Que se ocupem todos os edifícios devolutos, que se obrigue a CML a arranjá-los ou a cedê-los (discordo da venda) a quem deles faças qualquer coisa (viver, educar, realizar actividades...). Continuar como está é que não pode ser!

Anónimo disse...

esta' no blog um esclarecimento...e' preciso ter calma...

"Caros amigos e leitores,
Obrigado pelos vossos comentários.

Alguns esclarecimentos em relação a esta polémica pouco informada em torno de infiltrações:

1. Como poderão saber se consultarem as fontes correctas, anteontem e ontem estivemos no local da ILGA para fazer um levantamento
da situação que já foi travada e emendada. Ainda ontem esteve um canalizador por nossa conta a fazer uma vistoria ao local da ILGA
para poder resolver o problema e reparar os danos no mínimo de tempo possível. Como poderão saber também a Direcção da ILGA
mostrou-se completamente indisponível para dialogar e discutir uma solução conjunta quando fomos tentar fazer esse levantamento.
Ainda assim contamos resolver com a máxima brevidade possível a situação. Uma infiltração é uma infiltração e não um camião cheio
de galinhas a voar sobre as nossas cabeças. Tem uma solução técnica e barata.

2. Há dois tipos de infiltrações em São Lázaro 94. Uma, resultado da infiltração da água da chuva ao longo dos últimos anos (dez?),
que afecta a ILGA na fachada nascente e é a principal causa de danos estruturais num sector vertical que atravessa todos os pisos.
Isto é resultado de portadas e janelas terem ficado abertas invernos a fio nesse sector. Porque não foi isto impedido pela CML ou ILGA,
seu inquilino? Quando bastava apenas fechar portadas e alguns trabalhos de pouca monta com benefícios óbvios a longo prazo.
Já foi feito pelos ocupantes. O outro tipo de infiltração foi provocado pela saída de água de canalizações apodrecidas.
Esta situação foi de imediato travada pelo corte de água no ramal de rua pela EPAL. Neste momento, o solução técnica
consiste em: cortar a entrada de água na rede apodrecida do prédio; permitir o fluxo no ramal recente que abastece a ILGA;
voltar a pedir a abertura pela EPAL.

3. Na segunda-feira está prevista uma vistoria e peritagem técnica à estrutura do edifício
por um profissional, por nossa conta, da qual resultará um relatório independente que
nos servirá a todos para falar com propriedade do estado do prédio.

4. As casas não apodrecem por estarem ocupadas mas por estarem abandonadas.
Isto é do senso comum. Não se nega o facto da ocupação de São Lázaro 94 ter provocado percalços temporários no espaço da ILGA,
nomeadamente no que se refere à infiltração, mas afirma-se que é o facto de ele estar ocupado que tem produzido melhorias
significativas e sobretudo a perspectiva de uma reabilitação de todo o imóvel.

5. Independentemente deste fait-divers, gostaríamos que a comunidade lgbt, e em particular a a ILGA,
se pronunciasse política e socialmente sobre o património devoluto na cidade e a ocupação, enquanto
solução real para este problema, pelas comunidades, pelos sem-abrigo e gente sem rendimentos e pelos
projectos sociais. A comunidade lgbt sabe que a sua luta nunca esteve separada da questão social e do
fosso de miséria e desiguladade inscrito nas nossas sociedades. Hoje isto salta a vista de todos e é com
agrado que vimos a proposta de um pink slut block participar na manifestação do 25 de Abril último.


Cumprimentos"

Anónimo disse...

"Alguns esclarecimentos em relação a esta polémica pouco informada em torno de infiltrações:

1. Como poderão saber se consultarem as fontes correctas, anteontem e ontem estivemos no local da ILGA para fazer um levantamento da situação que já foi travada e emendada. Ainda ontem esteve um canalizador por nossa conta a fazer uma vistoria ao local da ILGA para poder resolver o problema e reparar os danos no mínimo de tempo possível. Como poderão saber também a Direcção da ILGA mostrou-se completamente indisponível para dialogar e discutir uma solução conjunta quando fomos tentar fazer esse levantamento. Ainda assim contamos resolver com a máxima brevidade possível a situação. Uma infiltração é uma infiltração e não um camião cheio de galinhas a voar sobre as nossas cabeças. Tem uma solução técnica e barata.

2. Há dois tipos de infiltrações em São Lázaro 94. Uma, resultado da infiltração da água da chuva ao longo dos últimos anos (dez?), que afecta a ILGA na fachada nascente e é a principal causa de danos estruturais num sector vertical que atravessa todos os pisos. Isto é resultado de portadas e janelas terem ficado abertas invernos a fio nesse sector. Porque não foi isto impedido pela CML ou ILGA, seu inquilino? Quando bastava apenas fechar portadas e alguns trabalhos de pouca monta com benefícios óbvios a longo prazo. Já foi feito pelos ocupantes. O outro tipo de infiltração foi provocado pela saída de água de canalizações apodrecidas. Esta situação foi de imediato travada pelo corte de água no ramal de rua pela EPAL. Neste momento, o solução técnica consiste em: cortar a entrada de água na rede apodrecida do prédio; permitir o fluxo no ramal recente que abastece a ILGA; voltar a pedir a abertura pela EPAL.

3. Na segunda-feira está prevista uma vistoria e peritagem técnica à estrutura do edifício por um profissional, por nossa conta, da qual resultará um relatório independente que nos servirá a todos para falar com propriedade do estado do prédio.

4. As casas não apodrecem por estarem ocupadas mas por estarem abandonadas. Isto é do senso comum. Não se nega o facto da ocupação de São Lázaro 94 ter provocado percalços temporários no espaço da ILGA, nomeadamente no que se refere à infiltração, mas afirma-se que é o facto de ele estar ocupado que tem produzido melhorias significativas e sobretudo a perspectiva de uma reabilitação de todo o imóvel.

5. Independentemente deste fait-divers, gostaríamos que a comunidade lgbt, e em particular a a ILGA, se pronunciasse política e socialmente sobre o património devoluto na cidade e a ocupação, enquanto solução real para este problema, pelas comunidades, pelos sem-abrigo e gente sem rendimentos e pelos projectos sociais. A comunidade lgbt sabe que a sua luta nunca esteve separada da questão social e do fosso de miséria e desiguladade inscrito nas nossas sociedades. Hoje isto salta a vista de todos e é com agrado que vimos a proposta de um pink slut block participar na manifestação do 25 de Abril último."