28/04/2011

«Reconversão Urbana» BES style: Palácio do Contador Mor

Um dos vários vãos Manuelinos descobertos durante os trabalhos Destruição de todos os sobrados, tectos de estuque e de madeira pintados
Mais um lamentável exemplo da FALSA reabilitação que está a ganhar terreno nos Bairros Históricos. O PDM, e o Plano de Urbanização da Colina do Castelo & Alfama, proíbem a demolição integral dos interiores dos edifícios (a não ser em caso de ruína iminente o que não era o caso). Acresce ainda que este antigo Palácio faz parte da Carta Municipal do Património, anexa ao PDM o que lhe conferia ainda maior protecção. Os pareceres obrigatórios e vinculativos do IGESPAR foram de início negativos mas mais tarde, não se percebe como, fecharam os olhos à demolição. De facto, de nada lhe valeram as supostas protecções legais pois o seu proprietário parece que esteve acima da lei do comum dos mortais: os interiores foram integralmente demolidos sem um pestanejar. E para piorar a situação, está a ser reconstruído com recurso a tecnologias modernas, isto é, atrás das fachadas antigas estão a surgir uma construção nova totalmente em estrutura de betão armado (até a estrutura da cobertura é em aço). O proprietário é o BES e os autores do projecto de arquitectura: Atelier Aires Mateus e Frederico Valssasina. Que diferença existe entre este novo prédio de habitação de luxo e um predio 100% novo na Alta de Lisboa desenhado por Frederico Valsassina ou Aires Mateus? Apenas a fachada é diferente. O que têm em comum? A máquina municipal que aprovou e os autores do projecto de Arquitectura. Esta obra do BES é um crime contra o património de Lisboa. É este modelo de desenvolvimento que queremos para Lisboa? Questione o que lhe está a ser imposto no novo PDM. PARTICIPE NA DISCUSSÃO PÚBLICA DO PDM!

13 comentários:

Paulo Ferrero disse...

Este projecto foi e é uma VERGONHA!

Filipe Melo Sousa disse...

mas quem é que se lembra de vir defender a manutenção de estruturas obsoletas em tabique? ridículo

Anónimo disse...

Para mim aquilo é uma miséria.
Mas isto tem que ver com a maneira como a Arquitectura é ensinada e as modernas filosofias.
Vai sempre haver quem , como aqui o Filipe Sousa defenderá que as cidades são para mandar abaixo e fazer de novo.
O que é pena é que vivamos na época do Mono...era preciso mudar mentalidades...não me parece.

Anónimo disse...

Resumindo o que poderia ser um edificio com interiores muito interessantes (+ valia para clientes com dinheiro e bom gosto)torna-se num edifico com interiores banais e sem interesse nenhum.

Anónimo disse...

Filipe,
Explique-me porque o tabique é obsoleto e o pladur é melhor;
porque o parquet laminado é bom mas o soalho flutuante é retrógrado;
porque os mosaicos que imitam pedra são modernos mas a pedra verdadeira é pindérica;
porque os azulejos são cafonas mas revestimentos de mosaicos que caem entretanto denotam bom gosto;
porque as janelas de madeira não são boas mas as de alumínio que funcionam como acumuladores de calor ou frio nas estações extremas são uma boa opção;
porque o design moderno, passpartout, é agradável e aquilo que os nossos antepassados nos deixaram é mau;
porque viver nos subúrbios é atrativo, precisando-se de um carro para comprar pão à esquina e viver nas cidades onde se respira história, e caminhar pelas ruas não atrai?
A todas estas perguntas tente responder com boa fé!

Anónimo disse...

compadrio e .... se um particular quiser arranjar as coisas como deve ser numa zona como esta ou outra histórica arranjam mil e um entraves, mas para deixar destruir,dependendo de quem é o dono da obra, o igespar, a CML etc estão sempre de braços abertos.

Filipe Melo Sousa disse...

se não entende porquê nao sou obviamente eu quem lhe vai explicar

Anónimo disse...

Filipe,

tem razão, não é obviamente você que me pode explicar o porquê das coisas que diz!

Anónimo disse...

Quem quer lutar contra isto e o pode fazer que o faça junto do ensino! formata-se as pessoas para fazer isto e depois queremos o quê? que pensem pela cabeça deles?
O ADN destas correntes mais modernas é ser o opsoto do antigo, é contra o que estava.
É por isso que vemos estas intervenções. Isto vai mudar? Era bom era

Filipe Melo Sousa disse...

querem fazer a "reeducação" dos dissidentes?

Anónimo disse...

"se não entende porquê nao sou obviamente eu quem lhe vai explicar "

Ver o ignorante mor cá do sítio a explicar alguma coisa devia ser lindo de se ver.

pp disse...

"defender a manutenção de estruturas obsoletas em tabique?"

1 - as estruturas não são em tabique. são em alvenaria de pedra e madeira. os elementos de compartimentação é que são em tabique.

2 - actualmente conseguem-se caracterizar bastante bem os materiais/soluções utilizados nestas construções mais antigas, sendo possível, com custos (muito) controlados, fazer intervenções muito direcionadas, para se cumprirem as exigências actuais de desempenho estrutural, térmico, acústico,.

Emídio Ferreira de Aguiar disse...

O original seria o ideal, mas numa época de dificuldades, se não puderem façam lá as melhores adaptações, mas não deixem estar aquilo como está.