12/02/2015

AINDA O CHALET DA CALÇADA DO LIVRAMENTO, 19

Prédio com três pavimentos, revestido de azulejos, e o respectivo jardim. ( presentemente demolido).

Para além da riqueza patrimonial presente no todo do chalet em apreço: muro com a caravela em baixo-relevo e portões, jardim e azulejos cujo paradeiro desconhecemos, acresce ainda e não de somenos importância as muralhas do Baluarte do Livramento, construção militar edificada no Séc. XVII e cujo futuro não sabemos se estará acautelado pese embora o seu valor patrimonial. Após a Restauração da Independência, em 1640, D. João IV mandou construir uma linha de defesa que tinha origem na foz da ribeira de Alcântara e terminava na Cruz de Pedra. Na zona de Alcântara chegaram a ser construídos dois baluartes – o do Sacramento junto ao rio, e o do Livramento mais a norte. Na zona da Cruz de Pedra, foram construídos outros dois; um dos quais o Baluarte de Santa Apolónia. Trata-se de uma estrutura defensiva do séc. XVII, representativa da arquitetura militar portuguesa, de forma pentagonal, da qual apenas subsistem a muralha da face direita e as bases de duas guaritas. É Património Nacional, classificado como Imóvel de Interesse Público ao abrigo do Decreto-Lei n.º 2 de 96 do Diário da República 56, de 6 de Março.

Sobre o Baluarte do Livramento, transcrevemos parte de um artigo de Augusto Vieira da Silva publicado em DISPERSOS Volume III (1960) - Biblioteca de Estudos Olisiponenses.

“ O baluarte, com dois andares ou terraplenos, assenta sobre um banco calcário que forma um alto despenhadeiro em parte da frente ocidental; as suas muralhas de cantaria e com grande altura, ainda estão visíveis e relativamente bem conservadas. No ângulo saliente das muralhas da frente pode ainda hoje observar-se uma guarita de cunhal (1).

A serventia para os dois terraplenos do baluarte era pela Calçada do Livramento (porta n.º 17) (2), rua em curva, que provàvelmente foi construída para este fim especial, no seguimento da que vinha da ponte de Alcântara, e que terminava, como hoje, no extremo ocidental do Largo das Necessidades.

Posteriormente a 1834 todo este terreno foi alienado, e o terrapleno inferior acha-se coberto de construções abarracadas e pátios; no andar superior do baluarte, que bem se distingue ainda, vê-se um prédio com três pavimentos, revestido de azulejos, e o respectivo jardim (3).”

Pinto Soares

5 comentários:

Anónimo disse...

Este projeto é um enorme crime que devia ser denunciado mais massivamente. A maioria dos lisboetas nem imagina que isto está a acontecer.
Alguma ideia. Comunicação Social... alguém?

Anónimo disse...

Andavam entretidos por causa da torre em picoas...

Anónimo disse...

Mantenham-nos informados sobre a situação, sffv.

Anónimo disse...

Duvido muito que a destruam.

O mais provável é acabarem por apropriarem-se da muralha do Baluarte e incluírem-na no futuro empreendimento.
Tal e qual como fizeram com a muralha Fernandina que está no logradouro privado dos Terraços de Bragança.

João Paulo Rodrigues disse...

Tristes Mentes!!

Que Falta de Bom Senso comum! "Um crime"!! !!! ....

Certamente todos Vós Morais Habitais em Casas e Edificios do Século passado ou anteriores ...Certamente!!

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