31/10/2007

Mais electricos para Lisboa


Um dos maiores problemas da cidade de Lisboa «prende-se com a mobilidade» e é esse drama que o vereador independente eleito pelo Bloco de Esquerda, José Sá Fernandes, pretende ajudar a resolver. A principal solução prende-se com uma rede de eléctricos modernos na capital, composta por quatro linhas. «É muito mais barato do que uma linha de metropolitano e pode ser desenvolvido com fundos europeus», explica Sá Fernandes.
As linhas propostas são: «Alcântara-Santa Apolónia»; «Algés-Gare do Oriente»; «Gare do Oriente-CF de Benfica» e «Charneca do Lumiar-Jerónimos».
Veja as linhas

«Há cidades que apostaram numa rede moderna de eléctricos e foram bem sucedidas», argumenta. Do estudo que desenvolveu, Sá Fernandes refere, por exemplo, os diferentes custos entre o metropolitano e o eléctrico: «São dez milhões de euros por km para o eléctrico e 50 milhões de euros por km para o metro», revela. As quatro linhas apresentadas custariam, no total, «500 milhões de euros».
O vereador recorda que «recentemente foi apresentada a Linha da Colina (do metropolitano de Lisboa) como uma ajuda para a mobilidade, mas o custo daquela linha pagava a totalidade desta rede que serve toda a cidade».
O vereador defende que falar sobre mobilidade «sem discutir os transportes» é um erro. «Não basta alterar as linhas da Carris ou aumentar as medidas avulsas de estacionamento. É preciso uma discussão de fundo», argumenta.
Boa altura para debater problema

Para a revisão do Plano Director Municipal (PDM), que será apresentada até ao fim do ano, «não foram estudados os transportes públicos». Para uma maior mobilidade «estudou-se estradas e entradas na cidade, mas não o mais importante», explica Sá Fernandes.
Segundo o vereador é uma boa altura para debater o problema, «falei com a Carris, o Metro, o departamento de tráfego, o departamento responsável pela organização dos transportes da autarquia e percebi que há um consenso para debater o tema».
Para a eficácia dos transportes públicos Sá Fernandes lembra que estes devem ser complementares e actuar «como um todo» e que a sua proposta faz essa ligação, ao Metro e à Carris.

Das quatro linhas que apresentou, o vereador começaria o projecto pela «linha ribeirinha, que iria aproveitar e complementar o percurso do eléctrico 15 em Lisboa».
Para José Sá Fernandes não se pode reduzir o número de automóveis dentro da cidade, sem antes dar aos cidadãos uma rede de transportes eficaz, de qualidade e com conforto. «Só depois podemos falar em reduzir veículos» e lembra que «as cidades com portagens têm excelentes transportes».
Os fundos europeus

Mas há outra vantagem nesta rede de eléctricos: «Ainda existem verbas comunitárias para transportes amigos do ambiente, que é o caso, e a que Lisboa pode recorrer», afirma o vereador. O estudo agora apresentado será levado à próxima reunião de Câmara e Sá Fernandes espera, pelo menos, que o assunto comece a ser discutido.
Mas além destas «quatro linhas», o vereador propõe a criação de um «bilhete único, que sirva todos os transportes, num determinado período de tempo, e esteja associado ao estacionamento». Pretende também, que seja reclamado junto dos operadores de transportes critérios de padrões mínimos (o tempo de espera máximo, em hora de ponta, não pode exceder sete minutos). E finalmente, reclama mais pressão sobre o actual Governo para que seja criada a Autoridade Metropolitana de Transportes em Lisboa.


in portugal diário


Juntemo-nos a esta vaga de fundo!

4 comentários:

Emídio disse...

Sei que o lisboeta, na sua maioria, nunca viu mais nenhum tipo de veículo eléctrico além daqueles que circulam sobre carris.
Enquanto que «São dez milhões de euros por km para o eléctrico e 50 milhões de euros por km para o metro», para os troleicarros é menos de 1 milhão por quilómetro.
Não seria altura de alargarem os seus horizontes?
(ver, por exemplo, http://www.trolleymotion.com)

Cumprimentos,
Emídio Gardé
http://ehgarde.planetaclix.pt

casaamadis disse...

troleicarros? porque não

mas o eléctrico é mais cómodo e atrai mais gente.
pode-se aproveitar para tirar carros das rua por onde passa e redesenhar o espaço público abrangente.
os troleicarros como complemento são boa ideia, sobretudo porque se podem fazer passar pelo sítio próprio reservado aos eléctricos.

fernando disse...

Claro vamos pôr os amarelos a funcionar...toca a pressionar...ainda se podia fazer mais, estive á dois anos em S. Francisco..o que fizeram por lá alem de terem os famosos cables cars..tem uma rede de electricos todos diferentes a circular nas carreiras normais..um ao museu vivo..com o museu da carris que ninguem vê podiam fazer o mesmo..então Lx tornava-se ainda uma cidade + unica no Mundo..e por favor não modernizem muito os electricos...pensem nisso...

César disse...

A questão é, em si mesma, muito simples: uma cidade da dimensão de Lisboa, ou maior, como Berlim ou Viena, tem e ter três níveis de transporte público: o metro subterrâneo, o eléctrico, incluídos o rápido e o tradicional, e o autocarro (o troley cabe na categoria «autocarro»). O eléctrico é estruturante e um dos modos não substitui o outro. Sem um deles o sistema fica «coxo» e quem disser o contrário... Mente!!!
Ém cidadres de ligeira menor dimensão pode não haver um dos modos de transporte: em Praga não há autocarros, mas três linhas de metro convencional e 26 linhas de eléctrico; em Basileia, há só eléctricos e táxis; em Berna, eléctricos e autocarros, tal comio em Zurique... Mas o electrico, em cidades destas dimensões,SEMPRE!