15/02/2008

Quatro anos para aumentar a Biblioteca Nacional

In Público (15/2/2008)
Paulo Miguel Madeira


«Obra dará espaço para mais de um milhão de novos títulos. O público vai dispor de uma nova sala para leitura das colecções especiais

O autor do projecto original da Biblioteca Nacional foi o arquitecto Porfírio Pardal Monteiro, de quem António e João Pardal Monteiro são, respectivamente sobrinho e sobrinho-neto. Ambos têm trabalhado nas pequenas intervenções que têm sido feitas nas instalações, ao abrigo do direito de autor do projecto original, cuja execução decorreu de 1956 a 1969, contou ao PÚBLICO o director da Biblioteca Nacional, o historiador Jorge Couto. A demora da construção original deveu-se a ter sido interrompida vários anos, por causa da guerra colonial. "O projecto de ampliação foi aprovado em 1999, mas, como a tecnologia evoluiu rapidamente, foi necessário rever os projectos de especialidade [os relativos aos sistemas técnicos, como electricidade ou comunicações] para dotar o edifício de tecnologia mais actual", explicou ainda o director da instituição. "O projecto de arquitectura é igual, só na nova sala de leitura é que a arquitectura é totalmente nova."
a A ampliação da Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, que deverá estar concluída daqui a cerca de quatro anos, conheceu ontem um novo passo, com a abertura das propostas para a obra, que vai aumentar em cerca de um terço a área do edifício do depósito - permitindo que a sua capacidade, actualmente quase esgotada, passe de cerca de 2,5 milhões de volumes para mais de 3,5 milhões.
Concorreram à adjudicação 21 empresas e consórcios, que pretendem executar um projecto dos arquitectos António e João Pardal Monteiro, que concretiza a ampliação da torre de depósito já prevista no projecto original. Os trabalhos deverão iniciar-se no início de Junho, e vão demorar no mínimo quatro anos, disse ao PÚBLICO o director da Biblioteca Nacional, Jorge Couto.
O processo foi lançado pela anterior ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, que, no PIDDAC (Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central) do ano passado, afectou 13 milhões de euros para este efeito, tendo o início dos trabalhos chegado a estar previsto para esse Outono.
Além do substancial aumento da capacidade de armazenamento, a melhoria mais perceptível para o público após esta ampliação será uma sala de leitura nova para as colecções especiais, como a cartografia, iconografia e música, e o acesso a serviços electrónicos. A leitura destas colecções funciona desde os anos 1980 em espaços adaptados para o efeito. A obra vai permitir também melhorar as condições de preservação e conservação e reforçar a segurança.
Leitura prejudicada
A torre de depósito vai ser ampliada para o lado sul (em direcção a Entrecampos), com o mesmo aspecto da parte já existente. A cada um dos pisos três a dez, que têm 99 metros de comprimento por 15 de largura, serão acrescentados 33 metros, o que representa um acréscimo de cerca de 6300 metros quadrados aos actuais 12.500, o que permitirá acolher mais de um milhão de novos livros.
Mas a parte da construção do acrescento ao edifício representa apenas um quinto do custo da obra, que foi a concurso com uma base de licitação de 10,6 milhões de euros. Os restantes 80 por cento, revela Jorge Couto, são para a substituição de todos os sistemas tecnológicos na parte já existente. Electricidade, aquecimento, refrigeração, controlo de humidade, alarmes anti-intrusão e anti-incêndio, tudo será integralmente substituído. Para isso, a partir de 2010, quando a nova ala já estiver pronta, os livros do depósito actual começam a ser mudados provisoriamente para as novas instalações, por grupos de três pisos, para permitir os trabalhos de renovação da ala já existente, que vão demorar cerca de dois anos e meio. Isso implicará o encerramento temporário do acesso à leitura das obras dos pisos que estiverem a ser renovados no momento. O calendário dos encerramentos ainda não está definido.
Além dos dez pisos de depósitos, a nova parte tem também quatro de serviços e técnicos, com uma cave adicional onde serão instalados os sistemas de refrigeração, que actualmente se encontram no exterior do edifício.»

1 comentário:

Filipe Melo Sousa disse...

gastar dinheiro com bibliotecas é um desperdício hoje em dia. está tudo na net. eu encontro tudo na wikipedia, e é à borla