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30/06/2021

Protesto por Licenciamento de obra de alterações em prédio oitocentista da Rua das Pretas

Exmo. Senhor Vereador
Eng. Ricardo Veludo


CC. PCML, AML e DGPC

Tomámos conhecimento do despacho de deferimento exarado por V. Exa. em 12 de Fevereiro de 2021, sobre o licenciamento de obras de ampliação com alterações a realizar em edifício "pombalino tardio" (curiosidade referida na memória descritiva do projecto), sito nos nº 8-24 da Rua das Pretas (processo nº 2068/EDI/2017), cujo promotor é a empresa Splendimension, S.A.

Entretanto iniciaram-se as respectivas sondagens de estruturas, sendo possível observar desde a rua o estado calamitoso em que agora se encontram os interiores dos pisos das lojas (com fabuloso pé-direito) e 1º andar deste imponente edifício do século XIX, eventualmente já como consequências dessas sondagens, e onde existem ainda, respectivamente, um sistema estrutural de colunas de ferro altas originais, e alguns bons estuques, azulejos e cantaria.

Serve o presente, portanto, para apresentarmos o nosso protesto a V. Exa. e aos Serviços que tutela por, mais uma vez:

-Estimularem o esventramento de um prédio, ainda praticamente original, de uma Lisboa oitocentista, em vez de obrigarem a que os promotores recuperem os imóveis, respeitando os materiais e a compartimentação dos interiores, o que, manifestamente não é assegurado na memória descritiva do projecto, na qual, ao mesmo que se propõe a recuperação dos estuques e a retirada dos azulejos para recuperação e recolocação, se propõe uma nova compartimentação dos apartamentos;
- Não promoverem uma implantação mais inteligente do elevador - ao aprovarem a ocupação simplista na caixa das escadas que em nada contribui para a salvaguarda das qualidades espaciais da escadaria (já foram testadas outras soluções, em reabilitação de prédios desta época, ao se instalar o elevador numa zona adjacente à caixa de escada).
- Distorcerem o espírito do Plano de Urbanização da Zona Envolvente da Avenida da Liberdade, tornando-o num mero instrumento de manutenção de fachadas e alinhamento de cérceas empobrecendo progressivamente o património da cidade enquanto promotores milionários vão somando lucros crescentes;
- Não garantirem sequer a integridade da composição da fachada ao permitirem a destruição de um dos vãos em arco do piso térreo para dar lugar a uma nova porta de entrada de viaturas automóveis o que vai interromper a elegante métrica e composição da fachada principal.
- Aceitarem uma proposta de estacionamento para viaturas automóveis no logradouro que implicará a supressão integral do alçado a tardoz do piso das lojas (incluindo a demolição de parte dele), ficando os novos espaços comerciais sem janelas para o logradouro (que desaparece) ou com porta/janela a abrir directamente para o estacionamento - perguntamos como é possível que os serviços aprovem este tipo de propostas que nada mais são que o resultado de se forçarem os edifícios a receber programas que vão contra a natureza do imóvel.
- Violarem o espírito do Plano Director Municipal em vigor, incentivando a impermeabilização do solo, ao aprovarem a construção de estacionamento ocupando 100% do logradouro, aumentando ainda mais a propensão a cheias numa zona já ciclicamente fustigada por elas, em vez de obrigarem ao desmantelamento dos anexos existentes no logradouro para libertação do mesmo e assim se possibilitar a permeabilização dos solos.

Compreendemos que a CML, dada a já habitual ausência de pronunciamento capaz por parte da DGPC em termos de defesa do conjunto classificado da Avenida da Liberdade (CIP), não queira fazer o que, por lei, não lhe compete em termos de salvaguarda do Património Cultural de Interesse Público, na circunstância o edificado no século XIX, facto que em muito empobrece a cidade; mas continuamos sem compreender a razão por que a CML insiste em praticar o contrário do que defende em teoria no PDM, mais precisamente em matéria de percentagens mínimas obrigatórias de superfície de logradouro permeável e de ratio de estacionamento por habitante/apartamento, até porque se essas percentagens já eram obsoletas aquando da entrada em vigor do PDM, em 2012, muito mais o serão à luz do Urbanismo do século XXI.

Continuamos, pois, a aguardar pela respectiva actualização do PDM, nessa e noutras matérias, em prol de uma capital europeia defensora do Ambiente e do Património.

Finalmente, questionamo-nos sobre o destino a dar à farmácia Galénica, que ainda possui mobiliário e todo um programa decorativo do século XIX in situ, uma loja, refira-se, plena de história.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, fernando Jorge, Miguel de Sepúlveda Velloso, Jorge Santos Silva, Nuno Caiado, Júlio Amorim, Maria Teresa Goulão, Martim Galamba, Helena Espvall, Pedro Fonseca, Eurico de Barros, Sofia de Vasconcelos Casimiro, Carlos Boavida, Gonçalo Cornélio da Silva, Gustavo da Cunha, Virgílio Marques, António Araújo, Miguel Jorge, Pedro Jordão, João Oliveira Leonardo, Maria Ramalho, Beatriz Empis, Pedro Machado, José Maria Amador, Teresa Silva Carvalho, Maria do Rosário Reiche (30.6.2021)

...

Resposta da CML (16.7.2021)

«Exmos. Senhores,

Em resposta à exposição apresentada ao Senhor Vereador Ricardo Veludo, a propósito da obra licenciada para o imóvel sito na Rua das Pretas, 8-24 cumpre-nos esclarecer os propósitos da decisão fundamentada que a Câmara Municipal tomou sobre o projeto, relativo ao processo n.º 2068/EDI/2017.

A operação urbanística em análise refere-se a uma obra de reabilitação com ampliação de um edifício com uso misto, adaptando-o ao uso predominantemente habitacional (20 fogos e 3 frações de uso terciário no piso térreo), incluindo a criação de lugares de estacionamento, com recurso a sistema de arrumação por meios mecânicos, num total de 15 lugares.

O imóvel localiza-se em área abrangida pelo Plano de Urbanização da Avenida da Liberdade e Zona Envolvente (PUALZE), em Área Histórica Habitacional do Sector B.

A intervenção estrutural identificada no projeto tem como princípio base a preservação da identidade construtiva e estrutural do edifício, corrigindo danos existentes e melhorando o seu desempenho estrutural face às atuais exigências normativas e de utilização.

Será privilegiada a adoção de materiais compatíveis com os existentes (madeiras e argamassas à base de calou bastardas), limitando o uso de novos materiais como o aço e o betão às situações estritamente necessárias. As alterações decorrentes da nova arquitetura permitem manter na generalidade a tipologia estruturas existente, prevendo-se reparações e reforços estruturais de diversa natureza, inclusivamente para resistência anti-sísmica. Estas ações encontram-se detalhadamente descritas no Relatório de Intervenção Estrutural proposta, anexo à Memória Descritivo do projeto.

Do ponto de vista patrimonial será de realçar que, antecedente a este projeto, decorreu a apreciação do processo 272/EDI/2017, no âmbito do qual foi emitido um parecer desfavorável da Direção-Geral do Património Cultural porque:
“Os representantes da DGPC consideraram não ser possível uma apreciação completa do pedido de licenciamento atendendo a que:
O relatório prévio, elaborado nos termos do Decreto-Lei n.º 140/2009, de 15-6 e da portaria de classificação da Avenida da Liberdade, deverá incluir um estudo mais profundo da condição estrutural do imóvel, indicando qual a metodologia para resolução das anomalias e para implementação das soluções propostas pelo projeto de arquitetura;
O relatório fotográfico dos interiores deverá ser sistemático e não seletivo e a impressão desse relatório deverá apresentar qualidade que permita a sua leitura; Deverá esclarecer-se a solução apontada nos desenhos de revestimento de todas paredes interiores; (…)”

O projeto submetido através do processo 2068/EDI/2017 incluiu alterações e mereceu uma ponderação favorável por parte da DGPC, condicionando ainda assim uma aprovação do projeto à verificação de aspetos de natureza patrimonial: “(…)o projeto é maioritariamente viável, atendendo a que a obra prevista permitirá utilizar o imóvel, mantendo as suas principais características autênticas e a sua contribuição para a singularidade do conjunto classificado. Contudo, importa ainda esclarecer qual o património integrado a preservar e os respetivos métodos de conservação e restauro, incluindo painéis de azulejo, tetos em estuque e pinturas decorativas em paredes. Também deverá ser encontrada solução estrutural de reforço que evite o encamisamento dos pilares metálicos do piso térreo com betão armado.”

No decurso da apreciação do processo, a entidade requerente foi igualmente notificada para esclarecimentos de diversa natureza, incluindo os relativos ao parecer da DGPC, à fundamentação para as demolições projetadas para os efeitos do art. 11º do regulamento do PUALZE, conjugado com o nº 1 do art. 45º do RPDML e à preservação das chaminés e dos tetos em estuque.

Os novos elementos entregues mereceram uma apreciação favorável da Comissão da DGPC que concluiu que o “aditamento em análise refere-se exclusivamente à proposta de restauro ou reconstituição do património integrado.”, e justificaram o enquadramento das demolições preconizadas na alínea d) do n.º 1 do art.º 11º do PUALZE (elementos degradados e sem valor patrimonial relevante).

Do ponto de vista patrimonial salienta-se assim o acompanhamento do projeto pela DGPC, devidamente caracterizado com relatório prévio de contextualização histórico-arqueológica, levantamento fotográfico, análise estrutural e estudo preliminar da estrutura e relatório técnico de conservação e restauro.

Sobre a ocupação do logradouro será de evidenciar a situação pré-existente, com as deficientes condições para a sua fruição pelo facto de os logradouros confinantes se encontrarem ocupados e a cotas superiores em 4 a 6 metros. Foi entendimento dos serviços que a proposta de ocupação do logradouro com estacionamento se enquadra na alínea b) do art.º 26º do PUALZE.

Alçado principal – proposta (peças desenhadas do projeto)

Situação atual – logradouros envolventes (MD do projeto)

Com os melhores cumprimentos.

Rosália Russo
Diretora Municipal do Urbanismo»

11/03/2021

Casa de Cesário Verde - Paço do Lumiar - Pedido de expropriação à CML

Exmo. Senhor Presidente da CML
Dr. Fernando Medina
Exmo. Senhor Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa
Dr. José Leitão


CC. AML, JF, DGPC, Vereadores do Urbanismo e da Cultura, media

Como é do conhecimento de V. Exas., a casa onde Cesário Verde viveu e morreu em 1886, sita no Largo de São Sebastião, nº 12-14, no Paço do Lumiar, encontra-se desde há mais de duas décadas num estado de conservação absolutamente deplorável e indigno.

Essa situação é motivo de vergonha para a cidade, sobretudo porque respeita à morada de um dos seus maiores poetas, conforme se assinala na placa que a própria CML mandou colocar em 1986 (foto), logo ali, no Paço do Lumiar onde, tal como tão bem descreveria o autor, a cidade coexiste com o campo. Por sinal, ainda, num belo Largo onde o único edifício em mau estado é exactamente este, e numa estrada em que a CML interveio recentemente a nível do espaço público e reorientação do trânsito.

Julgamos ser da mais elementar justiça que a CML, finalmente, fazendo uso das receitas extraordinárias, arrecadadas e por arrecadar, das taxas turísticas e das contrapartidas do casino de Lisboa, assuma a responsabilidade pelo legado da vida e obra de Cesário, tome posse administrativa do imóvel, expropriando-o, se necessário, e promova as necessárias obras de recuperação, exteriores, interiores e no logradouro, devolvendo-lhe o ambiente ao tempo do poeta.

O edifício, de características vernaculares e que é composto de 4/5 fracções, encontra-se em péssimo estado por dentro, mas um trabalho bem feito será de enorme valor pedagógico face à importância histórica do imóvel. O logradouro, que é enorme, poderá ser limpo do anexo de génese ilegal que mantém, provavelmente, desde os anos 70, de modo a que o jardim de buxo que ali chegou a existir volte a ser uma realidade.

Seria uma grande notícia para Lisboa se a CML assim o fizesse, abrindo naquele local uma casa-museu e/ou um espaço de poesia e literatura, valorizando ainda mais o antigo Paço do Lumiar num itinerário cultural alargado à Capela de São Sebastião e à Igreja de São João Baptista, aos museus do Traje e do Teatro, e ao património azulejar e romântico de todo o conjunto, mas cujas quintas senhoriais e azinhagas têm vindo a ser amputadas e tão alteradas, um pouco por todo o lado, porque tradicionalmente esquecidas pelos instrumentos de planeamento urbanístico da CML, desde logo por um Plano de Pormenor de Salvaguarda que o evitasse.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel Jorge, Júlio Amorim, Paulo Lopes, Teresa Silva Carvalho, Pedro Jordão, Luís Serpa, Gustavo da Cunha, Inês Beleza Barreiros, Pedro Paulo, Virgílio Marques, Marta Saraiva, Pedro de Souza, Miguel Atanásio Carvalho, Paulo Trancoso, Miguel de Sepúlveda Velloso, Fernando Jorge, Maria João Pinto, Pedro Ribeiro, Beatriz Empis, Mafalda Magalhães de Barros, João Pinto Soares, Jorge Pinto, Helena Espvall, Guilherme Pereira, Irene Santos, Pedro Cassiano Neves, Maria do Rosário Reiche, Alexandra de Carvalho Antunes, Fátima Castanheira

03/07/2018

Obras claustro Sé de Lisboa - novo mail com pedido de esclarecimentos


Exmo. e Reverendíssimo Senhor Cónego Tito Espinheira
Exmo. Senhor Arq. Adalberto Dias


Cc. Secretariado do Patriarcado de Lisboa, Vigararia Geral, DGPC, PCML, AML e media


Somos a agradecer a reunião havida em São Vicente de Fora na 6ª Feira passada com V. Exas. e com as senhoras arqueólogas que participaram nas escavações no claustro.

Apresentamos os nossos cumprimentos ao sr. arq. Adalberto Dias, autor do projecto de musealização e reinterpretação do claustro da Sé de Lisboa.

Compreendemos os argumentos apresentados em relação à abertura de porta na muralha da Sé, na Rua das Cruzes, designadamente quanto às acessibilidades para portadores de deficiência motora, tendo em conta a candidatura aos fundos do Programa Portugal 20/20. Contudo, face ao ofício da CCDR-LVT/DGPC (em anexo), solicitamos que nos informem sobre qual a origem do financiamento extra-20/20, que permitiu o pagamento do projecto e a empreitada já efectuada, uma vez que nos parece haver uma incongruência entre o ofício da DGPC e o cartaz afixado na porta Norte do claustro onde se especifica que o projecto tem o apoio daquele Programa.

Em relação à demolição do cubelo actual, e sua substituição por "cubelo" contemporâneo, e apesar de reconhecermos a exiguidade da escada em caracol existente no interior do cubelo acrescentado ao claustro da Sé por Augusto Fuschini, em 1902, e, portanto, a vontade do autor do projecto em apreço em querer alargar a escada interior, não podemos concordar com a demolição do cubelo, uma vez que escadas exíguas são bastante comuns em monumentos importantes por essa Europa fora.

Reiteramos a nossa indignação pela decoração "vistosa" que se pretende dar ao novo "cubelo", e voltamos a sugerir o seu revestimento com pedra e não com azulejos vidrados, ainda que a intervenção seja mais dispendiosa, mas está em causa a Sé de Lisboa.

Finalmente, pedimos ao sr. arq. Adalberto Dias que nos confirme se, ao contrário do que as plantas e alçados do projecto apresentam (ver imagem em anexo), o novo “cubelo” não será de facto visível desde a Rua Cruzes da Sé, porque a acontecer o contrário seria de facto gravíssimo.

Com os melhores cumprimentos


Miguel de Sepúlveda Velloso, Pedro Cassiano Neves, Paulo Ferrero, Júlio Amorim, Bernardo Ferreira de Carvalho

31/01/2017

100% DESTRUÍDO: Gaveto da Rua Andrade Corvo 22 / Rua Sousa Martins 18






Concluída a mega demolição no gaveto da Rua Andrade Corvo 22 / Rua Sousa Martins 18. Aqui foi demolido um palacete da Lisboa Entre Séculos (LES) e dois prédios de 5 pisos igualmente do mesmo período (um deles tinha um a fachada integralmente revestida de Azulejo do séc. XIX). Estavam todos em razoável estado de conservação (habitados) e podiam ser reabilitados. Mas Lisboa decidiu destruir tudo, fazer tábua rasa e acreditar que não havia nada neste lugar com valor para as futuras gerações. Agora o terreno "sem memória" está para venda.

09/11/2016

WONDERS da «reabilitação» Lisboeta: Rua do Arco da Graça (ao Martim Moniz)






Aqui vemos uma prática, cada vez mais corrente em Lisboa, que vai contra qualquer princípio mais elementar em reabilitação urbana: pintar as cantarias, as pedras. Desde pelo menos o século XIX que o Pelouro de Urbanismo / Obras da CML proibia a pintura das cantarias... mas assistimos agora, no séc. XXI, ao ressurgimento desta prática que apenas revela os baixos padrões em que se encontra a «reabilitação» na capital de Portugal. Em vez de trabalho cuidadoso e informado vemos a proliferação deste tipo de "obras" que as imagens retratam. Reabilitação? Regredimos várias décadas graças às escolhas políticas do Pelouro do Urbanismo da CML.

29/05/2015

LISBOA ENTRE SÉCULOS: «Há reabilitação em Lx?»
















Qual é estado actual da reabilitação em Lisboa? Porque é um erro destruír sem critério os interiores dos nossos edifícios construídos entre o final do séc. XIX e o início do séc. XX? Estas são algumas das reflexões que faremos na conferência "Lisboa entre Séculos" já neste sábado, 30 de Maio com início às 9:30 na bela Sala dos Actos da antiga Escola Médica ao Campo dos Mártires da Pátria. Entrada Livre.

LISBOA ENTRE SÉCULOS: A Casa na Rua da Alegria


Como uma casa no Porto construída em 1913 - que estava suja, degradada e abandonada - teve os seus interiores originais reabilitados em vez de destruídos. É um dos estudos de caso, e de boas práticas, a apresentar já neste sábado, 30 de Maio com início às 9:30 na bela Sala dos Actos da antiga Escola Médica ao Campo dos Mártires da Pátria. Entrada Livre.

LISBOA ENTRE SÉCULOS: Prédio nas Avenidas Novas

Um corrente prédio de 1917, "gaioleiro", cujas estruturas originais de madeira e ferro foram reabilitadas e reforçadas em vez de destruídas. É um dos estudos de caso, e de boas práticas, a apresentar já neste sábado, 30 de Maio com início às 9:30 na bela Sala dos Actos da antiga Escola Médica ao Campo dos Mártires da Pátria. Entrada Livre.

LISBOA ENTRE SÉCULOS: A Casa Verde

Um pequeno e simples prédio de 1888, reabilitado com apenas 15 mil euros em Alcântara, Lisboa. É um dos estudos de caso, e de boas práticas, a apresentar já neste sábado, 30 de Maio com início às 9:30 na bela Sala dos Actos da antiga Escola Médica ao Campo dos Mártires da Pátria. Entrada Livre.

01/11/2014

2 edifícios Norte Júnior, 1 estilo, 4 caras diferentes mas parecidas, 2 proprietários bastante diferentes:


Avenida António Augusto de Aguiar, 143: Prédio com fachada esburacada.

Avenida Barbosa du Bocage, 109: Prédio com fachada acabadinha de pintar.

04/07/2014

Parabéns à Time Out Lisboa pelo Mercado da Ribeira


Exmo. Senhor
João Cepeda

Serve o presente para lhe enviarmos, a si e a toda a equipa da Time Out, os nossos parabéns e o nosso agradecimento pela renovação em curso no Mercado da Ribeira!

Com efeito, não só estamos perante uma renovação feita com bom gosto, imaginação, e respeito pelo património em apreço, como a mesma é suportada num projecto de exploração que tem tudo para ser viável e fazer daquele espaço o nosso Covent Garden.

Desejamos que as obras a desenvolver e a programação a definir para o restante espaço ainda por renovar, sejam pelo menos do mesmo calibre, talvez abrangendo áreas de negócio ligadas a outras actividades que não a restauração, mas antes o artesanato, as artes e ofícios, livrarias, lojas «vintage», etc. (fica a sugestão), esperando que haja mais empresários disponíveis para este desafio e mais parcerias para concretizar.

Esta intervenção comprova o que há anos vimos defendendo junto de quem de direito: era possível reabilitar o Mercado da Ribeira e recolocá-lo no roteiro cultural da cidade.

Chamamos, no entanto, a sua atenção para um aspecto negativo do projecto que é o grande letreiro em néon «TIME OUT», que deveria estar colocado noutro local que não na porta principal do Mercado, pelo que solicitamos repensem a sua colocação. O Mercado da Ribeira ainda é um mercado mas com este letreiro, ali colocado, pode-se inferir que todo o edifício é agora um projecto da Time Out (alguns turistas podem julgar até que o edifício é o escritório da Time Out!).

Igualmente, parece-nos demasiado elevado o som da música ambiente.

Resumindo, desejamo-vos as maiores felicidades neste projecto, na certeza de que o sucesso da renovada Ribeira será sempre o de Lisboa.

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Luís Serpa, Fernando Jorge, José Filipe Soares, Cristiana Rodrigues, Rui Martins, Pedro Gomes, João Mineiro, João Barreta, Carlos-Moura Carvalho, Jorge Lima, João Oliveira Leonardo, Paulo Lopes, Pedro Sanchez, Nuno Caiado, Maria do Rosário Reiche, Beatriz Empis

Cc. Media

Foto: casalmisterio.blogs.sapo.pt

17/03/2014

Reabilitação e Tradição na Baixa de Lisboa


Chegado por e-mail:

«A renovação em curso na Baixa é necessária e oportuna. Contudo, com a nova Lei do Arrendamento, leva ao despejo de muitos comércios que caracterizam esta zona histórica. Ontem a Correaria Vitorino de Sousa, a Adega dos Lombinhos, o Capelo Gravador; hoje a Ginjinha Eduardino: amanhã quem mais? Muito do caracter da Baixa é-lhe conferida por estes pequenos negócios, pela sua variedade, pela sua antiguidade, hoje rara ou em extinção. Para manter este ambiente há que preservá-los, renová-los q.b., valorizá-los. A classificação de imoveis de interesse municipal, actualizada no ultimo PDM, para a qual o autor destas linhas contribuiu, vê-se agora insuficiente para uma eficaz protecção. Essa valorização pode fazer-se, entre outras formas, pela classificação de Lojas de Tradição, como a realizada nos anos 1990-1994, mas não continuada. Seria de todo o mérito proceder-se a uma nova classificação de Lojas de Tradição com efeitos de preservação e reconhecimento do seu Património Cultural Material e Imaterial. Estas Lojas de Tradição poderiam constituir um percurso sinalizado e com uma placa informativa, como aliás 2 ou 3 delas já dispõem. E que ligado a um museu ou centro de interpretação do comércio, das artes, ofícios e industrias de Lisboa, dariam a conhecer a economia local ao longo dos tempos e na actualidade, como no Funchal. Se tomarmos a Rua Augusta como exemplo, a mais visitada, é-o não só por ser pedonal e central, mas apreciada pela variedade de estabelecimentos, de especialidades, decoração, épocas de fundação ou decoração. Nesta rua, temos um “fio de pérolas” que vale pela mistura de estilos, pontuado por joias, mais antigas ou mais raras, que agradam pelo brilho e contraste que proporcionam entre si. Com a renovação em curso, arrisca-se uma uniformidade de decoração e design: moderno, minimalista, estandartizado. Assim, a Baixa ficará mais um centro de compras global, mas perderá a sua alma e identidade. É pois mais avisado manter esses pequenos comércios tradicionais, restaurando-os, realçando a sua especificidade profissional, o seu mobiliário, a sua decoração e fachadas. Bem restaurados, serão as pedras preciosas que darão a raridade e a distinção ao moderno colar de” pérolas”, estas novas mas brancas, uniformes e iguais a tantas outras! Como limitar esta renovação sem alma nem cariz? Ao abrigo do licenciamento para reabilitação e obras, deve a Câmara impor a manutenção desses espaços, para os que queiram continuar. Para os que for incontornável o despejo, deveria a CML promover a sua relocalização em ruas ou quarteirões disponiveis, transpondo o seu mobiliário, decoração e actividade, conferindo animação e atracção nessas outras ruas reabilitadas. Decerto que a CML, dentro dos seus poderes terá capacidade para realizar muitas destas mudanças. Com mais este objectivo, a Baixa não perderá a sua característics e à semelhança do Chiado, poderá fazer uma renovação equilibrada, com novos estabelecimentos e restauros de qualidade, como a Ourivesaria Aliança é o bom exemplo. Esta lei do Arrendamento e o que ela está a operar é bem exemplo da “crise” que vivemos: um processo de concentração capitalista em curso, programado para eliminar os mais fracos ou mais pequenos, para dar margem de negócio – neste caso “espaço de instalação” – para maiores ou novas forças económicas. Estes pequenos estabelecimentos não fecham por falta de procura ou por falência! Fecham por uma lei que não só ignora os seus direitos por antiguidade de arrendamento, como prepotentemente permite ao senhorio nem sequer propor ou negociar uma nova renda, um novo contrato: despeja e pronto! À luz do direito comercial, ignora a igualdade das partes. Ao renovar todo o edifício, o proprietário pode ou não despejar os seus inquilinos! Tambem nós como cidadãos e consumidores perdemos a “memória colectiva”, os ícones duma cidade, o que nos dá encanto, gosto e beleza ao passarmos por lá. Apagam o que nos prende à Baixa, à nossa Lisboa! Assistimos a uma perda de Património Material – fachadas, mobiliários, decoração, etc. – e de Património Vivo e Imaterial: saberes-fazer, conhecimentos, profissionais, artigos e objectos que têm valor e utilidade. E turisticamente, culturalmente, é a perda duma identidade, própria de Lisboa que a diferencia de qualquer outra cidade. É o que, p.ex., os centros históricos de Barcelona, Turim, Praga ou Edimburgo, sabem preservar.
Guilherme Pereira Sociólogo e amante de Lisboa

22/01/2014

Hotel inovador e centro produtivo reactivam Hospital do Desterro

Um conceito inovador de alojamento em cápsulas e um centro de atividades produtivas serão âncoras do projeto de reabilitação do Hospital do Desterro, revelou ao Público Imobiliário, José Carvalho, Director Geral da Mainside, empresa que assume a gestão e reabilitação deste espaço.




09/12/2013

Campo Grande (Norte) está melhor mas podia estar mais:

O Jardim do Campo Grande está mais arranjado e mais saudável (embora tenha havido forte abate de árvores, sobretudo junto às faixas de rodagem do lado nascente). Tem um sistema de rega novo (espera-se que dure), barreiras de insonorização ao barulho dos carros (espera-se que insonorize), tem recinto para cães e campos de Padel (a modos que ténis hobbitiano...); a alameda central está bonita; viu-se livre do piso em alcatrão e espera-se que se tenha visto livre da delinquência.

Ainda há pormenores a recuperar neste lado Norte do Campo Grane (a Sul ainda está na mesma...), começando pelo ilhéu do lago (o Caleidoscópio ainda está na mesma) e pelo edifício da respectiva cafetaria, faltando ainda recuperar o par de cavalos que ornamentam a ponte; mas, desde já os parabéns nesta intervenção no ilhéu, pois reconfigurou-se a ponte de acordo com o projecto de Keil do Amaral, o que se agradece:

(Foto/CML, de há dias)


(Foto antes das obras)


(Fotos/Arquivo Municipal, aquando da inauguração do projecto dos anos 40, de Keil do Amaral)

Contudo, não há bela sem senão, e o 'mobiliário urbano' que agora lá está (candeeiros, bancos e bebedouros) nada tem que ver com o projecto de Keil do Amaral. E se aos candeeiros ainda se pode aguentá-los, já os bancos são mesmo do pior dos gostos, por certo de catálogo baratucho e são impossíveis de roubar, pois estão enterrados no piso (já agora, para onde terão ido os suportes dos bancos que lá estavam?!), mas inadequados àquele Jardim:


(os novos, de empresa que tanto os fornece para a Expo como para o Campo Grande, Praça de Londres, etc.)


(os que lá estavam antes)

Mas pior, pior, muito pior, é/foi a substituição dos bebedouros do projecto de Keil do Amaral, pelos exemplares pífios, tipo Ikea, que lá puseram. Que falta de gosto, credo. Isto passou pelo crivo dos responsáveis, ou assinaram todos de cruz?

E agora?!!

(hoje)

(ontem)