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15/02/2013

Passeios na zona de Sete Rios enchem-se de carros que fogem aos novos parquímetros da Emel.



Passeios na zona de Sete Rios enchem-se de carros que fogem aos novos parquímetros da Emel
Por Inês Boaventura in Público

Autarca acusa Emel de criar "graves problemas para os peões" e para o tráfego com a colocação "abrupta" de parquímetros

Desde Dezembro, quando a Emel alargou a sua actividade à zona de Sete Rios e instalou parquímetros em áreas onde o estacionamento era gratuito, o cenário repete-se: grande parte dos lugares tarifados está vazia e as ruas vizinhas enchem-se de carros, incluindo nos passeios.
Os 431 lugares onde o estacionamento passou a ser pago distribuem-se pela Praça Marechal Humberto Delgado (frente ao Jardim Zoológico), e por ruas como a Francisco Gentil Martins, a Canto da Maya e a de Campolide. Segundo o site da empresa municipal, em 136 desses lugares pode ser utilizado um bilhete diário que custa dois euros.
O presidente da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica, Rodrigo Gonçalves (PSD), critica a medida, acusando a Emel de pautar a sua acção por "uma política economicista que visa o lucro". O autarca até admite que fosse necessário ordenar o estacionamento na zona de Sete Rios, mas condena a forma como isso foi feito. "Os lugares estão completamente vazios e as pessoas transferiram os carros para as laterais. A Estrada de Benfica e a Rua das Furnas estão atoladas de carros, uns em cima dos outros, para fugirem do estacionamento da Emel", descreve Rodrigo Gonçalves. O presidente da junta acrescenta que esta situação acarreta "graves problemas para os peões", porque "não há um único passeio em que se consiga andar", e para a fluidez do tráfego.
O autarca lembra que Sete Rios é um importante interface de transportes, onde diariamente afluem muitas pessoas de outras áreas de Lisboa e dos concelhos vizinhos, que ali deixam os carros e se deslocam em transportes públicos para os seus locais de trabalho. E essa particularidade, acusa, não foi tida em conta pela Emel, que introduziu os parquímetros "de maneira abrupta" e sem ter em conta a inexistência de alternativas de estacionamento.
Os problemas decorrentes da instalação de parquímetros na zona já tinham sido levantados pelo vereador do CDS na reunião da Câmara de Lisboa que se realizou anteontem. António Carlos Monteiro deu conta de que os veículos que antes estacionavam nos lugares gratuitos estão a invadir os passeios, sem que a Emel tome alguma providência. Uma fonte camarária relatou que esta intervenção suscitou uma resposta violenta do vereador da Mobilidade, Nunes da Silva, contra o conselho de administração da Emel.
Confrontado com esta situação, Nunes da Silva justificou as suas críticas à administração com um problema de comunicação: tinha percebido que os novos lugares tarifados se situavam debaixo do viaduto do Eixo Norte-Sul, local onde em seu entender devia ser praticada uma tarifa mensal associada ao uso de transportes públicos. Como afinal não é esse o caso, o autarca defende a solução concretizada pela Emel, embora reconheça a necessidade de colocar pilaretes nalguns locais para evitar o estacionamento nos passeios.

8 comentários:

Anónimo disse...

pilaretes?
sim claro, porque está provado que esses resolvem todos os problemas

se, em vez de gastarem dinheiro nos habituais pilaretes, que em nada educa os condutores e apenas os faz procurar um outro passeio sem pilaretes, multassem os infractores diariamente não só enchiam os bolsos da CML como acabavam com o estacionamento ilegal em poucos dias sem gastar 1 centimo

João Pimentel Ferreira disse...

Estive ontem numa reunião na CML em nome de uma associação de peões! Foi-me dito que cada pilarete custa no total ao erário público cerca de 90€. Isto é de doidos!

É preciso é coragem política para multar os carros e sem medo, não é esta palhaçada, e há que elogiar quando as medidas estão BEM!

Apesar da EMEL, como qq empresa pública, só pensar em sacar, no meu entender tudo o que seja sacar aos automobilistas é bem-vindo, pois desincentiva o uso do automóvel, o que é ambientalmente positivo e aumenta significativamente a qualidade de vida na cidade de Lisboa

Anónimo disse...

Quem paga os pilaretes? O contribuinte que já está a pagar a infra-estrutura rodoviária que nos levou ao resgate? O peão que usa os transportes públicos e paga tarifas cada vez mais altas? O ciclista que nem tem direito a espaço na rua? As famílias que vêm o seu espaço público e de brincar dos seus filhos ocupado por carros?
A compra e colocação de cada pilarete custa entre 90 e 100€, multiplique-se pelos milhares e estamos a falar em milhões de euros de despesa para o erário público, quando a PSP devia estar a multar este comportamento inaceitável por parte de muitos condutores.

Anónimo disse...

autarcas destes não precisamos. precisamos sim de mais EMEL, de mais pilaretes, de mais fiscalização e de mais multas.

Xico205 disse...

Para isso era preciso que as pessoas pagassem as multas, o que acontece numa pequena parte das multas passadas.

Anónimo disse...

Acho que multar os automobilistas infractores fica mais barato do que colocar pilaretes. E seria o normal em qq pais civilizado.

Filipe Melo Sousa disse...

Pagar 1,20 por hora é entregar 25% do ordenado ganho durante o mesmo período. A população activa não tem alternativas sérias ao automóvel.

Anónimo disse...

Em cerca de 5% do território de Lisboa, 1.200 pilaretes. Multiplique-se por 20 (para ter 100%), dará 24.000, cada um a 90 Euros (só a instalação, claro, sem contar com a manutenção, substituição, etc.), e dá qualquer coisa como 2.160.000 (dois milhões, cento e sessenta mil Euros). Belo negócio, especialmente se contabilizarmos as comissões que alguns responsáveis da CML e das juntas devem andar a embolsar... CARAMBA, NÃO SAI MAIS BARATO FISCALIZAR COMO DEVE SER??!!!! E já agora: sendo verdade que a multa prescreve, o bloqueador de rodas e o reboque não prescrevem. Isto é TÃO SIMPLES, porque é que ninguém faz? Isto é um país de atrasados mentais? quero acreditar que não.