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31/01/2016

Turistificação de Lisboa: Pessoa e o Largo do Carmo


08/10/2012

Lisboa, capital europeia da demolição. Largo da Estefânia


Para justificar a demolição do prédio do início do séc. XX (1910) os proprietários afirmavam que o poeta Fernando Pessoa nunca lá tinha vivido (a sociedade civil, os historiadores, todos andavam a delirar!) mas agora que já conseguiram o que pretendiam, isto é, erguer um edifício novo com o dobro da área de construção (mais a impermeabilização total do logradouro para caves de estacionamento) a história já é diferente. Porque para vender os apartamentos do novo prédio os mesmos senhores já aceitam que o poeta lá viveu - e exploram descaradamente e sem vergonha esse facto. Pois aqui têm o «Edifício Fernando Pessoa»: no antes e depois! Lisboa, Capital Europeia da Demolição!.

18/10/2011

AQUI VIVEU FERNANDO PESSOA: Av. Casal Ribeiro 1

Caves para estacionamento. Impermeabilização INTEGRAL do logradouro. Era para fazer isto que os proprietários perseguiram o objectivo de demolir o prédio de 1910 que aqui existia - e onde viveu o poeta Fernando Pessoa. Não há que ter ilusões sobre os motivos que estão a conduzir ao desaparecimento da Arquitectura lisboeta dos finais do séc. XIX / iníco do séc. XX: Modelos de desenvolvimento obsoletos. Estilos de vida insustentáveis. Mobilidade urbana centrada na viatura particular. Entendimento mercantilista do património. Falta de visão de futuro. Falta de Cultura Artística. Falta de Cultura de Reabilitação / Restauro.

03/05/2011

Casas "Museu": Londres versus Lisboa

Nesta matéria de respeito, apreciação e conservação de moradas de personalidades importantes para a cultura de uma nação, Lisboa não poderia ser mais diferente de Londres. Enquanto nós sistematicamente, cronicamente, patologicamente até, desprezamos as "casas memória", Londres tem quase um fetish por elas. A propósito das dezenas de casas de poetas, escritores, olisipógrafos, músicos, intelectuais, etc. já destruídas - e de outras tantas abandonadas, em ruínas e em vias de desaparecer - lembramos algumas das mais famosas "Casas Museu" de Londres. A Casa que foi a última morada de Almeida Garrett em Lisboa foi demolida em Janeiro de 2006...



DENNIS SEVERS HOUSE


18 Folgate Street




ELTHAM PALACE


Court Yard, Eltham




LEIGHTON HOUSE MUSEUM


12 Holland Park road




APSLEY HOUSE - WELLINGTON MUSEUM


149 Piccadilly


JOHN SOANE'S MUSEUM


13 Lincoln's Inn Fields




Fotos: Nem só as casas extraordinárias, ou de heróis, são acarinhadas e protegidas em Londres. Casa onde viveu Frank Bridge em Kensinghton, Londres. Apesar de se tratar de um simples e vulgar imóvel vitoriano, o facto de ter sido morada de um músico importante está devidamente assinalado com uma placa (colocada pelo organismo do Estado equivalente ao nosso IGESPAR). Por toda a cidade de Londres vemos centenas de edifícios com estas carismáticas placas redondas azuis que celebram o facto de ali, no passado, ter vivido alguém a quem devemos muito. Porque é que o nosso IGESPAR não inicia um simples projecto destes? É mais fácil lavar as mãos como Pilatos e continuar a empurrar a responsabilidade da salvaguarda do património cultural para as autarquias com a desculpa de que isto e aquilo «não apresenta valor nacional»?

18/02/2011

O TEU LUGAR VAZIO: Av Casal Ribeiro 1




Neste gaveto do oitocentista Bairro da Estefânia existiu um elegante prédio de habitação de 1910 marcando enfáticamente o Largo de D. Estefânia. E nele habitou, durante algum tempo, o poeta Fernando Pessoa. Mas tudo isto parecem ser valores de pouca importância para Lisboa. Depois da nova proprietária do prédio - a empresa CÁFE - o ter votado conscientemente e activamente ao abandono, o pedido de autorização para a sua destruição foi dado pela CML e o imóvel prontamente demolido em 2010. A empresa proprietária foi vergonhosamente negligente e nunca nada fez para salvaguardar o património que tinha nas suas mãos. Aliás, a 23 de Outubro de 2007 teve o atrevimento de iniciar, ilegalmente, a demolição da cobertura do prédio - que só foi travada depois da intervenção da Polícia Municipal! Porque razão a CÁFE nunca foi responsabilizada, penalizada pela CML? Em vez disso foi "premiada" pelo Pelouro do Urbanismo com luz verde para a demolição. Lisboa, cada vez mais uma cidade de lugares vazios.

15/08/2010

Demolição de Morada de Fernando Pessoa

Demolição de uma morada de Fernando Pessoa - Av. Casal Ribeiro, 1-13 / Rua Almirante Barroso, 2-12 - a decorrer sem um pestanejar de Lisboa.

Este prédio de rendimento foi erguido pelo cidadão Francisco Pereira de Almeida nos primeiros dias da jovem República Portuguesa. O projecto foi aprovado a 27 de Outubro de 1910. No nº 12 funcionava a Leitaria Alentejana cujo dono, o Sr. Sengo, acolheu Fernando Pessoa numa altura crítica da sua vida. Pessoa aqui viveu durante dois anos, num sótão, entre 1915 e 1916.

Desde o início de Julho que o prédio está a ser demolido. Após "profunda análise" foi decidido pela CML aprovar a demolição e proceder ao licenciamento de uma nova construção com quase o dobro de área construída. Depois de muitos anos a tentar, a empresa proprietaria (Cáfe) conseguiu o que pretendia, ou seja, degradar até ao limite o imóvel para assim fazer a clássica especulação imobiliária. De facto, durante anos a empresa abandonou o imóvel, abrindo portas, janelas - tendo até o atrevimento de iniciar a demolição ilegal da cobertura (Outubro 2007)! Depois de anos e anos à chuva e à mercê de vandalismos vários, a CML vem agora dizer que o imóvel já não é recuperável. A CML apenas se esqueceu de apurar, e penalizar, os responsáveis por esta condição de "irrecuperável". Os munícipes só podem concluir que em Lisboa o crime contra o património compensa.

Assistimos este ano a uma série de celebrações bizarras do Centenário da República. No início do ano acordamos com a destruição do prédio desenhado pelo Arq. Ventura Terra (Vereador da primeira Vereação Republicana) na Av. da República 46. Agora a CML abençoa a demolição integral deste prédio contemporâneo da implantação da República e com a mais valia de ter sido morada do poeta Fernando Pessoa. Alguém se lembra de um presidente da CML, chamado Santana Lopes, ter prometido aos lisboetas que este prédio não seria demolido? Provavelmente já poucos se lembram. E dentro de alguns meses menos lisboetas se vão lembrar deste prédio no Bairro da Estefânia que durante dois anos foi a casa de Pessoa.

24/06/2010

Começou a demolição de um prédio que teve Fernando Pessoa como inquilino


In Público (24/6/2010)
Por Cláudia Sobral

«Edifício na Avenida de Casal Ribeiro dará lugar a empreendimento de luxo. Directora da Casa Fernando Pessoa não se opõe mas diz que "isto prova que não estimamos o nosso património"

É um prédio de gaveto devoluto, junto ao Largo de Dona Estefânia, com paredes de tijolos a barrar as antigas entradas. Depois de anos e anos de degradação crescente e de polémicas sobre uma eventual demolição, o edifício Arte Nova vai desaparecer, para dar lugar a um projecto de luxo com a assinatura da empresa Cáfe.

Diz-se que foi uma das inúmeras moradas de Fernando Pessoa - a tal Leitaria Alentejana onde, algures entre 1915 e 1916, o senhor Sengo ofereceu dormida ao poeta, num quarto exíguo, que por alguns tempos foi do criador do universo dos heterónimos pessoanos, segundo contou o primeiro biógrafo do poeta, João Gaspar Simões, em Vida e Obra de Fernando Pessoa.

As obras de demolição começaram há pouco - ontem ainda se montavam andaimes em torno do edifício - e deverão estar concluídas dentro de um mês, conforme avançou fonte da proprietária do prédio e responsável pela obra. No seu lugar vai nascer um totalmente novo, de oito andares, para habitação e comércio, no rés-do-chão. Imitará o estilo do antigo, mas será mais alto, à semelhança dos edifícios contíguos, como explicou um funcionário da empresa, que não quis ser identificado.

Nem a fachada se mantém

Segundo a mesma fonte, o prédio chegou a um ponto de degradação que torna impossível a sua recuperação: "O prédio não tem condições físicas para se manter. Nem sequer a fachada." A directora da Casa Fernando Pessoa, Inês Pedrosa, admite que, em certos casos, demolir os edifícios poderá ser a melhor solução. "Se está em degradação, se não está assinalado e se não há lá nada para ver, isto não me choca", afirmou. "Choca-me mais que os locais onde viveu e trabalhou Pessoa não estejam assinalados", acrescentou, adiantando ainda que o facto de ser construído um novo edifício no lugar do antigo não impede que o local seja assinalado como o lugar onde, em tempos, houve outro prédio onde terá vividoFernando Pessoa.

"Se não se pudesse mexer em cada casa onde viveu Fernando Pessoa, não se podia mexer em muitas casas de Lisboa", sublinhou, num gesto de compreensão. E explicou que a casa onde o poeta português viveu mais tempo está preservada, com o quarto tal qual como ele o deixou e com os seus objectos pessoais. "Mas claro que isto só prova que não estimamos o nosso património", rematou a directora da Casa Fernando Pessoa.

A polémica que envolve o prédio da esquina entre a Avenida de Casal Ribeiro e a Rua do Almirante Barroso arrasta-se há quase uma década. Passados nove anos desde que o primeiro pedido de demolição deu entrada na Câmara de Lisboa - recusado em 2003 - o n.º 1 da Avenida de Casal Ribeiro vai mesmo abaixo. Para a Cáfe, o problema dos entraves à destruição do edifício "já está resolvido". O PÚBLICO pediu informações à autarquia, mas não obteve resposta em tempo útil.»

...



O "engraçado" é que foi precisamente aqui, neste blogue, que começou a denúncia desta situação. Na altura foi o "snapshot" aos ladrões que, em cima de escadas, roubavam os azulejos Arte Nova. Feita a queixa à PM, nada aconteceu. E por aqui continuou a denúncia deste caso, para onde, recorde-se, a CML e a Casa Pessoa diziam ter um projecto de conservação e restauro, isto há 6-7 anos. Nada disso aconteceu, claro, e só aconteceu o que vai acontecendo por toda a Lisboa: prédio destelhado, janelas abertas, incêndios espontâneos e depois, zás, projecto de demolição e construção nova aprovado por razões de segurança. É mais um triste episódio num folhetim (resenha feita em 2008) cujo fim não se vislumbra, antes pelo contrário. Até quando?

08/05/2010

Aqui viveu Fernando Pessoa

Aqui viveu Fernando Pessoa em 1915. Num quarto do primeiro andar da Avenida Casal Ribeiro, 1 torneja Rua Almirante Barroso, 2. Este prédio tem a idade da nossa República - foi erguido no final de 1910. Desde 2002 que o proprietário - a Cafe - pretende demolir o imóvel. Primeiro tentou obter aprovação na CML. Mas o pedido foi indeferido. Em 2007 a Cafe iniciou trabalhos ilegais de demolição que foram embargados. Um novo pedido de demolição entretanto entregue já foi aprovado pela CML. É nesta cidade que queremos viver?