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29/10/2019

Vamos despedir-nos da Casa Pereira? Dia 31 de Out. 5ª Feira às 15h (*)


Vamos despedir-nos da Casa Pereira!

Na próxima 5ª Feira, dia 31 de Outubro, às 15h, apareça na Rua Garrett, nº 38 e tente convencer esta loja histórica a não encerrar no final do ano.

Não custa nada tentar.

E aproveite e compre um dos seus artigos que lhe deram fama: café, chá, amêndoas, chocolates, bolachas, compotas, bebidas espirituosas.

Foto © Artur Lourenço

Evento Facebook (organização Círculo das Lojas de Carácter e Tradição de Lisboa): https://www.facebook.com/events/992838707727230/

Este evento foi antecipado para as 15h em virtude de a Casa Pereira, hoje, excepcionalmente, encerrar por volta das 16h.

17/06/2014

Antigo Cinema Londres/CML e Junta Freguesia, é preciso que AJAM E JÁ!


Exma. Senhora Vereadora
Dra. Graça Fonseca
Exmo. Senhor Presidente da Junta de Freguesia do Areeiro
Dr. Fernando Braamcamp


C.C. Presidente da CML, Presidente da AML, Gab. SEC, Media

No seguimento do comunicado emitido esta madrugada pela organização «Mais Lisboa», dando conta do estado de coisas sobre o processo de mudança de uso do antigo Cinema Londres, concluímos que a passagem daquela emblemática sala de cinema da Avenida de Roma a «loja dos 300» está em vias de se tornar irreversível e inapelável, graças à inacção, a nosso ver inaceitável, da CML (pelouro da Economia, Inovação, Modernização Administrativa e Descentralização) e da Junta de Freguesia do Areeiro.

Com efeito, desde o fecho do Londres (previsível e contra o qual também ninguém de direito tentou sequer ténue reacção) que têm sido os moradores e os comerciantes daquela zona da cidade a agir em prol de uma solução digna, perante a evidência de alteração de uso do antigo cinema – recorde-se que não sendo aqueles detentores de qualquer cargo autárquico, os mesmos não têm quaisquer obrigação, compromisso ou responsabilidade pública em agirem de forma tão valorosa quanto têm agido.

Antes, CML e Junta de Freguesia têm-se escudado desde o início na espontaneidade do movimento local, deixando correr o mesmo e passando responsabilidades de uma para a outra, quando não para a SEC, que aqui apenas intervém porque depende dela a autorização de mudança de ramo; o que torna extremamente confrangedor assistir-se ao desenrolar deste processo; processo que se aproxima do seu epílogo.

Não queremos acreditar que a CML e a Junta de Freguesia tenham receio de afrontar interesses terceiros, ou que não saibam o que fazer enquanto Eleitos, que, simplesmente, desconheçam o historial e a popularidade do Londres, ou, pior, ignorem o que foi, é e ainda poderá ser a Avenida de Roma, enquanto exemplo maior do nosso urbanismo (arquitectónico, comercial, social) e eixo económico e cultural da Lisboa moderna.

Apelamos, por isso, a que a CML e Junta de Freguesia, por uma vez, ajam para lá das parangonas dos orçamentos participativos e dos placards de propaganda sobre «governança», boas práticas e um sem-número de outros chavões.

Ou seja, neste momento, para se evitar que o Londres passe a «loja dos 300» é preciso que o projecto alternativo (descrito em anexo) dos moradores e comerciantes tenha a colaboração, efectiva e empenhada, da CML e da Junta de Freguesia, porque a viabilidade do projecto implicará, entre outras coisas, a realização de obras correctivas, sendo preciso garantir a disponibilização de verbas, vontades e equipas técnicas, por via da contratualização entre todas as partes, caso contrário, esta magnífica reacção em cadeia da população terá sido em vão.

E é preciso que CML e Junta de Freguesia ajam já!


Melhores cumprimentos


Bernardo Ferreira de Carvalho, José Filipe Soares, Beatriz Empis, Luís Marques da Silva, Jorge Santos Silva, Fernando Jorge, Júlio Amorim, Virgílio Marques, Jorge Marques, António Araújo, Rossella Ballabio, Rui Martins, Jorge Lima, Bruno Rocha Ferreira

08/11/2013

125 YEARS! | 125 ANOS!


In Lux Lisbon

«Congratulations to this shop for surviving in Chiado for 125 years! - http://www.lisbonlux.com/lisbon-shops/paris-em-lisboa.html - Parabéns à loja "Paris em Lisboa" por resistir no Chiado há 125 anos!»

...

Uma loja que é toda ela um mimo. Por dentro e por fora. Uma das resistentes da Lisboa de antanho. A preservar, classificar, afeiçoar e apoiar, sempre e de todas as formas e feitios.

09/06/2013

"A reabilitação dos bairros de Lisboa vai descer à terra"....



"Todos os dias encerram lojas em Lisboa. Quem anda pelas ruas depara-se com esse cenário, mas dificilmente está a par da crueza dos números: em média, 16 lojas fecham as portas diariamente na capital; por ano, são mais de 5700. É uma bola-de-neve que está a desertificar zonas da cidade onde o comércio desempenhava um importante papel na vida de bairro. Zonas que, sem comércio e sem pessoas, estão em progressiva degradação.

O problema inquietou suficientemente quatro arquitectas para que se pusessem a trabalhar numa solução – e encontraram-na. O resultado é o projecto Rés-do-Chão, que nesta quinta-feira foi distinguido com o terceiro prémio do FAZ – Ideias de Origem Portuguesa, no valor de dez mil euros (o primeiro e o segundo prémios foram entregues, respectivamente, aos projectos Orquestra XXI e Fruta Feia).
 
O plano é simples: devolver as ruas às pessoas. Havia mais um projecto entre os finalistas com o mesmo objectivo. Foi o método proposto para o fazer que entusiasmou o júri do concurso da Fundação Gulbenkian e da Cotec – Associação Empresarial. “A nossa missão é ocupar pisos térreos comerciais vazios através de um novo modelo de arrendamento comercial, fazendo uma ponte entre proprietários e arrendatários”, começa por explicar Marta Pavão.

“Uma das coisas que sabemos é que muitos dos proprietários hoje em dia só estão dispostos a fazer arrendamentos longos, de dois, três, quatro anos, ou a vender. Os arrendatários não querem, e não podem, assumir o risco de arrendar por longos períodos de tempo. O Rés-do-Chão tenta resolver esse problema do mercado, criando esta ponte entre os dois”, aprofunda Sara Brandão, numa conversa a cinco com o PÚBLICO.

Sara Brandão é a única da equipa que vive em Lisboa. A “visionária” desta ideia, Mariana Paisana, está em Ahmedabad, na Índia. Marta Pavão e Margarida Marques trabalham em São Paulo, Brasil. Na última semana, estiveram a aprimorar o projecto. A conversa decorre após essa semana de “treino” e ainda antes de terem conhecimento do prémio. Até aí, só tinham recebido elogios. Poucas horas depois tinham assegurado um financiamento inicial.

Vão apostar numa espécie de reabilitação horizontal, contrariando a tendência de recuperar edifício a edifício. Porquê? “Vamos começar pelo espaço que é vital, porque acreditamos que este é o esforço mínimo possível para conseguir o máximo de reabilitação. Ao conseguirmos reabilitar os pisos térreos, vamos muito mais rapidamente reabilitar o espaço público e incentivar a que o resto aconteça na vertical, nos outros pisos”, afirma Margarida Marques.

“No fundo, isso é parte do modelo inovador do projecto”, diz Sara. “Achámos que devíamos começar pelo layer da rua e não reabilitar a partir dos edifícios individualmente. Primeiro, faremos uma selecção de pisos térreos que não necessitam de obras de grande volume. E acreditamos que isso no futuro vai potenciar investimentos de outras pessoas, de outras entidades, para virem a reabilitar o edificado. Mas neste momento temos de começar pelo que não está extremamente degradado mas está vazio, porque é o mais rápido e mais eficaz.”

Intervenção no bairro de São Paulo
O Rés-do-Chão vai começar pelo bairro de São Paulo, ao Cais do Sodré. “Falámos com a Câmara [Municipal de Lisboa] para perceber se era ou não um lugar o estratégico. Disseram-nos que sim, explicaram-nos que dentro dos programas BIP-ZIP [Programa Local de Habitação] é um dos bairros considerados de intervenção prioritária”, conta Marta Pavão. “Toda esta zona ribeirinha tem uma série de planos de desenvolvimento futuros. O Cais do Sodré tem uma série de dinâmicas associativas e muitas instituições vão mudar-se para aquela zona”, atalha Sara Brandão.

“No futuro, aquela zona vai necessitar de novos serviços, de novas actividades, de novas dinâmicas e, além disso, está neste momento muito degradada e muito desertificada”, continua. “E é uma zona com um património incrível.” Acresce que o bairro tem matéria-prima em quantidade para o Rés-do-Chão trabalhar: segundo Sara Brandão, “mais de metade dos pisos térreos está neste momento vazia”.
Feita a intervenção, seguirão para outros bairros. “O objectivo é que as pessoas se apropriarem disto e não sermos necessárias daqui por um tempo”, explica Margarida Marques. Sara Brandão sublinha por seu lado que “é necessário capacitar a população e a comunidade para que as suas ruas não estejam vazias”. E é por isso que pretendem envolvê-las no processo. “Queremos desenvolver parcerias com a comunidade local, artistas locais, residentes – é muito importante este envolvimento. A nossa ocupação não será indiferenciada do lugar e do contexto”, diz.

Também não será indiferente à altura do ano. Mariana Paisana, a autora da ideia, lembra que existem oportunidades de negócio sazonais que não devem ser esquecidas – comerciantes que têm produtos para vender em alturas como o Natal, a Páscoa ou o Verão, mas que não têm como manter uma porta aberta o resto do ano. É para criar este tipo de oportunidades de negócio e de dinamização os espaços que nasce o Rés-do-Chão.

“O que nós percebemos foi que neste momento o comércio, como nós o conhecemos, não está a funcionar. E portanto o que queremos é dar possibilidades às pessoas de encontrarem novas maneiras de trabalhar nesta nova maneira de ver a economia”, afirma Mariana Marques.

“Quando não há arrendatários, nós próprias acabaremos por ocupar os espaços com actividades que gerem receitas e que dinamizem esses espaços”, adianta Margarida Marques. Por outro lado, as quatro arquitectas também pretendem que “o Rés-do-Chão seja responsável pela dinamização de alguns pisos térreos estratégicos na cidade para conseguir receitas que garantam a continuidade da iniciativa”.

O grande desafio, para já, será fazer do bairro de São Paulo uma zona tão movimentada de dia quanto é de noite. Ou, pelo menos, diminuir o fosso entre o número de pessoas que acorrem ao Cais do Sodré nos diferentes momentos do dia. O primeiro passo será disponibilizar a informação que estão a recolher, sobre as necessidades daquela zona, sobre as últimas lojas que fecharam e porquê, para que os potenciais futuros ocupantes destas ruas saibam “o que faz sentido neste momento naquele bairro”."

Por in Público 
 
 

24/03/2013

E estamos assim:


Aanúncio em loja da Rua do Carmo, antes da loja Ana Salazar. Portanto, haja quem o compre e coloque na sua moradia 'arquitonta'. Urbanismo comercial, que é isso? Plano de Pormenor e de Salvaguarda da Baixa, que é isso? Comerciantes do Chiado, Valorização do Chiado, que é isso? UACS, que é isso?

22/12/2012

A morte das padarias....


..algures nas Avenidas Novas

 Por toda Lisboa vamos assistindo ao último suspiro destes estabelecimentos. Os hábitos vão mudando....e cada vez somos mais consumidores anónimos nas bichas dos supermercados. A próxima (e maior) machadada no comércio de Lisboa, será quando uma geração de comerciantes envelhecidos....fechar as suas portas para sempre.

25/01/2012

De que estão à espera para agir coercivamente?


Era suposto que o quarteirão, ou melhor, a frente de rua da Versailhes na Av. República, estivesse em perfeito estado. Mas não está, longe disso. A famosa e "exquisite" Casa Xangai, essa, continua a resistir à degradação mas o resto do prédio não, como se comprava nesta foto do blogue Estado Sentido. Cadê o Urbanismo Comercial? E o chavão do "comércio tradicional e de carácter"?

20/01/2012

Ourivesaria Aliança,Rua Garrett,Adeus!







"A fabulosa Ourivesaria Aliança vai fechar na Rua Garrett.O engraxador ,mesmo em frente e que já fotografei para este blogue ,fechou.A magnifica sala com as cadeiras e suportes de engraxar está destruída.Um pouco mais acima fechou a Alfaiataria Piccadilly,infelizmente não fui a tempo. (Fechou também a mercearia Açoriana na rua da Prata,também fotografada). A Rua Garrett e o Chiado vão perdendo os seus tesouros em nome de um falso progresso.Gosto de lojas novas, tantos projectos bonitos que por aqui têm passado,mas não compreendo como não se faz um esforço para preservar o que vale a pena.A cidade vai perdendo a alma,ganha outra, dirão os mais optimistas,eu gosto da mistura das duas.Do novo e do antigo. O eléctrico 18 não vai acabar mas é reduzido a metade,em vez de se desenvolver esta vertente de transportes,ecológica e que é cada vez mais uma imagem de marca da cidade reduz-se,apoia-se o transporte eléctrico individual em detrimento do colectivo.Constava do programa de quem ganhou as eleições precisamente desenvolver e ampliar a rede de eléctricos.Afinal o sentido é o inverso, a CML diz que está satisfeita! Quanto ao comércio já estava também na hora de se fazer um levantamento do comércio histórico e significativo da capital. Lisboa merecia que se salvaguardassem as suas riquezas.Lisboa é uma cidade muito bonita e atraente mas os seus recursos não são infinitos e não há o direito de se desbaratar assim um património tão importante.Desculpem o desabafo,porque este tem sido sempre um blogue positivo,fica aqui esta excepção, mas tudo o que é demais...Obrigado a todos. "                          

 Texto e fotos: Blogue "Diário de Lisboa". http://www.facebook.com/pages/Di%C3%A1rio-de-Lisboa-The-Lisbon-Diary/232117360138206?ref=tn_tnmn
 http://www.lisboadiarios.blogspot.com/

15/12/2011

Next 2


Aprovada que foi em sessão de CML de Janeiro de 2010 a transformação em hotel do prédio da Rua Garrett, nº42-52 (592/EDI/2009), e iniciada que foi nos últimos dias a "operação despejo" dos seus locatários, espera-se, não só, que seja cumprida a intenção do projecto "o projecto prevê preservar as fachadas, a cobertura e a estrutura interior com algumas alterações sendo as mais significativas a relocalização da caixa de escadas, a remoção das varandas a tardoz e a reinterpretação da métrica dos vãos das lojas", mas que, sobretudo não se toque minimamente na Ourivesaria Aliança, POR FAVOR.



Que a CML não embarque em nova asneira como fez com o correeiro Vitorino & Sousa, da Rua dos Correeiros e deixe o promotor (Solayme Real Estate, SA) desembaraçar-se de uma loja como esta, se for essa a sua intenção. A Aliança merecia, por si própria, o estatuto de Imóvel de Interesse Público, independentemente de se encontrar na área de protecção da Baixa, seja lá isso o que for. ATENÇÃO!



Foto

24/11/2011

Lojas do Bairro Alto tentam travar limitação de horários

In Público (24/11/2011)
Por Cláudia Sobral

«O despacho que antecipa o horário de fecho entra hoje em vigor (PÚBLICO/arquivo)
Os proprietários das lojas de conveniência do Bairro Alto não baixam os braços na guerra com os bares e a Câmara de Lisboa, que querem acabar com a venda de bebidas alcoólicas em garrafas de vidro para a rua. O despacho do presidente da autarquia, António Costa, para antecipar o horário de fecho destes estabelecimentos para as 20h no bairro entra hoje em vigor, mas vários vão manter portas abertas para lá do novo limite.

Alguns dos donos interpuseram providências cautelares, tentando suspender o despacho publicado há uma semana. E já ao final da tarde de ontem o Tribunal Administrativo de Lisboa suspendeu a sua aplicação em duas lojas, informou a advogada que tem representado os proprietários, Carla Lencastre. O PÚBLICO questionou a Câmara de Lisboa sobre se, apesar disso, se mantém a intenção de começar hoje a fiscalização do cumprimento da medida, mas já não foi possível obter uma resposta.

“Quem não está acautelado pode ser obrigado a fechar”, diz Carla Lencastre. “Mas as notícias, na perspectiva dos lojistas, são óptimas”. A advogada adianta que a Associação de Pequenos e Médios Empresários do Bairro Alto “tem também medidas previstas” para tentar impedir a aplicação do despacho. Isto porque “fechar às 20h implica o encerramento definitivo”, garante. “É impossível, a facturação é igual a zero ou pouco mais.”

Já no ano passado a autarquia tentou antecipar – das 2h para a meianoite – o horário das lojas de conveniência, que vendem bebidas a preços muito mais baixos do que os bares, e em garrafas grandes.

Sem sucesso. Os argumentos do município eram os mesmos: a medida visa assegurar “o equilíbrio comercial e a preservação da qualidade de vida dos moradores da zona”, lê-se no despacho, em que a actividade de venda de bebidas alcoólicas a retalho é descrita como “gravemente prejudicial para a segurança e saúde pública”. A venda de garrafas em vidro, lê-se ainda, é “geradora de insegurança para pessoas e bens”, já que as garrafas são “facilmente projectáveis e utilizadas como arremesso”.

Apesar de satisfeito, o presidente da Associação de Comerciantes do Bairro Alto, Belino Costa, tem algumas dúvidas sobre se ela terá efeitos práticos no combate ao botellón naquela zona da cidade, a prática de consumir bebidas alcoólicas rua fora. “A polícia municipal vem para o Bairro Alto e só fiscaliza os bares”, conta.»

18/10/2011

A Arqueolojista


«A ARQUEOLOJISTA, um site dedicado às lojas antigas lisboetas e aos tesourinhos do comercio tradicional!».

Que tenha vida longa!!

03/06/2011

As lojas mais antigas da Baixa lisboeta

In Diário de Notícias (3/6/2011)
Por Inês Banha

«Martinho da Arcada
Praça do Comércio, n.º 3 > Tel. 218 866 213

Foi no ano de 1782 que, no Terreiro do Paço, surgiu o café que rapidamente se tornou uma preferência para diversas classes sociais. Ao longo de mais de dois séculos, o Martinho da Arcada foi eleito como ponto de encontro de governantes, políticos, militares, artistas e literados. Destes, destaca-se Fernando Pessoa. Este espaço continua a ser procurado para tertúlias e convívios, mantendo a tradição secular.

Conserveira de Lisboa
Rua dos Bacalhoeiros, n.º 34 > Tel. 218 864 009

Tricana, Minore Prata do Mar, marcas próprias da conserveira, cobrem as prateleiras de madeira da loja da Rua dos Bacalhoeiros. Fundada em 1930, a Conserveira de Lisboa é um estabelecimento familiar, fiel à qualidade e à tradição. Enquanto se perdem entre as dezenas de variedades disponíveis, os clientes podem ainda ver o processo de embalagem manual das conservas, nos característicos rótulos coloridos.

Charcutaria Nova Açoreana
Rua da Prata n.º 116-118

A charcutaria que já ocupava o n.º 116-118 da Rua da Prata há mais de 120 anos fechou as portas no dia 14 de Maio. Depois de mais de um século a enriquecer o comércio da Baixa lisboeta, com os seus produtos típicos e muito apreciados, tornando-se um elemento indispensável para os seus clientes habituais, a Nova Açoreana vai dar lugar a um hotel. Muitas idosas da Baixa contavam com as entregas ao domicílio da Nova Açoreana.

Drogaria e Perfumaria S. Pereira Leão, Lda.
Rua da Prata, n.º 223 > Tel. 213 423 320

É uma das duas drogarias que ainda mantém as portas abertas na Rua da Prata. Fundada por espanhóis em 1890, a antiga Drogaria Alvarez, que em 1964 mudou de proprietários e de nome, mantém a traça original e ainda vende perfumes avulso. Mas não se ficam por aqui os cheiros; há sabonetes de várias marcas e todos os produtos típicos de drogaria.

Luvaria Ulisses
Rua do Carmo, n.º 87-A > Tel. 213 420 285

Apesar das suas dimensões reduzidas, a Luvaria Ulisses não passa despercebida na Rua do Carmo. Foi fundada em 1925 por Joaquim Rodrigues Simões, numa época em que as luvas eram um artigo com muita procura. A concorrência desapareceu e a luvaria é agora um dos poucos estabelecimentos do ramo. E se muitos entram ali por curiosidade, há quem não resista e acabe por levar um dos pares de luvas que polvilham os expositores.

Joalharia do Carmo
Rua do Carmo, n.º 87-6 > Tel. 213 423 050

O empresário António Champalimaud foi um dos muitos clientes ilustres da joalharia. Situada na Rua do Carmo desde 1924, a loja da família de Alfredo Alberto Sampaio sentiu o incêndio do Chiado de 1988 muito perto. Resiste, grandiosa. Apesar de continuar a ser uma joalharia de referência na alta sociedade, sofre com a falta de investimento dos seus clientes e com a concorrência dos centros comerciais.

Confeitaria Nacional
Praça da Figueira, n.º 18 > Tel. 213 424 470

A confeitaria que introduziu em Portugal o apreciado bolo-rei nasceu em 1829, pela mão de Baltazar Castanheira, na Praça da Figueira. Antiga fornecedora da Casa Real, a Confeitaria Nacional é procurada e recomendada internacionalmente, pela qualidade dos seus produtos, de produção própria. Mais do que as suas salas de chá e de refeições muito procuradas, são as montras recheadas que abrem o apetite de quem passa.

Café Nicola
Praça D. Pedro IV, n.º 24-25 > Tel: 213 460 579

Inicialmente chamado "Botequim do Nicola", um dos primeiros cafés de Lisboa, inaugurado no século XVII em plena Praça do Rossio, foi o estabelecimento eleito por grandes personalidades da época, como Bocage. Apesar de ter acabado por encerrar em 1928, é recuperado por Joaquim Albuquerque, com o nome Café Nicola, e reconquista a preferência da elite. O seu interior moderno e requintado é apreciado por muitos turistas.

Ginjinha
Largo de São Domingos, n.º 8

A qualquer hora do dia, a Ginjinha dá vida ao Largo de São Domingos, ao Rossio, com o entra e sai constante dos seus clientes, que se fazem notar antes de conseguirmos avistar o pequeno estabelecimento. É fruto da ideia de Francisco Espinheira, que, em 1840, se aventurou na mistura de aguardentes, ginjas e outros ingredientes, da qual resultou a marca registada Ginja Espinheira. A tradição continua.

Chapelarias Azevedo Rua, Lda.
Praça D. Pedro IV, n.º 69, 72-73 > Tel. 213 427 511

Fundadas em 1886 por Manuel Aquinó Azevedo Rua, as Chapelarias Azevedo Rua, Lda. saltam à vista pelas suas montras e pelo seu interior tradicional. Situam-se na Praça D. Pedro IV (Rossio), antigamente conhecida também como a Praça dos Chapeleiros. Foi aqui que o Marquês de Pombal concentrou todas as lojas do ramo da chapelaria. Os outros fecharam, resiste a Azevedo Rua, com boinas, calepinas e chapéus para todos os gostos.

Restaurante Leão D'Ouro
Rua 1.º de Dezembro, n.º 103-107 > Tel. 213 428 185

Conhecido por ter sido o espaço onde se formou o Grupo do Leão, um grupo de naturalistas, ao qual pertenciam personalidades como os pintores António Ramalho e Columbano Bordalo Pinheiro, o restaurante foi fundado em 1845. A sua fachada da altura do Projecto da Restauração, de 1640, e o seu interior com características ainda fiéis aos seus primórdios e o seu ambiente continuam a cativar quem passa.

Pastelaria Suíça
Praça D. Pedro IV, n.º 99 > Tel. 213 214 090

A Pastelaria Suíça foi fundada em 1922 por Isidro Lopes e Raul de Moura. Na altura da II Guerra Mundial, esta pastelaria foi a eleita por muitos dos refugiados provenientes da Europa Central, tornando-se o seu local de encontro e lazer. Por isso nasceu a esplanada, para aumentar a capacidade. Frequentada por ilustres, como o general Humberto Delgado, ainda nos dias de hoje continua a ser a eleita de muitos.

Património. Está a nascer uma nova Baixa, onde novos e velhos estabelecimentos comerciais têm possibilidade de sobreviver. Quem o diz é o presidente da Associação de Dinamização da Baixa Pombalina (ADBP), Manuel Lopes, lembrando, no entanto, que é preciso que as lojas do comércio dito tradicional se adaptem aos novos tempos para que não se perca uma parte importante do património da capital. Isto num altura em que, apesar da substituição do tecido comercial em curso na Baixa, o número de estabelecimentos tem, segundo dados a autarquia, vindo a baixar - em 2009 eram 884, depois de em 2000 terem chegado a ser 1032.

No lugar de algumas que fecham, abrem outras. São sobretudo lojas de chineses ou paquistaneses, mas também de jovens empresários com novas ideias. E todos eles são bem-vindos. "A juventude traz dinâmica à Baixa, e é possível uma interligação entre o presente e o passado", diz Manuel Lopes. Inês Banha»

22/05/2011

Rua Garrett: Alfaitaria Piccadilly fechou

Fechou para dar lugar ao novo hall de entrada dos apartamentos "de luxo" que estão a ser criados nos pisos superiores déste imóvel pombalino. Para que serve a Carta Municipal do Património da CML? Talvez para quase nada. Talvez para parecer que somos civilizados.

16/05/2011

A baixa e o encerramento da Nova Açoriana.



Nova Açoreana
A última mercearia da Baixa
por FERNANDA CÂNCIO

Na esquina da Rua da Prata com a de S. Nicolau, aguentou-se mais de cem anos para dar agora lugar à recepção de um hotel. Derradeira do seu género, era "um trabalho de amor". Morre de pé mas com muita mágoa.

Mariana Alves tem 75 anos e não sai de casa há muito tempo. Culpa o quarto andar sem elevador e a "falta de paciência para se arranjar". Uma eremita que depende assim da empregada doméstica e das "meninas da mercearia" para manter o contacto com o mundo. Se tem uma dor, se precisava de um medicamento ou de qualquer outra coisa, é para a Nova Açoreana que liga. Praticamente todos os dias - "Mesmo se às vezes não precisasse tentava arranjar alguma coisa para elas virem trazer as compras. Costumava falar com elas, até lhes contei a minha vida toda".

Avisada no início de Maio de que "as meninas" iam, com o fim da mercearia, deixar de ser o seu apoio domiciliário, esta ex-funcionária dos Correios conta agora receber os mantimentos através de um minimercado da zona, que foi contactado pelas empregadas da mercearia. "Foram lá pedir para me virem trazer as coisas". Habituada a pagar mensalmente, aquando da recepção da pensão, não quer falar do assunto. Mas Helena Catarino Duarte, a mais antiga funcionária da Nova Açoreana e também residente da Baixa, confidencia que assumiu a responsabilidade perante o estabelecimento , para que a antiga cliente possa continuar a fazer as contas ao mês. "Sei que é uma senhora muito certa nesse aspecto, e como eles não queriam correr o risco, disse-lhes que se houvesse algum problema eu resolvia."

O mesmo fez em relações a outras clientes certas da mercearia, como Mónica e Conceição Almas, duas irmãs de 85 e 91 anos que moram num quarto andar também na rua da Prata. "Tenho saudades das meninas - fazem-me falta, tenho muita pena delas, de se irem embora", lamenta a mais nova. "Faz de conta que era uma pessoa da família, precisava de uma coisa qualquer, telefonava, faziam assim uns jeitinhos, uns recados." A morar na Baixa há 26 anos, esta ex-modista sai, assim como a irmã, mas para carregar com pesos contava com o serviço da mercearia. "Eu passo lá e trago uma coisa ou outra mas quando é mais coisas elas não me deixam trazer."

Não, não é todos os dias que se depara com um negócio assim. A equipa da Nova Açoreana, que conta com três funcionária mais a dona, Cristina Maneira -47 anos com o curso de Direito incompleto, toda a experiência profissional na área da informática e das novas tecnologias, há 10 feita merceeira - vai deixar saudades e não só nas clientes idosas dos últimos andares. Limpa, bonita (foi reabilitada quando Cristina tomou conta dela), arrumada e bem fornecida, com produtos regionais e uma garrafeira aprimorada, esta loja fazia parte dos roteiros obrigatórios de turistas e residentes, mantendo a respiração de bairro numa zona em que o comércio de proximidade foi desaparecendo. Testemunha disso é Maria Helena Catarino Duarte, que aos 69 anos acumula quase 52 (completar-se-iam em Julho) na N.A. "Foi o meu primeiro e único emprego. Vim trabalhar aqui porque os patrões moravam em frente da casa dos meus pais, em Belém. Eram o Sr. Lourenço e a D. Rosa, que tinham como sócio o Sr. João da Costa [cujo nome se lê numa bela tabuleta anos 30 afixada na parede em frente à porta do estabelecimento]. Vim trabalhar na caixa, ainda hoje há clientes que me chamam 'a menina da caixa'." Foi na N.A. que Helena Duarte conheceu o marido, contratado como motorista da carrinha que fazia as entregas. "Tínhamos imensa clientela, gente que vinha de longe para fazer encomendas. Faziam o rol e púnhamos aquilo tudo em cestos e ia-se fazer a entrega. Fornecíamos hotéis - o Eduardo VII, o Avenida Palace e até havia um em Cascais que nos gastava os presuntos. A casa tinha muita saída por termos produtos que nos distinguiam. Tínhamos fornecedores de queijos da Serra da Estrela, recebíamos pão de centeio de Moncorvo, Trás-os-Montes, três vezes por semana, até deixarem de fabricar, e o pão alentejano vinha, como até agora, de Casa Branca, de Évora."

Lembra uma rua da Prata "cheia de mercearias e manteigarias", e com clientela para todas. "Depois, foram fechando. Apareceram os supermercados e o negócio foi decaindo." Em 1989, o patrão Lourenço morreu e a loja entrou em auto-gestão. Os três empregados - Helena, o marido Alfredo e o colega Santos - mantiveram o negócio à custa de muito trabalho e dedicação, fazendo tudo, das compras às contas. Foi assim até que Cristina Maneira, cujo marido advogado era detentor de parte da sociedade, comprou o resto e assumiu a direcção da mercearia. Fechou-a para obras, fez uma garrafeira na cave e resolveu especializar-se em produtos gourmet e regionais. "Pensei: 'Não percebo nada disto, mas vou aprender' - e vim para aqui aprender com os empregados. E aprendi muito, até sobre a vida em si, sobre o que é o atendimento, o tratar o cliente. Porque há um grande problema no país com o prestar serviço, e acho que é com toda a honra que servimos. Ao princípio ainda pensei fazer tudo com produtos biológicos mas quando me deparei com a realidade que era a Baixa, tive um choque. E virei-me então para os produtos regionais, para representar o que temos de bom e a pensar também nos turistas. Os estrangeiros vinham, às vezes voltavam ano após ano, e elogiavam muito. Chegavam a perguntar 'Vocês são subsidiados, não?'" Ri. "Hoje em dia sinto que o objectivo a que me propus estava conseguido. Mas tenho muita pena que este espaço, com esta história toda, feche. É uma mercearia com 100 e tal anos e com este carisma é a última da Baixa. Ainda há bocado um senhor que vinha sempre comprar aqui uns queijos perguntava: 'E agora onde é que vou conseguir comprar?'"

A decisão é recente, de finais de Março. "O prédio foi comprado. Estava no processo de se transformar num hostal e era suposto podermos coexistir, tanto que o ano passado tivemos de suportar as obras. Mas entretanto o snack bar do lado fechou e aí mudou o projecto, quiseram passar isto a hotel e usar o espaço da mercearia, dizem que a entrada vai ser por aqui e na cave farão a sala de refeições." Referindo que o quarteirão que fica por trás da loja vai ser outro hotel, Cristina manifesta estranheza com a ideia de uma Baixa monotemática. "Se isto é para ser um centro comercial devia ter várias ofertas diferentes. Que graça tem hotéis no centro se depois as lojas tradicionais desapareceram todas?"

Frisando que "nunca tirou um tostão da loja e que o conceito da sociedade não era distribuir dividendos", Cristina diz sair "de cabeça levantada e com as contas fechadas". "Com muita pena, até porque senti sempre muito o peso da responsabilidade de ter pessoas a trabalhar para mim." Quanto à tristeza, fala dela com um sorriso. "Acho que ainda estou acelerada, a tratar de tudo. Triste vou ficar depois. Aí vem o down, porque era uma carolice, um trabalho de amor. Isto tem tanto de mim, que horror. Mas só sei fazer assim."

É também com sorrisos, tanto mais corajosos quanto ficam as duas no desemprego, que Elizabete Santos e Carla Rigueira, "as meninas", 39 anos ambas, falam do fim. "Algumas pessoas estão muito dependentes de nós e isso causa-me angústia", diz Carla, que partilha com a patroa o curso de Direito inacabado e há três anos respondeu a um anúncio para trabalhar como merceeira. "Havia clientes que ligavam a pedir para irmos lá a casa trocar uma lâmpada. Gostei especialmente dessa proximidade. E é difícil pensar que acabou. Não tenciono cortar laços, de todo, com algumas pessoas vou continuar em contacto, mais que não seja um telefonema de vez em quando." Elizabete, que só estudou até ao 6º ano devido à morte do pai e à necessidade de "ajudar a mãe a sustentar a casa", começou a trabalhar com 13 "a fazer companhia a pessoas de idade" e esteve ao todo 13 anos e sete meses na Nova Açoreana. "Gosto deste tipo de trabalho, acho que é o que mais gosto de fazer. Está-se em contacto com todo o nível de pessoas, e dá-se assistência. A Baixa está cheia de pessoas de idade sem ninguém e damos um pouco de nós e ouvimos um pouco delas." Suspira. "E esta é um bocado a minha segunda casa, a minha filha foi criada aqui, trazia-a no carrinho porque não tinha quem ficasse com ela. Tenho tanta pena que se vier à Baixa pedir emprego não quero passar nem perto."

Helena Duarte, que viu correr a história pela montra do 116/118 da Rua da Prata, elegendo "como auge, apoteose", o 25 de Abril e como pior as cargas policiais sobre os estudantes e os bancários durante a ditadura, vai para casa fazer companhia ao marido, que apesar de reformado ainda fazia as compras para a loja. E, como a colega Elizabete, teme defrontar-se com a destruição da memória. "Logo que isto comece a ser desmanchado nem quero passar aqui, dói-me muito."

(in Diário de Notícias).

Fotografias :Diario de Lisboa Blog -  Natal 2010


É difícil, para quem se tem dedicado no blogue "Diário de Lisboa" a tentar valorizar diariamente a cidade assistir a mais este encerramento na baixa Lisboeta. A Nova Açoriana é uma referencia, vem em todos os bons roteiros e é uma daquelas lojas que passam a ser muito mais que um simples estabelecimento comercial. O comércio é um pilar fundamental da vida na cidade,é um pólo de atracção e um factor de desenvolvimento com funções  que muitas vezes passam muito do simples negocio. A nova Açoriana há muito que tinha atingido esse estatuto, a sua importância não se pode medir apenas pelos seu metros quadrados. Na baixa de Lisboa têm ultimamente aparecido algumas boas novas lojas, de empresários que arriscam e apostam em abrir onde é mais complicado, que sentem prazer e vontade de fazer coisas, mas estes novos investimentos necessitam da âncora dos investimentos antigos, destas lojas que fazem parte da história, que são de uma importância vital para a sobrevivência da Baixa.Apenas a conjunção e a mistura do novo com o antigo , do moderno com o tradicional pode fazer a diferença.Apenas esta mistura e este complemento podem ser a salvação da baixa,uma coisa não sobrevive sem a outra.
O encerramento da Nova Açoriana não é apenas o encerramento de mais uma loja,é o encerramento da última mercearia da baixa Lisboeta.Não por motivos económicos mas sim por motivos estratégicos de quem continua a pensar a cidade apenas no momento imediato pouco se preocupando com as consequências a longo prazo.Este encerramento segue-se a outros e outros se seguirão.A baixa vai ficando mais pobre e o que mais impressiona é a passividade da CML e sobretudo do seu Presidente. Ao lado, a rua da Conceição, rua museu como já lhe chamaram, sofre do mesmo abandono e apenas a persistência dos lojistas a faz resistir.A mercearia será transformada numa recepção de hotel,os hotéis fazem falta mas não podem ser construídos a torto e a direito, tem que existir um equilíbrio e isso não parece ,de todo, estar a acontecer. Este comércio tradicional precisa ser protegido e incentivado, não com dinheiro mas com apoios e sobretudo com reconhecimento do seu enorme valor.
Diario de Lisboa.

16/09/2010

"Lojas-museu" quase extintas

In Jornal de Notícias (16/9/2010)
Telma Roque


«Se Celestino Almeida cobrasse dinheiro por cada fotografia que os turistas tiram à sua mercearia quase centenária – sobretudo estrangeiros – teria certamente um bom pé de meia para deixar aos filhos. Mas não. Recebe-os a todos com um sorriso aberto na loja onde atende clientes há sete décadas. Na “Pérola de S. Mamede”, situada na Rua Nova de S. Mamede, em Lisboa, respira-se o ambiente de uma mercearia de bairro dos anos 30.

A “Pérola” é quase uma “loja-museu”, um exemplar em vias de extinção. Na capital, são já poucas as lojas com interiores de reconhecido valor patrimonial, pela arquitectura ou materiais decorativos. E o que resta tem futuro incerto. Ainda esta semana, a Câmara embargou obras ilegais que decorriam no interior da antiga Drogaria Oliveirense, que aguarda classificação municipal.

A autarquia não conseguiu ainda notificar o proprietário, nem verificar a dimensão dos estragos. Foi o próprio presidente da Junta de Freguesia da Lapa, Nuno Ferro, que denunciou o caso. "Quem estava lá a trabalhar saiu para almoço e fechou tudo. Não sabemos o que foi estragado", explicou o autarca, lembrando que aquela drogaria existia, pelo menos, desde 1895, e tinha uma imagem Arte Nova do início do século passado.

Tanto a antiga Drogaria Oliveirense como a mercearia de Celestino Almeida aguardam por classificação. A proposta de salvaguarda foi aprovada em 2008, por iniciativa dos vereadores do grupo Cidadãos por Lisboa. Os vereadores, entre os quais Helena Roseta, propunham que fosse feito o levantamento das lojas de comércio tradicional para as incluir, em sede de revisão do Plano Director Municipal, na carta do Inventário Municipal de Património, e eventualmente abrir um processo de classificação. Pediam ainda que fossem estudados apoios aos proprietários. Nada foi ainda feito.

Coube a Helena Roseta – esta semana presidente em exercício, pelo facto de António Costa e o seu vice-presidente estarem ausentes em trabalho na China – decretar o embargo. Espera ter agido a tempo. “Não deitem abaixo os interiores destas lojas, que são fantásticos”, apelou a vereadora.

"Esses apoios são muito necessários. No outro dia, entrou aqui um homem que mora no Alentejo e disse-me que lhe ofereceram um subsídio para fazer obras e conservar a traça original. Gostaria de ter benefícios semelhantes", diz Celestino Almeida.

A mercearia está na família há três gerações. Celestino herdou o negócio dos padrinhos. “Fui trabalhar para lá aos 10 anos. Foi um castigo por não querer estudar”, revela. Completa este mês 78 anos e partilha o balcão com a mulher Maria há 54 anos. “Não haverá quarta geração. Os filhos não querem saber disto”, lamenta.

Grande parte da fiel clientela já morreu. Celestino continua a ter as portas abertas, mas há muito que deixou de vender com medidas e pesos. Tudo se vendia aos poucos. Meios decilitros de azeite eram vendidos em cartuchinhos de papel para regar um prato de peixe. O sabão era retalhado em pequenas barras e, por vezes, vendia cinco tostões de manteiga para barrar uma carcaça.»

22/04/2010

Duas perguntas dirigidas às chefias da C.M.L.








Caros Amigos (as)
Como sempre, um factor externo veio impôr disciplina, e assim a visita do Papa veio definir uma "death line" para a conclusão do pavimento do Terreiro do Paço.
Os trabalhos continuam a bom ritmo e pode concluir-se que o resultado final é digno, agora que o bom senso prevaleceu e que os clamores e protestos externos foram ouvidos, neutralizando "cartas de marear", "gatafunhos" e "mikados" nos passeios laterais, "verdetes" e "tartan" na placa central e "plataformas" no Cais das Colunas ... Ficaram-nos os degraus agora aparentemente integrados ... Mas em relação a isto há desde já um aviso a fazer ... Reparem que os degraus já estão enegrecidos pelos rodados das pranchas de "skate" e as arestas fendidas e afectadas.
Tendo em conta o facto de que a obra ainda não está concluida teme-se o pior .... Comparem com a situação na Praça da Figueira que podem avaliar nas fotos seguintes ... daí poder-se-á concluir o que irá acontecer se medidas não forem tomadas.
O seguinte conjunto de duas imagens referem-se à loja à esquina da Praça da Figueira, a antiga Manteigaria "União", que apresenta interessantes interiores intactos ... tendo em conta que se encontra no edifício do futuro Hotel de qualidade que pretendem instalar neste bloco, a pergunta fundamental é ... Será este importante interior preservado e integrado no Hotel ? .... ou vamos ter mais uma história parecida com o Correeiro ?
Saudações de António Sérgio Rosa de Carvalho

30/11/2009

Baixa de Lisboa: vai um cafezinho?

Comerciantes da Baixa lisboeta vão voltar a adoçar as vendas de Natal entre terça-feira e dia 20 ao oferecer pastéis de nata, cafés, chocolates quentes e bilhetes para o teatro numa tentativa de atrair mais clientes.

No ano passado, quando a Associação de Dinamização da Baixa Pombalina promoveu a iniciativa pela primeira vez, os consumidores «acharam interessante» receber senhas para um pequeno lanche - um pastel e um café - ao fazer compras, em alguns casos com um valor mínimo exigido.

Durante uma semana, 2500 clientes receberam uma senha, utilizada depois em pastelarias da zona.

In Agência Financeira