Esteja atento às várias iniciativas em perspectiva:

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30/11/2013

Série Avenidas - 2 - Avenida Duque de Loulé (3)

Prédio gaveto. Precisa de obras urgentes. Mas é, sem dúvida, mais uma das presenças marcantes na Avenida Duque de Loulé, 17/11/2013

Embora escasseiem, os bons exemplos existem. Esta moradia foi alvo de um bom restauro. Sabemos que nem todos os edíficios deste período teriam categoria para ter sido salvos. Mas quando a arbitrariedade e o oportunismo mandam mais do que o elementar desejo de ter uma cidade equilibrada e bonita, a hecatombe é geral e todos os exemplares que sobreviveram, deveriam ser preservados. Há bancos de dados, há bancos de livros, há bancos de dinheiro, façam-se bancos de edíficios.  Perpendicular à Av. Dq de Loulé, 17/11/2013

Aqui está, posto na prática, o desvario colectivo que tem tomado conta da cidade. Se é para construir esta "obra-prima", por que razão deitaram abaixo o prédio anterior com varandim e volumetrias muito mais interessantes. A pressa em fazê-lo foi grande, o inútil está ainda para arrendar. Avenida Dq. de Loulé. 17/11/2013

Facahada em vidro espelhado da maravilha anterior. Em reflexo vê-se a fachada de um digníssimo Arte-Nova., felizmente bem restaurado e poupado à fúria com que arquitectos e engenheiros têm vindo a arrasar o legado fim-de-século de Lisboa. Disseram-lhes um dia que nada disto era arquitectura e que Arte-Nova em Lisboa não existia. para obras-primas desse período, deveríamos todos rumar a Viena, Bruxelas,  Barcelona, etc. Felizmente, nem todos acreditaram. Há sempre quem resista. Av. Dq. de Loulé a dar para a R. de Sta Marta. 17/11/2013

Sobre este muito tem sido dito por aqui. Já foram pedidas justificações à CML,  à Provedoria que agisse, aos pelouros que nos dissessem porquê. Este prédio é um colosso que vence o desnível Dq. de Loulé - R. de Sta. Marta de uma maneira invulgar para a época, mais de seis andares envolvidos numa fachada de grande qualidade. Tudo é hoje um buraco. Parece que o próprio prédio não teria resistido a tantos anos de abandono, tendo parte da sua estrutura descaído. A solução (?) seria o abate total ou salvar-lhe a cara, dando-lhe um novo interior. Ganhou a segunda. Avenida Dq. de Loulé, 17/11/2013

Aspecto da parte de cornija da fachada que dá para a R. de Sta. Marta. Avenida Dq. de Loulé, 17/11/2014

Este é o aspecto actual do interior do prédio. Um imenso vazio que será preenchido com divisões muito quadradas e muito assépticas, na senda do fachadismo com que nos têm vindo a habituar e a iludir. Av. Dq. de Loulé, 17/11/2013

Outro bom exemplo numa avenida massacrada. Este faz parte de um duo em muito bom estado. As fachadas estão devolvidas à sua respectiva glória, os azulejos de friso e de frontão vêem renovados o seu brilho e a sua presença, recuperado o trabalho de ferro de varandas dianteiras ou traseiras. Avenida Dq. de Loulé, 17/11/2013

Aqui estão os dois. Para que os possamos ver e aplaudir. Exemplares quase únicos num cenário que se vai perdendo. Avenida Dq. de Loulé, 17/11/2013

Interessantes varandas de gaveto. Arquitectura do ferro. As possibilidades práticas dadas pela Revolução Industrial ao chegar a Lisboa. Avenida Dq. de Loulé, 17/11/2013

Numa cidade de contrastes, património equivalente ao anterior é deixado ao uso do tempo. Frontão de azulejos num prédio Arte-Nova. Dq. de Loulé, 17/11/2013

Fachada do mesmo prédio. Deveria todo ele ser preservado, os ferros, azulejos, cantarias das janelas são de uma grande qualidade. Ainda está habitado. Dq. de Loulé, 17/11/2013

Insiro esta, para chamar a atenção para as clarabóias de Lisboa, verdadeiras obras de mestre, a forma como se elevam dos telhados term marcado pela positiva o perfil da cidade. Muitas vezes cobertas de chapa, outras de telhas. Com terminações de ferro trabalhadas, são mais um dos elementos de luz de um património em extinção. O mesmo prédio, Dq. de Loulé, 17/11/2013


Este prédio é um dos poucos com janelas de ferradura com vitrais, tem um corpo avançado numa preocupação habitual neste período de romper a momotonia das fachadas em linhas uniformes. Já houve um telão a dizer-nos que pertencia a um promotor espanhol. Actualmente, está num estado deplorável. Salve-se o que sobra, que mesmo assim, ainda é muito e é bom. Avenida Dq. de Loulé, 17/11/2013

Vitrais coloridos Arte-Nova na janela que é o natural prolongamneto da belíssima varanda. Avenida Dq. de Loulé, 17/11/2013

Janela de ferradura com alguns vitrais. Exemplos raros em Lisboa. Avenida Dq. de Loulé, 17/11/2013

Buracos, escombros de toda a espécie e feitio, braçadeiras de ferro que seguram a ruína para que outra ruína não caia antes de tempo e nos supreenda todos os dias.  Nenhum lisboeta devia merecer uma cidade assim. E Lisboa também não. A beleza é uma coisa frágil. Mesmo a de Lisboa. Avenida Dq. de Loulé, 17/11/2013

1 comentário:

Anónimo disse...

É caso para dizer:

Pobres dos nosso netos e gerações vindouras, quando somos nós os privilegiados de ver o pouco que resta.