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18/11/2020

Castelo de São Jorge - Pedido de intervenção à CML

Exmo. Senhor Presidente
Dr. Fernando Medina,
Exma. Senhora Vereadora
Dra. Catarina Vaz Pinto


C.C. AML, EGEAC, DGPC e media

No seguimento de uma visita efectuada ao Castelo de São Jorge, constatámos uma série de detalhes que, a nosso ver, deveriam merecer a atenção da tutela daquele que tem sido referido como o monumento mais visitado da cidade de Lisboa, detalhes que serão passíveis de concretizar sem grande investimento ou grau de dificuldade.

Assim, gostaríamos de sugerir que no recinto do Castelo de São Jorge fosse acrescentada a identificação de locais para conhecimento do visitante: por exemplo, indicando os locais da antiga alcáçova, as ruínas do paço real de Dom João assim como a descrição de cada uma (das várias) fontes (que poderiam ter água corrente) com QR Codes para páginas descritivas.
Pedimos igualmente que as placas de madeiras com poemas fossem re-pintadas ou substituídas e que as árvores do Castelo recebessem placas de indicação de espécie.

Gostaríamos igualmente de saber se há planos para reabrir ao público as zonas hoje fechadas (em torno do Castelejo e nas próprias muralhas) e de saber se há planos para substituir as "reconstruções" a cimento e tijolo da década de 1940 no Castelejo.

Por outro lado, muitas zonas dentro do recinto do Castelo não parecem ter sido ainda alvo de escavações arqueológicas que provavelmente, dada a densa história do local, teriam grandes frutos: há planos da autarquia para realizar estes trabalhos?

Por fim, gostaríamos de alertar V. Exas. para a existência de lajes do Castelo que estão a precisar de reassentamento em vários locais e que favorecem a quedas e tropeções, e que várias mesas estão mal mantidas no Miradouro dos Canhões e precisam de ser reassentadas, e que existem correntes para prender informações turísticas em árvores (!): um método reprovável, em colisão com as boas práticas indicadas no Regulamento Municipal do Arvoredo.

Perguntamos ainda para quando estará prevista a reabertura da entrada pelo portão da Calçada Menino Deus?

Na expectativa, apresentamos os nossos melhores cumprimentos.

Paulo Ferrero, Rui Pedro Martins, Bernardo Ferreira de Carvalho, Beatriz Empis, Rui Pedro Barbosa, Virgílio Marques, Eurico de Barros, Nuno Franco, Miguel Atanásio Carvalho, Jorge Pinto, Inês Beleza Barreiros, João Pinto Soares, Fátima Castanheira, António Araújo, Pedro Cassiano Neves, Pedro Henrique Aparício

Fotos: Rui Martins

28/03/2015

Travessa do Funil - urinol histórico em risco


Exmo. Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior
Dr. Miguel Coelho


Chamamos a atenção de V. Exa. para o estado lastimável em que se encontra o urinol histórico em apreço (tendo já caído dois dos seus suportes), solicitando o seu restauro urgente!

Lembramos que se trata de um exemplar raro do mobiliário urbano de antanho da nossa cidade, que importa preservar e restaurar, até porque o seu restauro não será muito dispendioso.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Fernando Jorge e Bernardo Ferreira de Carvalho

24/07/2014

Câmara de Lisboa quer instalar um funicular na Mouraria e escadas rolantes no Martim Moniz


Câmara não dá prazos, mas diz que haverá novos acessos ao castelo DAVID CLIFFORD/ARQUIVO


In Público (23.7.2014)
Por INÊS BOAVENTURA

«O vereador Manuel Salgado fez um balanço do trabalho feito na área da reabilitação e elencou prioridades para os próximos anos.

A Câmara de Lisboa investiu 130 milhões de euros na área da reabilitação urbana nos últimos cinco anos, período durante o qual mais de 95% das obras por si licenciadas visaram a requalificação de património já existente. Os números foram divulgados pelo vereador Manuel Salgado, que anunciou que o município quer instalar umas escadas rolantes para ligar o Martim Moniz ao Castelo, um funicular entre a Mouraria e a Graça e elevadores entre o Campo das Cebolas e a Sé.

Na reunião camarária desta quarta-feira, o autarca fez, respondendo a uma solicitação dos vereadores do PCP, uma apresentação sobre o trabalho que o município vem desenvolvendo em matéria de reabilitação. Manuel Salgado, que entregou aos vereadores um documento de 80 páginas sobre o assunto que pode ser consultado na página da câmara na Internet, aproveitou também para elencar alguns dos projectos que se propõe concretizar nos próximos anos.

Segundo se diz nesse documento, nos últimos cinco anos foi feito um investimento de 730 milhões de euros na reabilitação da cidade: 130 milhões pela autarquia, através de verbas do Programa de Investimentos Prioritários em Acções de Reabilitação Urbana, do Quadro de Referência Estratégico Nacional e das contrapartidas do Casino de Lisboa, e 600 milhões por privados. Estes números ficam muito aquém dos oito mil milhões de euros que a câmara referiu anteriormente ser o valor necessário para intervir em todos os prédios de Lisboa que carecem de obras.

Entre as áreas em que houve uma aposta mais forte, Manuel Salgado apontou os bairros históricos, como Alfama, Mouraria e Madragoa, a zona norte da cidade e a zona ribeirinha. Mas também a Baixa Pombalina onde, resume, foi feito um investimento de 126 milhões de euros entre 2008 e 2013.

O vereador do Urbanismo explicitou que neste momento há “24 edifícios inteiros” em obras na Baixa, dos quais sete se destinam a alojamentos turísticos, o que representa uma área de intervenção de 33 mil metros quadrados. Além disso, disse, há 16 processos aprovados, 14 deferidos à espera do pagamento das licenças e 17 em apreciação.[...]

Quanto ao futuro, Manuel Salgado sublinhou que “aumentar a rede de percursos pedonais assistidos” é uma das prioridades da autarquia. Nesse sentido, referiu, vão ser instaladas umas escadas rolantes entre o Martim Moniz e o Castelo (nas Escadinhas da Senhora da Saúde), um funicular entre a “Alta Mouraria” (onde será criado um parque de estacionamento) e a Graça e “elevadores” entre o Campo das Cebolas e a Sé.

O autarca não adiantou prazos para a concretização dessas obras, mas informou que os projectos de execução estão já a ser desenvolvidos. A este respeito, Manuel Salgado avançou ainda que o elevador já existente na Rua dos Fanqueiros está a ter cerca de 60 mil utilizadores por mês, o que considera ser “um número muito relevante”.

Também como projectos a desenvolver num futuro próximo, o vereador do Urbanismo elencou a “atenção aos territórios prioritários”, a intervenção “no eixo histórico Avenida Fontes Pereira de Melo/Avenida da República/Campo Grande” e o “aumento da rede de pistas cicláveis”.

Nesta reunião camarária, tanto Carlos Moura, do PCP, como António Prôa, do PSD, questionaram o executivo sobre a falta de manutenção dos espaços verdes do Parque das Nações, incluindo o Parque Tejo. Na ausência do vereador José Sá Fernandes, que tem a seu cargo essa área, a resposta veio do vereador Duarte Cordeiro, que se limitou a informar que “desde segunda-feira” já há uma empresa no terreno a assegurar a manutenção dos espaços verdes e do mobiliário urbano.[...]»

11/02/2014

Pátio Dom Fradique - Para quando uma solução digna para este espaço?


Exmo. Senhor Presidente da CML
Dr. António Costa
Exmo. Senhor Vereador do Urbanismo
Arq. Manuel Salgado


Cc. AML e Media

Em 2006, dávamos conta (em http://cidadanialx.blogspot.pt/2006/05/lx-esquecida-ptio-dom-fradique.html) do estado de abandono descarado em que se encontrava o Pátio Dom Fradique (e que já vinha de alguns anos antes), então propriedade da Câmara Municipal de Lisboa e, tal como agora, espaço classificado e, nessa medida, merecedor de uma atenção especial de quem direito, até porque é local de passagem habitual de turistas.

Passados todos estes anos, contudo, passado mais um QCA e anunciado mais um sem-número de programas de reabilitação urbana para a cidade Lisboa, tudo continua na mesma, ou melhor, pior, porque acrescido de uma diferença: o Pátio Dom Fradique pode já não ser propriedade da CML, uma vez que os objectivos que fundamentaram a expropriação – a suposta reabilitação pela CML daquele local - nunca foram conseguidos até hoje.

Daí, a nossa questão: o Pátio Dom Fradique ainda pertence à CML?

Se pertence, quando é a que CML recupera aquele espaço?
Se não pertence, que vai a CML fazer em relação ao Pátio Dom Fradique?
Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Fernando Jorge, Bernardo Ferreira de Carvalho, Luís Marques da Silva, António Araújo, Virgílio Marques, Jorge Lima, Rui Martins, Inês Barreiros, Beatriz Empis, Miguel de Sepúlveda Velloso, Jorge Pinto, Carlos Leite de Sousa, Júlio Amorim e João Oliveira Leonardo

07/11/2013

Acesso mecânico ao Castelo de S. Jorge


Caros colegas:

Junto envio para vosso conhecimento carta que enviei ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, acerca do projecto de acesso mecânico ao Castelo de S. Jorge.

Com os meus cumprimentos

Guilherme Alves Coelho


...

Para: Ex.mo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa

Assunto: Acesso mecânico ao Castelo de S. Jorge


Data: 23-10-2013

Em 3/3/2005 divulguei, através de um artigo publicado no jornal PÚBLICO, intitulado “De escadas rolantes para o Castelo”, uma proposta de acesso mecânico para o Castelo de S. Jorge, composta por três fases.

Tomei conhecimento mais tarde, por documentos publicados, da adopção da ideia pela Câmara como projecto da cidade.

Posteriormente constatei a execução das duas primeiras fases, em tudo idênticas às da minha proposta e a sua entrada em funcionamento.

Através da revista municipal LISBOA datada de Outubro de 2013, é divulgada a obra e referida a autoria do projecto – o Sr. Arquitecto Falcão de Campos.

Como a Câmara nunca reconheceu pública ou particularmente a autoria da ideia, e tal notícia pode induzir em erro os leitores, venho prestar este esclarecimento à Câmara e solicitar a sua publicação através dos mesmos meios anteriormente usados para divulgação do projecto e da obra.

Com os melhores cumprimentos


Guilherme Alves Coelho (Arq.)

C/C aos partidos representados na Câmara e à Agência Lusa.
Em anexo : fotocópia do jornal PÙBLICO de 3/3/2013

08/05/2013

Rara peça de mobiliário urbano abandonada​: Urinol do Largo do Chão da Feira (Castelo)





Exmo. Sr. Vereador do Espaço Público
Dr. José Sá Fernandes


Vimos pelo presente chamar a atenção de V. Exa. para o estado de abandono a que está votada esta raríssima peça de mobiliário urbano de Lisboa, sita na Rua Chão da Feira, ao Castelo.

Numa zona por onde passa anualmente mais de 1 milhão de visitantes, não se entende por que é tão difícil limpar, reparar ou pintar um objecto afinal tão pequeno. Lembramos que em cidades como Berlim ou Paris é possível ver estas peças recuperadas.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho e Fernando Jorge

03/04/2013

Comerciantes desesperam pelo fim das obras para ligar a Baixa ao Castelo


In Público (3/3/2013)
Por Marisa Soares

Requalificação do piso na Rua da Vitória está a demorar mais do que o previsto e a Câmara não diz quando deverá terminar. A caminho do Castelo de São Jorge, o estacionamento vai ser reduzido

A requalificação da Rua da Vitória, na Baixa de Lisboa, inserida no projecto do percurso pedonal assistido que ligará aquela zona ao Castelo de S. Jorge, deveria estar pronta em três meses, segundo o cartaz que anuncia a obra. Mas a empreitada dura há mais de meio ano e, olhando para a rua esburacada, não se lhe vislumbra o fim, para desespero dos comerciantes que ali se encontram.

Basta percorrer a rua para perceber uma agonia de que estas obras são apenas parcialmente responsáveis. Alguns comerciantes fecharam a porta de vez, outros deixaram lá tudo e dão ordens ao correio para entregar as cartas noutra morada. Para facilitar a entrada nos prédios há estrados improvisados sobre os enormes buracos escavados dos dois lados da rua, repleta de canos, tábuas, terra e materiais de construção. No interior das lojas vêem-se poucos clientes, numa manhã chuvosa. “Tem sido um sofrimento enorme” para os comerciantes, afirma o presidente da Associação para a Dinamização da Baixa Pombalina, Manuel Lopes. Embora reconheça que a intervenção vai trazer “um grande benefício para a Baixa e para turistas e moradores”, Manuel Lopes critica a demora na sua conclusão.

Também o presidente da Junta de Freguesia de S. Nicolau, António Manuel, está apreensivo. “É um projecto excelente, mas a obra arrasta-se há quase um ano. Este atraso podia ter sido previsto até antes da adjudicação, pois é uma obra complexa”, lamenta, defendendo que a autarquia devia compensar os empresários pelas perdas. O PÚBLICO questionou a Câmara, mas não obteve resposta.

A intervenção inclui a reformulação das redes de água, electricidade, gás e telecomunicações no subsolo. “Quisemos fazer caleiras técnicas separadas, para disciplinar e facilitar a manutenção”, explica o arquitecto Falcão de Campos, responsável pelo projecto. A demora, explica, deve-se em parte à dificuldade em conciliar agendas das concessionárias. O Inverno rigoroso não terá ajudado.

A calçada portuguesa vai ali ser substituída por pedra de lioz e, nas zonas inclinadas, por calçada de granito menos escorregadia do que a convencional. No ano em que se comemoram os 125 anos do nascimento de Fernando Pessoa, não foi esquecida a sua ligação à Rua dos Douradores: no cruzamento com a Rua da Vitória fi cará escrita, no chão, uma citação do poeta.

Para facilitar a ligação entre a Baixa e a colina do Castelo, vão ser instalados três elevadores num prédio na Rua dos Fanqueiros, cujo miolo foi demolido. Na cave ficarão os sanitários públicos e, segundo o arquitecto, os três pisos superiores poderão acolher os serviços da futura freguesia de Santa Maria Maior, que juntará várias freguesias da Baixa. Durante a obra, que deverá estar pronta dentro de um mês, foi descoberta uma escadaria, anterior ao terramoto de 1755, que leva a uma subcave labiríntica, com tecto abobadado. Poderá servir para exposições, por exemplo.

A ligação deste prédio à cota mais alta faz-se através de uma passagem, ao nível do terceiro andar, pelo saguão que separa aquele edifício de outro na Rua da Madalena. Saindo no rés-do-chão deste segundo edifício, os utilizadores podem seguir para os elevadores instalados no silo do antigo Mercado do Chão do Loureiro. Pelo caminho, atravessam o Largo Adelino Amaro da Costa (Caldas), cuja repavimentação, também em pedra de lioz, começou ontem.

No resto do percurso até ao castelo está prevista a requalifi cação do pavimento e o alargamento dos passeios, com escadas nas zonas mais íngremes. Os lugares de estacionamento vão ser reduzidos “consideravelmente”, segundo Falcão de Campos. No total, o projecto estava inicialmente orçado em mais de nove milhões de euros, pagos através das contrapartidas do Casino de Lisboa.


Morte anunciada para muitas lojas
Comércio de rua vai sair para dar lugar a hotéis
A revolução a que se está a assistir na Baixa da cidade não se fica pela requalificação do espaço público no percurso de acesso ao Castelo de São Jorge. O comércio tradicional, que está a ser duramente afectado há vários meses pelas obras em curso, também tem vindo a ser abalado com os projectos de instalação de, pelo menos, dois hotéis junto à Rua da Vitória e com as facilidades que a nova lei das rendas trouxe aos processos de cessação dos contratos de arrendamento. Como o PÚBLICO noticiou em Março, sete comerciantes instalados num edifício que faz esquina entre aquela artéria e a Rua Augusta têm de sair até Agosto. Mas não são os únicos. No quarteirão entre a Rua dos Fanqueiros e a dos Douradores há mais “11 ou 12” com ordem de despejo, diz Jorge Gonçalves, dono do Armazém Ramos, desde 1937 na esquina da Rua dos Fanqueiros com a da Vitória. “Nunca quis desistir, agora sanearam-me”, lamenta o empresário de 86 anos, que tem de fechar até Outubro. M.S.»

25/06/2012

Carteiristas detidas em flagrante quando roubavam turista

Carteiristas detidas em flagrante quando roubavam turista

Duas carteiristas foram detidas por agentes da PSP, em flagrante delito, quinta-feira de manhã, quando furtavam uma carteira a um turista inglês que viajava na carreira 37, junto ao Castelo de São Jorge, em Lisboa. A PSP explicou que as mulheres, com 30 e 42 anos, actuavam em conluio, e enquanto uma furtava a carteira, a outra escondia na sua roupa.

in PÚBLICO, 24 de Junho de 2012

NOTA FCLX: Este filme já está em exibição há vários anos em toda a zona da colina do Castelo sendo o eléctrico 28 o personagem mais conhecido. Enquanto a CARRIS insistir na recusa de colocar ao serviço mais veículos nesta carreira vamos ter os autocarros cronicamente super lotados (já saem cheios da primeira paragem na Praça da Figueira!) o que constitui um bom ambiente de "trabalho" para a profissão de carteirista! 

09/02/2012

Elevador para facilitar ligação entre Baixa e Castelo com conclusão prevista para o final do ano

In Jornal Ionline (9/2/2012)
Por Agência Lusa

«A Câmara de Lisboa assinou hoje o auto de consignação para a recuperação de dois edifícios da Rua dos Fanqueiros que vão albergar um elevador para facilitar a ligação entre a Baixa e o Castelo a partir de 2013.

Este elevador vai ser gerido pela EMEL (Empresa de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa), que deverá ser pago, tendo uma tarifa especial para moradores, disse o presidente da câmara, António Costa.

A reabilitação dos números 170-178 da Rua dos Fanqueiros vai custar cerca de 1,5 milhões de euros, provenientes do imposto de jogo do Casino de Lisboa, e as empreitada deverá estar concluída em 240 dias, ou seja, até no final deste ano, indicou.

Depois de recordar o "desafio de vencer colinas" com que os lisboetas "sempre se depararam", António Costa afirmou que esta obra é "o ovo de Colombo", uma vez que "é aproveitado o miolo do edifício para fazer um elevador como os outros mas de uso público", para "fazer uma ligação confortável" a uma quota mais alta da cidade.

Este elevador subirá quatro andares e terá saída na Rua da Madalena, junto ao Largo do Caldas (que também será requalificado). Depois destas obras, "a câmara vai avançar com uma segunda empreitada, no valor de 2,1 milhões de euros, que abrange a requalificação de toda a Rua da Vitória, toda a Rua da Costa do Castelo e o percurso pedonal do Largo do Caldas até à Rua da Costa do Castelo", disse o autarca.

Em junho, a Câmara de Lisboa inaugurou o parque de estacionamento do Mercado do Chão do Loureiro que disponibiliza um elevador panorâmico que liga o Largo do Caldas ao topo da Calçada do Marquês de Tancos e que permite um 'passeio pedonal' entre a Baixa e o Castelo de São Jorge.

Assim, considerou o vice-presidente da câmara, Manuel Salgado, "todo e qualquer cidadão vai poder facilmente subir a Baixa ao Castelo".

Salientando os dados dos Censos 2011, que indicam um crescimento das famílias em Lisboa e um abrandamento no decréscimo da população da cidade, António Costa defendeu o investimento na Baixa.

"Vale a pena investir na Baixa, há uma nova população a desejar viver no centro da cidade", disse o autarca, salientando a necessidade de investir em equipamentos - como a nova escola do Tribunal da Boa Hora - e de alterar o sistema de circulação na zona histórica.»

...

F-I-N-A-L-M-E-N-T-E!

Independentemente - e tal qual na solução do elevador dentro do mercado do Chão do Loureiro - do elevador ser pior do que a de umas simples escadas rolantes, e independentemente do ovo de colombo ser de outro, claro. E, ainda, independentemente das verbas do casino darem para tudo e mais alguma coisa, sendo que por este andar ...!!

08/04/2010

Entrevista ao Arquitecto Manuel Salgado

Não foram suficientes as restrições ao trânsito na Baixa: é preciso reduzir ainda mais o volume de tráfego. Manuel Salgado, vice-presidente e vereador do Urbanismo da Câmara de Lisboa, quer ver surgir depressa um pólo de Serralves na Praça do Município e sublinha a urgência de ocupar as arcadas do Terreiro do Paço com estabelecimentos comerciais e esplanadas, agora que o novo pavimento está quase pronto. Salgado afirma que em meados do ano que vem vai ser possível chegar de elevador ao Castelo de São Jorge.

O orçamento da câmara para 2010 (que foi chumbado) prevê venda de património municipal, como palácios. Para quê?
Para reinvestir.

Em quê?
Por exemplo, para reabilitação do Bairro Padre Cruz e da Mouraria, que têm candidaturas ao Quadro de Referência Estratégico Nacional mas só para metade do investimento. Ou seja, vendem-se palácios para recuperar bairros degradados. E não só. Espaço público, equipamentos, escolas.

É legal o município passar a exigir aos promotores imobiliários que uma percentagem dos fogos que coloquem no mercado seja a custos controlados?
A Lei dos Solos prevê-o expressamente. E já a temos contemplada no projecto do novo Plano Director Municipal, que está pronto. Se a situação actual se mantiver, o mercado imobiliário desaparece em Lisboa. As pessoas não têm capacidade de pagar as rendas nem os valores de venda. E é garantido que, a prazo, as taxas de juro dos empréstimos vão subir. Estamos a tentar encontrar o ponto de equilíbrio que permita, sem pôr em crise o sector, criar uma oferta de habitação acessível a um leque mais vasto de pessoas. Lisboa vive uma situação absolutamente dramática em termos de falta de população. E também distorcida: temos um pouco menos de meio milhão de habitantes e 26 mil fogos municipais. Mais de metade destas 500 mil pessoas não pertencem à população activa. Só para se ter uma noção da gravidade da situação, Barcelona tem 1,7 milhões de habitantes e nove mil fogos municipais de habitação social.

É uma cidade de velhos...
...de velhos e de pobres, à qual afluem diariamente mais pessoas do que aquelas que cá vivem. As receitas municipais têm vindo a diminuir nos últimos dez anos por via da saída de empresas e de gente. É indispensável um consenso entre todas as forças políticas para pormos em prática medidas que invertam esta tendência.

E que percentagem dos fogos será a custos controlados?
Falou-se em 25 por cento e pode ser um ónus temporário, no caso dos arrendamentos. A partir de determinada altura o imóvel poderia ser posto no mercado livre.

Quando entrará a medida em vigor?
Espero que o novo PDM seja aprovado no início do ano que vem.

E seria só para urbanizações novas?
Não, funcionaria também para a reabilitação urbana.

Como está a revitalização da Baixa?
Apostámos forte na Baixa. Prevê-se que no final deste mês vá à reunião de câmara o respectivo plano de salvaguarda. Uma vez aprovado, os licenciamentos de obras já não têm de passar pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar).

Isso é bom?
É, porque o Igespar fez parte da equipa que elaborou o plano e definiu as regras de transformação do edificado, o que nos vai permitir licenciar obras mais depressa. Depois de o plano aprovado, só os edifícios que são monumentos nacionais é que têm de ter parecer do Igespar, que é o caso do Terreiro do Paço e do Teatro D. Maria. Também foi definido qual o comércio de tradição que tem de ser mantido.

Muita da arquitectura de interiores das lojas da Baixa foi destruída. O plano ainda vem a tempo de salvar o que quer que seja?
Vem. Mais do que planos que funcionem como instrumentos de polícia, necessitamos de outra cultura de abordar a cidade. Por exemplo, a loja Casa Portuguesa afirma-se pela valorização dos móveis antigos, das estantes antigas, de um determinado carácter que distingue a loja, para além dos produtos que vende. A Confeitaria Nacional está impecável. Isto parte muito da cultura dos próprios comerciantes. Mas se essa cultura não existe... Também é difícil impô-la.

No passado, falou na possibilidade de o plano de salvaguarda da Baixa permitir demolições. Referia-me aos pisos a mais. Ou a edifícios inteiros sem valor?
Sim. Já não me lembro se o plano contempla situações dessas, mas, teoricamente, deve contemplar. Até porque há edifícios que nunca foram construídos de acordo com o plano pombalino. Ficaram mais baixos. Que me recorde, neste momento, não há nenhuma demolição prevista.

Houve uma redução de trânsito na Baixa por causa do novo plano de tráfego? Exactamente. E agora vai ter de ser aperfeiçoado para reduzir mais o ruído. Vamos alargar os passeios das ruas do Ouro e da Prata. Ainda temos de reduzir 25 por cento do actual volume de tráfego.

Quando é que vamos poder chegar ao castelo de elevador?
Uma vez que a obra está em curso, em meados do ano que vem.

E tomar um copo nos Terraços do Carmo, com a Baixa aos pés?
Espero que, o mais tardar, em 2012. Outro projecto que espero que avance em breve é a criação de um pólo do Museu de Serralves na Praça do Município. O BPI é sponsor de Serralves e tem uma antiga dependência neste local.

Há mais novidades na Baixa? A Loja do Cidadão dos Restauradores vai ser transferida para um prédio no cruzamento da Rua dos Fanqueiros com a Rua do Comércio. Por outro lado, queremos criar um espaço para expor o que de melhor se faz nas novas tecnologias em Portugal. Estamos à procura de um edifício na Baixa para instalar uma "megastore da inovação", que será uma parceria da câmara com outras instituições.

O novo pavimento do Terreiro do Paço está quase pronto. O que fica a faltar na praça? A limpeza das fachadas, o restauro do Arco da Rua Augusta e a utilização dos pisos térreos.

E os estabelecimentos comerciais previstos para as arcadas do Terreiro do Paço? Houve um primeiro estudo que deixava muito a desejar. Neste momento está a ser feita outra abordagem. Mas o que a câmara entende é que é urgente que seja definido o perfil dos estabelecimentos que ali vão ser instalados. Estando o espaço público concluído, é urgente que aqueles grandes passeios sejam usados com esplanadas, com sítios para as pessoas estarem. A praça vai ficar lindíssima. E é possível instalar algumas esplanadas sem que isso implique obras. Podem ali ser colocados uns belos quiosques, como o que está no Camões.

Que mais? A Sociedade Frente Tejo terá de apresentar à câmara um projecto de urbanismo comercial, para aprovarmos. Sei que estão a tentar apostar mais na restauração e em determinado tipo de lojas-âncora. Mas o maior problema era o modelo de gestão a adoptar. É sobre isso que estão a ser exploradas hipóteses. Haverá áreas destinadas a usos culturais, restauração, livrarias, lojas de produtos nacionais... (in Público, 8-4-2010, entrevista de Ana Henriques)

Foto: Rua da Conceição

22/12/2009

Arquitecto holandês quer praça subterrânea na colina do castelo

In Público (22/12/2009)



«Lieuwe Op"t Land idealizou um grande átrio debaixo da terra encimado por uma cúpula gigantesca, com lojas, restaurantes e elevadores para o castelo de S. Jorge

Um projecto de risco com custos exorbitantes


Um arquitecto holandês propôs à Câmara de Lisboa a construção de uma grande praça subterrânea e de elevadores em fossos escavados na rocha, no interior da colina do Castelo de S. Jorge, em Lisboa, como solução urbanística para o acesso da Baixa ao monumento.

Numa publicação que entregou por sua iniciativa na autarquia lisboeta, e a que a agência noticiosa Lusa teve acesso, o arquitecto de 86 anos Lieuwe Op"t Land, radicado em Portugal, defende a construção de um átrio subterrâneo ao nível da Baixa, por baixo do castelo, comunicando com este através de elevadores.

Além da construção de um grande átrio no interior da colina, encimado por uma cúpula de 20 mil metros quadrados de área, o arquitecto sugere que a rocha seja perfurada com furos verticais para aí serem montados vários elevadores, não só para visitantes e habitantes como também para o transporte de mercadorias.

Lieuwe Op"t Land propõe que este átrio seja "um local de encontro e de convívio social", com uma estação de metro, lojas e restaurantes em redor dos acessos aos elevadores. E planeou um túnel para o ligar ao Martim Moniz, com entrada pelo antigo Salão Lisboa. O projecto prevê a retirada de um milhão de metros cúbicos de terra da colina. O arquitecto, que reside na Ericeira, faz depender a viabilidade desta ideia de estudos geológicos destinados a determinar se existem condições de segurança, nomeadamente em termos de solidez da rocha, que permitam executar a obra. Mas considera esta uma solução arquitectónica exequível, graças às técnicas modernas da engenharia. Por decorrerem no subolo, estas obras não iriam trazer transtornos para os moradores nem fechar temporariamente o castelo, argumenta.

A Câmara de Lisboa confirmou ontem ter recebido a sugestão de Lieuwe Op"t Land, mas esclareceu desde logo que não a aproveitará. Quer pelos custos e pelos riscos a ela associados, quer porque está a preparar uma outra solução que passa pela colocação de escadas rolantes e elevadores dentro de dois edifícios já existentes, um prédio na Rua dos Fanqueiros e o mercado do Chão de Loureiro. A obra não ficará pronta antes do final de 2010. PÚBLICO/Lusa»

...

A ideia de aproveitamento da rocha por debaixo do castelo, mais precisamente por baixo do terreiro da estátua a D.Afonso Henriques, não é nova.

Com efeito, já dois dos nossos colunistas o tinham feito, os Arq. Alves Coelho e Arq. Formozinho Sanchez, há anos, respectivamente, por perfuração do maciço logo à entrada da R. Costa do Castelo, depois das escadinhas do Chão de Loureiro, e por perfuração da rocha, junto ao terreno vazio (e, aparentemente, sem dono), defronte à porta do Chapitô.

Compreende-se a ideia: para se ter um acesso facilitado ao Castelo (monumento, bairro, freguesia) desde a Baixa, não chegam os elevadores e escadas-rolantes dentro de prédios, desde a Rua dos Fanqueiros até Chão do Loureiro e daqui à Costa do Castelo. Falta o resto.

Só que o resto é perigoso, muito caro e envolveria um projecto muito demorado com todo o transtorno que daí adviria. Por isso, acho que é melhor deixarmos o último troço de acesso ao cimo do monte para as ... pernas. É um óptimo exercício.

...

Por outro lado, há sempre a tentação de intervir do lado do Martim Moniz. Por isso o estapafúrdio elevador de João Soares. Também aqui a solução poderia passar por percursos complementares de elevadores e escadas rolantes em prédios e terrenos municipais, embora já sejam poucos. Mas ainda há essa possibilidade: facilitar as pessoas a subirem até à Rua Costa do Castelo, mais uma vez. Além disso o Teatro Taborda agradeceria.

Contudo, o melhor meio de acesso "lá acima" desde o Martim Moniz continua a ser o eléctrico. Que se tirem de vez os carros que impedem a circulação dos eléctricos. Que as carreiras sejam mais frequentes.



Nota: Esta notícia também foi publicada no DN.

22/09/2009

Percursos pedonais com elevadores vão unir o Castelo à Mouraria, Sé, Alfama e Graça

In Público (22/9/2009)

«A Câmara de Lisboa vai candidatar parte do projecto ao QREN e pretende pagar o restante com fundos do turismo e contrapartidas de promotores imobiliários


A Câmara de Lisboa quer criar quatro percursos pedonais servidos por meios mecânicos para melhorar a acessibilidade à colina do Castelo. O projecto, orçado em 12,5 milhões de euros, inclui a criação de mais de mil lugares de estacionamento.

Daqui a quatro anos, segundo as previsões do vereador do Urbanismo e Planeamento Estratégico da autarquia, será mais fácil visitar o Castelo de São Jorge e os restantes monumentos da colina. Nessa altura, a maioria dos desníveis existentes será vencida com o recurso a elevadores e escadas rolantes (que, sempre que possível, ficarão dissimulados no interior de edifícios municipais para diminuir o seu impacte visual) e na base dos novos caminhos haverá acesso facilitado a estações do Metropolitano de Lisboa e parques de estacionamento.

Mas a criação dos quatro percursos pedonais destina-se não só aos turistas, mas também à população residente na zona que, como frisou ontem o vereador Manuel Salgado, é bastante envelhecida e tem dificuldades de locomoção. A medida pretende quebrar o isolamento dos moradores e dinamizar actividades económicas locais.

Um dos percursos partirá do Campo das Cebolas até à Sé e daí para o Castelo. Este cruzar-se-á no Chão da Feira (uma das portas do monumento) com um outro, que vai ligar Alfama às Portas do Sol.

O terceiro trajecto unirá o Castelo à Graça, unindo-se na porta do Moniz (entrada do Castelo que, segundo a Câmara de Lisboa, não é usada actualmente) com o último trajecto, que vai fazer a ligação ao Martim Moniz.

Quando forem concretizados, estes percursos pedonais vão juntar-se a um outro já conhecido, cujas obras deverão iniciar-se "nos primeiros dias de Outubro", como adiantou o vereador Manuel Salgado. Trata-se do "percurso assistido" que parte da Rua dos Fanqueiros - onde, segundo o vereador, está "em fase adiantada" a compra pela autarquia de um edifício necessário para o efeito -, sobe ao Largo do Caldas e chega ao Castelo através do Mercado do Chão do Loureiro.

As quatro ligações anunciadas articulam-se com cinco novos parques de estacionamento, com um total de 1100 lugares: Chão do Loureiro, Terminal de Cruzeiros de Alfama, Campo das Cebolas, Coleginho da Rua Costa do Castelo e Rua dos Lagares.

Segundo Manuel Salgado, o investimento será concretizado em duas fases. A primeira, de 5,5 milhões de euros e que a autarquia vai candidatar a fundos do Quadro de Referência Estratégico Nacional, destina-se a espaço público e meios mecânicos. A segunda fase, de sete milhões de euros, inclui entre outras obras os parques de estacionamento, e o vereador explica que a intenção é que venha a ser paga com fundos do Instituto de Turismo de Portugal e com contrapartidas de algumas intervenções urbanísticas previstas para a zona.

Ontem, por ocasião da Semana Europeia da Mobilidade, a câmara anunciou a abertura do concurso público para a atribuição de 50 licenças para táxis adaptados ao transporte de pessoas com mobilidade reduzida. A ideia era que alguns dos 3550 veículos que circulam em Lisboa fossem adaptados para o efeito, mas a falta de interesse dos profissionais obrigou a optar pela atribuição de novas licenças.»

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Correcção: o elevador do Mercado do Chão do Loureiro não chega ao castelo mas à Rua Costa do Castelo, que é coisa bem diferente. Por mim, fica bem assim porque não vejo como se poderá escavar a muralha do castelo, ou a base dela, para se construir a última parte do trajecto mecânico. Convém, aliás, que as pessoas se mexam um pouco e façam exercício...

22/05/2009

Elevador para o castelo arranca em Agosto

Oito anos após ter sido abandonado devido às vozes contra da opinião pública, o projecto da ligação em elevador da Baixa ao Castelo de São Jorge, em Lisboa, foi reformulado e começa a ser construído já no mês de Agosto.

A ligação irá fazer-se por um primeiro elevador colocado num prédio devoluto no começo da Rua dos Fanqueiros, que terá uma saída [ao nível do último piso] para o Largo Adelino Amaro da Costa. Depois, um outro elevador dentro do Mercado do Chão do Loureiro estabelece a restante ponte com a cota do castelo.

Segundo o vereador do Urbanismo da Câmara de Lisboa, Manuel Salgado, o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) já deu um parecer positivo ao projecto. "É uma obra que se insere no plano de acesso às encostas. O 'Mobilidade Suave", adiantou.

Além do elevador, o mercado integrará ainda um parque de estacionamento em silo automóvel, um supermercado e um restaurante panorâmico [ver pormenores na caixa ao lado]. Trabalhos que serão custeados pela Empresa Pública Municipal de Estacionamento de Lisboa (EMEL), à excepção do mecanismo de ligação ao castelo.

Fonte da empresa adiantou, ao JN, que a "transformação do mercado - actualmente sem actividade - em silo automóvel remonta ao mandato de Santana Lopes, tendo sido adjudicado à construtora Soares da Costa, em 2006". "Essa obra arranca em Agosto e o Município assume o custo relativo aos elevadores", disse a mesma fonte.

A Câmara aprovou anteontem a transferência de 380 mil euros para a EMEL, correspondentes ao projecto de inclusão dos elevadores no projecto.

In JN

21/05/2009

Torre de Foster em Lisboa poderá não sair do papel

In Público (21/5/2009)
Ana Henriques


«Vereadora do PSD entende que o que cresce no terreno ao lado compromete projecto do britânico galardoado com o prémio Príncipe das Astúrias em Artes


O arquitecto britânico Norman Foster recebeu ontem o prémio Príncipe das Astúrias em Artes, mas o projecto que tem para Lisboa, uma torre de 27 andares em Santos, ao pé do rio, poderá nunca sair do papel - tal como aconteceu com outros grandes nomes da arquitectura mundial que projectaram obra para Lisboa.

Questionado ontem sobre se o projecto para o chamado aterro da Boavista irá por diante nos moldes em que Foster o concebeu, o vereador do Urbanismo da Câmara de Lisboa, Manuel Salgado, não deu certezas: "O plano, que já é antigo, vai ter de ser submetido a discussão pública. E a torre que ele inclui é polémica, tem levantado contestação".
Já para a vereadora social-democrata Margarida Saavedra, o edifício que a Câmara de Lisboa permitiu que esteja a crescer no terreno ao lado, uma obra de Manuel e Francisco Aires Mateus que vai albergar a sede da EDP, compromete a torre de Foster, encomendada por um grupo privado. "Tal como foi aprovada, com espaço livre à volta, ela fazia sentido. Mas o edifício que está a ser construído atravanca o espaço, prejudicando o enquadramento da torre", observou a autarca. "Norman Foster [também já galardoado com o prémio Pritzker em 1999] não merece isto", acrescentou Saavedra.
Manuel Salgado explicou que tanto o plano de pormenor da zona nascente do aterro da Boavista, onde ficará a sede da EDP, como o da zona poente, que diz respeito à área para a qual trabalhou o britânico, deverão ser apresentados proximamente na reunião de câmara. "A ideia é compatibilizar os dois planos", referiu. Margarida Saavedra criticou também o arrastar das decisões na autarquia, que levam muitas vezes os investidores a optar por fazer obra em outros concelhos onde os processos são analisados com mais celeridade, e destacou Oeiras como exemplo.
Elevadores aprovados
Mais próximo de concretização está o elevador com que a Câmara de Lisboa quer ligar a Baixa ao Castelo de S. Jorge. Na realidade, são dois elevadores, um primeiro saindo da Rua dos Fanqueiros até ao Largo do Caldas e um segundo, panorâmico, arrancando da base do mercado de Chão de Loureiro até ao seu topo. A obra foi ontem aprovada na reunião do executivo camarário, mas não sem reparos. Quem chegar ao final deste percurso terá ainda uma subida a fazer a pé para chegar ao castelo, criticou a vereadora social-democrata.
Por outro lado, acrescentou, a empreitada adjudicada em 2006 à Soares da Costa por dois milhões de euros para fazer um silo automóvel no mercado não contemplava o elevador - portanto, a bem da transparência será necessário fazer novo concurso público, já que entre o silo e o elevador serão gastos cinco milhões, defendeu.
Mas os sociais-democratas votaram vencidos neste caso. Do projecto fazem parte um restaurante panorâmico no topo do mercado e um supermercado no rés-do-chão.
Entretanto, o presidente da câmara, António Costa, anunciou que não desiste da intenção de gastar meio milhão de euros provenientes da parte das receitas do Casino de Lisboa a que a autarquia tem direito em duas exposições das colecções de arte africana de Joe Berardo e José Guimarães.
Segundo explicou António Costa, parte daquela verba - 200 mil euros - destina-se a climatizar o espaço do Terreiro do Paço onde as mostras terão lugar, o Pátio da Galé, um local que a autarquia mantém arrendado ao Estado.
Na iniciativa está também envolvida a vereadora dos Cidadãos Por Lisboa, Manuela Júdice, mas a cabeça de lista deste movimento, Helena Roseta, já veio dizer que nada tem a ver com as exposições, contra as quais votará por considerar tratar-se de um gasto excessivo.
"Não é a primeira vez nem será a última que os membros dos Cidadãos por Lisboa têm posições diferentes entre si", declarou Helena Roseta.»