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28/07/2009

Parque Eduardo VII: deitar abaixo e fazer de novo

in "DN"
por JOÃO MIGUEL TAVARES
Hoje
Fazer do Parque Eduardo VII um verdadeiro parque era uma boa forma de começar a mudar a cara à cidade
Portugal tem dificuldade em fazer as coisas bem feitas, mas tem muito mais dificuldade em refazer as coisas mal feitas. O Parque Eduardo VII é um bom exemplo dessa incapacidade - podíamos também chamar-lhe falta de coragem - para emendar os erros óbvios. O parque desempenha apenas duas funções anuais: albergar a Feira do Livro durante 17 dias e servir de local de engate durante 365. É manifestamente pouco para o espaço verde mais extenso do centro de Lisboa. Agora que estamos na pré-época das eleições autárquicas, com entrevistas de candidatos nos jornais e sondagens apertadas e muita vontade de discutir os problemas da cidade, eu deixo aqui a minha modesta contribuição para o debate: reformular toda a zona central do Parque Eduardo VII e fazer ali um jardim a sério.
O que deveria ser um dos espaços de eleição de Lisboa foi alvo de todas as maldades no decorrer do século XX. Durante a instauração da República, o parque teve a nobre função de servir de trincheira dos revoltosos. Entre as décadas de 10 e 40, foi um morro mais ou menos abandonado (embora com um lago invejável). Na década de 40, um arquitecto respeitável como Keil do Amaral conseguiu desenhar a inutilidade que hoje podemos apreciar, uma maravilha do Estado Novo que só serve para tostar turistas no Verão. E a cereja em cima do bolo foi o pirilau de homenagem ao 25 de Abril da autoria de José Cutileiro, um escultor com muitos méritos mas que naquela ocasião foi tomado pelo delírio criativo sem que ninguém tivesse tido a clareza de espírito de lhe sussurrar ao ouvido "se calhar, não era bem isto" (por respeito, evidentemente, à "liberdade artística"). Cem anos passados, já vai sendo hora de alguém se chegar à frente e dizer: "do Marquês até ao Eleven, é deitar abaixo se faz favor".
Quem hoje olhe para Lisboa certamente chegará à conclusão de que o amor que devotamos à calçada portuguesa é inversamente proporcional ao amor que dedicamos às árvores. O resultado é uma sobrecarga de cinzento, um défice de verde e um sem-número de praças - do Camões à Praça do Município, passando pelo Terreiro do Paço - cheias de pedrinhas rendilhadas e geometrias comoventes, mas sem uma sombra que se veja. Quando se aterra de avião na Portela vindo do Atlântico é muito bonito. Para quem vive cá em baixo é uma seca imensa e um óptimo convite para nunca lá pôr os pés. Eu sei que Lisboa é um ninho gigantesco de problemas, daqueles muito "macro", como o trânsito, a segurança e a habitação. Mas há "micros" que podem fazer a diferença. E fazer do Parque Eduardo VII um verdadeiro parque, com pessoas, actividades e vida, era uma boa forma de começar a mudar a cara à cidade.

22 comentários:

Anónimo disse...

não ia tão longe, mas replicar as acções que são feitas no parque das nações, nos jardins de belém, gulbenkian ou mesmo nos mais pequenos, com a ultima descoberta da cidade que são quiosques.

o parque eduardo VII podia ser o nosso central park e ainda por cima tem uma escala que o permite fazer com mais facilidade.

vejam como o jardim amalia (alto do parque) está sempre habitado e bem frequentado.

é assim tão dificil fazer o mesmo no parque eduardo VII, onde o espaço é bonito e tem uma vista fabulosa ?

Arq. Luís Marques da silva disse...

Também me parece relativamente fácil, até porque o potencial é enorme.

abrancoalmeida disse...

Tenho gratas recordações do Parque Eduardo VII: na adolescência, procurava locais menos abertos para namorar e, mais recentemente, longos passeios dei com a minha filha; E claro, a Feira do Livro! Certamente que muito poderá ser feito no Parque e, sejamos justos, melhoramentos tem havido.
Sim, é uma aberração termos no Alto do Parque o pirilau!
Se bem que o Parque é local de engate à noite (só vai lá quem quer), a verdade é que a prostituição durante o dia é inaceitável e deveria ser proibida.
O Pavilhão Carlos Lopes é um dos casos que poderia ser melhorado!

Jose S C Gomes disse...

Subscrevo o post original. Principalmente as reflexões sobre a calçada...

Carlos Leite de Sousa disse...

Ideias para o Parque Eduardo VII :

- Criação de uma Prova Challenge (ciclismo e atletismo), que aproveite a morfologia do parque;

- Criação de um circuito para exercicios;

- Policiamento permanente em toda a área do Parque;

- Aproveitamento de Anfiteatro para peças de Teatro ao Ar Livre;

- Criação de Centro de Informações;

- Prova de Orientação;

- Criação de uma Parede de Escalada;

- Introdução de Esquilos;

- Reabilitação Pavilhão Carlos Lopes;

- Criação de Programas Educacionais sobre Fauna e Flora (parceria com Parque Florestal de Monsanto);

- Promoção de Feiras Temáticas (Flores, Animas de estimação, etc);

- Criação de uma Equipa de Voluntários para ajudarem na Vigilância e a prestar Informações;

- Criação de uma Horta Urbana com Produtos Biológicos, posteriormente vendidos.

Xico205 disse...

Diga antes: uma horta com produtos biológicos posteriormente roubados, que é o mais comum nas várias hortas que há por Lisboa.

EDUARDO XXI disse...

Estou de acordo com o luis, é preciso mais árvores e bosques no parque eduardo VII.
Estaria muito grato se a CML fizesse esse favor, porque já não encontro a noite mais nenhum lugar para ter relações sexuais com a minha namorada e sua irmã.
Esta tudo occupado, estou farto. Ainda por cima, sábado passado a irmã da minha namorada escorregou num monte de preservativos deitados no chão, porque não a luz que chegue. Tivemos de ir para casa. E para terminar, o parque a noite mais parece um segundo ZOO de Lisboa, pois muita gritaria de animais a gemer, estou farto.LOOOOL

Anónimo disse...

..., porque não há luz...

Anónimo disse...

ele há gente com nenhuma piada

Anónimo disse...

Bem este texto é bastante cómico...

Primeiro falar do Parque Eduardo VII antes de 40's, é como caracterizar um qualquer individuo pelo que aconteceu antes de ele nascer.

Até 40's quando realmente se pôs mão à obra existiam várias ideias para o local, entre as quais se constava por exemplo fazer uma avenida como continuação para norte da Av. da Liberdade, felizmente fez-se aquele belo parque, como não há mais nenhum exemplar em Lisboa.

Já agora, isto na arte, cada um vê pirilaus onde quer.

Querem "mais árvores e bosques" ??? Fazer um Central Park? Hortas? Grupos de voluntários? Será o parque assim tão grande? E já agora, o que é aquilo ao lado da rua Castilho e da Av. Sidónio Pais? A mim parecem-me árvores... Tanta facilidade em ver pirilaus e depois as árvores que até estão lá bem visíveis, nikles.

Anónimo disse...

tiram de lá o pirilau!!!!

Anónimo disse...

Confesso que não percebi nada do texto escrito às 7:44. Pior que isso, não descortinei nem opinião nem ideia. Serviu para quê ?

Anónimo disse...

Grande LOL EDUARDO XXI, parti-me de rir.;-).

Luis Alexandre disse...

Cá para mim, não ficaria nada mau um parque infantil, no Parque.
Era mais central, sempre se variava do Alvito e Serafina e sitios para as crianças brincarem nunca são demais.
Não se veêm crianças a brincar em Lisboa

Anónimo disse...

Existe um Parque Infantil no Parque, junto à Estufa Fria.

Citadino disse...

E que tal irem para o Gerês? talvez o problema não esteja no Parque Eduardo VII mas nas vossas cabeças!
ps: tambem têm a possibilidade da Amazonia.

APB disse...

Desculpe lá, ó amigo, mas mexer no Parque Eduardo VII é mexer numa das poucas coisas boas que Lisboa ainda tem. Isso é conversa de político que quer mostrar obra. Não façam mais asneiras porque Lisboa já está suficientemente caótica para se meterem em mais obras.

EDUARDO XXI disse...

Naquele parque não existe um PIRILAU, mas muitos, sobretudo à noite. E olhem que são muito perigosos, sim, porque estão sempre meninas à cair em cima deles,LOOOOOOOOLOOOOOOOOOLOOOOl.;-)

Anónimo disse...

LOOOOOL

Anónimo disse...

Em Monsanto, no tempo do Santana, foi possível transformar o parque que era uma zona de prostitição,de marginalidade e insegurança num sítio aprazível, aproveitando-se a alameda Francisco Keil para espectáculos durante o Verão, criando ciclovias e pistas para jogging, reabilitando o parque infantil e tratando do arvoredo existente. O mesmo poderia ser feito no parque Eduardo VII. Ou seja, apenas criar condições para que o para que possa ser efectivamente fruído pelas pessoas. Apenas isso. Sem grandes encargos para a CML.
José Rocha

Anónimo disse...

O parque tem muito mais usos do que possam imaginar. Começa por ser um parque de estacionamento gigantesco (tanto à superfície como no subsolo), é terminal de autocarros da VIMECA, de autocarros turísticos variados, das linhas regulares com a Ucrânia (é ao Sábado ou ao Domingo e têm uma balança de casa de banho para pesar as bagagens, mesa de escritório no passeio, e prego numa árvore para pendurar o palcard), é o local onde está sediada a frota de reboques da PSP, tem cortes de ténis, piscina (coberta de inverno e descoberta de verão) , ginásio, parque infantil, quatro restaurantes. O que querem mais?

Miguel Carvalho disse...

Inteiramente de acordo. O parque como está não funciona. Tenha-se a coragem de destruir o que foi feito de errado no passado.