21/08/2009

Respiradouro convertido em urinol a céu aberto

In Jornal de Notícias (21/8/2009)
ANA RITA JUSTO

«Comerciantes e moradores indignados com cheiro nauseabundo

"Um autêntico urinol a céu aberto", diz Jorge Teixeira dos Santos, presidente da Junta de Freguesia de Campolide, acerca do respiradouro do túnel de comboios do Rossio, perto da Rua Marquês da Fronteira, em Lisboa.

A torre, com três ou quatro metros de altura, não fica indiferente a quem por ali passa, não pela dimensão, mas pelo intenso cheiro a urina que se faz sentir todos os dias. Um canto resguardado entre o respiradouro e as instalações de limpeza de Campolide, da Câmara Municipal de Lisboa (CML), "faz as maravilhas" de quem por ali vagueia, à noite, e não tem uma casa de banho mais próxima.

"Recebo centenas de e-mails, todos os dias, de moradores, que se queixam imenso", alegou o autarca, explicando que muitas vezes, também há quem atire lixo lá para cima. "O respiradouro pertence à Refer, tinha inclusive umas grades e umas flores em cima que o tornavam mais agradável, mas com o passar do tempo não foi tratado", afirma, revelando que "a Refer deveria tratar do respiradouro, mas a CML também falha tremendamente na limpeza das ruas".

Em comunicado, a CML adianta ao JN que, além do respiraroudo, também "o quiosque (que se encontra ao lado) é um chamariz para servir de urinol" e garante que "estes pontos são lavados todas as sextas-feiras à noite". "Mas, porque poderá ser insuficiente, os responsáveis da Higiene Urbana já solicitaram que se programem duas lavagens por semana". Relativamente ao lixo, a autarquia afirma que este "é recolhido, todos os dias, já que o espaço é verificado diariamente pelo encarregado de Brigada".

Contactada pelo JN, a Refer frisou que enviou um "especialista ao local", no entanto ainda não obteve qualquer resposta .

Luís Augusto Esteves, 68 anos, morador em Campolide há 45 e proprietário do restaurante "A Valenciana" - um dos mais antigos da zona - partilha das queixas gerais da vizinhança. "Cheira mal e dá mau aspecto, principalmente porque vêm cá muitos turistas ao restaurante", disse, sugerindo a colocação "de um gradeamento à volta do respiradouro para que as pessoas não fossem lá urinar".

A igreja de Santo António de Campolide é outro dos pontos críticos da freguesia. Há mais de dez anos que "está a cair aos bocados", como diz o cartaz pregado no exterior. A igreja tem frescos em gesso únicos que estão a arruinar com a infiltração de água", recorda o autarca. O Ministério das Finanças, legal proprietário do espaço, já o tentou vender à paróquia, mas por o preço "ridículo" de 1250 milhões de euros, segundo o autarca. A paróquia, por seu turno, propôs comprar a mesma por mil euros, um preço "honesto para quem depois quer restaurar o espaço", frisa Jorge Teixeira dos Santos. Mas até agora as negociações não avançara.

Luís Augusto Esteves também já trocou essa igreja pela de São Sebastião, mas ressalva que "se aquilo é património do Estado, tem de ser preservado, até porque fechando-se a igreja, não há mais nenhuma que sirva a freguesia". »

2 comentários:

Anónimo disse...

Uma falta que em Lisboa se mantém e é flagrante relativamente a cidades «civilizadas» é precisamente a de wc's públicos fáceis de encontrar (e de utilizar), por toda a parte.

Em Lisboa, ainda é «normal» fazer as necessidades na rua ou entrar no primeiro café e deixar as casas de banho em estado lastimoso.

Mas a Monocle não repara nestes pormenores...

Anónimo disse...

o sr proprietário da valenciana queixa-se da urina mas também poderia olhar para o mau cheiro que produzem as suas chaminés